Certo dia eu conversava com alguém sobre a necessidade da religião.
Enquanto eu falava sobre os males do legalismo e das barreiras que geralmente se colocam entre os homens e Deus, a partir da imposição das barganhas, ele me disse:
“É preciso que exista o medo. Sem o medo do inferno e da punição as pessoas descambam e enlouquecem.”
“Mas o que evita que as pessoas enlouqueçam não é o medo, sim a consciência.” respondi
“Consciência é dificil e custa caro. O medo é um método mais simples e de fácil compreensão.”
“São duas coisas diferentes. Medo não produz consciência, mas reflexos ou culpa.”
“Como assim, reflexos?” ele me pergunta
“Se uma criança toma um choque depois de colocar o dedo na tomada evitará por reflexo, por associar que lá tem algo ruim, mas se a tomada for de formato diferente a que lhe causou mal, tentará de novo. Além disso, medo gera a eterna sensação de estarmos vigiados em um quartel onde qualquer desvirtuamento gerará punições.”
“E qual o mal nisso ? “
“O mal é que a medida em que somos repreendidos em relação a uma pulsão, construimos uma sombra interior exatamente no tamanho daquilo que tentamos combater. Se essa sombra nunca vier para fora, nos assombrará pela via da culpa. E o modo que aparecerá para fora é em forma de moralismo. Virará um perfeito religioso.”
“A religião também fala de fé”.
“Fé que não produz consciência não é fé. Além disso se não for para melhorar as pessoas, mas as transformarem em juizes e moralistas, só fará mal.”
O papo já faz algum tempo , mas infelizmente as coisas continuam exatamente iguais.
Nos escondemos atrás de intituições, acreditando que somos detentores da verdade.
Felizes os que ouvem sua consciência e que pautam sua vida sob o espírito da paz.
