A beleza das relações

Os vínculos mais significativos não se estabelecem por virtudes ou poderes que possamos aparentar. Nos vinculamos quando nos identificamos em nossa humanidade, em nossa dor, em nossos limites que tantas vezes se superam apesar dos pesares.
Os “fortes” se comparam, se admiram, se ameaçam, se envaidecem. Disfarçam na admiração do outro a insegurança latente, por isso necessitam tanto de reconhecimento. Alimentam-se disso.
Os “fracos”, por reconhecerem o que lhes habita, são solidários, caminham para superar-se um pouco em cada dia. Por saberem quem são não sentem necessidade de julgar ou condenar quem quer que seja, pelo contrário, se puderem ajudarão o outro a aliviar a carga. Reconhecem-se pela via da humanidade, jamais pelas distrações da superioridade. É isso que constrói a beleza das relações.

Linguagens

Ainda usamos a velha linguagem de sempre. Expressões centenárias que se referem a outras paisagens. Tudo mudou. Veio outra tecnologia, utopias desfeitas, olhares desviados para outros cenários, outros valores, outros humanos que tentam encaixar o que antes era tão fácil, tão simples, em um mundo complexo e cheio de ambivalências.

O amor dos poetas que divagavam sob a lua. Os pensamentos do homem que chegava cansado em casa e abraçava a família. As crianças com suas calças curtas. A cidade que silenciava com a chegada da noite. As assombrações de uma realidade pré científica. O canto do galo. Deus. Fé. Liberdade. Pecado. Virtude. Esperança. Futuro.

Palavras que apontam para paisagens que se dissolveram em um tempo cheio de vácuos. Que precisam serem reinventadas para que se revistam de significado de novo.

Nossa linguagem ficou pobre. Agora só percebemos a estética das palavras, não prestamos mais atenção. Seguimos com nossos códigos que deixaram de expressar o amor, os pensamentos, o cuidado, a espiritualidade, as utopias quase sem espaço.

É preciso nos enxergarmos para encaixarmos as palavras e os significados. Percebermos os movimentos interiores que nos deslocaram de outra terra, de outro tempo, estabelecendo uma nova linguagem que ajude a estabelecermos sentido.

É preciso construir pontes entre os que somos e os que fomos, caminhos que nos conectem a um tempo diferente, e que apesar da linguagem, ainda vive dentro de nós.

Relaxe e aproveite a viagem ! – Insight

Ainda que ter planos seja saudável é fato que não temos controle sobre os desencadeamentos de cada experiência. Vivemos na tentativa de sentir que há o mínimo de controle até que o perdemos.
Tentamos criar nossos sistemas, fazemos tudo para que a vida aparente estabilidade e ficamos a mercê da “sorte” ou de “deus” ou de qualquer coisa que nos promova descanso.
Acontece que o descanso não está no controle, mas na viagem. Às vezes é preciso “deixar os pratos caírem” e permitir que o fluxo do descontrole nos revele que o fato de não termos controle pode ser muito bom. É hora de relaxar e aproveitar a viagem! Agora você começará a ver. Assista abaixo o mais novo Insight sobre esse tema..

A casa que sou

Você chama de Deus. Mas não é Deus que procura.
Acha que é felicidade. Mas o que é felicidade além dos comerciais de margarina ou de carros potentes?
Você quer um trabalho melhor, se esforça e justifica: “Infelizmente em nossa sociedade é assim, o dinheiro fala mais alto.” Está apenas se enganando, como se fosse obrigado a aderir valores que não são seus, ritmos que desgastam, objetivos tantas vezes utópicos.

Você pensa que procura um grande amor? Engano. Quantas vezes “grandes amores” viram outras coisas, perdem o brilho na mesma proporção que deixam de ser novidade.

Uma país mais justo onde as coisas funcionem, onde houvesse menos desigualdade seria suficiente? Claro que a vida melhoraria, claro que estaríamos mais felizes, menos indignados, mas a pergunta é: seria suficiente?

Por que nunca é? Por que não saciamos? Por que a busca não cessa?

Trocamos de carro e arrumamos outra mulher, outro marido, outra vida. Mudamos de religião, deixamos tudo de lado e nos transformamos em seres “zen”. Mudamos nossa linguagem, nossos padrões, nosso trabalho e as mudanças nos agradam por um tempo.

Ajudam a estampar um sorriso novo, um olhar esperançoso que adiante será substituído pelo cansaço não confessado, pelas dores latentes que recusamos a admitir.

Empurramos para baixo do tapete e continuamos com nossas dores, silenciosos, em nossa eterna busca até que cesse.

Estava em nós. Tudo dentro. Nossa busca por Deus, por felicidade, por trabalho, por dinheiro, por justiça, por amores… Nossas buscas, todas por nós mesmos, perdidos, fragmentados em uma vida fragmentada.

Damos nomes às coisas de fora, mas dentro da gente elas vivem sem nome, todas eu, todas em mim, silenciosamente angustiadas até serem encontradas. Até que eu me cale e ouça. Até que eu veja e enxergue. Até reencontrar o caminho de casa, a minha casa, a casa que sou. 00190u

Nosso corpo é um adversário?

Entre os comentários aqui no blog:

“Será nosso corpo o maior dos nossos adversários? Será nossa mente a “madrasta” má que nos afasta da nossa essência?
Tenho enfrentando grandes batalhas comigo mesmo, não porque não sei o que fazer, mas devido a total e viciante cultura pré- fixada e impregnada no que chamo de eu…”

– O corpo e a mente serão adversários se tratá-los como tal. Cuide deles, alimente-os com o que faz bem e terá aliados, não adversários. Respeite-os, e as grandes batalhas não serão necessárias. Fique bem!