Deus existe? Quem é Deus?

Somos seres culturais e nos apegamos às nossas ideias. Elas viram caixas protetoras e, como animais que somos, reagimos ao menor sinal de ameaça. Não há nada de errado em desenvolvermos nossas culturas, tomos temos, mas o problema é quando elas vão se tornando absolutas, dando margem a posturas fundamentalistas. Agora virou “vontade de Deus”, “em nome de Alá”, passou a ser razão para que eu me oponha à você, afinal, se você pensa diferente é inimigo. Todo ponto de vista é apenas a vista de um ponto. Toda “verdade” é fragmento do todo, geralmente as certezas mais dogmáticas são facilmente relativizadas diante de um olhar desassombrado, sensível, verdadeiro. E “Deus” onde entra nisso? Abaixo uma curtíssima reflexão a respeito. 

Deus no corrupto?

“Se Deus, eu e você somos um como posso enxergar Deus em um político corrupto ou em um ladrão ou mesmo em uma pessoa que atropela a outra e não presta socorro?”
 
– Não são as “virtudes” que nos dão a dimensão de Deus. Elas estabeleceriam níveis de comparação, determinariam “tabelas” de regras morais onde um tem “mais” Deus, outro “menos. É mais ou menos assim que nossa sociedade faz, especialmente quando diz que fulano precisa é de “Deus no coração”. Deus é selvagem.
Elegemos representantes de Deus baseados em moralidade, em ética, em posturas ilibadas e desconsideramos que o ser humano é composto de luz e sombras, ambivalências que se expressam de um jeito ou outro.
O ser que tenta refletir Deus em sua ética se corromperá no próprio orgulho.
Não vejo mais Deus em comportamentos moralmente aceitos, como não vejo menos nos chamados “imorais”, assim como não vejo Deus apenas no dia calmo, na praia linda, no céu iluminado. Vejo nas catástrofes naturais e cósmicas, na madrugada e na manhã, vida e na morte.
Deus é em tudo e tudo é em Deus. Limitar essa percepção a comportamentos éticos ou morais é arbitrar caixas para o que não caberia em nenhum dos nossos limites.
Quem puder entenda. 

Sua crença tem valor? – webradiovagalume.com

Inegavelmente nossas crenças não são apenas nossas crenças. São influenciadas por nossa história, nossa cultura, nossa idade, nosso ambiente e tantos outros vetores que nos impede pensar que nossas ideias políticas, religiosas, filosóficas são realmente nossas ideias.
Mas talvez isso não seja o mais importante.
A questão aqui é: como saber se o que creio faz bem? Se vale sustentar meu ponto de vista mesmo que siga na contra mão da maioria? Reflita em mais um texto do livro Mensagens que chegam pela manhã.

Quando vejo

Quando vejo perco a pretensão de ser portador de qualquer verdade, apenas porque agora eu vivo nela, naquela verdade que não cabe em palavras, que não é dos cristãos, nem dos judeus, muçulmanos, budistas, taoistas ou ateus. Nem dos cientistas, nem dos filósofos, nem dos mestres. Ela não é minha nem sua.
A verdade que supera meus códigos e me salva da loucura de pensar que “agora eu sei”. Quanto mais aprendo, menos sei, menos arrogante, menos ansioso e tudo por uma única razão: aprender implica em assumir que não sabe, em esvaziar-se e, humildemente, entregar-se ao mistério e a perplexidade de existir.

Eu caminho

O tempo é um caminho. Tudo passa por ele, prossegue e assume o que é. Assim como nós, caminhando em corpos que vem e vão, até que sejamos absorvidos, até que estejamos em casa. Estamos todos à caminho, pelo tempo, pelos corpos, pela vida em suas infinitas linguagens, expressões de uma coisa só que por alguma razão fragmenta e se reconhece como “eu”. Eu caminho.
Nossos corpos são caminhos. Túneis de passagem entre o antes e o depois, o ontem e o amanhã, percepções que acontecem ao mesmo tempo, no único tempo, o tempo que chamamos hoje. Um dia de paz pra você.