Consciência

Ser consciente não é pensar que sabe o que é “certo ou errado”, isso não é um processo da consciência, mas da mente inquieta e moralista.
Ser consciente é, sobretudo, pacificar-se diante da vida, aquietar-se ao invés de gritar, parar, observar a si mesmo, discernir o que realmente merece estar ai.
Esse é um processo pessoal, por isso não há fórmulas nem “manuais do ser consciente”.
É preciso coragem para desconstruir-se, livrar-se das camadas sobressalentes, abrir mão de todos os excessos, esvaziar-se até que sobre apenas consciência.

Jeito de ver

Tudo pode estar sob controle, tudo nos trilhos até que o inesperado nos alcança e muda a perspectiva das coisas.
Pode ser uma questão de saúde, financeira, a chegada ou partida de alguém, uma mudança busca no caminho, não importa, interessante notar que essas mudanças alteram principalmente nosso jeito de olhar.
No fundo não são as coisas que mudam, muda o jeito que olhamos para elas e por mais assustador que possa ser, um novo olhar traz sempre novas possibilidades, novos cenários, cria mundos antes completamente desconhecidos.
Até o passado muda quando mudo meu jeito de ver.

Prazos

Tudo na vida tem prazo de validade.
Em alguns casos pode durar menos, outros mais, o fato é que chega o tempo em que a textura muda, o sabor termina, o doce azeda.
Se nem tudo vem com rótulo, cabe a nós discernirmos o tempo de cada coisa, interpretando os sinais de que o que era bom deixou de ser. Venceu.
O problema não é que as coisas estragam, mas a nossa incapacidade em perceber que o prazo venceu.
Tudo muda.
Dê valor enquanto tem, entregue enquanto pode, mas, o dia em que o prazo vencer, não insista. Não lute contra ele.
Depois dos prazos, novas contagens, novas estradas, novas possibilidades; renovação.
Para tudo há um prazo, cada coisa o seu tempo. O que começa um dia acaba.

Buscas que cessam

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Um dia o jovem envelhece, as cores desbotam, a novidade perde a graça e a gente continua querendo mais. Insaciáveis bebemos em todas as fontes, experimentamos todos os gostos, vamos à todos os lugares, mas a busca não cessa e nos consome. Melhor encontrar na gente um lugar de paz. Nesse dia, não importa a distância, toda casa é lar, toda cidade é familiar, todos os rostos serão meus amigos. Não tenho inimigos pois todos os homens e mulheres, tudo o que existe, tudo o que é calou-se em mim. Aquietaram-se. No dia em que fiz as pazes comigo não precisei mais buscar e, sem buscas, desfiz as guerras. Todas elas. Encontrei-me.

Em uma manhã de chuva – Insight

Houve um tempo em que nos alegrávamos com tão pouco. Por mais que doesse, ainda que houvesse medo, bastava o colo da mãe, a voz do pai, coisas simples eram suficientes. Não precisávamos de tantas coisas, não gastávamos nossa energia a toa, a não ser que fosse para brincar, para que o dia, aquele dia, valesse a pena. Depois nos complexificamos. Pensamos que isso é amadurecimento, mas penso diferente. Amadurecer tem a ver com resgatarmos a simplicidade que um dia foi tão eloquente, hoje está quieta, mas sinto que ainda vive na gente. Acompanhe esse Insight gravado em uma manhã de chuva e pense sobre si mesmo.

Espaços

As cidades e seus espaços limitados. Trânsito lento, apartamentos pequenos, calçadas estreitas. Gente apressada, confinada em seus carros, em seus ternos, em si mesmos.
Onde estão os espaços para a dúvida? Faltam espaços para o amor. A fé, confinada em caixinhas de sapato japonês. Relacionamentos estreitos, pensamentos pequenos, sonhos que deixaram de ser, gente encolhida, encurralada, apertada.
A alma quer liberdade. Se projeta na casa grande, no espaço amplo, na vista para o mar. Procura o abraço prolongado, as bocas, os beijos, o ar. Estica-se como pode, tenta romper o que prende e ser. “Compre”, “venha”, “faça”, “siga”, “vote”, “creia” e a alma vai, e a gente crê.
Os espaços continuam claustrofóbicos. Será assim até que a liberdade seja um valor. Será nossa casa a partir de agora, a liberdade.
Nosso espaço existe no ponto em que aceitamos estar. Entre o despertar e o sono, entre o que escolhemos ser, pensar, nas dimensões que se impõe como olhar e então se expandem e redimensionam todas as coisas.
Espaços não são lugares, são dimensões interiores.
Eles diminuem sempre que aceito o juízo dos pré conceitos, o peso da culpa, o medo de existir, de corresponder expectativas, de aparentar o que todos são. Fico pequeno quando deixo de ser, cresço quando sou.
A liberdade é uma conquista diária, um caminho para quem precisa de espaço, sente falta de ar, de céu, de gente, de vida. Espaços não são lugares. small_me_big_universe_by_missfortunex-d3c0oev