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novembro 9, 2009

A pior prisão: visões sobre o futuro

 

Flavinho, qual a pior prisão ? Ele aponta a cabeça e, com ar sério diz : a da mente.

Meu filho ainda tem seis anos e confesso que não sei como será o mundo quando ele tiver minha idade. Uns dizem que será catastrófico, outros um paraíso e tem aqueles que se preparam para seu breve fim. Sinceramente não sei em qual corrente acreditar, mas, com um pouco de atenção, é possível discernir que caminho temos tomado e como isso invariavelmente refletirá no futuro: – Se por um lado a humanidade fica cada vez mais avessa as guerras(ainda bem!), por outro territorializam o que era para ser de todos e travam batalhas psicológicas e mentais por tudo.

Olhando para esse cenário, sinto que as guerras do futuro serão muito mais na mente do que no corpo, o que é mais perigoso:

 - Parece que estamos ficando cansados das respostas científicas, da necessidade da chancela da ciência para avalizar o que quer que seja, e caminhamos na direção do misticismo. Rituais, fórmulas, penitencias, fazem parte desde crenças orientais a igrejas evangélicas, de modo que , se por um lado começamos a abrir janelas na percepção do sobrenatural, por outro não sei se estamos preparados para tudo o que pode vir. Ainda que boa parte desse misticismo seja chamado de ciência.

 - Nossa concepção de matéria, tempo e espaço está, desde Eistein, se relativizando. Da física quântica a energia escalar, fala-se sobre mudanças na curvatura do tempo e acesso a possiveis dimensões paralelas, fazendo com o que hoje nos parece sobretanural, se transforme em explicável, acessivel e, pior, manipulável.

 - Em nome da segurança e da paz mundial o conhecimento humando caminhará a largos passos na direção do controle das almas. Todos terão acesso a tudo, fazendo com que essa exposição troque facilidades por individualidade.

- Esqueça termos como “online” ou “offline” porque o “off” não funcionará. Tudo será on, o tempo todo e a plataforma geradora de conteúdo e informações, sejam reais ou virtuais, será cada indivíduo que, por sua vez, terá acesso ao outro e assim por diante. Seremos uma grande comunidade, conectados e lidando com tudo – de bom e de ruim- que isso implicará.

- Em pouco tempo ficará claro para os que ainda não perceberam que o melhor caminho para o domínio não é o medo, mas a admiração. Nossos medos serão usados para fabricarem heróis (lembra da reeleição do Bush ?) que nos salvarão em troca da nossa liberdade. Essa será a moeda de troca.

 - Será muito dificil diferenciar o bom do mau, o certo do errado de forma que esses conceitos se relativizarão ainda mais. Lidaremos com as ambiguidades como justificativas para pagarmos preços as vezes caros demais.

 - Vai ser a era do políticamente correto. Onde o sim e o não perdem espaço para o talvez, desde que no “talvez” convenientemente eu não me envolva. – Sem envolvimento, não haverá responsabilidades e, sem responsabilidades, transfiro aos “heróis” a incumbencia de fazer minha parte.

A pior prisão é na mente, diz o Flavinho. Que la na frente ele não se esqueça que, aos seis, seu velho e maluco pai já martelava que, não no corpo, mas na mente está a chave para nossas verdadeiras prisões.

 Quem viver, em pouco tempo, verá.

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