“Swarnalata nasceu na índia e começou a ter recordações de outras vidas aos 3 anos, quando, em uma viagem a uma cidade próxima, pediu subitamente ao motorista que seguisse “pora aquela rua” que a levaria á “minha casa”. Por vários anos ela relatou coisas e eventos de sua vida anterior como uma menina chamada Biya Pathak, descrevendo sua casa e o carro da família.” -A física da alma- Amit Goswami pg95
Experiências como a relatada impressionam.
Como alguém pode descrever locais, pessoas, circunstâncias que aconteceram há séculos, muitas vezes em idiomas desconhecidos, sem que tivesse acesso ao que relatam ?
Além disso, são relativamente frequêntes descrições de experiências de regressão hipnótica onde o individuo supostamente se vê em outros ambientes como se fizesse parte dele.
Diante da incontestabilidade do fenômeno é natural que queriamos explicações e aí entra a reencarnação, afinal de contas, ninguém seria capaz de descrever contextos do passado tão detalhadamente se, de fato, não estivesse lá, certo ?
É o que pensamos. No entanto, a questão é : O fato de alguém descrever um evento passado sem que estivesse presente físicamente se encerra na explicação da reencarnação ?
Se hoje sabemos da existência de um inconsciente coletivo, onde informações são armazenadas na psiquê dos indivíduos a partir do acesso a uma espécie de mídia comum, se cada vez mais entende-se que a mente não se encerra na caixa craniana e interage com o mundo, inclusive no colhimento de informações intuitivas, se nossa disponibilidade mental é capaz de produzir pulsões energéticas que podem perfeitamente serem captadas inclusive através de emulações da realidade, se ainda estamos discutindo a possibilidade de realidades paralelas e se podemos ou não interagir com elas, se ainda não sabemos o quanto nossas experiências físicas ficam impressas na realidade transitória, permitindo acesso ao passado ou futuro através do conceito da relatividade e a partir de captação mental, porque devemos encerrar as explicações referentes as experiências de narrativas de outras vidas- seja em hipnose ou em casos como o relatado acima- única e exclusivamente como ” a prova científica da reencarnação” ?
Ora, apesar dos fenômenos, estamos distantes do conhecimento necessário para que as explicações posteriores não esbarrem em possibilidades, especulações ou conceitos pessoais baseados na fé.
Se é fé, não há o que se argumentar.
No entanto, se a tentativa é de revestir a fé com discurso científico, então só descarte as outras possibilidades se puder exclui-las com explicações adequadas.
Entenda que não tenho aqui a menor pretenção de negar ou provar a teoria reencarnacionista.
Não se trata disso.
A intenção é lembrar , não só aos reencarnacionistas, mas a todos os que buscam na ciência a validação de sua fé, afinal de contas, muitas vezes após conclusões pessoais a partir de um fenômeno real, cria-se embates que, no fim das contas, descamba para o invevitável: “minha religião é cientifica.”
Esqueça isso.
Por mais que ciência e fé não sejam necessáriamente excludentes, uma não existe como meio de validar a outra, até porque partem de referenciais antagonicos : Uma crê sem a necessidade de ver. Crê porque crê. A outra só crê quando vê, testa, experimenta, comprova, repete e explica.
Fé é expressão intuitiva da alma.
Ciência é a certeza comprovada em estudos e laboratórios, de modo que, quando vira ciência, deixou de ser fé.
Vivemos em um mundo cheio de possibilidades onde nosso conhecimento é tão raso que julgamos “sobrenatural” tudo o que transcende nossa ciência.
Chegará o dia em que tudo será natural e, sem nenhum tipo de frenesi pseudo teo-cientifico, entenderemos que é só questão de percepção.
A consciência se expande a medida em que reconheço que cada fenômeno não passa de uma possibilidade no sentido de que eu entenda que a vida é muito mais do que decretamos a partir de nossas limitadas referências baseadas em tempo e espaço.
Não é porque determinados fenômenos podem ser comprovados, que podemos , a partir disso, darmos a eles as explicações que julgamos mais adequadas e taxá-las de “cientificas”.
Uma coisa é o fenômeno, outra a explicação.
E o problema é que, a partir de tais explicações, alimenta-se uma grande industria religiosa/esoterica, onde pessoas são levadas a acreditarem que “está tudo provado”.
Cada um acredita no que bem entender e ninguém tem o direito de questionar, mas que seja ou por fé ou por ciência.
É com sabedoria e discernimento que um dia conheceremos as explicações, quando possivelmente sem graça, concluiremos: e eu pensava que sabia…

