Arquivo para dezembro, 2008

dezembro 21, 2008

A plenitude em servir. ( Eu sou a Lenda)

 

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No filme “Eu sou a Lenda” ( I am the ledgend), Will Smith interpreta o único habitante de Nova York , depois que um terrível vírus dizimou quase toda a humanidade.

Ele anda com seu cachorro em meio as ruas abandonadas e, a medida em que conversa com manquins de loja, luta para não enlouquecer de solidão.

Seu único compromisso diário, parece ser enviar mensagens de rádio na esperança de que alguém receba:    ” Sou um sobrevivente. Estou transmitindo em todas as frequências AM. Estarei no cais do Sul, todos os dias, ao meio dia. Se alguém estiver ouvindo, posso providenciar comida, abrigo e segurança. Se alguém estiver me ouvindo, quem quer que seja, por favor: Você não está sozinho.”

Parece que o supridor só se sente pleno quando provê quem precisa.

Ele é solitário até que que alguém seja provido.

Seja em uma mensagem, em lições que aprendemos ao longo da vida ou do bem que acumulamos, não existe possibilidade de desfrutarmos na plenitude aquilo que nos negamos a compartilhar.

Para mim isso reforça o sentimento de que não se deve guardar dons, sejam eles quais forem.

Acredito que o compartilhamento de dons, não se dá necessáriamente em instrumentos institudos. Eles deveriam existir apenas para facilitar estruturalmente e só.

Contraditóriamente a melhor maneira de nos completarmos é nos esvaziando.

Olhando a vida com percepção, exercitando o que temos de melhor e compartilhando naturalmente a medida em que vivemos conscientes que aquilo que nos parece mais precioso, só serve se for passado adiante. 

Ás vezes ouço sinais de rádio por aí.

Mas parece que estão todos muito ocupados para ouvir.

Ao invés de dividir, queremos multiplicar. No mundo da competitividade, ganha quem tira mais do outro e acumula para seu próprio proveito.

Aqui, ideias e ideais só existem se gerarem lucro, ainda que seja o lucro que adoece.

Tem horas que o bem tem cara de mal, e o mal se parece com o bem.

Por isso não retenha nada.

Viva como quem serve e, saiba : se em você existe alguma virtude, ela só será plena se exercitada no outro.

“Se alguém estiver sozinho, por favor, vocês não estão sozinhos”.

Consegue ouvir ?

dezembro 20, 2008

O dia em que entrevistei o padre Marcelo.

O post abaixo me lembrou o dia em que entrevistei o padre Marcelo em uma rádio.

Ele vivia seu auge como pop star religioso e servia como instrumento da igreja católica para tentar barrar o crescimento da igreja evangélica. Coisa de mercado, sabe ?  padre20marcelo20-2033320-20nota20-201

Na porta da rádio, movimentação de fãs/fieis com fotos, fitinhas e carteiras de trabalho para serem abençoadas, enquanto adolescentes animadas imploravam por um autógrafo.

Entre os funcionários da rádio também houve agitação : Alguns enchiam garrafas pet de 2 litros com água para que ele “abençoasse”, outros traziam pedaços de papel para que ele assinasse.

Paciente e mecanicamente ele atendia a todos.

Conversamos por um tempo no ar e, quando acabou a entrevista, ele continuou no estúdio dando autógrafos e abençoando garrafas pet.

Enquanto tocava uma música não resisti e perguntei (fora do ar) com toda educação, obviamente : ” Padre, aqui entre nós, você não se incomoda com o jeito como as pessoas te tratam, não como um mensageiro, mas como a própria divindade? “

A resposta um pouco irritada foi algo como : “Você já esteve em um hospital visitando pessoas doentes? é muito triste o que vemos lá. “

Confesso que até hoje tento conectar a resposta com a pergunta, mas, ainda que não tenha conseguido exito, fiquei com aquela imagem de um homem sincero que escolheu ser mensageiro e foi devorado por uma industria que fabrica símbolos.

Ao longo da minha vida ,já vi acontecer algumas vezes e, apesar de não afirmar se é exatamente o caso do padre, pois só conversamos uma vez, sei de gente que começa cheio de sinceridade, mas depois vira refém da própria imagem.

Sem perceber, cede lugar a própria sombra e, ao invés da motivação inicial(seja ela qual for), passa a viver para trabalhar em favor da manutenção do que os outros vem : virou refém das projeções.

O pior é que isso vicia a alma e rouba a liberdade de ser você mesmo.

É por isso que, nos bastidores, vemos tanta gente triste e frustada.

De um lado zumbis mecanizados e do outro, gente histérica em busca de um olhar de seu deus.

O que eles não sabem é que isso tem prazo de validade.

Com o tempo, o ídolo que acreditava ser especial sai de cena em detrimento de um outro, construido pelas mesmas mãos que não aparecem, mas que são dos que mais ganham.

Em níveis diferentes, todos sofremos do mesmo mal e, muitas vezes, ao invés de personificar, projetamos nossos anseios em situações, lugares, bens….

Sofremos todos do mesmo mal: a necessidade de ícones que externalizem aquilo que não se vê, porque na verdade, tudo o que mais queremos não está no palco da Madonna nem na garrafa pet do Padre Marcelo, mas no lugar em que mais nos recusamos a olhar: dentro de cada um de nós.

Pense nisso.

dezembro 20, 2008

Madonna e o espírito da nossa geração.

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Se eu ainda morasse em São Paulo, acompanharia o show da Madonna da janela de casa, já que era vizinho do estádio do Morumbi.

Mas ,daqui de Porto Alegre, no máximo acompanho de longe as notícias sobre o show e, especialmente, sobre as loucuras de fãs que ficam plantados na porta do hotel, largam emprego ou viajam milhares de KMs para vê-la de perto.

De Madonna a RBD, sempre tem gente histérica, covers e manifestações de devoção.

Ao me deparar com isso, me questiono se o objeto de devoção ( os ídolos) acreditam que são realmente merecedores de tal frenesi.

Não é questão de talento – coisa que todos tem – mas será que a Madonna, por exemplo, acredita que ela é tudo o que dizem ?

A julgar pela lista de exentricidades parece que sim. Se bem que ela sabe que faz parte do jogo exagerar…

No entanto, o que talvez eles não tenham consciência, é que simplesmente reprentam o espírito de uma geração.

Com suas músicas, roupas e declarações, simplesmente estão seguindo a risca uma cartilha que só serve para alimentar esse sentimento coletivo que escolhe símbolos e projeta neles suas paranóias, mesmo que seja em senhoras cinquentonas dançando de lingeri no palco.

É por isso que são “ícones”.

Que seus fãs não me leiam, mas a luz deles, é só a dos holofotes de uma poderosa industria que investe na manutenção daquela imagem que hipnotiza multidões.

Precisamos de símbolos: dos sacerdotes, santos e templos religiosos as Madonnas, RBDs e afins.

O show deve ser legal e se estivesse pertinho talvez fosse, mas não se trata disso: Trata-se de uma cultura que incentiva a criação de símbolos que se esvaziam de si mesmo para , de alguma maneira, captar a produção de uma sociedade adoecida em seus próprios devaneios.

Alguns conseguem se adequar as modificações do tempo e ficam, outros não e são esquecidos, abandonados pelas industria e pelos fãs.

Quanto a nós, continuamos ávidos por eles, em busca de nós mesmos naquela imagem que brilha no meio de som, luzes e efeitos, refletindo um pouco de nossos medos e refugos.

dezembro 19, 2008

PAC o que ?

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Hoje eu ouvia no rádio que o governo precisou cortar algumas verbas destinadas ao PAC.

Agora, aqui entre nós, o que é esse tal de PAC a não ser um slogan, um jeito marketeiro para anunciar obras que todo governo faz?

Estrada é PAC, infraestrutura é PAC, qualquer investimento social vira obra do tal do Programa de aceleração do crescimento.

Lula disse que a Dilma é a mãe do PAC mas, sinceramente, acredito que a mãe é alguma agência de publicidade e o pai, um marketeiro.

Nem é questão se é bom ou não é, mas impressionante como as coisas só funcionam a base da auto propaganda.

E todo mundo acha bom.

dezembro 18, 2008

Nossa melhor versão

Cada sentimento, seja ele bom ou não, só pode ser medido a partir do momento em que você necessita se relacionar com a vida, e , suas reações lhe darão a medida de como as coisas estão aí dentro.

Das pequenas coisas do dia a dia, as grandes tragédias que nos abatem, extraimos de pessoas diferentes reações completamente díspares.

Você pode ver, por exemplo em uma queda de avião, como parentes de vítimas do mesmo vôo, que compartilham a mesma dor da perda, agem em polos opostos.

Tem os que saírão em busca de culpados, procurando advogados e tentando apurar responsabilidades.

Outros perdem a motivação para tudo e preferem se recolher ao tempo de sua dor.

Sei de histórias de gente que extrai da tragédia lições pessoais e, a partir delas, procuram melhorar, revendo suas prioridades até como forma de dar sentido aquela perda tão inesperada.

Assim como os que choram muito no tempo da dor, mas , com o tempo, preferem tocar a vida sem pensar muito no que aconteceu, de modo que, para ele, o acidente foi uma fatalidade que não deve repercutir em aspetco algum.

Qual deles tem razão ?

Cada um agiu conforme sua maturidade e coerentemente com aquilo que é.

Por isso, diante das coisas que nos acontecem todos os dias, não importa o significado do evento, temos a chance de mostrar ao mundo nossa melhor versão de nós mesmos.

 

 

dezembro 17, 2008

Durante a madrugada.

Ontem demorei para pegar no sono.

Assisti televisão, li e nada.

Levantei e caminhei até a janela.

Era madrugada, duas e pouco da manhã.

Rua vazia, sem carros, ninguém passando e o vento…

Árvores balançando, céu aberto e estrelado e eu alí :o bservando o silêncio, sem pensar em nada.

Enquanto a maioria das pessoas dormia, procurei perceber os sons, movimentos, contrastes e espaços que, na luz do dia, não vemos.

Engraçado como as coisas mudam quando não são preenchidas por nós.

Era como uma sala vazia, um corpo sem alma, um copo sem nada.

Aproveitei para me aquietar.

Não tinha ninguém por perto, mas naquela escuridão, me senti observado: era mais do que o céu, as árvores, o vento.

De repente eu não estava só, pois estava em tudo.

Senti como se, em mim, tivesse um pouquinho de cada coisa e fosse uma centelha do todo.

Realmente não estava só.

Olhando da janela de casa, no meio da escuridão da madrugada, eu era visto e, em uma fração de tempo, me lembrei que de fato nunca estamos sós.

Em nós, um pouco de tudo e não há nada que não nos reflita.

O vento aumentou um pouco, a madrugada no Sul é mais fria, fui me deitar.

Adormeci com a sensação de que, luz e escuridão são parte do mesmo, pois habitam em nós, que nunca estamos sós e, as vezes, até as insonias chegam para nos lembrar que aquele que tudo vê, nunca dorme e nos assiste no meio das madrugadas.

Dormi em paz.

dezembro 16, 2008

Herói das ruas

Por David Coimbra- Zero Hora

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Ontem saí de casa mais cedo do que o normal, a temperatura era amena de primavera, o dia estava amarelo e azul, do som do meu carro se evolava um rock suave e eu me sentia realmente bem.

 Estacionei numa rua quase bucólica do Menino Deus e vi que ali perto um catador de papel puxava sua carrocinha sem pressa. Era magro e alto, devia andar nas franjas dos 50 anos e tinha a pele luzidia de tão negra.

Ao seu lado saltitava um menino de, calculei, uns quatro anos de idade, talvez menos. Devia ser o filho dele, porque o observava com um olhar quente de admiração, como se aquele homem fosse o seu herói.

Bem. Ao menos foi o que julguei, certeza não podia ter. Já ia me afastar quando, por entre as grades da cerca de uma creche próxima, voou um brinquedo de plástico. Um desses robôs cheios de luzes e vozes, que se transformam em nave espacial e prédio de apartamentos, adorado pelas crianças de hoje em dia.

 Algum garoto devia ter atirado o brinquedo para cima, por engano, ou fora uma gracinha, sem graça, de um amigo.

O menino que era dono do brinquedo colou o rosto na grade como se fosse um presidiário, angustiado. O filho do catador de papel correu até a calçada, colheu o robô do chão e não vacilou um segundo: retornou faceiro para junto do pai, o brinquedo na mão, feito um troféu.

Olhei para o menino atrás da cerca. Estranhamente, ele não falou nada, não gritou, nem reclamou. Ficou apenas olhando seu brinquedo se afastar na mão do outro, os olhos muito arregalados, a boca aberta de aflição. Muito orgulhoso, o filhinho do catador de papéis mostrou o brinquedo ao pai. O pai olhou. E fez parar a carrocinha. Largou-a encostada ao meio-fio. Levou a mão calosa à cabeça do filho. E se agachou até que os olhos de ambos ficassem no mesmo nível.

A essa altura, eu, estacado no canteiro da rua, não conseguia me mover. Queria ver o desfecho da cena. O pai começou a falar com o menino. Falava devagar, com o olhar grave, mas não parecia nervoso. Explicava algo com paciência e seriedade. O menino abaixou a cabeça, envergonhado, e o pai ergueu-lhe o queixo com os nós do dedo indicador. Falou mais uma ou duas frases, até que o filho balançou a cabeça em concordância.

A seguir, o menino saiu correndo em direção à creche. Parou na grade, em frente ao outro garoto. Esticou o braço. E, em silêncio, devolveu-lhe o brinquedo. Voltou correndo para o pai, que lhe enviou um sorriso e levantou a carrocinha outra vez.

Seguiram em frente, o pai forcejando, o filho ao lado, agora não saltitante, mas pensativo, concentrado. Então, tive certeza: aquele olhar com que o menino observara o pai era mesmo de admiração, ele era de fato o seu herói.

 
dezembro 14, 2008

Em brasilia, 19 horas.

Parece que, pelo menos aqui no Brasil, não se discute que, por mais defeituoso que seja, o regime democrático ainda parece ser o mais adequado.
 
Ninguém questiona a necessidade de termos imprensa livre e instituições independentes.
 
O presidente Lula, que goza de uma enorme popularidade, tem um histórico de luta em favor da liberdade de manifestações, inclusive com as grandes paralisações promovidas pelo sindicado dos metalurgicos nos anos 70 e 80.
 
Felizmente o país é muito diferente da década de 30, quando o rádio ainda era o grande veículo de integração nacional e Getúlio Vargas instituiu o programa “A voz do Brasil”.
 
Mais de setenta anos depois, tempos de internet e acesso a informação, esse dinossauro lento e cansado continua sendo imposto goela abaixo dos brasileiros, fazendo com que Carlos Gomes se revire no tumulo todas as vezes que ouve sua belissima composição “O Guarani” como tema de abertura de tamanha arbitrariedade.
 
Quantas vezes, como âncora da rádio Sul América trânsito, tive que parar de prestar serviços a uma cidade caótica com indices beirando os 150km de congestionamento para colocar “A voz do Brasil” no ar.
 
É claro que tentativas por parte das rádios de flexibilizarem o horário de transmissão, propiciou liminares que permite ás beneficiadas colocarem o programa em outro horário.
 
Mas são só liminares, não concessões.
 
Enquanto o brasileiro parece ter se acostumado com essa descabida imposição federal, associações e proprietários de emissoras tentam virar o jogo.
 
João Lara Mesquita, ex diretor da rádio Eldorado, conta em seu livro “Eldorado, a rádio cidadã” parte de sua luta quase desumana na tentativa de convencimento de nossos queridos e dedicados deputados sobre a necessidade de mudança.
 
E não adianta os homens de Brasilia alegarem que “para o interior do Brasil o programa é importante”, pelo simples fato de que, nesses lugares, pouquissimos ouvem.
 
Outros argumentam que a manutenção da obrigatoriedade contrabalanceia o possivel partidarismo de emissoras, como se um jornal chapa branca uma hora por dia de fato fizesse esse contrapeso. E, se for por isso, porque só o rádio ?
 
Como se não bastassem as dificuldades que o veículo enfrenta diante do crescimento de novas mídias, temos que lidar com esse grande dinossauro que, principalmente nas grandes cidades, impede que os cidadãos tenham acesso a informação, justamente no horário de maior movimento.
 
O jornalista Eugenio Bucci, ex-presidente da RádioBras entre os anos de 2003 e 2006, foi um dos que, durante o exercicio da presidencia, tentou desobrigar a transmissão do programa.
 
Depois de muitos embates e saias justas, ele conta que na verdade quem gosta do programa e não admite mudanças é principalmente o chamado “baixo clero” do congresso e explica em seu livro ” Em Brasília 19 horas” porque não acredita que um dia isso vai mudar :
 
” Os deputados de menor destaque nos meios de comunicação acreditam, na média, que aparecer no nocticiário oficial obrigatório é vantajoso. Têm o programa como palanque que, na visão deles, faz parte das prerrogativas da função, à qual não pretendem renunciar…
…É para não contrariá-los que os governos evitam mexer no assunto. Não querem correr o risco de erodir o apoio parlamentar em nome do que chamam de “uma questão menor”. Com essa postura conformista, acabam por associar ao atraso da manutenção desse anacronismo que só sobrevive porque é tido como ferramenta de propaganda.
No que depender dessa combinação, em Brasília, 19 horas é para sempre.”
 
E o rádio que se lixe.

dezembro 13, 2008

Homem universal.

O homem de muitas perfeições vale por muitos.

Ele torna a vida feliz e transmite este prazer aos amigos.

A variedade casada com perfeição torna a vida agradável.

É uma grande arte saber aproveitar tudo o que é bom.

A natureza fez do homem sua obra prima, um resumo das qualidades naturais.

Que a arte o converta, pelo exercício e pelo cultivo, em um universo tanto de bom gosto como de inteligência.

Baltasar Gracian- A arte da prudência.

dezembro 13, 2008

Bom sábado !

Que o seu sábado seja bom !

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