Arquivo para novembro 27th, 2009

novembro 27, 2009

Batalhas em nome da fé.

Outro dia coloquei a palavra “ateistmo” no Youtube.

 Desde inflamados discursos religiosos de defesa do ateísmo, a gente mediocre tentando ser advogado de Deus.

Talvez seja uma deficiencia minha, mas não consigo diferenciar os críticos dos defensores. Com paixão e ódio defendem a fé na fé ou a fé na falta de fé mas, sempre com fé, religiosamente, se posicionam em defesa de um “ismo” sem saber que o que defendem ou criticam está ligado a outro “ismo”: o fundamentalismo.

 Ateus anulam a possibilidade da existência de Deus e como argumento criticam a religião ( como se Deus e religião fossem a mesma coisa) e ou religioso, da mesma maneira, defende a religião porque ela, a religião, é seu deus.

 A fé e o ódio a uma instituição vem do mesmo lugar, onde a expectativa foi criada a favor ou contra algo, mas nasce sempre de um coração religioso: seja religioso na confissão de fé ou religioso na postura de negação. Por isso não se suportam.

 Com raiva defendem seu deus, seja ele chamado de deus, fé, ciência, ateismo, dinheiro, buda, Alá ou qualquer outro nome. Onde estiver seu coração, alí estará seu tesouro. Vivemos em dias de muitos deuses.

Cada um tem um nome e seus seguidores, sempre fervorosos, tentam se auto convencer de que estão certos. Criam fórmulas, discursos, concentrações que só pioram as pessoas. Você pode ser devoto até da falta de fé, mas se o fizer com ódio ou sensação de superioridade, estará sendo tão religioso quanto o que critica.

Você pode ser devoto de qualquer religião ( mesmo que a chame de outra coisa), mas não fará bem a medida em que acreditar que é dono da verdade e sabedor da fórmula que te dará acesso a Deus.

Corações abertos, mentes pacificadas e espiritos livres são raros. Gente que sabe que não se barganha com a verdade que mora dentro de cada um está sumindo. Ter fé sem deixar que a domestiquem, poucos tem.

Ainda que seja difícil entender que é no dia a dia, no chão da vida e no palco da existência que eu posso ser e me relacionar com o outro e com Deus, sem mascarar minhas ambiguidades e fraquezas, prefiro ir por esse caminho.

Pelo menos nele as multidões não me sufocam e o julgamento dos piedosos não pesam. Geralmente é distante da média que me encontro. Sem embates apaixonados ou defesas do indefensável.

 Se o templo sou eu, prefiro não sacralizar o que é feito de tijolo e nem tentar aparentar o que não sou. Enquanto brigam por minha alma, prefiro ficar quieto sabendo que é no silêncio que me encontro, sem técnicas, fórmulas ou barganhas que tentam me fazer sentir especial.

Ser humano é preciso e, já que é assim, que seja em paz, por graça e por fé e nada mais.

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