Sempre fui inquieto.
Quando criança esperava o elevador no hall do prédio andando de um lado para outro, pensando, imaginando, querendo logo que ele chegasse.
Um pouco mais velho transferi essa inquietude para as disputas de futebol na escola. Queria ser atacante, meia, defensor, goleiro, tudo ao mesmo tempo. Queria resolver todos os problemas do time.
Era o melhor jogador da escola. Mais de uma vez me chamaram para ser profissional.
Quando comecei no rádio queria aprender tudo rapidamente. Aos dezesseis anos ouvia, treinava, gravava, dormia na rádio, enfim, nada diferente do começo de muitos profissionais, mas nisso eu colocava um pouco dos meus anseios, da minha inquietude que nunca me deixou parar.
O tempo, o filho, as experiências, a vida nos amadurece.
Ainda sou assim, vivo como se uma chama estivesse queimando permanentemente no meu coração e me desse um senso de urgência como se os pratos estivessem girando e eu não pudesse deixá-los cair, mas hoje procuro canalizar essa energia para o que realmente tem propósito.
Olho para o mundo e vejo como está. Vejo as pessoas andando para os mesmos lugares, pensando as mesmas coisas, morrendo pelos mesmos motivos – ainda que não saibam exatamente quais sejam- e tento avisá-las.
Sempre foi assim.
De um jeito ou de outro sempre usei as ferramentas que tive para falar sobre novos caminhos e a possibilidade que temos todos os dias de simplesmente percebermos as coisas. É dificil segurar a inquietude quando você vê que tudo o que a gente precisa mora aqui dentro, mas as pessoas acham bonito, elogiam, concordam, mas não entendem.
Talvez você diga: ” Sim, bonito, mas e daí?”
Estou contando isso para explicar o contexto em que certo fim de manhã, brincando com meu filho em casa, resolvi dar voz a belas imagens, mas que não diziam nada.
Nelas um rosto envelhecia rapidamente, enquanto palavras absolutamente incompreensiveis, cheias de consoantes, eram ditas.
E se fosse diferente ? Perguntei para meu filho.
Escrevi um texto, pedi para ele gravar uma parte e eu gravei outra.
Editei as imagens e, quase que por brincadeira, coloquei as vozes.
De repente vejo esse video rodando o mundo, totalmente fora do controle e tocando muita gente.
Não há um dia sequer que não recebo a mensagem de alguem que diz “recebi o video e….” Amigos, colegas até parentes que não via a muito tempo me acharam graças a ele. Sinceramente eu não esperava.
Fiz sem nenhuma pretenção e hoje vejo que ele é usado em seminários, treinamentos e na divulgação entre amigos.
De repente uma imagem bonita se transformou em algo mais.
Hoje pensava nisso .
A gente pega algo com o melhor coração. Olha de modo diferente e , antes que aconteça, vê o que ninguém ainda viu. Depois você caminha naquela direção e equece.
É como “jogar o pão sobre as águas e depois de muitos dias ele voltará”.
Foi assim que fiz.
Se você veio aqui graças ao “envelhecendo” , é sinal que encontrou o pão que joguei sem nenhuma pretensão.
Com ele tenho aprendido que é preciso transformar nossa inquietude em segurança. Daquela que, consciente de nossa total insignificância, nos dá um sentimento de privilégio pelo simples fato de ser útil onde está. Do jeito que dá.
Essa tem sido minha oração: Se nossa vida é curta, que tenhamos o senso de percepção do que realmente importa e de onde vale a pena investir nossa energia.
Quando é assim, a inquietude se aquieta e no lugar dela vem a paz de saber que, se o coração for bom e os desejos verdadeiros, sempre estaremos na hora certa, no caminho que deviamos estar.
É bom te encontrar pelo caminho.
* O video envelhecendo (e outros) está aqui, na sessão “Videos para reflexão”