Dada a alunos de comunicação da Universidade Metodista, São Bernardo do Campo, SP.
Você é um dos radialistas mais importantes do FM paulistano, como partiu para o mundo virtual ?
Na realidade não foi uma substituição – do rádio para o virtual – apenas descobri na internet mais uma ferramenta para me comunicar. Quando resolvi sair de São Paulo e me mudar para Porto Alegre, procurei uma maneira de dar satisfação aos meus ouvintes e o blog parecia a mais adequada. Com o tempo passei a escrever mais, postar textos, videos e a frequência aumentou bastante. Percebi que tinha em mãos a oportunidade para , de fato, conversar com as pessoas estimulando um espaço para reflexão.
Sua versatilidade é reconhecida por todos, depois de trabalhar em diversos estilos de rádio, como tem sido essa nova experiência ?
Como radialista, já trabalhei em praticamente todos os estilos de rádio. Depois que saí da Bandeirantes, senti que nada mais parecia desafiador. Era hora de fazer outras coisas. Me mudar de São Paulo era uma maneira de me obrigar a seguir novos caminhos e experimentar outras maneiras de me comunicar. Não abri mão do rádio, continuo trabalhando para ele, mas agora me joguei de vez no que acredito ser um novo caminho. Apesar de o fenômeno dos blogs não ser tão recente, tenho nele trabalhado em outras propostas além do post , copia-cola. Além dos textos que escrevo, criei alguns videos de inspiração. Neles acrescento imagens, musica, palavras ou a minha voz ( ou até a do meu filho) em textos escritos por mim. O resultado é muito bacana. A idéia é fazer com que, quem acessa o blog, tenha , no trabalho, casa, lan, ou em qualquer lugar a chance de, em poucos minutos, captar algo que lhe inspire. Acho que no nosso dia a dia, a inspiração pode vir das pequenas coisas, e essa pode ser uma das maneiras.
Como teve essa ideia ?
Acho que a ideia sempre existiu. Não exatamente dessa maneira mas, antes mesmo do rádio, me lembro de sentir claramente que, se eu tinha algum dom para comunicar, que fosse usado para o bem e não simplesmente para vender esse ou aquele produto.
De certa forma, sempre me pautei nisso pelas rádios que passava, mas no blog obviamente tenho encontrado mais liberdade.
Agora, especificamente falando sobre a ideia do formato do blog, digamos que foi nascendo em mim a partir da crença de que, se existem milhares de maneiras de dizer a mesma coisa, porque não escolher formas melhores, novas e eficientes ? A partir disso adicionei a forma convencional de postar textos a uma outra linguagem, mais criativa carregada de inspiração.
Como é seu processo de criação ?
Não tenho fórmulas específicas.
Acho que no dia a dia, lidando com situações cotidianas, temos muito mais elementos para nos inspirarmos do que imaginamos.
Falo muito sobre isso no blog.
Não preciso de lugares ou ambientes especiais porque acredito que a inspiração já está em mim. É só olhar para dentro, ver o que encontro e falar da maneira mais descomplicada que eu conseguir.
Para mim, comunicar é isso, é ter sensibilidade para ler a vida, aprendendo com o dia a dia e a capacidade para traduzir o que sente, seja em fala ou escrita, de forma acessivel.
Você acredita que existe espaço fora da blogosfera para iniciativas como a sua ?
Ler, ouvir ou ver o que faz bem, tem espaço em qualquer ambiente, inclusive no virtual. Se você fizer um exercicio de procurar, seja no rádio, tv ou internet algo que te faça sentir melhor, terá dificuldades. Se você se incomoda com o que lhe vendem como verdade absoluta e busca espaço para pensar e tirar suas próprias conclusões, contará com pouco espaço nos meios de comunicação. Mesmo aqueles que, em principio, se propõe a estimular ambientes de reflexão, muitas vezes o fazem por outros interesses, o que por si já é ruim a medida em que lhe tira a independencia.
De um jeito ou de outro, acho que iniciativas como a minha já existem em todos os meios de comunicação mas, acho que ainda é mais fácil quando, por conta da liberdade que produz, o uso da internet, especificamente dos blogs.
Como vê o futuro dos blogs ?
Não só os blogs, mas acredito que a quantidade de possibilidades que a internet dá, proporciona a quem acessa muito mais do que qualquer outro veículo de comunicação.
Isso tem preocupado muita gente em veículos tradicionais que procuram criar produtos geradores de conteúdo na web vinculados as suas marcas.
Se no primeiro momento isso abre outras possibilidades de mercado, obriga as empresas a repensarem seu posicionamento a medida que, quem navega pela internet, está a procura de bons conteúdos (sejam eles quais forem) e não necessáriamente por fidelidade a qualquer marca.
Isso abre o leque para quem tem o que falar e, acredito que a médio prazo, destacará entre milhares de sites e blogs quem realmente tem algo a acrescentar.
Você considera que tem quebrado paradigmas ?
Não só eu, mas todos os que entendem que a possibilidade de se comunicar com muita gente pressupõe responsabilidade. Para cada palavra que falo ou escrevo, tem olhos e ouvidos atentos que receberão aquilo e irão guardar em algum lugar dentro do coração. Boas palavras são como boas sementes que, de um jeito ou outro, produzirão frutos que ajudarão as pessoas a melhorarem. A falta de responsabilidade com o que digo, pode causar estragos a medida em que más sementes apodrecem e adoecem a alma.
Se quando falamos tem sempre alguem ouvindo, nossas atitudes também comunicam e causam impacto nas pessoas e no mundo.
Acho que é só olhar ao redor e ver os estragos que uma palavra mal colocada pode causar.
Portanto não acredito que eu esteja quebrando pardigmas não. Acho que sou mais um que entendeu que sou responsável pelo que digo e, se tenho algo a dizer, porque não ?
Para finalizar um recado a quem te le, ouve e para quem tem buscado novos caminhos para se comunicar.
Antes de tudo, comunicação é relacionamento. Seja através de palavras, imagens, sons, música, dança ou silêncio. O silêncio também comunica. Se vivemos na era da informação onde todos tem acesso a tudos, é preciso sabedoria para reter o que é bom e discernir o espirito das coisas.
Mais do que acreditar em simbolos, marcas ou esteriótipos, precisamos entender o que tem por trás de cada movimento sabendo que, quem sabe o que quer, dificilmente é enganado.
Procure se alimentar do que te faz bem. Leias bons livros, veja bons filmes, esteja com quem gosta, dedique mais tempo a si mesmo e acredite que você pode se reinventar sempre.
Cuide de sim mesmo.
É no caminho, sabendo que não posso parar, que me contextualizo com a vida e me reconheço como agente de transformação para o bem. A partir daí, comunico escrevendo, falando, conversando, andando, me relacionando ou de qualquer outra maneira que me permita ser eu mesmo, mesmo quando tudo o que querem é que você vire mais um.
Somente seja você que , naturalmente, tudo em você comunicará.
Com o crescimento do acesso a informação, as pessoas ficam mais criticas de tal forma que, para que a comunicação seja eficaz, deve ser verdadeira.
Se quer ser relevante, seja verdadeiro contigo e com o mundo e não se esqueça que a mensagem é você.
Aí sim, as pessoas prestarão atenção.
Nota: Acesse o blog do Flavio Siqueira: www.flaviosiqueira.wordpress.com
