Não consigo gostar de frases prontas.
Quando eu apresentava o Love Songs, pedia pra que os ouvintes não mandassem os típicos ” se amar é viver, vivo porque amo você.”
Não gosto de nada que seja plástico, sem vida. Que busque recursos estéticos ou emocionais para enganar quem vê, apelando para o sentimentalismo.
Nunca vi graça em crianças “novos talentos” que, com jeito, roupas ou trejeitos de adulto tentam convencer a todos de que realmente são especiais.
A graça está na naturalidade, por mais que o natural esteja fora do que se convenciona ideal.
Vivemos no mundo das aparências, onde a forma vale mais do que o conteúdo.
Os políticos sabem muito bem disso. Melhor do que uma propósta coerente, é uma discurso emocional, com voz embargada e , de preferencia, com crianças em volta.
Nós gostamos disso.
Todos os dias recebo “orações”, “poemas” ou histórias “inspiradoras” onde só consigo ver clichês e chavões com muito mel e açucar e fico pensando como tem gente que acha bonito !
Não é questão de forma, muito pelo contrário, é a falta de inspiração; vento na embalagem de cristal.
Em compensação, quando é de verdade pode ser feio, anti estético, sem regras, pé nem cabeça, mas se vier do coração, virá carregado de beleza.
Sem o conhecimento das técnicas as pessoas só abrem a boca e deixam as palavras sairem.
Sem esperar pela aprovação, entregam o coração sem medo de mostrar o que tem na alma.
Os olhos mostram o que tem no coração, a boca fala sobre o que enche a alma; o som é sempre bom quando vem do íntimo.
O que sai das suas produções diárias, revela o que tem dentro de você.
É por isso que nos revelamos em tudo o que gostamos.
No jeito, nos toques, gostos, conceitos,leveza ou dureza; nas palavras, olhares, sentidos e direções, tem muito de você em tudo o que faz. É por isso que só os vazios é que gostam de “fast food emocional”, pois lá não tem nada além de palavras.
E, palavras por palavras, prefiro as que vem do coração mesmo que não sejam belas. Até porque, quando são fruto da real produção da alma, carregam beleza natural e involuntária, daquelas que estão em tudo o que é bom e verdadeiro.
