Domingo frio em Porto Alegre.
Depois de uma semana chuvosa, o sol começou a aprecer timidamente, mas o frio continua.
Tempo bom pra ficar em casa com a família sem fazer nada.
Hoje eu pensava sobre as propóstas que deixei pra trás quando vim pra cá: Uma da Jovem Pan e outra da Tv Record.
É a primeira vez que falo mais abertamente sobre isso e, depois te detalho como foi, mas é claro que você se questiona se deveria mesmo abrir mão de propóstas de trabalho em empresas desse porte e signifcado.
Vim pra cá buscando outras coisas e estou feliz com isso.
Mas eu falava sobre tempo pra ficar com a família, ler e , acho que você que tem lido o blog nesse fim de semana, percebeu que postei alguns textos de outras pessoas aqui.
Uma dessas pessoas que admiro e gosto de ler é a Chris Gialluca e aqui vai mais um texto dela:
Os barulhos das baratas e de outras coisas
Quando aparece uma barata em casa, acabo descobrindo por causa do barulho que ela faz. Algumas pessoas me dizem que barata não faz barulho, e por isso, eu não posso ouví-lo. Mas ouço.
Barata faz um barulho parecido com estalinhos. Dá impressão dela ter perninhas de plástico que estalam quando ela toca nas coisas. Não que ela ande estalando como um robozinho. É bem mais sutil.
Ou vai ver que ela faz barulho quando come as coisas da nossa casa…Não sei como ela faz barulho, mas faz!
Às vezes, para perceber que o perigo se aproxima, queremos que ele venha fazendo alarde, tocando alto como uma fanfarra.
Muitas vezes, os sons ou os sinais da maldade falam baixinho, para que ninguém a perceba chegar. Pode ser um comentário apimentado de uma amiga, um sorriso irônico de outra, uma atitude de quem não se espera, uma demora…
Talvez, perceber estes sons e sinais fique mais fácil com a experiência da vida, e por isso as mães digam às filhas: “Cuidado com Fulana.” E as filhas respondam: “Você está vendo coisas. Ela é legal.” E só descobrem que a Fulana não era tão legal assim quando alguma coisa dá errado.
Só que experiência só se adquire vivendo, ou então, pela observação do que as outras pessoas vivem. Leva tempo e requer uma atitude contemplativa à qual, dificilmente, alguém mais novo se presta.
Talvez, tenha sido mesmo minha longa vivência de encontrar baratas andando pela casa nas noites quentes que me tenha dado ouvidos para ouví-las.
Tomara que meus ouvidos estejam sensíveis para os barulhos de outros perigos que andam pelas ruas nas noites de calor.


