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Busca pelo amor

dezembro 22, 2014

Estamos todos em busca do amor. Não sabemos ao certo onde está e por isso buscamos. Que busca incessante! Não é a busca de um único homem, uma única mulher. Não se limita aos seus sucessos ou fracassos, a necessidade de conectar-se, de estar perto, de preencher o vazio tão grande; abismo do amor.

Nossa busca é a busca de todos. Dos pais que ainda tateiam no escuro e continuam tentando, os filhos, distraídos, não sabem que viverão à procura de algo, cercados de almas ansiosas por serem encontradas. Esperamos ser encontrados.

Nossa busca é a busca pelo encontro e o encontro é o descanso de ser. Queremos amor como porta, como céu, como ar. Amor que nos coloca para fora e convença à felicidade. Amor liberdade. Ser quem é.

Ser no outro, na outra, naquilo, lá, no espaço que é apenas reflexo, no lugar que é projeção, ser quem é enquanto fugimos, enquanto buscamos, incessantemente, quase em desespero, enquanto não somos encontrados.

Amor é encontrar-se. É descansar, cessar a busca, deixar ser amado. A pressa é sede, a sede é vazio, o vazio é saudade de ser quem somos. Amor é quando perdemos o medo de cair e mergulhamos no desconhecido. É perder o controle.

Nossa busca pelo amor é a busca por nós mesmos. Até que haja descanso, até que aquietemos e deixemos de fugir. Perder o medo de sermos amados. Apenas deixar que o amor nos revele, nos mostre quem somos, nos livre da busca, nos coloque no chão.

Ouça o programa que foi ao ar no dia 17/12/2014 inspirado no texto “Troquemos de mestres!” publicado aqui no blog.

“Antinaturalmente passamos a vida tentando negá-la, construímos uma bolha de distrações tentando pensar que seremos eternos, homens e mulheres gargalhantes que dominarão o planeta, os animais, e, se possível, os semelhantes mais fracos. Por que não?
Que tipo de racionalidade nos faz pensar que somos os únicos seres pensantes na terra? Alias, o que nos faz pensar que de fato pensamos?”  Acompanhe:

 

Irracionalidade

dezembro 20, 2014

Nossa irracionalidade nos levou para muito longe de casa. Admiramos nossas construções, aplaudimos nossa insanidade projetada em sistemas autodestrutivos, chamamos uns aos outros de “mestres” e deixamos de enxergar que há consciência em todo o planeta, a terra fala, os bichos ensinam, tudo se conecta, se comunica.

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Falamos tanto sobre expansão de consciência, “ser consciente”, mas, afinal, o que isso realmente significa? Mais do que um “slogan”, bem além de seguir determinadas cartilhas, consciência tem a ver com significados, a capacidade de enxergar a si mesmo e vincular-se com a vida, conectar-se em simplicidade com gente aparentemente diferente, superar barreiras de condicionamento, ser humano.

Consciência é arejamento de mente, amplitude de olhar, disponibilidade interior, abertura para a vida que somos e está em toda parte. Tem a ver com desprendimento em relação a esteriótipos ou qualquer caminho que pareça absoluto; o ser consciente não se sente dono de nada por saber que faz parte de tudo, humilde, sincero, grato pelo simples fato de estar no dia chamado hoje experimentando esse mergulho no espaço/ tempo.

O ser consciente pode ser ajudado por ferramentas exteriores, mas sabe que são apenas ferramentas. Não se impressionará com ideias, discursos, religiões, “mestres iluminados” ou quem quer que se arrogue na condição de promover o que é absolutamente pessoal: consciência é um movimento interior, silencioso, jamais poderá ser mensurado por réguas inventadas por quem quer ter controle sobre almas.

Quem caminha em consciência, caminha em liberdade. Sabe que poderá tropeçar aqui ou ali, mas isso faz parte do processo. Não teme errar, não barganha com a vida, não se violenta fingindo ser ou crer em nada. Ser consciente tem a ver com simplicidade e o entendimento que a paz deve ser o árbitro de todas as escolhas, de cada passo no caminho.

Dedique alguns minutos do seu dia e veja esse vídeo abaixo. Falo sobre consciência na esperança que as palavras lhe toquem e seja o princípio de uma profunda revolução interior de significados. Você pode fazer isso? Fique bem !

Amor… sem palavras

dezembro 18, 2014

Como se converte amor em palavras? Quem sabe um texto de Vinicius de Moraes, uma poesia, um som daqueles clássicos dos anos 70 ou antes ainda, um Francisco Alves, empolado, empostado na gravidade da década de 50, quem sabe?
Não sinto que eu seja capaz. Pessoalmente não gosto de palavras “chavão”, de adoçar demais, usar frases feitas na esperança de serem suficientes. Tem coisa mais sem graça do que “conte os grãos de areia da praia, as estrelas do céu e saberá o quanto te amo”?  Até porque amor não se limita aos amantes, vai além disso.
Se não cabe em palavras, nem em melodias, como se expressa o amor? Há quem diga que amor é ser caridoso, é cuidar dos necessitados, é fazer o bem, mas quem conhece as próprias motivações? Quantas vezes a culpa nos transforma em uma espécie de Madre Tereza de Calcutá, ou pior, a necessidade de aprovação, de reconhecimento, como se todo bem que faço tivesse de ser alardeado, se não publicamente, tantas vezes interiormente. É aquele que na intimidade se gaba por tanta humildade, por “fazer o bem sem ver a quem”. Por melhor que seja, por mais que diante do agasalho ou do prato de comida, para o beneficiado, não faça a menor diferença quem ou por quê deu, aquele que se engana pensa que ama, só que não.
Que tarefa ingrata essa de expressar o amor que não se converte em palavras, não se limita em melodias, não pertence aos amantes ou caridosos!
Um último recurso: As religiões pregam o amor! Ouço isso tantas vezes. Basta chegar um pouco mais perto, conhecer as condições, letras minúsculas de um contrato que vincula amor à moral, à crenças, à fé, à frequência, à comportamento coerente com cartilhas: “amamos as pessoas, mas odiamos o pecado”, mesmo que o combate ao “pecado” aconteça enquanto combato o “pecador”. Amor? Acho que não.
Talvez o amor seja silencioso. Sutileza que não cabe em tons, em sons, eloquência que não encaixa em letras, maior do que nossa presunção de capturá-lo, pássaro que não permite viver em gaiolas, não pertence à ninguém.
Amor é uma dimensão. Terra para pisar, ar, vento, céu, amplitude, liberdade. Amor é consciência. Reconhecer-se ambivalente, mortal que abriga o universo, expressão de Deus que teme, que chora, que perde, que deixa de ser. Fragmento de absoluto com saudade de casa e, por isso mesmo, tenta sem sucesso cantar o velho hino da pátria distante no canto da mãe, no abraço da esposa, no beijo do filho, amantes que se tocam, suspiros para a lua, poesias, músicas, atitudes caridosas, tentativas de apreender o que está além. Amor, mistério, graça, consciência, silêncio… Como se converte amor em palavras?
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Troquemos de mestres!

dezembro 17, 2014

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Me disseram na escola que o ser humano é o único animal racional. Com o tempo passei a desconfiar que talvez não fosse verdade. Bastava observar os animais, todos eles, e perceber algo além dos instintos, um tipo de comunicação sutil, expressões de inteligencia, diferente dos humanos, mas não por isso inexistente, muito pelo contrário.

Mas e a tal racionalidade do bicho homem? Havia mais impulsos do que reflexão, mais instinto do que consciência, mais reflexos condicionados pela própria cultura do que escolhas ponderadas, equilibradas, racionais.

Enquanto os chamados “seres irracionais” vivem em equilíbrio com o planeta, nós, os “racionais” desenvolvemos algo que chamamos de “vida moderna”, uma cultura completamente predatória, seja em relação à natureza, seja em relação ao semelhante.

Nos autodestruímos por impulso, aceitamos condicionamentos que frequentemente nos deslocam para terras estranhas, terras que não parecem com nosso chão, outro habitat que, com o tempo, passa a ser nosso.

Me refiro a artificialidade das relações, a superficialidade dos sentimentos, a compulsão por distrações, a necessidade de “alegrias” incessantes; nosso medo da solidão, nosso pânico do sofrimento, nosso terror diante da morte.

Antinaturalmente passamos a vida tentando negá-la, construímos uma bolha de distrações tentando pensar que seremos eternos, homens e mulheres gargalhantes que dominarão o planeta, os animais, e, se possível, os semelhantes mais fracos. Por que não?
Que tipo de racionalidade nos faz pensar que somos os únicos seres pensantes na terra? Alias, o que nos faz pensar que de fato pensamos?

Talvez esteja na hora de elegermos outros mestres. No lugar de ideologias políticas, os mestres gatos nos ensinarão como relaxar e viver em paz. Prefiro trocar os debates sobre ética e moral pela fidelidade dos cães que não fazem nenhuma distinção entre um mendigo e um banqueiro.

Os mestres pássaros ensinam como viver no presente, alimentando-se do que o dia chamado hoje reserva, livres em suas melodias que saúdam as manhãs.

Não quero mestres homens. Pessoalmente me inspiro com as mestres formigas, que de alguma maneira se organizam para construção de seus formigueiros, carregam pedaços de folhas, pedrinhas, trabalham incessantemente sem que uma se coloque em superioridade em relação à outra.

Sou discípulo dos peixes, os que vivem pacificamente em um mundo desconhecido para mim e, talvez por isso, de alguma maneira, ainda preservado. Namastê, mestres minhocas! Vocês que cuidam da terra, que trabalham silenciosamente sem necessidade de aplausos ou reconhecimentos. Perdoe por suas irmãs esmagadas sem nenhuma razão por nós, os seres racionais.

O que seria dos pobres e dependentes humanos sem o trabalho de vós, mestres abelhas? Haveria equilíbrio se os sábios sapos não existissem? Será que nós, avançados e sábios animais racionais, os únicos racionais, existiríamos sem o trabalho das senhoras, mestres baratas, que convertem nitrogênio em fertilizantes?

Nossa irracionalidade nos levou para muito longe de casa. Admiramos nossas construções, aplaudimos nossa insanidade projetada em sistemas autodestrutivos, chamamos uns aos outros de “mestres” e deixamos de enxergar que há consciência em todo o planeta, a terra fala, os bichos ensinam, tudo se conecta, se comunica.

Troquemos os mestres, sejamos humildes, suficientemente abertos para aprendermos com seres mais simples, justamente por que esses não se corromperam com a própria luz. São filhos da terra, irmãos uns dos outros, vivendo entre nós com sua silenciosa sabedoria, presentes enquanto não destruímos tudo em nome de nosso progresso.

Namastê mestre bicho do alface! Perdoe os humanos. Temos sido a mais eloquente expressão da irracionalidade animal.

Amor que nos une

dezembro 16, 2014

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Os sistemas se colocam em choque o tempo todo. Promovendo conflitos, exacerbando contrapontos, cegando pessoas que lutam por causas que não são humanas, mas em nome de ideias, instituições e símbolos matam uns aos outros, brigam por uma paz que jamais será atingida, pelo menos não desse jeito.

Somente humanos podem promover paz entre humanos, somente um abraço pode promover ao outro o acolhimento prometido por livros,  discursos, doutrinas, políticos, ideias ou ideologias; nada disso é mais poderoso do que um toque, um olhar, gente que se enxerga além das cascas e dos rótulos, mas reconhece no outro parte de si, vinculados, vida manifesta temporariamente em corpos de carne, osso e sangue.

Quem tem coragem para abrir mão das armaduras e, nu, sem nenhum tipo de proteção, expor sua humanidade, revelando ao outro o que lhe habita?

Que entre nós não haja maiores ou menores, nem mestres e discípulos, nenhuma fronteira, nenhum preconceito, nada que se interponha promovendo ilusão de separação. Que tenhamos coragem para sermos humanos, apenas humanos, solidários, disponíveis, pacientes com as falhas do outro porque primeiro reconheceu-as em si mesmo e, desde então, não se sente em posição para ser juiz de ninguém.

A solidariedade humana é subversiva diante da manipulação de consciências e pode ser um poderoso caminho para que sejamos bem mais do que meros soldadinhos amedrontados, combatendo uns aos outros, tentando impor pela via da força, o que só pode ser conquistado pelo caminho do amor.

Amor que nos une, que nos torna humanos, que nos traz de volta para casa.

 

 

 

 

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