“…Desculpe-me a franqueza mas voce poderia melhorar o nível de seus argumentos.
No embate com o leitor ateu, pareceu-me complacente a maneira que concordastes com muito o que ele disse.
Perdoe-me amigo, mas o que fizeste foi relativizar ao próprio Senhor dos Senhores quando deste credito a lenga lenga do questionador.
Caso não conheças, informe-se, porque hoje é possivel encontrar no mercado uma vasta literatura que aborda a fé sob o prisma da ciência e nos fornece argumentos consistentes para embates entre crentes e ateus haja vista que existem argumentos suficientes para provar a existencia do Senhor cientificamente.
Se queres fazer defesa do Senhor, estude e reforce seus argumentos para que o evangelho não seja envergonhado…”
Resposta:
Sabe, desde criança adoro olhar para o céu a noite.
Agora que moro em um lugar onde tem céu ( porque em SP não podemos mais ver estrelas) voltei a essa prática que me remete a outra condição: quando vejo aquela imensidão suspensa, me lembro de como somos pequenos.
Você tem alguma noção do infinito ? Sabemos tecnicamente que é algo que nunca acaba, mas consegue imaginar o que é isso de fato ?
Tem alguma idéia de onde termina o espaço ou como tudo começou ? Existem teorias cientificas , mas nenhuma consegue explicar de verdade.
Sempre que me detenho olhando para o infinito, alimento uma profunda sensação de unidade ao mesmo tempo em que me conscientizo de quão pouco sabemos.
Por mais que procuremos respostas na tentativa de vincular ciencia e fé, o que tenho aprendido é que existem outras portas de percepção que ainda desconhecemos por completo, se não fosse assim, como explicar racionalmente sentimentos que temos ao longo da vida ?
Se é possivel explicar as reações quimicas ou sujestões psicologicas que fomentam o amor, quem pode dizer de onde ele vem ou porque existe ?
Sabemos como a saudade mexe com o corpo, mas o que é de fato ?
Neurótico é aquele que deixa de experimentar e se preocupa com as explicações.
Não tenho a menor preocupação de “fazer defesa do Senhor” simplesmente porque ele não precisa de advogado.
Para mim “embate” em nome de Deus gera “combate” entre homens e mulheres que, no fim, guerreiam para provarem quem tem razão.
Será que não aprendemos ? Há séculos fomentamos “embates” e a que conclusão se chega se não a de reforçar entre os dois lados que são donos da verdade ?
Triste quando um pequenino homem se acha no dever de formular “defesa” de Deus e, sabe porque ?
Se Deus não existisse , seria inútil, e, diante da existência Dele, seria descabido e desnecessário que aquele que É, precise de meus “argumentos”.
Evangelho não é o conjunto de livros contidos no novo testamento bíblico, mas um espirito que deve ser internalizado e colocado em prática.
Não vive em folhas, mas no coração e, se praticado, nunca será envergonhado.
Diante disso prefiro descansar com respeito ao pensamento do próximo, dando a ele o direito de crer (ou não) no que quiser, sem que isso alimente em mim o “guerreiro” que “em nome de Deus” se abastece de “informações cientificas” para “argumentar” em “santos embates”.
Não precisamos disso.
Para aquele que É, basta que eu seja Nele, e pronto.
Argumentos, religiões pit bulzadas, pregadores rosnando, ateus vociferando aparente contradições em textos bíblicos, fiéis da fé e da anti fé na defensiva, uns querendo provar aos outros quem tem razão, se sentindo na condição de advogados de Deus, não me atraem porque, para mim, basta a certeza de que o que É, é de fato, e isso não depende de mim ou de você.
Prefiro olhar o céu, viajar pelo espaço e sentir que, acima de nossas produções raivosas, tem paz de espirito e vida de verdade.
Deus não precisa de advogado e , apesar de fé e ciência poderem conviver pacificamente, não podemos provar uma com a outra.
Cada um acredite no que quiser e que seja capaz de sustentar em seu dia a dia as implicações da sua própria escolha: se isso gerar pacificação, que assim seja, pois uma árvore boa sempre produz bons frutos.
Se quer mesmo “advogar” algo, que seja em nome dos necessitados, injustiçados e humilhados que cruzamos todos os dias e deixamos de olhar enquanto formulamos nossos argumentos para “embates” em nome de Deus.
Afinal de contas, ao invés de “guerras santas”, saiba que amar ao próximo e ser luz na vida, produzindo conciliação e paz de espírito é a melhor maneira de viver sua religião.
O que passar disso, faz mal, esquizofreniza a alma e adoece o coração.
