Semana passada a notícia de que a popularidade do presidente Lula batia novo recorde era manchete nos principais jornais.
Chamava a atenção que, pela primeira vez, a soma dos que consideram o governo Lula ótimo ou bom foi superior aos 50% em todas as regiões e em todas as camadas da sociedade.
No geral, o índice chegou a 64%.
Hoje sai a noticia de que levantamento do Ibope mostra que 70% dos brasileiros estão satisfeitos com a qualidade do ensino no País e outro dado interessante: embora 69% apontem o tema-educação- como um dos principais setores nos quais o governo deveria investir, só 1% considera as propostas de educação dos políticos na hora de votar.
Sobre a popularidade do presidente, costumo ouvir alguns argumentos. O primeiro e mais vazio :” E com o FHC era pior ! ” , como se o pior justificasse o ruim. Ou então “Nunca antes na história desse país a economia do país andou tão bem “, esses ignoram, não só a contribuição da economia mundial (abalada agora com a crise da quebra de um banco nos EUA, mas que antes fez com que países muito menores crescessem com taxas muito maiores do que a nossa) além do que foi feito pela economia, inclusive com a contenção da inflação, antes do atual governo.
O fato é que nunca se viu tamanha voracidade por cargos públicos.
Mais do que nunca a máquina está inchada e, ao invés de cortes, o governo anuncia mais impostos,cargos e ministérios estapafurdios.
Desde a tentativa de uma nova CPMF até aumento das taxas atuais, nunca se pagou tantos impostos !
Pra você ter uma idéia, só as taxas públicas ( energia, água, etc…) consomem 26% do orçamento médio do brasileiro contra 7% há 8 anos.
Dizer que os corruptos estão sendo perseguidos nesse governo é, no mínimo , falta de informação de como o governo reage quando alguma investigação em alto escalão começa. Aliados correndo tentando apagar incendios, CPI´s que terminam em nada, corruptos comprovados ( lembra do Delúbio?) que são não punidos como vimos no mensalão, afastamentos misteriosos como a do delegado responsável pelas investigações na operação Satiagraha, e por aí vai….
Diante disso, conversa, muita conversa…
Parece que, mais do que nunca, vale a impressionante capacidade do presidente Lula em comunicar.
Acredito que esse é seu maior mérito.
Quando acusado- assim como os pastores presos- diz que é “perseguição”, quando encurralado, diz que não sabia, quando pressionado para cortar gastos, aumenta impostos e, no fim, tudo dá certo.
Em breve mais uma disputa presidencial.
O assunto terceiro mandato foi para a gaveta mas, se a popularidade do presidente continuar a crescer, não sei quanto ele conseguirá conter a tentação de tentar se manter no cargo.
Não pode? Ele disse que não quer ? A constituição não permite ? A imprensa não deixará ? Diante de tudo o que temos visto, você ainda acredita em algum desses argumentos ?
Quem viver verá.
A questão é que o presidente Lula trabalha muito bem em um nível onde os políticos tem familiaridade : a paixão.
A mulher apaixonada, quando traida, não quer ver. O fiel ludibriado por religiosos, quando se deparam com a verdade, chegam a criar slogans ” espada por fulano !!” e entram na guerra, o torcedor vai defender seu time como se ele fosse o melhor, porque é apaixonado. O seguidor apaixonado não enxerga a realidade porque seus sentidos são movidos pela paixão.
Se roubou, quem não o faz ? argumenta. Se mentiu, quem é perfeito ? pergunta. Se fez mal, ele não tinha alternativas! defendem. E assim, apaixonados, permitem, abraçam e acolhem.
É por isso que, nesses casos, argumentos não funcionam.
Por isso popularidade não é necessariamente sinal de coerência.
Trabalhar nos níveis da necessidade e , de alguma maneira, se colocar como supridores delas, desperta nas pessoas a paixão que , em última análise, dá embasamento para todo tipo de ação, por parte do fruto da paixão.
A tolerância cresce a medida em que os argumentos do apaixonado enfraquece.
Aí as comparações :” Mas antes era pior ! ” ou ” mas quem é perfeito? ” de tal forma que debates nesse nível só geram estress.
O problema é quando paixão termina e vira decepção.
Ela costuma acontecer em proporções maiores e lidar com isso pode representar, não só quebra na auto estima, como a quebra de confiança nos outros e em si mesmo.
Por isso essa história me preocupa.
Não sei como tudo isso vai terminar mas aqui uma dica: cuide do seu coração, alimente sua alma e procure sempre se informar.
A informação é um excelente antídoto.
No caso do país, se isso vai terminar em terceiro mandato eu não sei mas, em tudo está muito claro o retrato da alma do nosso povo que, de tanto sofrer, ainda espera o messias de terno e gravata que, do quarto andar do planalto, nos redimirá dos nossos pecados e nos trará a eterna felicidade.
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