
O Rio Grande do Sul tem os mesmos problemas do Brasil: corrupção, violência, sistema de saúde que deixa a desejar e, especialmente em Porto Alegre, muitos, mas muitos mendigos nos faróis.
Apesar disso a capital gaúcha é linda, abençoada pelo Guaíba e por tantas coisas belas.
Mesmo que a prefeitura não tenha o menor cuidado com o rio que é cartão postal da cidade, e não cuide de sua margem com mato alto, sujeira e, claro, mendigos; a imagem que se tem de longe ainda é bonita.
Mas por que estou falando isso ?
Porque desde que cheguei aqui, em julho, me chama a atenção a maneira que os gaúchos olham para sua terra.
Se por um lado é legal a preservação da cultura e do apelo as raízes, por outro a paixão pelo Rio Grande faz com que o nativo olhe para seu estado como se fosse um outro país e os que vem de fora como estrangeiros.
Talvez influenciados pelos ventos separatistas da revolução farroupilha aqui não se fala de Brasil. Quando, nas olímpiadas um atleta gaúcho ganhava medalha, as manchetes eram : “medalha gaúcha”. As empresas exploram essa paixão e dia desses, entre tantos exemplos, me chamava a atenção um comercial de uma montadora de carro americana dizendo-se “Gaúcha desde 2000″.
Mas para mim a prova de que para o gaúcho seu estado é outro país veio ontem.
Quando resolvi ligar a TV para assistir ao jogo entre a seleção brasileira e a portuguesa me decepcionei, afinal de contas, as seleções aqui são outras: inter e gremio e, como uma delas estava jogando, me resignei assistindo ao jogo do Inter pela Globo (RBS) com flashes dos gols do Brasil.
Fazer o que ? Paulistano tende a ser multi cultural, convivemos com o mundo inteiro e nosso apego a cidade vem justamente dessa mistura de raças e culturas. Por isso é estranho ver a viceralidade do povo daqui do Sul: orgulhosos e felizes por suas riquissimas tradições e belíssimas paisagens.
Só espero que não me peçam passaporte.