A repercussão da propaganda de campanha da petista Marta Suplicy, que disputa o segundo turno da prefeitura de São Paulo é grande.
Especialmente a partir do spot que começou a ser veiculado neste domingo, dia 12, onde um narrador questiona aspectos da vida pessoal de Gilberto Kassab (DEM). “Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?” No final, aparece a foto em preto e branco do prefeito, e a propaganda deixa uma questão no ar: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?”
O que tem despertado atenção, é justamente pelo fato da perceptivel insinuação a uma possivel homoxessualidade do prefeito paulistano como argumento de campanha, estar partindo de uma candidata que ficou famosa ao trabalhar como sexóloga na televisão, além de ter como bandeira o respeito as “diferenças”. 
Sem entrar no mérito de um ou de outro, olhando para toda essa repercussão, inclusive com direito a intervenção do ex marido, o senador Eduardo Suplicy, pedindo publicamente que Marta repense sua campanha, e declarações partindo do palácio do planalto tratando de dizer que não tem nada a ver com a história, chama a atenção que na hora de brigar pelo voto, vale tudo.
A julgar pelo posicionamento da candidata que, diante das inevitáveis perguntas, tentou dissociar as suas declarações e a propaganda eleitoral da campanha: “O que compete a mim aqui, eu falo, debato. Agora, a condução da campanha de televisão, o marqueteiro conduz, ele faz”, fica evidente que nas campanhas políticas tudo é marketing.
Do “projeto” de governo, as prioridades, nomes de programas publicos, tudo passa pelo crivo do marqueteiro, que ,por suas vez, só decide depois de minunciosas analises de pesquisas qualitativas.
Isso faz com que, na hora de votar, o cidadão acabe escolhendo por uma imagem fabricada e não necessariamente um candidato. Por isso as decepções constantes.
Talvez, assim como nas embalagens de alimentos, deveria aparecer na tela da tv enquanto o candidato fala a seguinte frase ” discurso meramente ilustrativo”.
De Collor a Lula, o que vemos é que, ao assumirem seus mandatos, os políticos cheios de ideias e soluções, começam a modificar a postura, adequar o discurso e tentar mostrar que “campanha é uma coisa, governar é outra”.
Mas não deveria ser.
Se existe a campanha, é justamente para que o candidato tenha a oportunidade de mostrar a população porque merece ser eleito, quais as propóstas e saídas para os problemas crônicos da periferia, educação, saude…
Acontece que se um político tiver somente a preocupação de falar de propostas e debater os problemas, certamente não será eleito.
O sistema político é perverso e, mesmo entre os bem intencionados, cria monstros a partir de uma estrutura viciada e falsa e nós, enquanto eleitores, somos responsáveis por isso também.
Apesar de começarmos a ver sinais de que as coisas estão mudando, ainda prevalece aquele que tem mais dinheiro, que sorri mais, beija mais crianças e promete deus e o mundo.
Se para se eleger, até a vida pessoal do candidato é colocada em cheque( Lula foi vitima disso na campanha do Collor), o que podemos esperar depois da eleição ?
Se um candidato em campanha pela prefeitura da maior cidade do país não se responsabiliza pelo que é dito em sua campanha, como cobrar depois que cumpra o que prometeu na TV ?
Na guerra pelo voto são usadas todas as armas e o contraponto é justamente a capacidade de interferirmos no processo enquanto eleitores e cidadãos a partir da mobilização da opinião pública. No caso de São Paulo, diante da enorme repercussão negativa, parece que o tiro saiu pela culatra, mas que sirva de reflexão.
