
Estou acompanhando pela primeira vez o processo eleitoral direto da Capital do país.
Aqui praticamente todo mundo tem seu “Deputado de estimação”. Aquele que levam a foto estampada no vidro traseiro do carro na esperança de , se eleito, resolva “meus problemas”.
Sim, “meus problemas”. É o que ouço da maioria que, a não ser que queiram lhe convencer de que o sujeito é bom, e nesse caso se referem a “nossos problemas”, falam sobre o candidato como alguém que se elejerá para “nos colocar lá dentro”.
O carrancudo do décimo andar de repente ficou simpático? Não se impressione, ele é candidato.
Aquele ex chefe ditador e perverso ligou do nada para saber como você está ? Pois é….candidato.
O amigo do amigo que nunca lhe cumprimentou agora vive com a mão estendida e os dentes a mostra? Ano eleitoral, quem sabe você não vota nele?
Nas ruas do Distrito Federal as placas, santinhos, adesivos, bonecos com a cara de candidatos que tentam ganhar a simpatia do povo: “Fulano de tal, um garçon no poder” – Para que eu vou querer um garçon no poder ? “Cicrano, policial em sua defesa” ou os intermináveis “Bispos” “Apostolos” “Pastores” “Irmãos fulanos”. Todos alí, sorrindo, esperando “um voto de confiança”.
Mas acho que o pior slogan que vi, foi de um candidato a Deputado Distrital (Aqui em Brasilia não há dep Estadual) com a seguinte perola: ”Chegou a minha vez !”. Quanta sensibilidade.
A sensação que aumenta em mim todos os dias é que há uma profunda conexão entre nossos politicos e os que os elegem. Todos estão pensando em si mesmos e a única preocupação é que beneficio terei.
Poucos pensam no coletivo, quase não vejo preocupação com nosso problemas mais básicos que roubam o direito de muita gente a saude e principalmente a educação.
No Brasil educação é sinonimo de construir escolas e só.
Enquanto a maioria se contenta com o aumento da classe C, poucos se lembram que esse aumento só acontece as custas de financiamentos com juros altissimos que, no fim das contas, possibilitam o sujeito a comprar um celular moderno, uma TV de Plasma, enquanto os filhos estudam em uma escola sem mesa, quadro negro e com professores mal pagos. “Mas chegamos na Classe C, olha só minha Tevezona aí na frente”- É o que pensam.
No nosso Brasil ideal, o Bolsa Familia resolve o problema da pobreza e da fome, o Hospital vazio e sem medicos o problema da saúde, a escola com professores insatisfeitos está lá, então, problema da educação resolvido !
Mas o que eu tenho a ver com isso se “meu deputado” vai resolver “meu problema” ?
Enquanto isso, milhares de pessoas gastam com plano de saúde, escola particular, equipamentos de segurança e assim por diante em um país que até o momento que escrevo esse texto, arrecadou “apenas” 853 bilhões, 600 milhões de reais (segundo impostometro.com.br). Quanto desse valor realmente volta para a sociedade ? Tente responder com sinceridade.
Só que vivemos em tempos onde pensar faz mal. Não questione, não pense, não veja. – É a esperança de alguns que em lugares estratégicos do poder, cuidam para que seja sempre assim.
O resultado disso é a mentalidade do “candidato de estimação”, da sensação predominante de que “minha vez vai chegar” e já que as coisas são assim, vou dar um jeito de ter meu “deputado de estimação”.
Politicos que entendem essa lógica e aplicam paternalismo popular no discurso, ultrapassam os 80% de popularidade e reelegem sucessores.
Cada um pensando em si. Criticando enquanto não é beneficiado. Esperando do poder, o poder de se sentir acima da média e ter acesso ao que nem todos tem.
Sempre “eu”, sempre “meu” e que cada um cuide de si.
É triste, mas é assim.