Gosto muito de livrarias.
Os livros, o cheiro, os sons…Andar entre as prateleiras, folhear livros, parar para tomar um café.
Quando vou, sempre espio a lista dos “mais vendidos” e me impressiona perceber que, seja em Porto Alegre, São Paulo ou em qualquer lugar do país ( e muitos do mundo) que, entre os dez, a maioria está relacionada auto ajuda.
Nada contra ! Acho legal a iniciativa de procurar na leitura ensinamentos que nos ajudarão a enfrentar os desafios do dia a dia, mas não se trata disso; são as “fórmulas”, os “dez passos”, as “grandes revelações” que me incomodam.
Se buscamos novas fórmulas, significa que já desgastamos todas as outras.
A cada dia que passa, entendo que tudo o que precisamos saber, já sabemos.
Íntimamente você sabe quando age bem ou mal, lá no fundo dá pra sentir quando algo em você precisa mudar ou se tem agido bem.
Em cada um de nós, independente de quem seja, existe uma espécie de sensor regulador. Nele, estão impressas “leis” universais que servem de balizamento para o que chamamos de ética.
Amor, altruismo, compaixão, acolhimento são ingredientes que alimentam esse sensor, e faz com que, todo o que caminha contra sua própria “regulagem”, não encontre descanso.
A sensação incomoda que isso provoca, gera em nós a necessidade de desculpas existenciais. Sentindo que algo está errado, tentamos compensar na busca pelo prazer e felicidade acreditando que é isso o que está faltando.
Aos poucos, a medida em que atingimos os estágios onde acreditamos estar a felicidade e nada encontramos, nossa sensação de vazio aumenta fazendo com que nossa busca cresca e, quanto maior ela é, mais distante estaremos da simplicidade que precisamos para nos encontrarmos.
Não precisamos de grande revelações porque a grande revelação está em descobrirmos o óbvio.
Está tudo aqui dentro.
Complicar o básico inventando fórmulas, criando rituais, paganizando o que era para ser simples, nos desconecta de nós mesmos e esquizofreniza a alma.
O que é, é, e , no íntimo, você já sabe disso.
Sábio é quem tem a capacidade de entender o simples e reconhecer no que já somos, as lições que precisamos.
As “sete leis para o sucesso”, “dez caminhos para alegria”, ” nove passos para a felicidade” não resistem ao olhar interior daquele que identifica em si mesmo tudo o que precisa para caminhar em paz.
Primeiro se entenda, depois, tente entender o mundo.
É só uma questão de percepção.
Simples.