Não vi toda a cerimonia de abertura das Olimpiadas, mas o suficiente pra pensar como o ser humano é capaz de fazer coisas belas.
Estranho que a mesma raça- humana – que faz uma festa como a que vimos, destrói o planeta e causa tantas tragédias.
Ambiguidade é nosso nome.
Hoje somos perfeitos, amanhã terriveis.
Talvez seja por isso que não dá pra confiar no nosso coração que vive como um pendulo ao sabor do vento e não consegue criar raízes quase nunca.
Se dentro de nós existe a capacidade de criar- ou admirar – um espetáculo daqueles, porque será que não conseguimos domar o “bicho mal’ que mora em cada um de nós ?
Em dias contráditórios, é , no mínimo um paradoxo, percebermos que é a consciência da nossa ambíguidade que nos torna mais humanos e nos dá a capacidade de, mesmo cheios de maldade, entendermos que é no caminho, no dia chamado hoje, que se forja a verdadeira paz.
Ser ambiguo faz parte da nossa humanidade e tentar mudar isso é o principio do mecanismo que empedra o coração e faz com que minha capacidade de ver o belo, vire julgamento e fardo.
Com graça, em paz e vivendo a cada dia seu próprio mal estarei mais perto de ser eu mesmo, para o meu próprio bem.

