Consciência expandida

O que é consciência expandida se não a coragem de enxergar-se, reconhecer a própria humanidade e a partir do que vê agir e ser em humildade? Sinceramente não faz nenhum diferença que tipo de conhecimentos possamos acumular, sejam ligados à física quântica, teologia, pensadores antigos (ou modernos) ou tanto faz. Se a tal expansão não acontece em humanidade (de dentro pra fora) servirá para alimentar a mente, separar as pessoas ou gerar distração, mas o que é isso a não ser vaidade? Cresço quando me enxergo. Quando me assumo como sou. Quando admito que não há maiores ou menores. Somos todos aprendizes.

Está sofrendo? Veja isso. – Insight

Viver nem sempre é fácil. Estamos expostos a experiência da dor, da falta de controle sobre os processos que tantas vezes nos surpreendem negativamente. Quantas vezes somos surpreendidos por atitudes inesperadas da parte de pessoas que gostamos e isso machuca? Ou pegos de surpresa pelos imprevistos da vida que chegam de repente causando perdas, sofrimentos? Não é possível viver imune a dor, mas faz enorme diferença lembrar que cabe a nós projetarmos significados nas experiências, inclusive quando dói. Como aquilo nos toca revela o ponto da caminhada em que estamos. Enxergar isso nos melhora, nos abre janelas, nos mantém caminhando. Acompanhe um breve insight abaixo. A ideia é te fazer bem. :-)

Sobre você

Você não é o corpo. Nem a imagem que vê no espelho. Nem o pensamento que movimenta o corpo. Você é a consciência por trás do pensamento. A energia que sustenta o esqueleto. A realidade é reflexo disso e se expressa em imagens, em situações, em experiência, o que lhe habita. O significado da vida é a soma dos pequenos significados que você dá (ou deixa de dar) no dia que chamamos de hoje.

Perdão

Perdoar é difícil porque não pressupõe reciprocidade, tampouco deve se vincular a escancaradas ou tímidas demonstrações de arrependimento justamente por uma razão: Não perdoo para o outro, mas para mim.

É o perdão que me liberta do corrosivo sentimento de ter sido injustiçado, vítima de qualquer coisa, ainda que de fato eu tenha sido ofendido. Estou falando sobre um passo além, sobre uma perspectiva acima, sobre um olhar que transcende e não pode se condicionar a nenhum tipo de expectativa, deixando-se sequestrar na dependência de que, antes que eu perdoe, o outro me peça perdão.

Arrepender-se, pedir perdão, tomar consciência da ofensa é importante para o ofensor, isso o libertará do peso do ato, ainda que porventura tenha que pagar pelo que fez, no entanto, meu perdão só será genuíno se, quando o arrependido chegar, antes mesmo, ele já estiver perdoado por mim.

Não é fácil e, talvez por isso, seja um exercício tão profundo e tão pouco praticado. Experimente !

Corpos e almas

Antes que as ideias virassem palavras, se encaixassem no texto, na poesia, no bilhete, antes que fizessem sentido, elas já habitavam as consciências. Era um estágio de gestação, os membros ainda não tinham se formado, nem tudo estava claro e elas vieram, dando luz ao que já existia, manifestava-se de algum jeito, mas parecia apenas uma sensação, algo distante e difícil de descrever.
 
Letras são corpos habitados por almas. Mensageiras do que as transcende e jamais caberá em nenhum vocabulário. Envelopes portando cartas, palavras carregadas de vida ou de morte, assim como os corpos.
 
Não somos o braço, nem a perna, nem o rosto bonito, cuidado, simétrico, nem as rugas, não estamos contidos na estética que apenas embala a “coisa” que não tem nome e Mario Quintana descrevia que é justamente aquele que pergunta se alma existe.
 
Antes que houvesse filosofias, muito antes das religiões, das teorias, das ideias que viraram palavras, das palavras que viraram corpos, dos corpos que viraram outras coisas, antes que uma coisa levasse à outra e construíssemos nossos muros, corpos de concreto que precedem o cimento, eram o medo, a culpa, a dor que virou guerra, presunção encarnada, palavras sem alma, ocas e ao mesmo tempo sedutoras, antes que se apresentem como vemos, nasceram em nós.
 
São almas gestadas no terreno da consciência, às vezes nos porões da inconsciência, entes que nos preenchem, se relacionam conosco e se transformam no que somos, no que são, e ganham corpos, se vestem de letras, encarnam nossas produções, nossa cultura, em tudo o que vemos, manifestações que expressam o que as transcende e o que nos habita.