Arquivo para agosto, 2008

agosto 13, 2008

links no youtube

Pra quem gosta do meu trabalho, mais um link no youtube: http://br.youtube.com/watch?v=RynEaoVxz54&feature=user

Tem tambem o do helicoptero: http://br.youtube.com/watch?v=kiGEMDZke_Y

agosto 10, 2008

Ambiguidade é nosso nome.

Não vi toda a cerimonia de abertura das Olimpiadas, mas o suficiente pra pensar como o ser humano é capaz de fazer coisas belas.

Estranho que a mesma raça- humana – que faz uma festa como a que vimos, destrói o planeta  e causa tantas tragédias.

Ambiguidade é nosso nome.

Hoje somos perfeitos, amanhã terriveis.

Talvez seja por isso que não dá pra confiar no nosso coração que vive como um pendulo ao sabor do vento e não consegue criar raízes quase nunca.

Se dentro de nós existe a capacidade de criar- ou admirar – um espetáculo daqueles, porque será que não conseguimos domar o “bicho mal’ que mora em cada um de nós ?

Em dias contráditórios, é , no mínimo um paradoxo, percebermos que é a consciência da nossa ambíguidade que nos torna mais humanos e nos dá a capacidade de, mesmo cheios de maldade, entendermos que é no caminho, no dia chamado hoje, que se forja a verdadeira paz.

Ser ambiguo faz parte da nossa humanidade e tentar mudar isso é o principio do mecanismo que empedra o coração e faz com que minha capacidade de ver o belo, vire julgamento e fardo.

Com graça, em paz e vivendo a cada dia seu próprio mal estarei mais perto de ser eu mesmo, para o meu próprio bem.

agosto 7, 2008

O politicamente correto.

Vivemos na era do politicamente correto.

Onde assumir posturas se confunde com intolerancia e definir um lado da questão se parece com radicalismo.

O Politicamente correto é aquele que tomou pra si a prática da moral dos dias de hoje, seguindo o fluxo civilizatório como dógma religioso. Tem suas opiniões, mas em público não dizem nada.

Soberana e piedosamente coloca-se em posição superior de arrogante tolerancia, sem se dar conta que sua toleracia, não passa de medo.

São tempos de imposição da aceitação onde, até através de leis, pretende-se forjar uma sociedade mais equilibrada.

Verdade vira diplomacia e toda verdade que não seja diplomática é relativizada.

Relativismo é a bandeira do politicamente correto.

São escravos da aparência do bom e virtuoso, adoecendo na alma a medida em que sufocam aquilo que pode parecer feio.

Uma sociedade “correta” é aquela sem vida, sem discussões, sem de fato tomar partido de nada porque, sempre que há posicionamento, é em nome da aparência e da necessidade em estar na luta certa, mesmo sem saber qual é.

Quanto mais ideologia do “politicamente correto” existe em alguém, mas fria, descomprometida e alheia da existência a pessoa se torna ja que nele não há paixão, mas apenas avaliação da vantagem ou da auto-preservação pessoal.

É quando o sim e o não são necessariamente o que parecem, pois, em tal ideologia de religiosidade secular, o que é, pode ser, dependendo das circunstancias, porque se as circunstancias não forem as ideiais, qualquer que seja a verdade, mesmo sendo, na prática não será tratada assim. Afinal, o ser “politicamente correto” só diz que o que é, é, se isto lhe for conveniente e bom para o culto à elegância.

Vivemos em tempos de culto a si própria e a aparencia, sabendo que, se dentro sou vazio, por fora devo, pelo menos, aparentar ser alguma coisa.

Viramos uma pasta, um eco do outro em uma sociedade que é quase regida por uma espécie de insconciente coletivo que, no fim das contas, é mantido por interesses de todas as espécies, menos do bem coletivo.

Até que ponto o medo de assumir posições e ser você te afilige a ponto de assumir discursos que não são seus ?

Em principio pode parecer bobeira mas o problema é que, quando fomos perceber, viramos pasta que não pensa, não sente e não vive, mas sobrevive em nome da aparência alimentada pela necessidade se simplesmente ser aceito.

Pense nisso.

agosto 6, 2008

Pela ordem!

Hoje eu estava assistindo a uma sessão plenária no congresso nacional pela tv.

Que loucura !  Enquanto alguém fala, os outros sequer fingem que estão prestando atenção.

Vozes pra todos os lados, gente no celular, abraços, sorrisos escancarados evidenciam que lá dentro a preocupação é só com o próprio umbingo.

Cada um fala sobre um assunto e, no fim das contas, ninguém se entende.

Agem como verdadeiros colegiais daquelas escolas onde o professor não tem absolutamente nenhuma autoridade e cada um faz como quer.

Sinceramente fiquei impressionado com a bagunça que é aquilo, e ainda televisionam !

Basta ver nossos nobres representantes “trabalhando” para entender a situação que a politica desse país vive.

Os bons indicadores da economia de maneira alguma podem mascarar uma realidade gritante: Elegemos politicos que- com raríssimas excessões- só pensam em se auto beneficiar ou aos “cartéis” que representam.

Não existe nenhuma espécie de peocupação genuinamente social e, quando aparentemente há, é puro fisiologismo.

Mas o pior da história é que aqueles senhores engravatados e sorridentes são retratos de nós mesmos.

Enquanto nossa única preocupação for o pão e a diversão, seremos levados por promessas e agradinhos.

Somente criticar os politicos enquanto o povo age com desonestidade e desleixo é comodo demais.

Em níveis diferentes e, cada um de acordo com a oportunidade que lhe aparece, fazemos o mesmo, sempre acreditando no cada um por si.

Se a preocupação em conscientizar não vem de Brasilia, que comece em cada um de nós.

Leia, se informe, procure saber sobre política e a realidade em que está inserido, estude, cresça!

Esperar que aqueles senhores eufóricos façam algo é utopia.

Eles só vão mudar quando eu e você também o fizermos.

E vem aí mais uma cansativa eleição.

agosto 6, 2008

Problema nosso.

Impressiona aqui em Porto Alegre a quantidade de gente pedindo dinheiro nos faróis.

Avenidas como a Ipiranga, por exemplo, são pontos de pedintes extremamente jovens que, ostensivamente, abordam os motoristas atrás de dinheiro.

Eles saem dos matos, sempre muito sujos e , muitas vezes drogados, se revezam dia e noite nos faróis.

Chama a atenção como a prefeitura da cidade não demonstra fazer absolutamente nada já que , eu que só estou aqui há um mês, sei quem são as pessoas e onde dormem.

Parece que em SP o povo tá um pouco mais preparado pra lidar com isso, mas aqui sinto que a população tem um misto de pena e medo e sempre dão dinheiro.

O problema é que dar dinheiro nos faróis alimenta a prática e atrapalha muito mais do que ajuda.

Nunca é confortável olhar pela janela do carro e ver gente-muitas vezes crianças- pedindo.

Nossa reação natural é- ou fingir que não é comigo ou tentar resolver o problema de quem está lá.

Se por um lado não podemos “cauterizar” nosso olhar para esse problema que é de todos, por outro alimentar essa situação só gera mais mazelas.

Para lidar com isso coerentemente existem caminhos.

Instituições ligadas as prefeituras, igrejas ou ongs que realmente se propõe a ajudar. Contribuindo com uma delas você estará fazendo muito mais do que imagina.

Se a sociedade começar a se ver como parte do problema e da solução, fica mais fácil resolvermos situações crônicas que só existem porque deixamos.

Em tempo de eleição, desconfie do político que se coloca como super homem (ou mulher), como aquele que vai resolver um problema que só se resolve quando eu e você tomamos a responsabilidade.

É com consciência que todos viram um só, e quando é assim, somos muito mais fortes do que qualquer político ou conveniência social.

Da próxima vez que alguém lhe pedir dinheiro no faról, lembre-se que o problema é de todos e , assim como em tudo, a solução começa com atitudes que nascem a partir de uma mudança de mente : minha, sua e de todos aqueles que sabem que aquilo que acontece fora do quintal de casa, tem a ver comigo também.

agosto 4, 2008

Além da poluição.

As vezes nossa visão perde o foco.

Ontem, pelas ruas de Porto Alegre, é que me dei conta do quanto a cidade é bonita envolvida por belos morros.

Não que eu nunca os tenha visto ou ignorado o Guaíba ou as belezas da Capital gaúcha, mas parece que , sutilmente, nossos olhos se acostumam a ver asfaltos, carros, faróis, prédios que vai perdendo o costume de ver o que é bom.

A paisagem é a mesma, mas sinto que aos pouquinhos meus olhos vão vendo outras coisas.

Como é bom a possibilidade de descongestionar a visão e enxergar além das placas de trânsito.

Na vida também é assim. Deixamos de ver o que é bom, e só olhamos para o que incomoda.

A família, amigos, por do sol, prazeres pequenos……tudo diminui em detrimento de  um problema que, de fato, deveria ser muito menor.

Quando a visão é distorcida, transformamos uma gota de chuva em temporal, uma picada de pernilongo em mordida de pitbull.

É tudo uma questão de foco, de escolher o que te importa e o que vai alimentar sua mente e visão.

As vezes é preciso olhar a volta e ver que lá no horizonte, muito mais do que poluição, tem os morros e o Guaíba.

agosto 3, 2008

Os Barulhos das baratas e outras coisas.

Domingo frio em Porto Alegre.

Depois de uma semana chuvosa, o sol começou a aprecer timidamente, mas o frio continua.

Tempo bom pra ficar em casa com a família sem fazer nada.

Hoje eu pensava sobre as propóstas que deixei pra trás quando vim pra cá: Uma da Jovem Pan e outra da Tv Record.

É a primeira vez que falo mais abertamente sobre isso e, depois te detalho como foi, mas é claro que você se questiona se deveria mesmo abrir mão de propóstas de trabalho em empresas desse porte e signifcado.

Vim pra cá buscando outras coisas e estou feliz com isso.

Mas eu falava sobre tempo pra ficar com a família, ler e , acho que você que tem lido o blog nesse fim de semana, percebeu que postei alguns textos de outras pessoas aqui.

Uma dessas pessoas que admiro e gosto de ler é a Chris Gialluca e aqui vai mais um texto dela:

Os barulhos das baratas e de outras coisas

Quando aparece uma barata em casa, acabo descobrindo por causa do barulho que ela faz. Algumas pessoas me dizem que barata não faz barulho, e por isso, eu não posso ouví-lo. Mas ouço.
Barata faz um barulho parecido com estalinhos. Dá impressão dela ter perninhas de plástico que estalam quando ela toca nas coisas. Não que ela ande estalando como um robozinho. É bem mais sutil.
Ou vai ver que ela faz barulho quando come as coisas da nossa casa…Não sei como ela faz barulho, mas faz!
Às vezes, para perceber que o perigo se aproxima, queremos que ele venha fazendo alarde, tocando alto como uma fanfarra.
Muitas vezes, os sons ou os sinais da maldade falam baixinho, para que ninguém a perceba chegar. Pode ser um comentário apimentado de uma amiga, um sorriso irônico de outra, uma atitude de quem não se espera, uma demora…
Talvez, perceber estes sons e sinais fique mais fácil com a experiência da vida, e por isso as mães digam às filhas: “Cuidado com Fulana.” E as filhas respondam: “Você está vendo coisas. Ela é legal.” E só descobrem que a Fulana não era tão legal assim quando alguma coisa dá errado.
Só que experiência só se adquire vivendo, ou então, pela observação do que as outras pessoas vivem. Leva tempo e requer uma atitude contemplativa à qual, dificilmente, alguém mais novo se presta.
Talvez, tenha sido mesmo minha longa vivência de encontrar baratas andando pela casa nas noites quentes que me tenha dado ouvidos para ouví-las.
Tomara que meus ouvidos estejam sensíveis para os barulhos de outros perigos que andam pelas ruas nas noites de calor.

agosto 3, 2008

O imponderável.

Você viu o GP de F1 na Hungria  nesse domingo?

Felipe Massa larga em terceiro e , cheio de determinação, ultrapassa Kovalainen e o pole Lewis Hamilton.

A líderança da corrida foi mantida até sexagésima sétima volta, quando o motor da Ferrari não aguenta e faz com que o piloto volte a pé, chorando para o Box.

Ele fez tudo certo, a equipe foi perfeita, mas o motor….

Nessas horas é bom lembrar que existe o imponderável. Você faz tudo certinho, se esforça, trabalha para que as coisas aconteçam e, quando espera o resultado positivo : o imponderável !

Vivemos em tempos de resultados, cobranças, competitividade e, nesse mundo, fica dificil aceitar que nem sempre as coisas acontecem do nosso jeito.

Livros de auto ajuda, os não sei quanto passos pra vitória, como ser um gigante nos negócios, na família, como ser bem sucedido nisso ou naquilo… reparou como esse tipo de apelo está em todos os lugares ?

Com voracidade e fé as pessoas consomem discursos e promessas acreditando que assim chegarão lá; na felicidade eterna.

Sou totalmente favorável a ter objetivos, garra, correr atrás de um projeto, mas nunca me esqueço que, se não der certo, não é alí que está meu tesouro.

Em tempos de consumo é sempre bom parar pra pensar onde está o teu coração, porque alí estará seu tesouro.

Isso não deve tirar a motivação pra crescer na vida, mas dar ordens as prioridades lembrando que, no fim das contas, o que vale é aquilo que somos.

É isso que determina para o que você está vivendo e onde quer chegar porque o resto é consequência.

Na próxima largada, de tudo de si !

Seja ousado, corajoso, forte mas nunca se perca porque, se no fim da corrida o motor quebrar, você pode até voltar chorando para o Box, mas no fim do dia, a frustação será trocada pela recompensa de que tentou e a lembrança de que os verdadeiros tesouros nunca se perdem.

Pense nisso.

agosto 2, 2008

Caminhos e descaminhos.

Escrito por mim em 2006 para o Tudo Radio.  No texto falo para o profissional de rádio , mas vale pra qualquer área.

 
Caminhos e descaminhos
 
 
Sempre gostei de aprender.
Não de maneira forçada com didática imposta e muitas vezes arcaica, mas quando o aprendizado vem como experiência, fruto de situações ou circunstâncias de vida, tudo fica mais fácil.
Talvez seja essa a fórmula dos auto didatas: não ter a obrigação de saber. Aprender como consequencia.
Nem sempre você perceberá que ali tem uma lição, que depois dessa aprenderá, mas engraçado como, com o passar do tempo, determinadas situações voltam até como pano de fundo pra determinar que chegou a hora de usar a experiência de outros tempos já quase apagados da memória.
Na vida a gente aprende o tempo todo e feliz aquele que sabe disso.
Uma das épocas que mais aprendi, foi quando decidi ensinar.
Durante alguns anos levei a frente um sonho de formar profissionais.
A idéia não era habilitar tecnicamente ( já que eu não poderia dar o DRT), mas trocar experiências, apontar possiveis caminhos ou provaveis desvios de rota.
Além das gravações, da analise da locução, conversávamos.
Eu contava sobre experiências vividas nas rádios, ouvia sobre os sonhos deles e todos aprendiamos.
Nessa época mantinhamos um programa em uma rádio aqui de São Paulo onde era proporcionado aos alunos a oportunidade de ter sua primeira experiencia com o rádio.
Eles participavam do programa de diversas maneiras.
Desde expectadores, até entrevistadores, locutores, humoristas….
Levava-mos gente do rádio ou da tv pra contar sobre sua carreira, suas lutas, seus planos.
Saíamos de lá com a alma lavada e a sensação de que sempre haveria a possibilidade de crescer, amadurecer, subir um degrau a mais.
Em uma dessas entrevistas, o convidado foi um reconhecido profissional do rádio.
Você certamente já ouviu falar o nome dele.
Após grandes emissoras, muita visibilidade, sucesso, dinheiro, ele vivia um mau momento.
Já não recebia convites, o dinheiro escasso e não restava opção a não ser em trabalhar em uma pequena rádio religiosa.
Saindo da entrevista, dei uma carona pra ele e perguntei porque se submetia a isso. Tudo bem que os tempos eram outros, mas sentia nele uma certa acomodação diante dos anos.
A resposta foi a seguinte: ” Mas lá é bom ! Recebo meu salario ( baixo por sinal) em dia, tenho beneficio da cesta basica e ta tudo certo”.
Me incomodou ouvir isso.
Pouco depois ele foi demitido e , até onde sei, hoje se vira fazendo bicos com gravações aqui ou ali.
No meu banco de carona não estava um principiante que muitas vezes deve se submeter a determinadas situações até pra acumulo de experiencia, curriculo etc…
Ainda que fosse por falta momentanea de opção….
Quando é assim o profissional se submete a determinados trabalhos até que uma porta melhor se abra. Normal, pode acontecer com qualquer um.
Mas o caso era acomodação!
Voltei pra casa naquela noite pensando nisso.
Até que ponto grande parte dos nossos problemas vem daí?
Disse no começo do texto que gosto de aprender e isso inclui refletir em determindas situações pra tirar lições.
Ainda hoje penso naquela conversa e aprendi algumas coisas:
Quando começamos no rádio , sonhamos em trabalhar em determinada emissora, determinado salário, em sermos reconhecidos pelo mercado.
“Chegará o dia em que o pessoal das rádios me conhecerá. Serei um nome reconhecido em todo o país”, pensam muitos.
Um dia isso acontece.
Você trabalha nas rádios que gostaria, carrega reconhecimento no nome e gente de rádio do país todo sabe quem você é.
Mas você ja parou pra pensar no ” e depois disso” ?
Esse é o problema.
Quanta gente boa que fez tanta coisa no (e pro) rádio ta aí parado, sem mercado e a contragosto tentando a sorte em outras áreas.
O mercado é injusto ! – Muitos poderiam dizer.
Realmente reconhecimento é artigo escasso no mercado, mas não da pra nos limitarmos nisso.
Talvez a culpa seja nossa, e sabe por que?
Porque durante a caminhada, nos esquecemos que não podemos parar.
Isso significa que não existe o “ultimo estágio”.
Você pode até chegar onde sonha, mas se ao chegar sentar e ficar olhando deslumbrado pra tudo o que fez, esperando reverência e reconhecimento de todos, sinto lhe dizer, mas o próximo passo é pra baixo.
Quando você para, por mais distante que possa estar, alguem te ultrapassa.
Você pode estar a leguas de distancia dos outros, mas eles também caminham até chegar o momento em que te ultrapassarão.
E quando você ficar pra trás, será visto como decadente e ninguem quer um “decadente” por perto.
Quando isso começar a acontecer, virá a indignação.
“Como não percebem meu brilho? Como não me reverenciam mais? Não entendem que sou o fulano de tal que cheguei até aqui?.”
Nesse estágio a nostalgia misturada com mágoa e desilusão se instala.
É hora de mudar de ramo e sair falando mal.
Entende o que quero dizer?
Na nossa profissão não existe cargo vitalicio ( que bom ! ). Só seus meritos justificam a permanencia pelo maior tempo possivel no que você considera o ” auge”, mas saiba ; outros também buscam o “auge” e vai chegar a hora em que haverá troca de posto.
Quando essa hora chegar, pra onde você vai?
Essa análise sobre o estágio em que estamos na carreira deve ser uma constante.
Não pare nunca !
Um dos lados bons em trabalhar no rádio, é que aqui você tem um leque de contatos e opções que te possibilitam experimentar outros rumos, ainda que dentro do mesmo veículo - rádio.
Já era assim no passado e será cada dia mais, ja que vivemos em tempo de digitalização com mudanças acontecendo o tempo todo.
Mudam os ouvintes e a maneira de comunicar, mudam os profissionais e o jeito de fazer rádio.
Isso requer constante reciclagem e eventuais quebras de conceitos.
Você tem 10, 20, 30 anos de rádio e acha que ja sabe muito ?
Sinto-lhe dizer que não sabe não, e o pouco que sabe deve ser constantemente revisto.Talvez o estagiário que trabalha aí com você tenha muito a lhe ensinar !
Quando começar a sentir que já sabe muito fique atento porque essa pode ser sua armadilha.
Não sei como isso lhe cai.
Quando parei pra pensar nisso me toquei que ainda tinha muito o que fazer, que tava na hora de iniciar novos projetos, dar novos passos, experimentar outras maneiras de fazer o rádio.
Aos 31 anos de idade e 15 de rádio, ainda recomeço.
Em cada nova experiênica, nos novos amigos, novas situações vividas no rádio.
Estou longe de achar que cheguei no auge e ainda tenho varios projetos pra realizar.
Alguns tem caminhado bem, outros na fase dos devaneios, mas o bom disso é que não me deixam parar.
Esse é o segredo.
Não espere reconhecimento ou reverencia de ninguem.
Não acredite em quem disser que você é o máximo e que não tem mais pra onde crescer.
Construa a sua carreira sabendo que o destino é depois do horizonte.
Cada passo pode ser lento, cada estágio demorado, os anos podem passar sem que você tenha a sensação de que tem caminhado, mas vá com calma, um dia as coisas começam a acontecer.
E quando acontecer, não esqueça de onde você saiu, de quem te ajudou, dos caminhos por onde passou, das experiencias que teve, os gigantes que venceu e os tombos que levou.
Tudo servirá de combustivel que não te permitirá parar.
Areje sua mente, esvazie o orgulho do coração, atente pra capacidade de aprender, fique de olhos abertos e procure não se levar tão a serio.
Não importa o estágio que você está ou o tempo de profissão que tem, saiba que ainda tem muito caminho pela frente !
E, no final das contas, a gente sempre acaba se cruzando por ele.
agosto 2, 2008

Até que a morte nos separe.

 Esse texto escrevi em 2006 para a coluna do Tudo Radio. Parece que foi hoje…..
Até que a morte nos separe.
 
 
Eram apaixonados.
Daqueles que andam com a foto um do outro na carteira, faziam juras de amor em público,flores toda a semana e nunca esqueciam nenhuma data signficativa.
Jamais eram vistos separados.
Se ele ia visitar os amigos, alí ia ela. Se ela fosse escolher um vestido novo, claro, ele estava lá pra ajudar na escolha.
Gostavam das mesmas coisas, as mesmas comidas, lugares, ambientes…..até na paixão pelo frio combinavam.
No inverno,sempre que possivel, ficavam em casa quietinhos e quentinhos, abraçados um ao outro ouvindo aquele cd comprado na ultima viagem a Buenos Aires.
Iam pra la, pelo menos uma vez por ano, pra relembrar o dia em que se conheceram.
Ele saira do Brasil pela primeira vez e ela, jornalista, estava a trabalho.
Era uma tarde fria, nublada e, apesar de naquele momento não estar chovendo, tinha garoado a manhã toda.
Enquanto se preparava pra começar a matéria, o camera chama um rapaz distraído abrindo a porta de um carro.
Pareciam amigos de longa data ja que ,depois de se olharem, sorriram se abraçaram desandaram em falar.
Haja paciencia ! – pensou ela- “Tenho que ficar aqui parada nesse frio insuportável enquanto quem deveria estar trabalhando fica de papo furado”. Mas foi só um pensamento.
Logo conheceu o rapaz do carro,entrou na conversa, trocaram cartões……e o resto você imagina.
Ja passaram alguns anos e, como acontece com todo mundo, não perceberam o tempo passar.
Por qualquer capricho da vida, se separaram.
Pela primeira vez,cada um pro seu canto com o gosto amargo na boca e a sensação que era necessario reaprender tudo: cuidar da casa, das contas, da vida, de si próprio.
Conhecer outras pessoas não fazia parte dos planos ( pelo menos por enquanto) mas como recomeçar depois que você se percebe sozinho?
Se em alguns momentos nos sentimos privilegiados pela vida ter sido tão boa, em outros parece que o tapete foi arrancado e, sem esperar, despencamos.
Perdemos tudo de um dia pra o outro e só de imaginar voltar lá pro fim da fila e recomeçar, as pernas ja começam a tremer.
Mas talvez , o ideial não seja voltar pro fim da fila. Talvez seja melhor continuar de onde paramos e seguir em frente.
Encontrando novos caminhos, novos lugares, novas pessoas…jeitos diferentes de ser feliz.
No rádio também é assim.
Vivemos anos dourados.
Da era das “cantoras do radio” aos grandes comunicadores como Hélio Ribeiro. Da era pós ditadura dos anos 80 com o “boom” do rock nacional, ao surgimento de gente e ideias novas que deram certo.
Mas, assim como nosso casal, as alegrias passam, o casamento termina, as referencias ficam distantes e aí o rádio fica sem saber pra onde ir.
Recomeçar? Voltar la na fonte e resgatar o que já deu certo? Ou talvez seguir a diante de onde paramos, buscando novas propóstas, novos caminhos compativeis aos dias de hoje? Acredito mais nessa ultima opção.
Talvez o casamento entre a criatividade e a ousadia tenha terminado.
Talvez , na falta de quem nos completasse, nos envolvemos com gente que nao deveriamos, só porque queriamos acreditar nas promessas que nos fizeram ; juras de amor, fidelidade e felicidade.
Mas se o casamento terminou, ainda estamos aqui e temos que seguir adiante.
Bata a poeira do pé, deixe as mágoas de lado e siga o seu caminho.
Mas não siga sozinho.
Quando pessoas se propõe a, na coletividade, buscar outros rumos, coisas sensacionais acontecem.
Ninguem aguenta mais beber das mesmas fontes, trabalhar nas mesmas fórmulas, readaptar-se eternamente aos mesmos conceitos….tudo fica igual o tempo todo.
Ta na hora de rever seus conceitos- ja diria a propaganda.
Somos todos orfãos de um grande tempo.
Quando a familia se reunia em volta do rádio para, atentamente, acompanhar os grandes cantores, as rádio novelas, os grande comunicadores…..
Gente que trabalhava com a imaginação, que criava um mundo em cada palavra.
Orfãos de uma geração que ouvia o rádio, de maneira irreverente, questionar :” que país é esse??” , se emocionava com o Cazuza, morria de rir com o Djalma Jorge, a equipe da rádio Cidade, gente que vibrava com os lançamentos do Julinho Mazzei, o Marcelo Braga, Lui, Monica Venerabile,Banana, Serginho Café, Tavinho Ceschi, Beto Rivera……foram muito mais do que esses.
Talvez por isso hoje em dia tanta gente queira refazer o que ja foi feito. Retomar o casamento.
Mas o casamento acabou e os tempos são outros.
Não me proponho hoje a sugerir fórmulas, mas quero que você pense nisso.
Somos frutos de um casamento feliz entre a criatividade, ousadia, boa vontade, bom espiritio em tempos favoráveis.
O que vamos fazer agora ? Como agir quando os mediocres falam mais alto e o esvaziamento de propósta e conteudo é quase um mal generalizado.
Não sei qual a sua postura, mas a minha é lembrar que ainda resta gente boa no rádio. Talvez bem menos do que gostariamos, mas ainda estão lá, firmes e fortes, pronto pra continuar a batalha e encontrar novos caminhos; que esse comecem a agir !
É assim que faço.
Guardo na memória tudo o que já foi e sigo adiante.
Busco novos caminhos, novas propóstas, ventos que me levem e me seduzam.
Preciso desse combustivel pra continuar produzindo e crescendo.
Ja não vivemos mais grandes historias de amor. Não temos os mesmos amigos e não alimentamos a mesma paixão pelo frio.
Mas ainda estamos aqui.
Vivemos do rádio e o incluimos em nossas vidas.
É disso que preciso.
Acreditar que na coletividade podemos nos reencontrar e fazer do rádio uma grande paixão, de novo.
Até que a morte nos separe.
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