Eu lar

Nós, humanos que vivemos e morremos buscando repouso. No colo da mãe, na casa do pai, no beijo de amor, no abraço amigo; repouso no cenário de paz, na vida que não para, não cede e segue nos levando em seu próprio fluxo.
Queremos repouso e passamos os anos em busca de pouso. Um lugar, casa, causa para o caminho.
Que seja ar, que seja chão, céu, mar, que seja.
O tempo nos desloca, nos leva para longe, nos dá, nos tira, nos enche, nos cansa.
O colo da mãe, brasas da chama de outrora que não acho em promessas, nem nos espaços, não acho.
Nós humanos que vivemos e morremos buscando repouso.
Nós, viajantes distantes de casa, saudosos pelo hino da pátria que toca sempre que o sol se põe, nas noites escuras, nas madrugadas frias e chuvosas, cruéis com peregrinos que só querem o aconchego do lar e, por isso mesmo, sem saberem, passam a vida buscando.
Infrutífera busca!
Até desistirem.
Até cansarem.
Até aquietarem.
Repousam na casa que são. Cansaram pois correram, assumiram sobrecargas desnecessárias e não repararam que a luz sempre esteve acesa.
Ainda há cheiro de bolo. Há colo de mãe, abraço amigo na casa do pai.
Na casa que sou lugar para pouso.
As buscas cessaram.
Me recolho enquanto lenhas aquecem a lareira. Encontro aconchego no meu lar.
Eu lar.
Tudo voltou ao lugar. Sempre esteve.
Humano que sou.
Encontro repouso.

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Não deforme seu olhar

Ao formatar seu olhar conforme os atos ou escolhas alheias, você se dissolve na dissolução do outro. Perceba o mundo a partir desse lugar que é você e evite que a falta de consciência de quem quer que seja lhe transforme em ofendido, em vítima, em amargurado, para que a amargura não se instale, apodreça e te estrague junto. Não permita que o outro tenha controle sobre você, nem que o mundo de fora deforme o seu mundo de dentro.

Amor é fluxo

Amor é fluxo.
Como a natureza que flui, como o rio, nunca o mesmo, como a vida e seus ciclos, as estâncias da natureza, as estações do clima, como a morte que abre fendas, rompe laços, promove encontros em desencontros: percepções doloridas, cotidianas, libertadoras. Nos quebra, nos livra, nos ensina o desapego; nos lembra que a vida, para ser vida, precisa fluir. Amor é fluxo.

Ser amor ser livre

Penso que ser amor se relaciona ao ato de ajudar o outro a encontrar-se. Nem sempre é fácil, pode ser que seja preciso afastar-se por um tempo, outras vezes é necessário ser firme. Não faz bem querer que o outro seja seu (seja lá em que nível for) mas faz bem a consciência de que é preciso devolve-lo a si mesmo. Que seus movimentos sejam de liberdade, jamais de posse. O amor é livre e a liberdade é selvagem.

Encontro em SP – Sábado!

No próximo sábado estarei em SP. Os encontros não são palestras. Mas há exposições de ideias.
Não são dinâmicas de grupo. Mas os grupos são dinâmicos, especialmente na possibilidade de reconhecerem-se como humanos.
Não são formatados. Há liberdade para que cada um seja conforme a energia dos participantes, especialmente no espírito livre, na troca de ideias, nos momentos de reflexão. Se quiser ir, são as últimas horas para inscrição. Acesse http://www.lojadoflaviosiqueira.com, saiba mais detalhes e inscreva-se. Até lá!

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Uma carta de gratidão

Sai do ar e fiquei sentado na cadeira. Nem tirei o fone. As músicas não me distraem, as vinhetas, a rádio na minha casa, o computador com mouse de carrinho amarelo, os desenhos do meu filho na acústica. Permaneci quieto tentando organizar dentro de mim as vozes, as mensagens o carinho eloquentemente expresso por tanta gente querida. O programa comemorando 1 ano da web rádio Vagalume foi especial.
Ainda estou na mesma cadeira e agora o microfone está desligado. Me movo com lentidão, com reverencia, em gratidão. Respiro.
Grato pelo privilégio de compartilhar minha humanidade com tanta gente que eu nem conhecia. Por não me esquecer que só crescemos enquanto reconhecemos que há espaço, no caminho, na relatividade, na imperfeição que me torna um perfeito humano.
Grato por ser exatamente quem sou, ainda que falte muito, incompleto, mas a caminho. Por acreditar que é nossa “fraqueza” que nos vincula e não aquela “força” que se transforma em arrogância e sobrecarga, mas o reconhecimento prático e inclusivo de que, apesar de sermos indivíduos com características únicas, é nossa humanidade que nos torna semelhantes.
Para muitos sou um grande herege. Para outros um santo. Sentado aqui na cadeira, quieto, sei que não sou nenhum dos dois: contento-me em ser gente. Um cara que tenta ver e saber o que fazer com isso, que compartilha o caminho e, entre erros e acertos, sente que tem cumprido a mais elevada função que um ser humano pode assumir: servir e ser grato por isso. É um privilégio te servir, mesmo que seja para incomodar.
Obrigado mesmo!
Flavio

1 ano