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Santo dos seus

novembro 21, 2014

Quanto mais enxergo de perto, mais complexidade vejo. Na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal. Não há santos que resistam ao cotidiano, aos dias quentes, as filas longas, as noites insones ou manhãs de mal humor. Os “maus”, aqueles que gostamos de apontar e dizer “mata, mata”, olhando de perto, demonstram traços de humanidade que espantaria a maioria de nós. Muitos são capazes de cuidar dos filhos, do amigo talvez, com dedicação e amor, contrariando nossa impressão simplista e apressada em dizer é “bom” ou é “mau”. São santos para os seus.

Examine o branco com a lupa, a mais potente que tiver, e verá uma mistura de cores. Não há branco. Aproxime-se do laranja, do verde, do vermelho, do azul e verá que cada uma delas representa a soma de tantas outras.

Um anônimo que cruza seu caminho em uma tarde qualquer. Um entre tantos rostos desconhecidos, gente que você nunca viu, no entanto, aproxime-se, olhe, converse, ouça, conheça os hábitos e na próxima vez que se cruzarem não será mais um anônimo, será o Sebastião, um conhecido seu.

Assim são as pessoas, assim é a vida.  Você jamais conhecerá alguém em sua complexidade de pensamentos, jamais terá acesso aos poços interiores, às sombras, aos processos que refletem no corpo, no jeito, nos atos que não entendemos. Temos vislumbres, sabemos em parte, porque tudo o que temos são os avessos.

O avesso é o lado de fora. É a casca, a superfície onde a vida é apenas reflexo. Aproxime-se um pouco mais. Veja de perto, enxergue os movimentos da vida e se espantará, não apenas por conta das inevitáveis descobertas, mas, sobretudo, por enxergar-se.

Sustentamos nossas reputações, alimentamos a imagem que a maioria faz, seja para o bem, seja para o mal, mas nada disso resiste quando os filtros dos olhos caem. Sem preconceito, sem nenhum tipo de juízo de valor, nenhuma pretensão em saber alguma coisa, veremos o outro e, no outro, veremos quem somos. Somos o outro também.

Pequenas partes de uma coisa só com reflexos de nossas escolhas, seja no que chamamos de bem ou de mal.  Nessas partes refletem nossa cegueira, nossos medos que se expressam aqui e ali, de um jeito ou de outro, em gente que você odiaria admitir que, apesar dos pesares. essencialmente se parece contigo.

Todo diabo é santo para alguém, todo santo é ou já foi diabo, de modo que só me resta a consciência de que não há santos que resistam ao cotidiano, afinal, quanto mais enxergo de perto, mais complexidade vejo. Na lente ninguém é totalmente do bem, nem do mal. Somos nós expostos no outro para que não haja outro, para que não haja nós.

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*foto:*obra hiper realista do artista australiano Ron Mueck

Liberdade

novembro 20, 2014

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Dias de inconsciência humana

novembro 20, 2014

A consciência humana está acima da consciência de raças. Bom seria se não nos enxergássemos com os filtros das cores, das religiões, opção sexual, política, culturas, classe social, diferenças que mascaram o fato de que essencialmente somos todos iguais. Enquanto nossa briga permanecer no campo das superfícies teremos dificuldade em perceber o universo que habita as cascas.

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Sabedoria e simplicidade

novembro 20, 2014

Sinceramente acredito na simplicidade. Podemos adquirir conhecimento em livros, nos tornarmos intelectuais, acumularmos informações, virarmos mestres, phds, especialistas, mas isso não é sabedoria.

Ser sábio é ser simples. É olhar para os maiores mistérios do universo, enxergar a complexidade da vida e perceber que tudo se vincula ao simples, que há níveis e níveis de compreensão onde não cabem palavras e qualquer tentativa de definição será um exercício de reducionismo.

Simplicidade tem a ver com nossa capacidade de processar interiormente, em gratidão, aquilo que intelectualmente nem sempre é passível de explicação, mas no entanto se relaciona com algum ponto de nossa consciência que se ilumina quando vê, quando percebe, quando se conecta, quando se aquieta e vive no hoje.

Você pode se impressionar com doutrinas bem construídas, grupos impecavelmente organizados, métodos, sistemas, fórmulas que garantem evolução espiritual, mas nada disso tem valor real, nada saciará sua interioridade a não ser que você esteja atento, extraindo do cotidiano, da simplicidade de olhar, tesouros que não cabem em nenhum lugar a não ser dentro.

Você se esforça para evoluir, se angustia, lê todos os “manuais” de iluminação. Desocupe-se disso. Não estou dizendo para deixar de ler, eu mesmo sou um amante da leitura, faz muito bem a alma, mas a leitura não iluminará absolutamente nada se seu entendimento em relação ao que lê não estiver conectado ao que experimenta como humano, em suas relações, nas situações que enfrenta no dia a dia.

Desocupemos sem medo. Livre-se do “conhecimento”, da carga de letras, do muro de ideias que impedem a passagem do sol. Volte ao estágio da pureza da criança que simplesmente vê, que não julga, que experimenta nas pedrinhas do parque, nos galhos que caíram da árvore, na areia da praia, no sorvete de morango, no abraço do pai, no colo da mãe, na corrida com o cachorro, na água gelada da piscina, no doce da vovó, no passeio no fim de semana, no cuidado de quem ama, em simplicidade, sem explicações teóricas, as maiores verdades, o caminho para nos tornarmos humanos de novo.

Simples, sábios, sem nenhuma pretensão em ser mais do que homens e mulheres pacificados e felizes. O que passar disso é sobrecarga desnecessária.

É preciso consciência

novembro 19, 2014

É preciso a consciência de que a perfeição inclui a imperfeição. Especialmente pelo fato de que nenhum de nós sabe com clareza o que é luz e o que é trevas, o que é bom e o que é mau, o que é perfeito e o que é imperfeito.
Julgamos saber, mas nosso juízo é absurdamente limitado aos condicionamentos que, sem perceber, vamos anexando a mente e transformando em verdade absoluta. A certeza de que sabemos é o sintoma mais claro de quão distantes estamos da verdade.

Felicidade e autossuficiência

novembro 19, 2014

A descoberta do fato de a felicidade morar dentro da gente, não pode gerar seres fechados e autossuficientes?

Ora, nada pode ser experimentado de verdade se confinado em nós mesmos.

É como o amor, ele vive em nós, não precisamos buscá-lo em ninguém, mas o amor se aperfeiçoa quando compartilhado, quando experienciado com mais gente.

O fato da felicidade morar em nós não significa que temos que nos fechar, como se nos bastássemos por completo, sozinhos, sem ninguém, especialmente por uma razão: felicidade, amor, paz, consciência, se aprofundam na medida que doamos.

É uma lógica inversa: se eu escondo, diminui, se posso doar, cresce. Você não depende do outro, não busca em ninguém, não projeta em quem quer que seja porque sabe que está em você, absolutamente ninguém jamais será responsável por sua felicidade, seria cruel, sobrecarga desnecessária, portanto, consciente de que é assim, sem esperar nada, apenas compartilha o que é, e as experiencias se somam, as pessoas se conectam, os vínculos produzem algo maravilhoso que alimenta o processo para dentro e reflete para fora.

Quem busca no outro se enxerga vazio, esse nunca compartilhará. Será um vampiro emocional, alguém insaciável que acredita que um dia encontrá a felicidade onde ela não está.

Quem sabe o que lhe habita, deixa que as virtudes cresçam para dentro como condição existencial que lhe projetará na consciência de que, quando a felicidade me habita, irradiarei naturalmente no ambiente, quando o amor mora em mim, apenas serei amor e isso produzirá vínculos, jamais autossuficiência.

O ser autossuficiente está fechado. Ele sabe o que tem, mas por qualquer razão nega-se a compartilhar. Optou ser uma ilha sem perceber que nossas luzes brilham com mais intensidade quando estamos disponíveis.

Tudo começa dentro, não busque em ninguém o que cresce em você, no entanto, uma vez percebido, sem vampirismo, naturalmente, seu caminho será na direção dos vínculos, das conexões, das aberturas, da pacificação de quem aprendeu que, estamos todos vinculados, parte de uma coisa só.

Enxergar-se é um grande desafio. Temos medo do que vamos encontrar, afinal, identificando em si as causas das depressões, terá de encará-las ao invés de apontar culpados: É ele! É o governo! Foram meus pais! São as injustiças!

É mais fácil eleger terceiros para apontar do que o exercício de jogar luz sobre áreas interiores que fazemos questão de manter na escuridão justamente para termos um argumento que legitime nossa auto piedade.

O que você pode fazer de melhor para o mundo todo, começa em seu mundo, começa justamente em você.
Grandes movimentos que geram profundas transformações na humanidade nasceram a partir de indivíduos, começaram em gente que se viu e simplesmente escolheu levar adiante.

Nesse novo Insight, um desafio: Encarar a si mesmo ! Você está disposto?

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