A consciência e o medo.

Certo dia eu conversava com alguém sobre a necessidade da religião.

Enquanto eu falava sobre os males do legalismo e das barreiras que geralmente se colocam entre os homens e Deus, a partir da imposição das barganhas, ele me disse:

“É preciso que exista o medo. Sem o medo do inferno e da punição as pessoas descambam e enlouquecem.”

“Mas o que evita que as pessoas enlouqueçam não é o medo, sim a consciência.” respondi

“Consciência é dificil e custa caro. O medo é um método mais simples e de fácil compreensão.”

“São duas coisas diferentes. Medo não produz consciência, mas reflexos ou culpa.”

“Como assim, reflexos?” ele me pergunta

“Se uma criança toma um choque depois de colocar o dedo na tomada evitará por reflexo, por associar que lá tem algo ruim, mas se a tomada for de formato diferente a que lhe causou mal, tentará de novo. Além disso, medo gera a eterna sensação de estarmos vigiados em um quartel onde qualquer desvirtuamento gerará punições.”

“E qual o mal nisso ? “

“O mal é que a medida em que somos repreendidos em relação a uma pulsão, construimos uma sombra interior exatamente no tamanho daquilo que tentamos combater. Se essa sombra nunca vier para fora, nos assombrará pela via da culpa. E o modo que aparecerá para fora é em forma de moralismo. Virará um perfeito religioso.”

“A religião também fala de fé”.

“Fé que não produz consciência não é fé. Além disso se não for para melhorar as pessoas, mas as transformarem em juizes e moralistas, só fará mal.”

O papo já faz algum tempo , mas infelizmente as coisas continuam exatamente iguais.

Nos escondemos atrás de intituições, acreditando que somos detentores da verdade.

Felizes os que ouvem sua consciência  e que pautam sua vida sob o espírito da paz.

2 Comentários para “A consciência e o medo.”

  1. Tenho pensado muito sobre essa questão da liberdade. Em termos cristãos, a liberdade sempre vem acompanhada da verdade, nunca sem ela. Não é uma questão de “melhores práticas” a verdade e a liberdade andarem juntas, é uma condição de existência.

    Nesse cenário complexo da guerra entre cegos, vejo os não cristãos acusando os da igreja de serem manipulados por uma instituição religiosa, e a instituição religiosa acusando os “do mundo” de serem manipulados por uma vida feita por hologramas, onde nada é real.

    Talvez o cristianismo que Cristo propôs faça-se valer em um terceiro tipo de pessoas: as que possui a liberdade que um instituição religiosa não dá, e a verdade que uma vida feita por hologramas não oferece.

    Graça e Paz,
    Pedro Mendes

  2. que cada um procure se respeitar para entaõ respeitar o outro, Quando se tem educaçaõ , tem respeito,.

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