Para quando o dia mau chegar
abril 20, 2010
E se quando o problema chegar, ao invés de espernear, você acolhe-lo ?
Não falo do acolhimento submisso e conformista, mas do tipo que se aquieta.
A maior parte da energia que gastamos diante da crise não ajuda, mas tem a ver com angústia, insatisfação, auto piedade, revolta , questionamentos; o que só piora a situação.
Diante do dia mau, acolha o problema sabendo que nada acontece por acaso
Isso tem a ver com confiança.
É olhar para o que te angustia e dizer :“Não gostaria de estar passando por isso, nem sei a razão, mas já que estou não vou lamentar, pelo contrário, vou me aquietar entendendo que aqui pode existir uma lição e atento ao problema, porém sem reclamar, aprender, consciente de que o dia mal terminá”.
E vai terminar.
Afinal de contas, no caminho para dias melhores, mais do que lamentos, auto piedade ou inquietudes, vale a esperança de quem anda sabendo que até no dia mau podem se esconder presentes e que logo o dia bom voltará.
Simples assim.
Só um desabafo.
abril 20, 2010
Escrevi esse texto e postei aqui no blog em 2008. Hoje eu estava relendo e, infelizmente, achei que continua atualissimo:
Permita-me um desabafo ?
Acabei de ouvir no rádio a notícia de que o Itaú – que ontem anunciou fusão com o Unibanco- anunciou lucro de janeiro a setembro de 5 bilhões, 900 milhões de reais.
Achou o valor grande ? Talvez os diretores do banco não, já que ele representa queda de 8% em comparação ao mesmo periodo do ano passado.
Ouvi e vim correndo escrever ainda sob impacto que essas informações produzem em mim.
Bancos são necessários, lucro é fruto de trabalho bem feito, mas, sinceramente, não consigo conceber que qualquer instituição acumule soma nessa dimensão.
A dor no estômago aumenta a medida em que todos encaram com absurda naturalidade que o dinheiro esteja tão mau distribuido.
Enquanto tem gente morrendo de fome, morando na rua, sem remedios, educação, saneamento… pouquissimos concentram tamanha riqueza.
Não discuto se é lícito, se uns trabalharam para isso e outros não, se é merecimento; não é isso. A questão é que construimos uma sociedade onde disparidades como essas são aceitas com impensável naturalidade.
Cinco bilhões, novecentos milhões de reais ! Tem idéia do que é isso ?
Criamos um sistema que depende de bancos e isso justifica e avaliza um enriquecimento paradoxal a medida em que, no mundo, milhões ainda passam fome.
Não são só os bancos.
O Vaticano que prega o amor, paz e ajuda aos necessitados, possue uma estrutura bilhonária com terrenos, emissoras de comunicação, escolas, faculdades(pagas), e tentáculos nos governos de grandes países, acumulando muito mais dinheiro do que o Itaú.
No Brasil igrejas compram canais de televisão e investem milhões com dinheiro de fiéis, pastores arrendam horários inteiros em rede nacional para “pregar o amor’.
É por isso que aceitamos coisas como essas.
É por isso que 80% da população é feliz com o presidente que tem, simplesmente porque “hoje o Brasil melhorou” .
Melhorou por que ?
Porque é possivel comprar um carro em 60 vezes pagando, no fim das contas, o valor de tres carros ?
Porque as pessoas abrem crediário até para comprar uma meia, fazendo com que lojas de varejo, roupa, supermercado virem bancos com juros altíssimos ?
Porque as pessoas se endividam pagando “pequenas parecelas” que depois consumirá todo o pequeno orçamento que não aumenta nunca enquanto os deputados ganham o que ganham ?
Porque escandalos de corrupção são chamados de “perseguição da mídia” e os corruptos renunciam e depois se reelegem ?
Porque o PAC, anunciado com grande estardalhaço só foi implementado em 9% do previsto e o presidente se diz satisfeito ? (chegando ao cumulo de anunciar o PAC 2)
Porque famílias são sustentadas com uma bolsa família enquanto penam para arrumar trabalho ou colocar os filhos na escola?
Porque a renda continua sendo mal distribuida sem o menor sinal de mudança ?
A crise de valores que aceita condições como essa não é exclusiva do Brasil a medida em que o mundo enfrenta uma crise, fruto de sua própria ganância e irresponsabilidade.
Comecei falando do lucro do Itaú mas, acho que isso simboliza um pouco do que fizemos do planeta que aceita a fome e a miséria como algo natural, diante de instituições que, cada vez mais ricas, pingam gotinhas de caridade enquanto destróem no povo o sentimento de que o sol deveria brilhar para todos.
Continuamos vivendo no planeta das ilusões.
Desculpe o tom, mas não encontro outro para isso.
Qual a minha religião ? Conversa com Marcos Parte 1
abril 4, 2010
Recebo sempre muitos e-mails de gente boa que lê o site, vê os videos e gosta.
Recentemente o Marcos Martinez me escreveu me perguntando a minha religião. A partir desse e-mail outros vieram e senti que poderiamos compartilhar contigo nosso papo.
Com a autorização do meu querido leitor, posto aqui a primeira sequência das nossas conversas.
Abração!
Email: marcosrmartinez@bol.com.br
URL :
Whois : http://ws.arin.net/cgi-bin/whois.pl?queryinput=187.3.70.227
Comentário:
Bom Dia! querido amigo, só por curiosidade você é espírita?
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Oi Marcos, tudo bem? Não. Na realidade tenho fé, mas não religião.
Grande abraço pra você!
Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com
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De: Marcos R Martinez <marcosrmartinez@bol.com.br>
Assunto: Res: Re: [Blog do Flavio Siqueira] Moderar: “Videos para reflexão”
Para: “Flavio Siqueira” <blogdoflaviosiqueira@yahoo.com.br>
Data: Sábado, 3 de Abril de 2010, 2:40
Amigo Flavio,
Boa Noite!
Realmente se me permite dizer começo a considerar a sua personalidade como
uma incógnita, pois como poderia fundamentar sua fé sem princípio
doutrinário ou religioso?
Percebe-se pelos seus textos ( que diga-se de passagem são espetaculares)
que você domina muito bem o campo da Filosofia, Sociologia e Psicologia,
mais difere da grande massa acadêmica dessas graduações exatamente o ênfase
que é dado na crença em Deus e o conhecimento das escrituras, base de
diversas religiões e inclusive da codificação Kardequiana. Por exemplo o “Eu
sou” palavras proferidas pelo Cristo e no “De volta para casa” com a
conotação do ideal da vida após morte como sendo o princípio da vida, a
espiritual, para depois da vida passageira na Terra, o retorno para a mesma.
Mais a interrogação fica ainda mais ofusca quando imaginamos que a sua
formação cognitiva não tenha sido apenas empírica e possa ter também passado
pela literatura alternativa, inclusive algumas obras de Allan Kardec em
especial “O Livro dos Espíritos”, e não revolucionado a sua opinião
religiosa”, coloco entre aspas por considerar o espiritismo não como
religião mais sim como doutrina completa formada pela Ciência, Filosofia e Religião.
Um Grande Abraço,
obrigado pelo retorno
Marcos R Martinez
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Marcos, meu amigo, bom dia !
Tenho um filho com seis anos. Hoje ele começa a agir como um menininho que se interessa pelas “gatas” apesar de escrever sua carta para o Papai Noel. Ele usa tatoo (adesiva) no braço, mas ainda gosta do colinho dos pais. Seus “por ques” são inúmeros, mas a simplicidade com que encara a vida me ensina todos os dias.
Lendo o jornal recentemente, fixei na foto de um dos envolvidos em recentes escândalos políticos: homem amargurado, rosto pesado, olhar sem nenhuma doçura. Enquanto lia pensava “em que ponto esse homem deixou de ser o menino dos por ques e se tornou nesse homem amargurado que vejo na página do jornal?”. Aliás, essa sempre foi uma questão: existe uma fronteira? Um tempo onde deixamos de ser essência, intuição, percepção e nos transformamos em….homens “inteligentes” ?
Acho que não. Não vamos dormir puros e acordamos impuros, não é um “start”, mas um caminho. Caminhos são escolhas.
Acontece que, no fluxo, parece que não temos escolhas. Somos fácilmente empurrados pelas demandas – sejam elas em que nível for- que tangenciam nosso caminho, balizando, contendo, formatando, dogmatizando o que antes era só liberdade: para crer, pensar, sentir, acertar, errar, perceber,ser. Isso nos intoxica e nubla a visão.
Para mim religião é um desses tangenciadores, especialmente porque acredito que toda doutrina é fechada em si mesmo. Ainda que em todas haja reflexos de luz, nenhuma é a luz. Ainda que seja sempre possivel crescer e melhorar seguindo-as, chega um ponto em que nos deparamos com o limite que todas tem: são só doutrinas.
Comecei falando sobre meu filho porque acredito que já nascemos cheios de luz. Ela nos habita e não se apaga só porque crescemos, mas nossa escolha pelo fluxo simplesmente nos torna “adultos” demais para acreditarmos que é assim, simples, natural, de modo que não preciso de contingenciamento porque decidi caminhar. Entende ?
Não preciso das respostas das religiões porque tudo o que preciso está dentro de mim, refletido no passáro que canta de manhã na minha janela, no cheiro de grama que sinto nas minhas caminhadas matinais, no amor da minha mulher e meu filho, na harmonia que não se abala nem quando o mundo caotiza, simplesmente porque reflete o que sou. E eu só vejo.
É um caminho, uma escolha onde simplesmente sinto que a vida só se explica como milagre, logo, tudo o que é vida me ensina extrapolando limites do que chamamos de sabedoria humana ou religião.
Fico a vontade de me servir do que me convém, mas sem a necessidade de comprar pacotes e me definir como isso ou aquilo.
Sou só um homem grato por estar aqui que, no caminho da simplicidade, entendeu que luz nem sempre é aquilo que ofusca, mas que ilumina meus passos, minha mente, meu coração e, no fim, me torna alguém melhor.
Para mim isso basta.
Um grande abraço para você!
Flavio Siqueira
http://www.flaviosiqueira.com
Qual a minha religião ? Conversa com Marcos – Parte 2
abril 4, 2010
Sequencia da troca de e-mails do post anterior:
De: Marcos R Martinez
Assunto: Res: Re: Res: Re: [Blog do Flavio Siqueira] Moderar: “Videos para reflexão”
Para: “Flavio Siqueira” <blogdoflaviosiqueira@yahoo.com.br>
Data: Sábado, 3 de Abril de 2010, 16:35
