Hoje eu estava acompanhando o mapa de trânsito que era o principal guia nos tempos de rádio Sul America trânsito:
Acidente com vítima na Pedro Alvares Cabral.
Acidente com vítima na Leais Paulistanos.
Marginal congestionada no sentido Castelo.
23 Horrivel.
Lembro que nos primeiros seis mêses da rádio, eu sonhava com trânsito e com o mapa todas as noites.
Não conseguia andar pela cidade sem pegar o celular para registrar uma informação ou mesmo pegava o carro aos domingos com caneta e papel na mão para testar alternativas.
O reflexo desse trabalho vinha em reconhecimento crescente dos ouvintes que, a medida em que manifestavam sua gratidão, me davam a dimensão da coisa.
Hoje ouvi um pouco a rádio e, apesar disso, não consigo mais me imaginar naquela loucura.
Isso porque, para encarar aquela bronca de maneira competente, é preciso que você altere seu ritmo mental e sua percepção das coisas de modo a acompanhar a locura que é o trânsito paulistano.
Aquele tempo foi muito bom e, um dos benefícios foi me mostrar a possibilidade que cada um tem em ser útil.
Por outro lado, foi pessoalmente desgastante, exigindo uma outra postura.
Engraçado como aquele trabalho representou para mim o fim de um ciclo e foi então que me senti liberado para sair de SP.
Hoje, ouvindo a rádio e vendo o mapa aqui de longe, fica a sensação de gratidão por ter sido útil e de alívio por estar distante.
Há tempo para tudo debaixo do sol e acho que agora o meu é ser útil de outras maneiras.
Pelo menos é o que sinto hoje.

