Arquivo para janeiro, 2009

janeiro 19, 2009

Desabamento da Renascer.

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Minha primeira rádio era da Renascer.

Em 1991 não existia “carnê Gideão”, “apóstolo” ou “bispa”.

Não tinha “ano apostólico”, nem “espada” por nada.

Naquela época, eram alguns jovens cabeludos e tatuados que, com suas guitarras e baterias, faziam um som diferente e contestador : “Ser humano, deixa de ser sepulcro caiado” , “Ninguém pode comer vinte pratos por dia, ninguém pode dormir em vinte camas numa noite, tanta gente passando fome e a justiça pede sua cabeça”, “Aonde está a honra dos orgulhosos ? A sabedoria mora com gente humilde, liberdade…”

A Imprensa Gospel veio com esse espírito. Foi uma revolução.

Apesar de sua programação não preencher toda a grade da rádio Imprensa em São Paulo, aquelas doze ou dezesseis horas iniciais eram suficientes para arregimentar um enorme contingente de ouvintes e voluntários.

Aos dezesseis anos eu era um deles.

Procurei o Estevam e a Sonia com a expectativa de um adolescente que sonha em mudar o mundo.

Não tinha experiência, nunca tinha trabalhado, de modo que só me restava o voluntariado.

Durante três anos, convivi com muita gente, e aprendi muito.

Gostava de transmitir as “reuniões de segunda feira” , onde a Renascer da Lins de Vasconcelos virava literalmente uma casa de shows.

Era engraçado ver jovens metaleiros dividindo espaço com punks e “bleianas” de “saião e cabelão”.

Todos se sentavam no chão, as luzes eram apagadas e as bandas tocavam debaixo de refletores coloridos. No fim, um sujeito barrigudo, de tênis e camiseta ,subia ao palco e falava coisas do tipo ” você acha que uma picada te faz viajar ? experimente ficar sóbrio e começar a se cuidar. Existem viagens muito melhores”

Todos aplaudiam e muitos se sensibilizavam.

Mas com o tempo, o sujeito barrigudo trocou o tênis pelo sapato caro, as camisetas por ternos bem cortados, os jovens que o acompanhavam, por seguranças armados, sua santana quantum velha por uma BMW ganha de modo esquisito, seu velho sobrado no Cambuci por uma casa bem melhor.

Seu discurso foi mudando, suas preocupações pareciam diferentes, as “reuniões de segunda feira”, viraram “reunião de empresários”.

A atmosfera de alegria e libedade cedeu lugar a tensão.

Entre os jovens, uns resolveram ir embora, outros viraram “bispos”, deputados…

Em 1993, entre os dezoito e dezenove anos, achei melhor seguir em outra direção.

Minha saída foi dificil, recebi muitas críticas, mas sempre estive certo que aquele caminho não era o meu.

De longe acompanhei com tristeza todas as mundanças.

Vi o jovem que falava sobre as “picadas” sendo preso com diheiro ilegal, sua esposa cabeludona e sorridente virando socialite e depois indo para cadeia, ouvi histórias tristes, soube de muita coisa.

Ontem, ao ligar a TV, vi aquilo tudo desabar.

A sede das reuniões dos jovens cabeludos virou “sede mundial” e a sede mundial desabou, matando nove pessoas e ferindo outras tanto.

Muito triste ver famílias debaixo de escombros e o desespero de familiares e amigos do lado de fora sem saber onde estavam os seus.

O que era para ser bom, virou tragédia.

Fico pensando nos que estavam lá e viram o teto cair sobre suas cabeças sem saber o que estava acontecendo.

Ninguém sabe o que houve e as responsabilidades serão apuradas.

Ainda que por meio segundo, cogitei se esse desastre poderia desimpedir os olhos.

Que a tragédia encontrasse significado em um repensar de caminhos e fizesse com que as coisas fossem diferentes.

Mas durou pouco.

Lembrei que alí já houve outras tragédias – menores, reconheço- mas que só fizeram com que os seguidores falassem em espada e os lideres virassem martires

Como tudo, tenho medo que a dor e o luto vire moeda e sejam capitalizados.

“Carnê da reconstrução”, depois de mais uma “perseguição” do “inimigo”.

Multidões de mãos dadas, não para prestarem solidariedade as famílias enlutadas e partidas ao meio, mas para “contribuirem” cada vez mais.

Costumo dizer que podemos dar significado as tragédias e, por mais doloridas que sejam, delas tirar lições.

Tenho minhas duvidas se será o caso.

Resta aqui meu profundo lamento, esperando que as famílias sejam amparadas e que os internados fiquem bem.

Daqui a pouco tudo passará, as pessoas esquecerão os que se foram e o discurso triunfalista dominará.

Que a gente possa olhar para essa história com o sentimento de que não temos o controle sobre nada e , ainda que possamos nos esconder atrás de impérios, em uma hora eles podem desabar.

Hoje estamos aqui, amanhã quem saberá ?

Enquanto isso, que possamos andar com a paz de quem faz seu caminho consciente, sabendo que, mais do que tudo, vale aquilo que somos.

Nunca mais tive contato com o jovem barrigudo e sua esposa cabeluda.

Ainda que as vezes os veja em páginas de jornais, não são mais os mesmos.

Sinto pena do que viraram e torço para que se reencontrem.

Tragédia é sempre dificil e inexplicável. Que as familias possam se refazer e os feridos se curarem.

Era uma vez um lugar onde jovens se reuniam para contestar, e ouvir boas palavras, onde os metaleiros e as meninas de saião e cabelão se igualavam e a atmosfera era de alegria.

Ontem tudo desabou…na verdade, desabou há muito tempo.

janeiro 16, 2009

O bem de cada um.

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As vezes o que é bom revela o pior de quem vê.

Tendemos excercer justiça em nosso corações, acreditando que somos conhecedores da medida do merecimento ou punição alheia, de modo que, tem horas que o bem do outro parece agredir.

É quando o sujeito olha indignado para quem, apesar de ter caminhado menos, recebeu igual ou melhor recompensa.

Esperamos que a vida nos trate a partir dos nossos critérios, quando na realidade,  nossa aritimética baseada em critérios próprios de merecimento, não tem a menor influência no resultado final.

Por que acreditamos que nossos corações confusos e almas mesquinhas podem servir de referência para qualquer tipo de definição em relação ao que é bom para o outro ?

Caminhe em sua estrada, ame e seja amado por quem o ama, coma seu pão, beba sua água, tenha seus amigos, trabalhos, valorize o que é simples e se encha de gratidão. Ainda que nem sempre veja, saiba que motivos para tal você tem.

É sempre questão de percepção.

Para cada um, sua própria medida baseada em critérios absolutamente independentes que partem da liberdade da Graça.

Que o seu caminho te baste para que você cuide dele, se alegrando com os que se alegram e sendo solidário com quem sofre.

Sem justiça própria, andando com a sensação que, para você, basta que cada dia seja bom.

janeiro 15, 2009

O nome de cada coisa.

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Nomes são símbolos.

Quando os invocamos, é porque temos em mente o que, de fato, eles significam : Amor, ódio, verdade, Deus, pobreza, vingança, ciúme, saudade…são palavras que nos remetem a determinados contextos, como chaves que abrem estâncias do imaginário.

Não conseguiremos olhar com ternura, aquele que só fala de ódio, enquanto o que vem em nome da paz, será recebido como tal, ainda que suas atitudes não sejam exatamente reflexo de seu discurso.

Os políticos sabem muito bem o valor de aparentarem, através do que dizem, seres honestos e engajados nas causas sociais, ainda que sua única preocupação seja sua conta bancária e a própria imagem.

O nome que damos as coisas, não mudam o que elas realmente são.

Então, procure dar o nome certo a cada coisa, e examine até que ponto está se escondendo atrás de símbolos.

Ou você realmente acredita que se o mundo inteiro lhe ver como um sujeito virtuoso, enquanto você mesmo sabe que não é, será suficiente para que passe a ser?

Acreditar nas coisas simplesmente porque são chamadas assim, faz parte de um processo de adoecimento, que no fim das contas nos transformará em seres existencialmente esquizofrênicos que relativizam tudo e todos.

Nomeie as coisas, sabendo que o que lhes dá valor, não são as palavras, mas o que de fato são.

 

janeiro 14, 2009

Fórmula Secreta da Coca Cola

janeiro 14, 2009

Bolsa familia vicia o cidadão.

Saiu hoje no Jornal de Brasília, na coluna do Cláudio Humberto:

“Após relutar muito, o governo federal decidiu oferecer aos beneficiados do Bolsa Família a “porta de saída” do programa: cursos de qualificação que os prepare para o mercado e lhes assegure empregos e vida digna.

Mas a iniciaiva é um fracasso: das 400 mil cartas de convite enviadas até agora, apensas 6 mi “bolseiros” aceitaram a oferta.

Os demais preferem o desemprego ou o subemprego, mas com “bolsa-esmola”. “

janeiro 14, 2009

Você nunca ouviu nada igual.

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Se o rádio é um veiculo tão fascinante e de grande importância, carece de boas publicações.

Infelizmente, o que temos de referência no mercado são livros absolutamente desfasados que, no fim das contas, acabam servindo de base para o aprendizado de futuros profissionais.

Por isso fiquei feliz quando soube que um radialista chamado Watson Zucco Weber, lançou o livro chamado “Você nunca ouviu nada igual”.

Nele, o radialista – que também é jornalista e publicitário – destaca a importância do rádio como terapia e estímulo a imaginação, dando dicas de como organizar uma emissora.

“O rádio mudou minha vida quando eu comecei a vê-lo como instrumento de comunicação de massa, não mais como uma caixa de música. Percebi que no ar, somos, acima de tudo formadores de opinião. Podemos dar conselhos que realmente mudam o dia-a-dia das pessoas”, destaca o autor em entrevista a jornalista Fernanda Lima no site Tudo Radio.

Como diria Silvio Santos, ainda não li o livro, mas me disseram que é muito bom.

Pela iniciativa, meus parabéns ao Watson.

Para quem é radialista ou simplesmente quer conhecer mais esse fascinante veiculo, fica aqui minha recomendação.

O blog com informações do livro :

http://vocenuncaouviunadaigual.blogspot.com/

janeiro 14, 2009

O som que sai da gente.

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Texto publicado em minha coluna mais rescente no site Tudo Radio.

Nosso coração está cheio de som.

As batidas que saem dele, se confundem com os graves e agudos da melodia que criamos interiormente.

 A música preferida, é só uma chave para percebermos em que ritmo estamos naquele momento.

Vivemos de ritmos e produzimos sons o tempo inteiro.

Quando você está na rádio – ou em qualquer outro trabalho – em casa, na rua, em todos os lugares, em cada coisa que toca, deixa ali um pouquinho da sua melodia.

Não sei o que toca na sua rádio, mas, me diga, o que tem te tocado ultimamente ?

Que tipo de som tem coincidido com o que sai de você, a ponto de criar identificação ?

Você é a música.

Nesse novo ano, acerte o compasso.

Regule os graves, médios e agudos e afine o que está desafinado. Como todo compositor, talvez você precise de inspiração.

Preencha os olhos, ouça o que é bom, alimente seu coração, acerte o compasso e, naturalmente, componha boa música nos seus caminhos.

Se o ano só está começando, acredite na possibilidade de que, com ele, chegue um novo ritmo.

Ás vezes é necessário mudar a frequência.

Mexa em sua programação, acerte-se consigo mesmo e produza novos sons.

Talvez seja isso que esteja faltando para colher frutos melhores e se acertar consigo mesmo.

 Você é o compositor.

Boa sorte!

janeiro 13, 2009

Ahh São Paulo…

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O caso registrado na foto aconteceu em BH, mas, não sei porque, me lembrou de São Paulo

Estranhamente me deu alívio em estar em Porto Alegre.

Vai entender.

janeiro 13, 2009

O fardo nosso de cada dia.

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Você consegue se lembrar de quais eram suas grandes preocupações há cinco anos ?

Menos. Diga-me cinco preocupações suas do ano passado ?

Quando você para e pensa nelas, percebe que boa parte do que nos absorve a tranquilidade e recai como angústia e preocupação, não precisava que despendessemos tanta energia.

É possível que parte de seus problemas, tenha se resolvido naturalmente.

São aqueles que a gente vivencia antecipadamente e, temendo que venham a acontecer, nos entregamos ao medo do que ainda nem veio.

Até porque, se acontecer de fato, você nem sabe como será e certamente enxergará sob outra perspectiva, de modo que, de nada adianta tentar resolver o que ainda não aconteceu.

O medo paralisa e não permite nenhum tipo de ousadia

Que tipo de peso você tem carregado ?

Será que realmente é necessário suportá-lo ?

Quando um barco começa a afundar, a primeira coisa que o capitão faz é jogar o peso excedente ao mar.

Porque não faz o mesmo ?

Availe até que ponto suas preocupações são necessárias e livre-se do peso sobressalente.

Não adianta antecipar o amanhã ou recuperar o ontem, porque hoje é tudo o que temos.

janeiro 12, 2009

Force Trainer-O brinquedo da mente.

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No último post eu comentava sobre um trabalho de cientistas japoneses que desenvolveram um software capaz de ler mentes.

Agora, sai a notícia publicada pelo jornal norte americano USA Today:  o lançamento de um brinquedo que permite movimentar objetos através da força da mente.

Segundo a notícia, é necessário muita concentração para que a pessoa seja capaz de mover uma bola dentro de um tubo transparente de aproximadamente 25cm.

Enquanto o objeto passeia através de ordens dadas por ondas cerebrais, sons e efeitos especiais deixam a brincadeira ainda mais impressionante.

o “The force trainer”, deve custar ceca de US$ 100 no lançamento ainda sem confirmação da data.

Deve ser um brinquedo bastante divertido e, nele, nenhum mal. No entanto fica claro que estamos tecnologicamente cada vez mais próximos de entendermos melhor os caminhos da mente e, consequentemente, como discerni-los, captá-los e usá-los em benefício próprio.

Ainda que estejamos falando de um brinquedo, vale o reforço do que já foi escrito no post anterior.

Por mais que hoje ainda tenha cara de ficção científica e as tecnicas em uso não estejam presentes em nosso dia a dia, é só questão de tempo para que, em breve, novas tecnologias de leitura de pensamentos seja usada como instrumento de segurança de senhas, por exemplo.

Se obviamente existem implicações positivas, caminhamos para que seja estabelecida uma nova estrutura de valores que irão regir nossas relações.

Parece que, mais do que nunca, vai se desenhando um cenário onde a mente será objeto de conquista e o poder será medido pela quantidade de mentes seduzidas.

Não mais as palavras ou gestos, mas os pensamentos guiarão uma gigantesca indústria absolutamente moldada a partir de informações coletadas através de nossos mais intimos desejos e isso será suficiente para que a maioria não se importe com a dimensão de nossa vulnerabilidade.

É um tempo que, cada vez mais, deixa de parecer ficção cientifica e basta um pouco de discernimento para percebermos que está bem perto.

Portanto, cuide da sua mente e do que ela tem se alimentado, reflita naquilo que te entrete e reavalie o que te move.

Nossos sonhos servirão de isca e aquilo que mais desejamos, poderá ser nossa prisão.

Em nossas mentes residem todas as possibilidades, onde o bem e o mal passam a fazer sentido e podemos relativizar nossas as relações e prioridades.

Alimente-a com o que faz bem e procure torná-la o mais saudável possivel.

Mais do que nunca, isso fará toda a diferença.

fonte: http://www.usatoday.com/life/lifestyle/2009-01-06-force-trainer-toy_N.htm

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