Quem você escolhe ser ?

Quando era criança, quem imaginava ser quando estivesse na sua idade?

Será que, exageros a parte, você ao menos se parece com aquela idealização ?

Engraçado como a maioria das pessoas não é aquilo que gostaria de ter sido.

O bancário queria ser bombeiro, o engenheiro ser piloto e o professor achava que se transformaria em ator.

Tendemos a, como diria Martinho da Vila, deixar que a vida nos leve, nos esquecendo que, na verdade, podemos ser quem quisermos ser.

Se pudesse mudar as coisas que lhe desagradam, o que mudaria ?

Ao longo da vida, tendemos a criar determinados padrões que nos servem como guia para sempre. Isso vai se cristalizando e,de alguma maneira, nos convencendo que, se foi nosso caminho até alí, é porque não existem outras estradas. É por isso que costumamos repetir padrões nas escolhas, sejam elas sentimentais ou profissionais.

Criamos uma imagem e acreditamos que somos aquilo, sem saber que, de fato, o verdadeiro “eu” poucos conhecem.

Buscamos a aprovação das pessoas, o reconhecimento da sociedade, a admiração dos colegas e não percebemos que, a medida em que os outros me categorizam, posso me tornar refém na tentativa da manutenção daquela imagem, por mais distorcida que seja.

Deixamos que qualquer vento nos leve por qualquer caminho, sem ter a menor idéia do que nos transformaremos até chegar ao destino.

Você pode ser quem quiser.

Se tiver coragem de romper laços, quebrar padrões e não precisar da aprovação dos outros, saiba: você pode se transformar em qualquer coisa, afinal de contas; sempre é tempo.

Me lembrei do filme Duets, onde um dos personagens surta e ,de comportado corretor, vira um doidão muito mais sorridente e feliz.

Se transformações são inevitáveis, que sejam para o bem e naquilo que queremos ser.

Você está feliz com o que é ?

Pense diferente, rompa padrões, veja o que não costuma ver, vá onde nunca foi, leia mais, sorria mais, converse mais, repare mais nas pessoas e na vida, não tenha medo de se arriscar, surpreenda-se, mude o assunto, não tenha medo de ser incompreendido, encare sua humanidade sabendo que sempre será cheio de ambiguidades portanto, não tenha medo se ser humano, não se compare com ninguém, se apaixone, perdoe, ame, pergunte, questione, pense, acredite, seja simples e grato sem culpa, sabendo que a vida acontece a medida em que você se expõe a ela.

Mudar a rota é questão de opção e coragem , afinal de contas, sempre existe um preço.

Você está disposto a isso ? Ainda dá tempo…

No fim das contas, tudo é uma questão de escolha.

O fluxo.

Até onde você tem controle sobre sua vida ?

Tem noção de todos os processos interiores que te levam e decidir por determinada roupa, comida, trabalho, amigos, diversões, livros, revistas, passeios, etc…?

Já parou para pensar até onde é influenciado direta ou indiretamente nas suas escolhas cotidianas ?

Tudo o que é produzido por nossa cultura, de um jeito ou de outro, vaza na gente.

Isso quer dizer que, se você ouve rádio, vê TV, lê outdoor, revista, jornal, livro, acessa internet, conversa com pessoas, opina, ouve…está recebendo esse fluxo de informações que , cada vez mais, sai de todos os lados.

Somos parte de um processo de retroalimentação: se em uma ponta alimentamos a cadeia, em outra somos alimentados por ela, de modo que nunca se sabe onde os elos terminam ou começam.

Essa produção é a base daquilo que chamamos de cultura e, ainda que aparentemento a propósta  seja a da “contra cultura”, o que vemos são só pólos do mesmo processo.

No fim das contas o capitalista e o comunista, o virtuoso e o amoral, o religioso e o ateu estão falando a mesma coisa. Mudam somente os símbolos mas o discurso é o mesmo.

Aliás, vivemos de símbolos onde o que vale é a aparência, nunca a essência.

Poucos percebem que são levados pelo fluxo. Poucos se incomodam com ele.

Embalados pelo discurso dos “ismos” somos mantidos em nossa própria vaidade, trabalhando de sol a sol, pensando, projetando, construindo, sempre com o mesmo objetivo que só é revelado em última análise: sermos aceitos.

“Tenha mais, e o mundo se curvará”. “Ainda que não seja, aparente, e será respeitado” – é o que habita a alma do que hoje se vende em forma de produto, discursos ou filosofias.

Aí olho pro lado e vejo executivos engravatados, trabalhadores de crachá, donas de casa, idosos, vendedores, gente que sobe e desce as ruas todos os dias correndo atrás do que ? Do sustento do dia a dia ? Da prestação do carnê ? Da casa própria, do carro novo, da roupa nova, da viagem do fim do ano…mas para que ?

A cada dia me convenço de que um dos grandes desafios da existência é a capacidade de saber o real valor das coisas.

Ter dinheiro é bom, viajar, comprar uma casa, um carro novo também, mas a questão é : será que isso não tem nos consumido demais ? Temos colocado essas questões na prateleira certa ?

Será que não temos perdido boa parte de nossas vidas em troca dessa entrega de energia física e mental que só nos consome ?

Será que não percebemos que, no fim das contas, só estamos tentando nos manter no fluxo ?

O fluxo.

É ele que nos rege e nos mantém entretidos. Ele é que tenta nos convencer sobre quais devem ser nossas verdadeiras prioridades. É nos mantendo no fluxo que nos entregamos as “batalhas” sem ao mesmo saber se de fato vale a pena. A idéia é simplesmente nos mantermos no fluxo, de modo que qualquer questionamento soará mal.

Acho que é hora de pensar sobre isso. Talvez seja momento de reassumirmos o controle, de começar a fazer perguntas, a ver as coisas de fato como são.

Quais suas prioridades ? O que vale para você ?

Acho que é tempo de pensarmos nisso além dos limites de nossas vontades.

Talvez seja hora de nos enxergamos.

Outro espelho.

Quem só nos vê passando pela rua ou andando entre as vitrines do shopping, não nos reconhece. Alí somos mais um, parte da multidão.

Na fila do banco, no trânsito ou na sala de embarque do aeroporto, você só faz parte do cenário, um a mais e, portanto, não é você; é só número.

Para os outros você é personagem daquele cenário: trabalho, trânsito, rua, restaurante…

Mas nada como as estatísticas para nos transformar em números.: Segundo especialistas em pesquisas, entrevistando 2.500 a 3.000 pessoas, é possivel saber o que o Brasil pensa sobre determinado assunto.

São amostragens, quantitativas, estatísticas e você se transforma em mais um.

Aprendemos a lidar com a vida de maneira superficial porque não costumamos nos olhar. Assim como os outros fazem em relação a nós, eu e você muitas vezes nos categorizamos de acordo com o ambiente e acreditamos que realmente somos aquilo.

É por isso que, muitas vezes, o grande lider não sabe lidar com a família ou o cara que é reconhecido por todos pelo que faz, não sabe lidar consigo mesmo.  Por mais que cada ambiente exija de nós determinadas posturas, de fato somos o que somos, afinal de contas, sou eu quem devo influenciar o ambiente e não ele a mim.

É bom para os negócios criar categorias e nos colocar nelas . Sem que percebamos  somos levados pela maré a pensarmos, sentirmos e agirmos todos da mesma maneira. Assim muitos perdem e poucos ganham.

Quem é você além daquilos que os outros enxergam ?

Além do profissional, ou do motorista, ou do cara que da bom dia na portaria, o que tem por aí?

Geralmente tendemos a nos deixar levar pelos padrões e aí nos perdemos.

Existe um espelho que fica do lado de dentro.

Nele você é chamado a se enxergar e ver o que os outros não veem.

Olhando para ele podemos nos machucar, surpreender ou magoar os outros. As vezes é preciso romper laços, cessar padrões de comportamento e mudar de atitude, mas isso só quando você se vê.

Quebrar a casca pode ser dificil e dolorido, mas o que tem embaixo compensa o esforço.

Antes de se preocupar em ser aceito, se aceite e seja o que é.

Muito mais do que um profissional, pai, mãe, filho, irmão, amigo, vizinho, colega, você é um ser único e aceitar isso pode ser assustador.

Pagar o preço pode ser dolorido no começo mas, uma hora ou outra, a gente bate de cara com a verdade e, nesse dia, não há disfarces, argumentos, títulos ou dinheiro. A vida vale mais do que aquilo que eu posso ganhar ou aparentar.

É só questão de tempo.

Tente ficar consigo, aceitar seu silêncio e ser seu amigo, se esforce para entender seus medos, lidar com os traumas e, sobretudo, suas limitações.

Ainda que seja por alguns segundos, tente se ver.

Só aceitando sua humanidade aceitará a dos outros e, quando deixar a toga de juíz da humanidade de lado não se sentirá mais julgado e, portanto, livre.

Livre-se dos sobrepesos que você mesmo cria em sua alma e só aí terá paz.

O espelho está aí. Pelo menos por alguns segundos deixe de olhar para os outros. Esqueça a culpa e as cobranças e olhe para dentro. Pode demorar um pouco mas logo verá o espelho : Será hora de se aquietar e reconheçer.

Nesse dia dialogue com sua alma e, mesmo que no começo sejá difícil, garanto, será um prazer se conhecer.

De Brasilia.

Cheguei em Brasilia domingo passado. Aqui tudo é diferente: as pessoas, os anseios, o jeito de falar.

Nos dois primeiros dias achei que demoraria para me acostumar, mas parece que estou me encontrando.

Engraçado como as coisas são. Agora a pouco eu estava chegando em Porto Alegre, agora estou no planalto central.

As vezes fico tentando imaginar como seria se pudessemos ver todos os vetores que nos conduzem para cada nova etapa. Eles são fruto da soma do que pensamos, de cada intenção, de cada passo, por mais insignificante que aparente.

É como o vento: ele sopra para onde quer, ninguém sabe de onde ele vem e nem para onde ele vai.

Assim tem sido minha vida.

Ainda lembro claramente da sensação de , ainda criança, sentir a vontade de aprender, sorver da vida e conhecer as razões de porque um dia surgi aqui.

Agora a pouco estava conversando com um colega sobre isso: No fim, vale nossas experiências e o que fazemos com elas, colocando cada uma em seu lugar e usando-as para nos enxergarmos em consciência.

É por isso que estou aqui.

Claro que o desafio profissional me motivou, mas se não fosse esse “algo mais” eu não viria.

São novos passos, recomeço, re-conhecimento de novo.

E que seja para o bem.

Volte mais vezes. Vou te contando como as coisas andam por aqui.

Mudanças…

Há um ano e meio eu escrevia aqui no blog que os ventos estavam mudando.

Depois de construir uma longa carreira no rádio em São Paulo, estava claro que era hora de mudar, vir pro Sul e saber o que a vida me reservava.

Quando vim para Porto Alegre não tinha idéia de como seria.

Não passava pela minha cabeça que escreveria um livro.  Não imaginava que iria a tantos programas de TV, conheceria tanta gente e trilharia por tantos caminhos novos.

Eu sentia que era necessário reorganizar prioridades e repensar certos valores, que precisava trocar aquela rotina de anos por um novo tempo, com outros pensamentos e motivações.

Eu precisava disso.

Mas já passou um ano e meio e agora um novo horizonte desponta.

Depois de algum tempo de conversa, resolvi aceitar um novo desafio profissional e estou de mudança para Brasilia.

Lá vou trabalhar em um grupo de rádio em franca expansão. Vou ajudá-los com minha experiência, enquanto aprenderei com os novos colegas.

Além disso, continuarei de lá com o trabalho que presto para um grupo de comunicação gaúcho.

Sinto que , assim como quando vim pro Sul, inicio uma etapa em minha vida.

Em pouco tempo será tudo novo, mas gosto quando é assim. É sinal de que a vida não para e que devemos estar atentos aos seus movimentos, aproveitando as oportunidades e experimentando novos horizontes.

Serão dias desafiadores e intensos e por isso conto com sua torcida.

Não sei exatamente como as coisas caminharão,mas sigo com a certeza de que ao entrar por uma porta, devemos fazê-lo com o melhor espírito, motivados em dar o melhor.

Aqui no blog continuarei com o trabalho, além de contar como as coisas irão.

Em breve trago as novidades, mas por hora só queria que você soubesse.

Brasilia, lá vou eu !

Até lá !

Para ter coragem.

Ás vezes é dificil encontrar coragem.

Mesmo sentindo que determinado padrão precisa ser mudado, que não estamos felizes indo por alí, incomodados com os resultados das nossas escolhas, como encontrar coragem para mudar ?

Sim, porque muitas vezes mudanças implicam em quebra de vínculos, novas tentativas, reconhecimento de erros e riscos. Ninguém quer arriscar !

Melhor ficar como está, por pior que seja, do que enfrentar o desconhecido e correr o risco de piorar as coisas. Bem ou mal, pelo menos conheço meu terreno e sei que, se eu quiser, tudo permanecerá como está.

Mas esse é o problema.

Ainda que pelo lado de fora ninguém nota, deve existir uma espécie de sensor interno que dispara sempre que não estamos felizes. Seu disparo agudo, continuo, incômodo, permanece até que façamos alguma coisa.

E a coragem ?

Se lembrássemos que corremos riscos mesmo quando não mudamos nada, talvez aprendessemos a arriscar mais, sabendo que o que conhecemos como risco na verdade é o movimento da vida em direção á próxima página. Resistir a ela nos fará mal.

Se soubessemos que, ao enfrentá-los nossos fantasmas diminuem, seriamos mais ousados, lembrando que geralmente nossos medos são criados por nós, a partir de nossas inseguranças e fantasias.

Se quisessemos experimentar mais do que temos experimentado, assumiriamos riscos com a consciência de que, sem riscos, a vida não anda e, parados, somos engolidos por quem vem atrás.

Assim como o tempo nos impõe determinados ciclos de crescimento, amadurecimento e envelhecimento, a vida carrega em tudo possibilidades para que eu mesmo tenha oportunidades de me reinventar sempre.

Nada é estático.

Para ter coragem tente acompanhar o fluxo das coisas, andar conforme sua consciência.  Entenda que as verdadeiras causas não tem a ver com dinheiro e o verdadeiro poder não se parece com o que você pensa que tem.

Para ter coragem, saiba que só vale carregar contigo aquilo que de fato acrescenta em conhecimento e sabedoria, que por mais que precisamos do sustento, ele é só consequência de seu próprio caminho e não o contrário.

Aceite tomar as rédeas da sua vida. Comece a perceber quais movimentos te levam.

Nada acontece de uma hora para outra, então; comece a prestar atenção nas coisas.

Perceba suas falas, reavalie suas ambições, questione seu caminho, olhe para as pessoas que estão a volta e tente discerni-las: quais estão com você e quais só te acompanham por meras circunstâncias. A do primeiro grupo deve ser valorizada.

Caminhe em direção a si próprio e tenha calma, a coragem virá.

E quando acontecer, você só seguirá sua consciência, não se importará mais com o que os outros pensam, se preocupará só com o mal de agora sem se consumir com o de amanhã, entenderá que tudo o que tem para ser vivido, deve ser no dia chamado hoje e, nele, caminhará em paz.

Sem medo de mudanças, consciente de que nada é estático e grato pela possibilidade de se reinventar, ser quem quiser ser o tempo todo.

Continue caminhando, preste atenção; a coragem virá !

Confesso…Quando os dias parecem maus.

Confesso que ando cansado.

Cansado dos esforços por performances, estéticas, e posturas politicamente corretas.

Tem sido cada vez mais difícil assistir a televisão cheia de humor sem graça, programas populares cheio de apelação sentimentalista, entrevistas obvias, merchans, programas religiosos e afins.

Não aguento mais assistir os tele pastores “vendendo” Deus ou padres bonzinhos com pinta de galã de voz doce e discurso meloso.

Apesar de tudo que fiz nele e de minha reconhecida relação de amor com o rádio, deixei de ser um ouvinte : vozes gritadas, fórmulas desgastadas, musicas repetitivas, baboseiras atrás de baboseiras me roubaram o prazer de ouvir.

Tenho me esforçado, mas tem sido dificil ser paciente com aqueles que chegam com segundas intenções, os que sempre tem um plano em mente para se beneficiar, tirar algum proveito.

Tenho radar para esse tipo de gente e consigo identificá-los no olhar.

Aliás, tem reparado nos olhares que cruzam por você nas ruas, shoppings, trabalho, prédio ou nos lugares que costuma frequentar ?

São olhares vazios, amedrontados, inseguros e mascarados.

É triste perceber que o fluxo da vida tem esmagado almas, afunilado ideias sempre com a intenção de, através do politicamente correto, nos levar para o mesmo lugar onde poucos ganham e muitos perdem.

A vida ficou sem sentido. O milagre contínuo, aquele que nos afeta no dia a dia, perdeu completamente a importância.

Estamos sempre a espera do “grande milagre” sem nos darmos conta que ele acontece nas coisas mais simples. Sempre.

Apesar dos esforços, mandingas, simpatias, rezas ou “orações fortes”, barganhas e macumbas, deixamos de perceber que as respostas estão aqui, perto, exatamente no lugar onde nos recusamos a olhar: dentro de nós.

Esse é o tempo onde é proibido se enxergar. Onde trocamos consciência por poder.

E o poder ? Bom, aquilo que os homens chamam de poder não passa de lugares, estratégias, fórmulas pequenininhas geridas por homenzinhos inseguros e maus.

E como tem gente atrás dele ! Pagando o preço que for.

Me ofendo com as estratégias de marketing embutidas em tudo : do refrigerante ao religioso, do político a faculdade, da publicidade sempre ditando, influenciando, direcionando. Sempre tem alguém querendo vender alguma coisa, tentando nos convencer de que precisamos desesperadamente de algo que até aquele momento viviamos muito bem sem.

Não há mais quase nada que não tenha alguma conotação manipuladora: seja política, econômica,sentimental, religiosa, ideológica…

Estou cansado de pessoas que só sabem falar sobre si mesmas.

De gente rasa, vazia e egoista.

Já não tenho mais paciência para lidar com afetamentos existencias, auto afirmações ideológicas e masturbações intelectuais.

Não aguento mais ver discursos populistas acolhidos com tanta empatia, ganhando tom messianico.

Trocamos nossas almas por conforto, nosso bom senso pela possibilidade de ter, de parecer o que não somos.

Confesso que as vezes tenho vontade de dar um tempo. De me afastar e deixar de fazer parte disso que chamamos de vida moderna.

Estou cansado.

Cansado me afasto, fecho os ouvindos e viajo para dentro de mim.

Tento me enxergar e ver em que ponto me encontro nessa caminhada. Até onde tenho guardado minha mente ? Até onde estou intoxicado desse fluxo ?

Loge da gritaria das multidões, peço para aquele que sonda os corações que me ajude a não me perder entre pulsões e me ajude a ser de fato quem sou. Sem me perder, sem me massificar.

Com a cabeça girando vou me deitar, agustiado, cansado, mas sem me esquecer que nem sempre será assim.

Quando acordar, o peso diminuirá, a alma estará mais leve e os pensamentos mais concisos, ciente de que é só por algum tempo. Sim, não será assim para sempre.

Levanto melhor.

Lembro que tudo é vaidade e que nada dura mais do que um suspiro.

As vezes os que buscam a justiça e o conhecimento se cansam. Tem horas que parece que não vai dar.

É quando me entrego ao que não vejo, mas sinto. Ao que não ouço voz, mas fala e, quando fala, só diz para que eu seja, que o busque dentro de mim e que não me inquiete com o que é pó.

Nem sempre é fácil estar aqui, as vezes tudo fica mais dificil do que gostariamos que fosse, mas , apesar dos pesares, é bom saber que estamos sobrevivendo, caminhando em meio a cegueira sem perder o foco, sem perder a fé,o dom de amar e de enxergar.

Os homens continuarão sendo maus,  as dores da existencia permanecerão e nossos descaminhos cada vez mais doloridos, mas é só por algum tempo.

Enquanto isso, busquemos o que é bom, enchendo a mente de sabedoria com um novo olhar a cada manhã.

Os dias são dificies e é necessário que seja assim.

Para o meu bem, o seu e de todos os que virão depois de nós, olhemos para as coisas como de fato são. Que nossa busca seja sempre pela sabedoria.

Essa é a melhor contribuição de cada um : melhorar o mundo a partir do seu mundo, do seu olhar.

É aqui onde tudo que existe pode deixar de existir em um piscar de olhos, se refazer com outras cores, de outro jeito, em outra direção.

Até que o tempo deixe de ser.

Bem Brasil de volta + Pagina com entrevistas.

Entre os planos para 2010 e o que tenho pensado de melhorias para o blog (tem muita coisa pra acontecer !), incluo a volta da atualização semanal do Bem Brasil, programa que apresento para a rádio portuguesa SINES.

Por isso está postado para audição e/ou download no meu podcast a última edição de 2009, que foi ao ar na segunda 28/12.

Acesse www.flaviosiqueira.podomatic.com e confira.

O programa ta bem legal !

Outra coisa, agora reuni algumas entrevistas que dei em 2009 la página “Entrevistas” ( botão logo acima aqui no site).

É só clicar e conferir.

Até lá!

Para um ano novo.

Vem aí mais um ano.

Mude o olhar, refrigere a mente, restabeleça amores.

Talvez seja hora de repensar quem é você e que tipo de diferença tem feito.

Como o mundo te vê ? Que legado vai deixar para aqueles que ama ?

Em 2010 eu quero enxergar.

Quero ver além do que me mostram e entender mais do que me explicam.

Quero que meu rosto corresponda a meu coração e que meus anseios não sejam tão pequenos, restritos ao que o dinheiro pode comprar.

Quero olhar pra vida com gratidão, percebendo em cada movimento uma enorme possibilidade de conexão.

2010 só vai ser bom se as sementes que eu deixar frutificarem para o bem. Se meus passos seguirem no contra fluxo do consumismo e da imbecilização.

Desejo que seu 2010 seja cheio de boas notícias, com muito mais motivos para se alegrar.
Que voce tenha sabedoria pra enxergar os presentes que virão nos dias ruins e possa desfrutar com equilibrio quando tudo estiver como deveria estar.
2010 não será perfeito, mas você pode torná-lo melhor.
Que assim seja para todo aquele que quiser.

A consciência e a lei.

Dia desses me lembrei de que uma das coisas que mais me irritava como âncora da rádio trânsito em SP é quando um ouvinte ligava de dentro do carro, geralmente parado em algum mega congestionamento, para defender a ampliação dos dias do rodizio municipal de veiculos.

O que me deixava chateado não era o que ele defendia, mas o que lhe motivava:

- Porque você não deixou seu carro em casa hoje ? , eu perguntava

- Ah, porque tenho que trabalhar né. – respondia o ouvinte.

Então o rodízio não era para o bem da cidade. Era só um meio para retirar da sua frente os outros carros e deixar a rua livre para nosso amigo.

Ja percebeu que quanto menos consciência uma pessoa demonstra ter, mais legalista será?

O excesso de leis demanda tutelamento, obrigações, imposições necessárias onde só se obedece se houver punição.

Não faço o bem simplesmente porque é bom. Faço o bem para que o mal(punição) não venha sobre mim.

Outro dia uma pessoa me dizia que o conceito de punição e medo que em geral as igrejas imputam sobre Deus é necessário a medida em que, sem freio, o povão perde a estribeira.

Discordo.  Por mais difícil e demorado que seja, prefiro caminhar pela via da conscientização; aquela que transforma o bom em bem.

Porque bem por culpa ou medo não é bom, é só mal com aparência de virtude. Interiormente provoca o efeito contrário apesar de por fora confundir-se com justiça, altruismo, boa vonade ou preocupação com o próximo.

É por isso que em ambientes “santos” existe tanta gente doente e ambientes “sérios” tantos corruptos.

Se minha opção é andar pela lei -e não pela consciência- faço porque devo, sem pensar, questionar ou saber a razão: Respeito  porque sou obrigado e meu “pagamento” é não ser punido.

O problema é que nossa alma não aceita isso.

Interiormente, de um jeito ou de outro, sempre buscamos um sentido para as coisas que nunca é encontrado pela via da imposição.

Ambientes legalistas são fábricas de gente adoecida.

Exigir o aumento do rodízo (rigorosidade da lei) enquanto eu não deixo meu carro em casa (falta de consciência) é só um pequeno exemplo do quanto o legalismo faz mal.

Descansar na lei pode ser mais fácil a medida em que te acomoda, mas será que vale a pena?

Até que ponto você depende dela?

Saber o real valor das coisas, repensar suas prioridades, re-checar constantemente as motivações, entender porque faz ou deixa de fazer questionando se o teu caminho hoje é fruto de bom entendimento, isso é consciência.

Mentes consciêntes são pacificadas. Esses sabem que o bem basta em si.  O que vier além disso,tende a nos tornar dependentes de um sistema que até pode nos tornar respeitáveis e admirados, mas será só do lado de fora.

No raio X da alma aparecerá o quanto ela envelheceu e se desgastou.

Pense nisso.