Perguntas e respostas

“Você faz perguntas que não tem respostas!”

– A questão não é exatamente se as perguntas “tem respostas”, mas acho importante refletirmos sobre para onde nossas perguntas nos levam e aonde nossas respostas nos deixam. Respostas são definitivas, fechadas, fixadas. Perguntas abrem perspectivas e nos coloca diante de possibilidades. É preciso perder o medo de fazer perguntas.

A fraqueza dos fortes- Insight

Abrir mão de ser “forte” é libertador. Enxergaremos nossas fraquezas, nossas ambivalências como são. Não falo sobre conformismo, mas sobre o reconhecimento de nossa humanidade e a consciência de que ser forte inclui reconhecer-se fraco. Acompanhe o Insight abaixo e pense comigo. Fique bem !

Mundo que é em mim

Não queremos conhecer, queremos crer. Crer é mais fácil. Não há questionamentos, nem dúvidas, nem contradições. É porque é e pronto. Saber – ainda que seja tão pouco – nos revela. Por isso é tão difícil. Mas não posso saber sobre você, sobre o outro, sobre Deus, se antes não souber sobre mim.

Caso contrário tudo o que pensar que sei será projeção amedrontada, será fuga, será mecanismo de defesa. Antes (ame ao próximo como a ti mesmo) preciso me enxergar e pelo menos tentar saber quem sou. O problema é que vivo em constante “estar sendo”, não me sinto pronto, as experiências estão me ajudando a ser, caminho e vou sendo modelado pelo que escolho, sempre. Por isso tudo o que vejo é parcial. Estou aprendendo a ser enquanto vejo um pouco sobre as complexidades que me habitam. Agora não dá mais para simplesmente ser como todos, acreditar como todos, dizer o que todos dizem. Não quero mais um grupo, uma crença ou qualquer coisa que me respalde. Preciso entender o que sou. Olho para dentro e vejo o holocausto. Sou um dos judeus massacrados pelo nazismo. Sou o soldado alemão. Aquele menino com fome na esquina.

Ele me enxerga e não sabe que estou nele, que está em mim, apenas olhando em perspectivas diferentes. Sou o cara armado na esquina, a mulher que chora pelo marido violento, as dores, os encontros, a vida e a morte. Vejo tudo habitando dentro. Deus inclusive. Em mim, em tudo. Deus nas montanhas e Deus no holocausto. Deus no oceano e Deus nas favelas ocupadas pelo tráfico. Deus na criança amorosa, Deus em Bin Laden. Selvagem. Fora do controle de minhas caixinhas que tentam explicações, que querem crer, que fazem de tudo para limitar em previsibilidades o que jamais será previsível. Não posso entender Deus olhando para história. Olhando de perto verei complexidades.

Contradições que me inquietarão para sempre. Sob a luz da consciência as crenças muitas vezes se dissolvem e dói. Precisamos das caixas para nos protegermos da luz que nos revela, machuca os olhos, expões nossas ambivalências. Mas quem permite vasculhar-se aquietará. Saberá que o mundo de fora reflete o de dentro, sempre. Que a humanidade e suas loucuras projetam o que somos. Sou bom e sou mau, sou luz e sou trevas, sou amor e sou loucura, sou selvagem enquanto caminho. Estou sendo. E Deus é em mim. theworldbeforeus

Oração de pai

No dia do meu filho, a oração que um dia meu pai fez por mim (e meus irmãos), captada em áudio na voz dele, quando eu tinha a idade do meu filho. Hoje essa é minha oração.

A pele de Julieta

Romeo_Juliet

Aproximação gera complexidade. A pela macia e sedosa deixa de ser na lente de aumento. José Saramago dizia que se Romeu tivesse olhos de águia não se apaixonaria por Julieta. Assustaria com a pele, os poros, os pelos… Fugiria.

Paixões dificilmente resistem ao dia a dia. No sonho é mais simples. A saudade se encarrega dos complementos, dos preenchimentos de espaços que aumentam com a familiaridade. Aproximaram-se e o que era simples complexificou-se.
A pintura não será entendida enquanto estiver muito perto da tela. Recue alguns passos, faça como o artista e os rabiscos farão sentido, as cores clarearão, o cenário aparecerá. Superficialmente.

Coloque um inseto na lupa. Deixará de ser um bichinho escuro, inofensivo e virará monstro com olho, boca, tentáculos. Um fio de cabelo. Aproxime-se ao máximo e não saberá o que é porque aproximações geram complexidades.
Como uma família perfeita. De perto deixa de ser.

Nenhum tema resiste incólume quando olhamos de perto. Nenhum milagre. Nenhum evento fantástico. Nem Deus. Nem o amor. Nem certeza alguma. Argumentos não resistem, teses não se sustentam como absolutas quando analisadas em detalhes. Aproxime-se do que quer que seja e verá outra coisa, outros lados, outras caras.

O medo de ver nos mantém distantes. Não queremos saber.Tememos o desconhecido e nos acostumamos com a superficialidade, a estética, os contornos, os códigos, tudo o que nos alimente a sensação de controle. Queremos controle. Vasculhe as emoções. Analise o que sente, o que pensa, o que é, aproxime-se e provavelmente assustará. Encontrará pontas soltas, fios que não se
conectam, pelo menos não do jeito que imaginava, certezas dissolvidas há muito tempo sustentadas por escombros.
Aproxime-se e assustará.

Depois que nos vemos é difícil recuar. Agora é preciso novas escolhas, doloridas tantas vezes, complexas, mas necessárias.
Decidir o que fazer com o que viu ou fingir que não viu? A cruel decisão de quem chegou mais perto, furou os bloqueios da superficialidade e descobriu a pele sedosa com poros enormes e pelos assustadores. Se agora que viu, Romeu decidir amar Julieta, então será eterno. Será amor.

Pensando o Brasil – Insight

É possível pensar no Brasil para além das discussões políticas/ partidárias. Em tempos de crise é necessário consciência do que realmente representamos na sociedade e o que individualmente podemos fazer de relevante no mundo em que vivemos. Não importa se você é de esquerda ou direita, se é a favor ou contra o governo, assista o vídeo abaixo e tente enxergar com mais clareza. Fique bem!

Nomes que a gente dá

Alone in a Crowd

Você chama de Deus. Mas não é Deus que procura.
Acha que é felicidade. Mas o que é felicidade além dos comerciais de margarina ou de carros potentes?
Você pensa que procura um grande amor? Engano. Quantas vezes “grandes amores” viram outras coisas, perdem o brilho na mesma proporção que deixam de ser novidade.
Damos nomes às coisas de fora, mas dentro da gente elas vivem sem nome, todas eu, todas em mim, silenciosamente angustiadas até serem encontradas. Até que eu me cale e ouça. Até que eu veja e enxergue. Até reencontrar o caminho de casa, a minha casa, a casa que sou.

*Trecho do texto “A casa que sou” publicado aqui no blog no dia 27/03/15