Se eu tocar no que para mim é sujo, certamente me sujarei.
Se entrar onde me assombro, de um jeito ou de outro verei fantasmas pra tudo o que é lado.
O que te parece intolerável, pode ser aceitável para mim, de modo que se não andarmos conforme nossa consciência, seremos guiados por ventos e assombrações.
Aqueles que precisam de leis se agarrarão a elas, sem saber que a lei existe como condutor- moldado ao tempo em que vivo- em direção a consciência.
Se eu fizer meu caminho sob a ameaça dos fantasmas do meu inconsciente, acreditando que o objeto, o lugar ou ambiente tem poderes inerentes para o bem ou para o mal, serei escravo da lei que, através de ritos e fórmulas promete me impermeabilizar.
Da simples proteção contra o mal olhado as complexas mudanças essenciais em busca do poder, seguimos, conforme acreditamos, em rota de fuga daquilo que, teoricamente, nos assombra.
Se o objeto maldito for só um objeto para você, não tenha medo de tocar, porque ele só será um objeto. Se você se impressiona com lugares sagrados e recorre a eles em busca da paz, saiba que o sagrado vive em você e lugares, são só lugares.
Para o bem ou para o mal, o que nos atormenta ou refrigera vive no coração.
Aquele que anda em consciência, sabe que , não das montanhas, do céu ou do inferno, mas é dentro de nós que está a janela que , aberta, deixa a luz entrar ao passo que fechada, mantém tudo na escuridão.
Não é fora, mas dentro de você que convive ao mesmo tempo sua algema e sua redenção.
Talvez seja hora de olhar para dentro , encarar seus monstros e se libertar de si mesmo.
