Arquivo para outubro, 2010

outubro 28, 2010

A educação e a criatividade.

Recentemente escrevi aqui no blog sobre criatividade. Acredito que tudo começa em nossa capacidade de enxergar, ver nos detalhes do dia a dia elementos que inspirem e deem asas a imaginação.

Para mim as crianças ainda são o maior exemplo de como devemos ver, sem travas, sem medo de errar.

Já faz algum tempo que venho insistido que, infelizmente, todo o sistema (educacional, economico, religioso, filosofico) atual é montado para nos roubar isso. A idéia é transformar pequenos seres criativos e naturalmente questionadores, em adultos programados para consumir e , se possível, não questionar. Olhe para os lados, veja a si mesmo e constate que é assim.

Por isso compartilho aqui a palestra do educador Ken Robinson que, entre outras coisas, alerta que nossas escolas não estão prontas para lidar e desenvolver a criatividade humana. Pelo contrário, em geral são instrumentos de pasteurização mental, moldando nossa liberdade de criação em um padrão que atenda as necessidades de um mercado de trabalho cada vez mais fechado em si mesmo. Nele, o erro é inaceitavel.

“Eu acredito que nossa única esperança para o futuro é adotar uma nova concepção de “ecologia humana”, na qual comecemos a reconstituir nossa concepção das riquezas da capacidade humana”, diz Ken nessa palestra que anexo em seguida para você ver.

Pense, reflita e chegue as próprias conclusões:

Parte 1

Parte 2

outubro 20, 2010

Batalhas em nome da fé.

Outro dia coloquei a palavra “ateismo” no Youtube.

 Desde inflamados discursos religiosos em defesa do ateísmo, a gente mediocre tentando ser advogado de Deus.

Sinceramente não consigo diferenciar os críticos dos defensores. Com paixão e ódio defendem a fé na fé ou a fé na falta de fé mas, sempre com fé, religiosamente, se posicionam em defesa de um “ismo” sem saber que o que defendem ou criticam está ligado a outro “ismo”: o fundamentalismo.

Ateus anulam a possibilidade da existência de Deus e ,como argumento, criticam a religião ( como se Deus e religião fossem a mesma coisa) e ou religioso, da mesma maneira, defende a religião porque ela, a religião, é seu deus.

Uns atacam , outros defendem, mas ambos falam sobre a mesma coisa: dogmas, religiões e religiosos.

 A fé e o ódio a uma instituição vem do mesmo lugar. Esse lugar é onde a expectativa foi criada a favor ou contra algo. Ela nasce sempre de um coração religioso: seja religioso na confissão de fé ou religioso na postura de negação. Por isso não se suportam.

 Com raiva defendem seu deus, seja ele chamado de deus, fé, ciência, ateismo, dinheiro, buda, Alá ou qualquer outro nome. Onde estiver seu coração, alí estará seu tesouro. Vivemos em dias de muitos deuses.

Cada um tem um nome e seus seguidores, sempre fervorosos, tentam se auto convencer de que estão certos. Criam fórmulas, discursos, concentrações que só pioram as pessoas. Você pode ser devoto até da falta de fé, mas se o fizer com ódio ou sensação de superioridade, estará sendo tão religioso quanto o que critica.

Você pode ser devoto de qualquer religião ( mesmo que a chame de outra coisa), mas não fará bem a medida em que acreditar que é dono da verdade e sabedor da fórmula que te dará acesso a Deus.

Corações abertos, mentes pacificadas e espiritos livres são raros. Gente que sabe que não se barganha com a verdade que mora dentro de cada um está sumindo. Ter fé sem deixar que a domestiquem, poucos tem.

Ainda que seja difícil entender que é no dia a dia, no chão da vida e no palco da existência que eu posso ser e me relacionar com o outro e com Deus, sem mascarar minhas ambiguidades e fraquezas, prefiro ir por esse caminho.

Pelo menos nele as multidões não me sufocam e o julgamento dos piedosos não pesam. Geralmente é distante da média que me encontro. Sem embates apaixonados ou defesas do indefensável.

 Se o templo sou eu, prefiro não sacralizar o que é feito de tijolo e nem tentar aparentar o que não sou. Enquanto brigam por minha alma, prefiro ficar quieto sabendo que é no silêncio que me encontro, sem técnicas, fórmulas ou barganhas que tentam me fazer sentir especial.

Ser humano é preciso e, já que é assim, que seja em paz, por graça e por fé e nada mais.

outubro 19, 2010

Alguns minutos para você

Saia da zona de guerra. Esqueça os barulhos lá fora, os movimentos, as cobranças ao redor.

De um tempo para você e ouça algumas palavras de sabedoria.

No meio da minha tarde, diante de alguns sentimentos que tem me inquietado, parar para ouvir me acalmou, aquietou, me fez bem…

As vezes tudo o que mais precisamos é justamente isso:  parar e ouvir.

Compartilho contigo.

Por Leonardo Boff

outubro 18, 2010

Arrogancia do Gaucho ? 2

Em Junho de 2009 escrevi um artigo comentando sobre a fala do ministro Nelson Jobim que declarava ter a “arrogancia do gaucho” (http://flaviosiqueira.com/2009/06/09/arrogancia-do-gaucho).

Na epoca eu morava em Porto Alegre e me chamou atenção como isso repercutiu por lá.

Faz mais de um ano que postei o texto e ainda hoje ele rende comentários apaixonados sobre o tema. O último , do leitor Flavio Luiz, me motivou a escrever o texto de hoje que, antes de mais nada, é bom deixar claro:  não é um texto sobre gaucho ou o Rio Grande do Sul, mas sobre um sentimento que as vezes emerge de alguns e contamina outros tanto, seja no Sul ou em qualquer lugar do Brasil ou do mundo.

Adoro o Rio Grande do Sul, vivi lá, sou casado com uma gaucha, meu filho é colorado e tem traços da cultura do Sul, então fico a vontade em dizer que orgulho é diferente de arrogancia.

Quem se orgulha de algo, não precisa menosprezar o que for diferente. Me assusta quando leio comentários de brasileiros que se referem a seu estado como um país a parte, como se o bom do Brasil não fosse justamente essa diferença entre culturas, sotaques e olhares.

Esses fazem questão de se colocar como superiores, como se lidassem com uma raça pequena, ignorante e desprezivel: os outros. A história mostra o quanto isso é perigoso. Infelizmente, vivendo no Sul, vi muitas vezes isso expresso em comentários na TV, rádio, jornais, no tratamento com gente de fora (eu mesmo passei por isso) e expressões como “só podia ser negro” são recorrentes na boca de alguns.

Isso é muito diferente de ter orgulho de sua história e povo, como muitas culturas tem e o gaucho tem todo motivo para sentir.

Obviamente não generalizo. Muitos são conscientes e condenam tal posicionamento, mas a opinião do leitor Flavio, ou “tropeiro dos sonhos”, só reforça tal sentimento beligerante e separatista que não constrói, pelo contrário, reafirma um pensamento que felizmente não é de todos.

A força do Brasil vem dos gauchos, assim como dos paulistas, mineiros, baianos, catarinenses e assim por diante. É o todo que constrói um país e, nesse todo, cada um tem um tipo de contribuição a dar.

Me assusto, pois o país está vivendo um tempo de polarização onde “bons’ e “maus” se colocam em trincheiras opostas, se acusam, agridem em busca de interesse próprio. Que não seja assim entre brasileiros, filhos da mesma cultura, habitantes da mesma terra, vitimas e algozes das mesmas mazelas que, no fim das contas, nos une e nos transforma- apesar das diferenças- em um único povo: alegre, inspirado e respeitador.

Essa é a beleza do gaucho e de qualquer outro brasileiro que ama seu país e sabe que, entre irmãos, não há superioridade , apenas respeito e a consciencia que , no todo, cada um tem seu papel.

Com respeito e amor ao povo gaucho, brasileiros, como todos nós.

outubro 14, 2010

Nunca estamos sozinhos.

Tudo o que somos é o que levamos dentro de nós.

Nossas prioridades, aquilo que merece nossa atenção, nossa energia.

Entre tantas demandas, o que realmente importa ?

No fim das contas, em nossos breves dias, vale o que somos e nossa capacidade de valorizar aqueles que nos cercam e nos lembram que nunca estamos sozinhos.

Lady Antebellum- Never Alone

outubro 6, 2010

Entendendo os sinais.

Tenho aprendido que tudo o que precisamos está a nosso alcance.

Na verdade nem sempre temos o que gostariamos. Nem sempre o sonho casa com o real e, as vezes, os fatos decepecionam os projetos.  Mas é assim : Espantosamente tudo o que preciso me ronda, me cerca, me alcança, me invade.

Não tenho a menor idéia de quantas vezes fugi. Já rejeitei remédios, joguei fora acontecimentos que, apesar da dor, só me fariam bem. Quando olho para trás sinto que na maioria dos meus impulsos corri atrás do que me parecia perfeito, mas o tempo diria que não.

Se fosse roteirista dos meus dias, certamente teria pulado capitulos. Me negaria a acrescentar momentos dificeis em minha história sem pensar que eles me trariam até o nível de consciência de quem entende  que tudo o que preciso está aqui.

As dores e os bens. Os sonhos e os pesadelos, o que chamo de bem e de mal é a quimica que me possibilidade crescer e, no fim das contas, ser alguém melhor.

É isso que me constrói. Só preciso enxergar e entender os sinais.

Estão todos aí. Só preciso ver.

outubro 2, 2010

Sempre hoje

Hoje é hoje.

Amanhã, será hoje. Depois de amanhã, hoje, domingo que vem, será chamado de hoje. Daqui á 10 anos, será hoje.

Só vivemos em um dia e é nele que tudo se faz novo.

Hoje as coisas podem ser melhores para você.

De um passo, comece a agir no dia chamado hoje, porque de fato, é só hoje que temos para ser.

Pense nisso

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