“Aquele dia, que parecia mais um entre tantos outros, tinha algo diferente no ar. Ondas de felicidade e a sensação de que no fim tudo pode dar certo. Talvez houvesse uma explicação para o fato de ter acordado tão feliz naquela manhã, mas não estava preocupado com isso. Ele dá um suspiro e novamente repara em sua imagem no vidro. Caminha entre a escrivaninha, os livros, o abajur até chegar a janela e abri-la. Sente uma rajada de vento e sorri permitindo que o ar invada o apartamento e movimente os papéis sobre a mesa.

O ar estava agitado e, apesar da bagunça la fora, a vida parecia estar em ordem, com tudo em seu devido lugar.

O velho Michel se detém mais alguns minutos na imagem daquele dia claro, nos raios de sol que penetravam as folhas das árvores, nas pessoas que caminhavam nas calçadas, falantes, felizes. O vento movimenta seus poucos cabelos brancos e lhe brinda com uma intensa sensação de liberdade.

Ele sorri com satisfação, apoia os braços no parapeito e continua a observar o mundo que pulsa lá embaixo.

Sim. Definitivamente havia algo diferente no ar”.

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