Uma das estratégias mais antigas para desqualificar uma acusação, é desmoralizando quem diz.
Não importa se é bom ou não é. Se houver brecha para desconstruir o portador de um discurso, logo, seu discurso se esvaziará.
Os políticos são mestres nisso. 
Quando acuados por alguma denuncia, logo tratam de investigar a vida de quem o faz, para em momento oportuno dizer “Ele me acusa, mas sabe o que fez? “
Como crianças no jardim de infância flagradas no meio de uma “arte”, apontam o dedo para o colega na tentativa de transferir a bronca.
Esse é o sentimento que tenho quando leio sobre as acusações que agora recaem sobre o delegado Protógenes, comandante da operação Satiagraha que resultou na prisão do banqueiro Daniel Dantas.
Sob o argumento de que utilizou recursos ilegais na investigação, agora o presidente da Câmara pediu a prorrogação da CPI dos grampos em mais 30 dias para investigar as denuncias contra o delegado.
Essa pseudo preocupação repentina com a lei, forja um ambiente de acobertamento e conformismo, a medida em que as pessoas sabem que, ao denunciar qualquer tipo de corrupção, logo se transformarão em acusados.
Lembro quando, ainda no começo da carreira, trabalhei em uma rádio religiosa.
Ao decidir sair, tive que lidar com comentários do tipo : ” Ouvimos que você tem feito trabalhos na porta do cemitério, é verdade? “, ou , “Nos disseram que você saiu porque está lidando com drogas.”
Era mais fácil me desqualificar antes que eu dissesse que alí tinha tudo, menos Deus.
E assim, seja no ambiente que for, quando há preocupação excessiva em preservar a imagem de algo que, apesar da beleza exterior, está corrompido por dentro, recorre-se ao recurso da “acusação de defesa”.
Destruindo a imagem de quem diz, desconstruiremos o discurso, desviaremos o foco da investigação e possivelmente iremos nos preservar- pensam.
Lembra do mensalão ? Para cada denuncia um contra ataque, até que ninguém sabia mais quem era mocinho ou bandido e terminou do jeito que terminou.
É o espírito do que acontece principalmente em Brasília, onde se acredita que “já que ninguém é perfeito e todos tem seus pecados, fecharemos os olhos fazendo o possivel para fingir que ninguém viu.”
No país onde não há culpados, triste de quem resolve dizer que viu.
Esse, será um eterno investigado.