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fevereiro 18, 2009

Reflexões corporativas.

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Quando eramos crianças, eu gostava de avião, meu irmão de moedas.

Eu olhava para o céu, ele para o cofre.

Com o tempo, fomos para caminhos diferentes e, além das moedas, ele escolheu a filosofia também.

Por incentivo meu, colocou no ar um blog chamado “Reflexões Corporativas” ( está linkado ao lado), onde faz interessantissimas comparações entre a filosofia e os negócios: Nietzchie e as crises,  Umberto Eco e a semiótica, Platão e o executivo da caverna, Kant, o equilibrio e o conhecimento, e tantos outros temas que, além dos negócios, servem de reflexão para outros contextos de vida.

Apesar do blog ser novo, já tem muitos textos lá.

Para quem gosta de ler e pensar, eu recomendo.

Acesse com calma, leia com espírito bom e, se puder, recomende também.

Certamente fará bem a você e a seus negócios.

Aqui o link :

http://reflexoescorporativas.wordpress.com/

fevereiro 18, 2009

O Forest Gump da Paulista.

Dia desses me lembrei de uma pessoa que trabalhou comigo em uma rádio. Vamos chama-lo de Túlio.

Moreno de olhos claros, não passava de 1,60m de altura e vivia contando mentiras:

“Ontem estive com o presidente da republica e ele disse que é seu ouvinte”, era uma das histórias que frequentemente contava.

“Mês que vem farei uma festa em meu iate e quero que você toque lá”, dizia a um amigo DJ.

Dias antes da tal festa, la vinha o Túlio : ” Tive que colocar meu iate para manutenção e cancelei a festa”. Todos se divertiam esperando a próxima desculpa.

Quando ele ouvia o som das pás do helicóptero do banqueiro que pousava no predio ao lado ,saia correndo interrompendo conversas, cruzando no caminho de quem estivesse na frente e falando para quem pudesse ouvir :” Meu helicóptero chegou, preciso ir ! ” e saía esbaforido, correndo em direção ao elevador.

Na praia, se o helicóptero da policia desse seu habitual rasante no mar , ele pegava o celular, levantava em direção a onde estivesse maior concentração de pessoas e gritava : ”Quem está no comando do Águia hoje ? Manda esse FDP parar de dar rasante aqui no Guarujá porque não estou gostando. Diga que é o Coronel Túlio”. E desligava sob olhares curiosos.

 Certo dia eu estava no ar e ele entra no estúdio com uma camiseta de uma fabricante de helicóptero:

-Legal sua camiseta, Túlio ! Onde comprou?-  perguntei quase provocando.

-É que eu estava pilotando hoje de manhã- responde com ar de naturalidade.

-Sério? você pilota ? – dei corda, imaginando o que viria a seguir.

- Sim, faz tempo.

- Por curiosidade, que pista operava hoje em Marte ? – não sei porque resolvi encurralá-lo em sua mentira.

- Hoje ? – ele olha para os lados, demonstra que não esperava essa e arrisca: Hoje era a pista 1…

- Pista 1 , Túlio ? Mas as cabeceiras de Marte são 12 ou 30.-

- Sim, 1 de um dois é o que eu ia dizer…pista 12 ! Ufa…

- Com quem você voa? Voei muito tempo em Marte, conheço muita gente lá.

Eu percebia que ele tentava sair da enrascada:

- Vôo com uns amigos, mas só estou aprendendo. – Ele tenta diminuir a coisa pra ficar mais fácil sair.

Não deixei:

- Mas com quem ?

- Com um amigo que tem um helicóptero particular.

- Mas se é particular não deve ser homolgado pra instrução, logo as horas que você tem feito não serão registradas, sabe disso né ?

- Sim, não tem problema. Só vôo de vez enquando e ainda estou praticando mais manobras lentas, perto do chão.

 Pobre Túlio. Mal sabia que helicóptero é uma máquina cheia de tendências e quanto mais lento, mais difícil. Fácil é voar alto, com velocidade, como se fosse avião.

 Mas Túlio não sabia :

- Eu fico saindo de um hangar, entrando em outro, coisas assim…

- Poxa Túlio, então você está avançado ! Esse treinamento é quando o aluno já começa a acertar a mão no helicóptero.

- Sim, claro. – sempre com naturalidade- é que já voei muito.

 Não quis levar adiante. Fingi que acreditei e , a partir daquele dia, passei a chamá-lo de comandante “Túlio”.

Virou personagem. Um folclore que diverte a todos e sempre tem uma grande história para contar.

Esse sempre dará rasantes de helicóptero e festas em iates por aí.

Em tempo : Quando perguntado por que não tinha carro, Túlio respondia com ar imperial : ”Prefiro andar de ônibus. Além de poder ter contato com o povo, vejo a cidade mais de perto”.

 E dá-lhe Túlio !

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