
O mundo de hoje fala com muitas vozes.
Desde o levantar da cama quente e desarrumada enquanto se prepara para mais um dia, se dirige aos seus compromissos, cumpre suas tarefas,até voltar para casa, fazer o que deve fazer, voltar para cama; em cada um desses passos estamos expostos as vozes.
Nem sempre são audiveis e sua comunicação é estabelecida em outro nível, mas estão alí: induzindo, oferecendo, relativizando situações aparentemente pavimentados, nos propondo direções.
Algumas reforçam nossa sensação de direito : ” eu mereço”, “eu devo”, “eu quero”. Outras nos ameaçam: “faça, se não…”, “compre, caso contrário…”, “tenha, ou então…” “acredite ou então…” E assim, expostos as vozes do mundo, caminhamos acreditando que somos nós quem costruimos nossos caminhos. Bobagem !
Como máquinas de impulsos direcionamos nossos passos de acordo com nossos reflexos que se alimentam de nossa enorme carência e medo da morte.
Se o tempo é curto, vamos fazer tudo enquanto dá.- pensamos quase sempre.
E assim o processo que começa em nossa vulnerabilidade existencial e se alimenta dos impulsos e comandos a que estamos expostos diariamente se retro alimenta.
Que vozes são essas ? Desde mensagens publicitárias até as informações que consumimos, as vezes os anseios que mais sublimamos. São as pessoas que nos relacionamos e nossos pensamentos mais secretos. De um jeito ou de outro, elas estão alí: marcando território, fomentando impulsos, influenciando sutilmente.
Mas nem tudo está perdido. O desafio é, em meio a essa teia de informações, mudar o olhar e começar a ouvir outra voz: a da alma.
Alguns a chamam de consciência, outros de uma “estranha sensação que me dizia…”; para uns é o sonho da noite passada tão cheio de significado e estranhamente real; para outros aquela sensação de que algo está errado e é preciso mudar o caminho.
Não perca a capacidade de se ouvir.
Aprenda a discernir as vozes que ouve.
Nem todas fazem bem, nem todas são ruins. Outras podem ser boas para outros, não para você. Por isso deixe que passem pelo filtro da alma, pelo crivo da reflexão.
Nossas vidas estão interconectadas de várias maneiras e sofrem muito mais influências do que você pode imaginar.
Não vemos, mas sentimos, não ouvimos, mas assimilamos e assim seguimos nossos caminhos, expostos, cansados e manipulados.
O antídoto está em você.
Reconheça-se, exponha-se, enxergue-se. Ouça a sua alma e não despreze sua consciência.
Em meio a tantas vozes e comandos, talvez esteja faltando olhar para dentro e saber que tudo o que procura já existe e mora dentro de você.
É só perceber.
