Entre a vida e a morte
junho 29, 2012
Quem controla sua vida?
junho 29, 2012
Quem controla sua vida ?
Você tem supremacia na condução de seus pensamentos ?
Então me responda: Por que suas atitudes, roupas, pensamentos, opiniões, gostos, caminhos, dúvidas, repulsas, respostas, preferências, medos, metas, sonhos e projeções se parecem tanto com os da maioria das pessoas?
Cego é quem não enxerga que somos moldados pelo nosso meio e o quanto os ambientes nos afetam.
Você muda até de acordo com o que veste, ou vai negar que a bermuda lhe dá um estado de espírito diferente do terno ? Ou que a meia luz não sucita sensações que a claridade afasta ? Que na multidão você não se parece com o que é na solitude?
Viramos produto de nossa geração movida pelo consumo e, tristemente, relutamos em perceber que não correspondemos a imagem que tentamos aparentar.
Andamos apressadamente pela estrada com maior fluxo, como a manada que segue sem nenhum discernimento em relação ao próprio caminho.
Mas quem sabe um dia você acorda e começa a questionar em que tem depositado suas melhores energias?
Onde tem colocado seus sonhos, tempo, relacionamentos; o que tem alimentado suas esperanças?
São poucas coisas no mundo que de fato fazem a diferença e, portanto, valem a pena.
Repare na combinação de intermináveis conexões de interesses, que no fim das contas tangenciam nossos caminhos e mascara quem somos, nos empurrando para a terra das fantasias, cegos, entretidos, cauterizados, semi acordados como zumbis que somente respondem a ordens de comando e legitimam o poder de quem pensa que manda.
Se há algo bom na vida, que isso ocupe seu coração. Se há virtude e bom senso, que alimente sua mente, trazendo-o para o mundo da consciência, onde, mais do que imagens projetadas, vale o que de fato somos.
Almeje enxergar-se !
Porém chegar nesse tempo requer, antes de tudo, o reconhecimento de quem somos e de onde estamos inseridos.
Consciência é a palavra.
É andar sem medo, sabendo que existe vida fora da caverna.
Nem sempre o preço é barato, mas, no fim das contas, estamos aqui para copiarmos uns aos outros, nos projetando na coletividade ou para encontrarmos nossos próprios caminhos ? É você quem da significado para sua vida.
Ainda que nele encontremos pedras e desvios, nada supera a certeza de que estamos no nosso caminho e no lugar que deveriamos estar e isso depende exclusivamente de você.
Pense nisso.
Quando chega o dia mau.
junho 28, 2012
Repare nos outdoors. Gente feliz, sorrindo com olhares convidativos e mensagens cativantes.
Cativantes como os títulos de best sellers que prometem ensinar “não sei quantos passos” para a felicidade, o reconhecimento, a vida “plena”.
Alias, plenitude é a propósta : dos programas de TV, pregadores religiosos, políticos e anuncios publicitários.
Você já parou para pensar na quantidade de mensagens – ostensivas e subliminares- que somos expostos desde a hora que acordamos até o momento de dormir e como isso fica repercutindo em nosso inconsciente ?
De um jeito ou de outro gostamos disso e, ainda que seja sem perceber, construimos nossos castelos sobre tais promessas.
Aí chega o dia mau. Quando o imponderado surpreende, nos abala e força os questionamentos.
Por que o avião caiu ? Por que o mundo está sendo destruido ? Por que crianças são abandonadas ? Por que aconteceu comigo ?
Diante das contínuas mensagens de ‘você pode”, “você merece”, “o mundo é seu”, o choque da catástrofe parece nos puxar o pé, dizendo que no mínimo há algo contraditório em nossa percepção de vida.
O problema é que gostamos de ver as coisas sob as lentes do que julgamos merecer. Nosso senso de merecimento está conectado as mensagens estampadas, difundidas, anunciadas, propagadas, disseminadas em todos os lugares, ensinando que a felicidade que todos merecem é aquela do comercial da margarina, sem contrastes, sem dores, sem raizes. Diariamente tomamos pílulas de positivismo para que junto venha o compre, faça, vote, doe, venha.
É uma permuta:
De um lado você cumpre as regras, comprando, consumindo, frequentando, aparentando ser o que dizem para ser. De outro lado eu faço você acreditar que assim será feliz. Até que a nova ordem de comando se renove.
Só que a vida não é assim e quando chega a estação das dores nos sentimos lesados como consumidores e muitas vezes recorremos ao Procon existencial sob forma de estupefamento ou crises de depressão, no mínimo.
Nem tudo o que lhe parece bom é para o bem, assim como nem tudo o que tem cara de mal, faz mau. Nossa visão é parcial, não temos a perspectiva do todo de nossas vidas, não conhecemos nossos próprios caminhos, sequer vemos cada curva, cada esquina, cada ponta que se conectará lá na frente, dando sentido a história. Vemos só o hoje, ou melhor, nem o hoje somos capazes de ver.
Acontecimentos são apenas mídias. Talvez um dia você entenda que a morte é apenas o fim de um ciclo sob a perspectiva do tempo/espaço, que a doença só tem poder sobre o corpo perecível e muitas vezes reflete mágoas, medos, culpas, que a vida não é estática e um dia as coisas simplesmente renovam, transformam se expandem.
Quem dá significado aos acontecimentos é você, isso conforme o que lhe habita o coração.
A vida é assim.
Por isso aquele que constrói seu castelo sobre propostas de felicidade a qualquer custo, viverá em eterno conflito entre o que gostaria que fosse e o que de fato é. Esse não enxergará as milhares de oportunidades para entender-se, não verá a “caravana passar”, nunca irá se expor a cada oportunidade de crescimento que, inclusive a dor traz. Perderá a oportunidade de enxergar-se simplesmente pela fixação por apenas um lado da história, uma única possibilidade, um condicionamento que se recusa a abandonar por medo.
Esses vivem sentindo-se injustiçados.
A vida não premia ou castiga. A vida não dá o que queremos, mas o que precisamos. A vida ensina e a lição é absolutamente individual.
Procure compreender. Mais do que isso: transcenda-se.
Renove sua mente e dilate seu olhar.
Existe um universo de possibilidades dentro de você, mas você nunca enxergará até que queira.
Enxergar a Deus
junho 27, 2012
“Só quem enxerga a si mesmo pode vê-lo. Reconhecê-lo em sua própria humanidade abre a percepção. Evolução nunca é uma questão de Deus mais perto, mas de eu mais esperto, com olhos abertos, percebendo seus movimentos na história e seus passos, sutis, em tudo, em mim. Quando você entende que Ele está em tudo e tudo existe nele, algo acontece aí dentro: Seus olhos começam a se abrir, você o percebe e entende que Ele sempre esteve aqui.” Livro O ÉDEN editora ciadoslivros.com.br
O fluxo da dádiva
junho 26, 2012
Afinal, o que você está procurando?
junho 25, 2012
E quando Deus faz silêncio ?
junho 25, 2012
O Matrix dos nossos dias.
junho 22, 2012
Muita gente me escreve, ou mesmo pessoalmente, acaba de um jeito ou outro dizendo o seguinte: “Você vive fazendo críticas ao sistema, ao fluxo de nossa cultura, como se tivessemos escolha. Vivemos no sistema e não há como nos desconectarmos.” Mais ou menos como aquela coisa do Matrix que nos conecta, envolve, tangencia, modela e conduz, ao ponto de praticamente não deixar alternativas. O que de fato significa sair do sistema, se é que é possivel?
Minha resposta é a seguinte: O tal do “sistema” é uma cultura. É um jeito de olhar a vida sob a perspectiva da media, como se o caminho oferecido pelos nossos sistemas (economico, religioso e político) fosse a única alternativa. Sem perceber, adaptamo-nos a eles e, pior, comemos e bebemos toda a comida que nos dão, seja em forma de estilo de vida, sonhos, arte e entretenimento. Aliás vivemos entretidos. Entretidos com nossos devaneios, nossas loucuras narcisistas que se projetam no que chamamos de “sonho”, “meta” ou qualquer outro nome que preferimos dar.
Mas, como eu estava dizendo, o “sistema” é uma cultura e seu maior perigo é instalar-se em nós como verdade, impregnando-se em nossa mente, absolutizando-se em nosso olhar.
Sair do sistema não é virar um ermitão, comendo grilos e morando no meio do mato. É bem mais do que isso.
Também não quer dizer fechar suas contas no banco, deixar de ir ao supermercado, plantar uma horta e viver dela.
Tampouco está ligado a deixar de ler jornal, se informar ou saber o que acontece a sua volta.
Não é isso que proponho.
Para mim, deixar o sistema tem a ver com uma profunda mudança de olhar, um re-significar da vida, um revisar de valores, constante, continuo, presente em todas as minhas escolhas. Acredito que, além do fluxo do sistema existe o fluxo da Graça ou, se preferir, o fluxo natural. É aquele onde nos colocamos a serviço do outro, doando à vida o que temos de melhor, nosso tempo, nossos dons, nossos cuidados, nossas melhores energias.
Quem se coloca no fluxo da Graça, tem seu trabalho, paga seus impostos, vai ao shopping e vive sua vida com tranquilidade: ele está no sistema, mas o sistema não está nele.
Essa simples (e extraordinária) inversão subverte naturalmente suas prioridades e, a partir disso, reorganiza todo o seu mundo, afinal, o mundo que você vive reflete aquilo que você é.
No fluxo da Graça o deslocamento natural é em direção ao amor. Não me refiro ao amor romântico necessariamente, mas ao amor como condição existencial, que dá sentido, que desentope as percepções tão poluidas com os detritos do sistema.
Não há complicações. O que estou dizendo é que podemos conviver em nossa cultura, servindo-nos do sistema, mas não deixar que ele sirva-se de nós, morando em nossa mente, instalando-se como senhor de nossos sonhos e melhores energias.
No dia em que isso ficar claro para você, acredite, seus olhos se abrirão para as infinitas possibilidades que já estão em seu caminho, todas apontando na direção de uma nova construção interior, um novo SER que agora simplesmente vê.
Hoje parece difícil pelo simples fato de estarmos lotados dessa cultura.
Desentupa-se, desconstruindo-se, questionando-se, revendo cada elemento dessa construção que você chama de “eu”, entendendo o que te fez ser quem é.
Abaixo um vídeo gravado por mim com uma fala de Jesus que considero revolucionária. Ela fala sobre descansarmos, acreditarmos, deslocando nosso olhar do nosso fluxo financeiro para as aves do céu e os lírios do campo, na certeza de que basta a cada dia seu proprio mal. Descanse, aquiete-se, confie no fluxo natural da Graça que não cabe em nenhum sistema simplesmente porque tem o poder de desmontá-los.
Reflita com calma, entenda, aquiete-se. Enxergue com olhos de ver. É aí que tudo começa.
Eu e o rádio
junho 22, 2012
Comecei no rádio em 1991. Não sabia que viraria profissão, tampouco que faria tantas coisas, tantas rádios, tantos estilos diferentes na capital de São Paulo. Aprendi muito, conheci pessoas maravilhosas e de fato vivi momentos especiais, mas, desde 2003, algo me incomodava e eu não sabia direito o que era. Demorei para perceber que havia se instalado um conflito: enquanto eu tinha sede de crescimento, o rádio relutava em não ir pra lugar nenhum. O problema é que até entender que estávamos em perspectivas diferentes, fiquei chato, implicante, impaciente, o que não fazia bem a ninguém. Agora, quase um ano depois que sai da última emissora que trabalhei aqui em Brasília, olhando para trás, sou grato por tudo o que vivi e mais grato ainda por ter tido a coragem de seguir adiante, de parar de dar murro em ponta de faca, de construir meu caminho com as pedras que apareciam. Amo o rádio, sonho em fazer algo relevante e que toque as pessoas de verdade, mas, enquanto não acontece, fico distante, mantendo meu vinculo com ele através meu trabalho na Rede Pampa em Porto Alegre, casa de gente querida e que gosto tanto. Aprendi que podemos expandir nosso universo profissional coerentemente com nossa expansão pessoal, que podemos atrelar a comunicação aquilo que somos e, com criatividade, continuar sendo relevante, falando com gente, sendo gente, crescendo em todos os níveis.
Esse ano encerrei minha coluna de mais de dez anos no site mais respeitado sobre rádio, terminei meu programa na rádio em Portugal, tomei iniciativas para que eu pudesse me posicionar em relação aos caminhos que a vida tem me oferecido; meu trabalho crescente como escritor, na TV, diretor de programa e tantas outras frentes que surgem aqui e ali, mas de modo algum perdi o amor pelo veículo que nasci, cresci e aprendi a falar.
Um dia volto, mas, até que aconteça, fico na torcida para que o rádio encontre seu caminho e descubra o incrivel potencial inerente em ser ferramenta relevante de comunicação, que faz diferença, que toca nas pessoas, que vai além das música, dos prêmios e da hora certa.
Esse é meu desejo, na expectativa de que algum dia a gente volte a se falar.
Enquanto isso, fiquemos nas lembranças como essa “coletânea” de alguns momentos meus no rádio.
Um desabafo – Troca de de e-mails.
junho 20, 2012
Recebi essa mensagem que posto a seguir, vindo logo depois minha resposta.
Por questão de privacidade, poupei o nome do remetente.
Um desabafo Venho a escrever este desabafo em um momento em que as palavras me consumem por dentro, depois de ver tanta violência, seja esta de qualquer natureza, me sinto mobilizado e emocionalmente instigado a dizer alguma coisa. De certa forma todas estas palavras estavam já há muito tempo presas em minha garganta, e através de um novo mundo do qual estou me deparando, acho as frases certas que podem descrever de maneira completa o meu sentimento. Sinceramente não consigo entender como as pessoas conseguem conviver consigo mesmas hoje em dia, sem ao menos olhar para o lado. Tenho estudado e me informado, debatido e crescido, e me deparei com um muro de concreto, duro e nada maleável, que é extremamente difícil de ultrapassar, impossível de ignorar. Pode ser que seja apenas eu, mas me importo em algum nível com as outras pessoas, com o rumo com o que a sociedade está tomando. Não digo todos, mas grande parte da nossa queridíssima sociedade não enxerga, ou pior, não quer enxergar o caminho de violência moral e física que sofremos dia-a-dia. As pessoas se importam em comprar roupas, acessórios, acumular dinheiro e assim chegar algum dia ao almejado status de ser “bem sucedido”, à burguesia. Enquanto isto, outros estão passando fome, roubando e matando por não terem a mesma oportunidade que alguns poucos pensam ser “natural”, pois ganharam, não são dignos de meritocracia alguma, sempre viveram essa realidade. O problema está no grupo que rege as vontades a serem manifestadas, as felicidades a serem compradas, a religião a ser seguida, o caminho a ser trilhado, a burguesia. Este resultado é fruto de um processo histórico que vem acontecendo há muito tempo, desde o surgimento, ou ainda mesmo antes, do capitalismo – “A história da humanidade é a história da luta de classes” – Marx. Acredito que as pessoas de hoje não são as responsáveis por tudo isso, mas são pelo fato desta realidade ainda não mudar, adquiro um posicionamento crítico com os que não fazem nada, e nem querem fazer, fadados e acomodados à alienação. O capitalismo trilhou a isso, valorizou a individualidade a tal ponto que se criou uma “desumanização”. Hipócritas são os que contribuem com isso se autodenominando “homens direitos”. Todas as cidades do Brasil, que sá do mundo, sofrem com o produto da diferença de classes, estou cansado de ver violência contra pessoas, agressões físicas, roubos, estupros, e tudo mais que a sociedade “se acostumou” a ver. Pois eu não consigo aceitar que tais brutalidades sejam incorporadas na nossa sociedade e vistas como algo do cotidiano, tudo isto não é cotidiano, tudo isto são erros gritando na cara de cada um e mostrando a todos de maneira explicita que tem alguma coisa errada, aliás, não alguma coisa apenas, mas sim todo um mundo de erros. E ainda conheço pessoas que aceitam e apóiam isso, não enxergam que o tão grandioso capitalismo destrói a cada dia mais os seus próprios criadores. Estou cansado, é isso que vem a minha cabeça a todos os momentos, eu estou cansado de tudo isso, da correria, da pressa, da competição acima de tudo, do sofrimento geral, e enquanto o homem não funcionar pelo amor, pela igualdade, as coisas continuarão assim. As pessoas precisam conscientizar-se da situação que estão vivendo, sair do “automático”, dessa infeliz e brutal alienação; e realmente olhar, escutar, dar atenção ao caminho que está sendo trilhado, será verdadeiramente esta realidade que você quer? O que você faria se pudesse ser e fazer o que quisesse, independentemente de dinheiro, de preconceitos, de quaisquer outros impedimentos que venham a sua cabeça? Será que você realmente teria a vida que tem? Será que teria o emprego que tem? Será que seria amigo das pessoas que é? Questione-se, questione o mundo, as pessoas, e tudo ao seu redor, quem sabe você não acha uma realidade que realmente lhe faça sentido, uma que realmente lhe faça feliz, apesar de todos os apesares. As pessoas que você e a sociedade inteira criticam são as pessoas que fizeram isso, e hoje lutam por algo que acreditam, será que essas pessoas realmente são “inimigas” e dignas das acusações que lhes fazem? “Se você é capaz de tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo, então somos companheiros.” Che Guevara
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Resposta: Meu amigo, quem se recusa a enxergar a vida sob as lentes dos sistemas, sente esse incomodo que você desabafa. É por isso que aqueles que “mandam” precisam dos “ismos”, e não é apenas o capitalismo. Sistemas são feitos para “organizar” pensamentos e aquietar as mentes. Cria-se a “media”, mediocre, submissa, pacata. Em troca do status de “normal” ou para simplesmente poder jogar o jogo, a maioria aceita os valores como eles se impõe, ainda que nem sempre tenha sido assim para todos. Digo isso porque grande parte desses caras que hoje comandam o sistema, já foram inquietos assim como você.(exemplos não faltam) Um dia questionaram, criticaram, escreveram artigos, criaram partidos políticos, participaram de revoluções, tentaram mudar as coisas sem saber que no fim quem mudaria eram apenas eles. Veja as universidades: protestos, propostas e manifestações de descontentamento que depois diminuem, diminuem e diluem na mesma proporção que os cabelos caem ou ficam brancos. E por que? Porque o problema não é o sistema, nem os “ismos”, nem as ideologias, mas as pessoas. Humanos são assim. Se inquietam e se adequam, esmurram e abraçam, cospem e engolem, reclamam e aceitam revelando suas eternas contradições, inerentes em nossa propria humanidade. Quando o revolucionário encara sua impotência, quando o murro perde a força e a empolgação diminui, a troca pelo ceticismo é praticamente invevitável e dura até que, tomara, a sabedoria chegue. Ela vem com os anos e a partir de experiências que ensinam uma coisa simples, mas essa sim, revolucionária: O mundo é mau e sempre será, portanto, minha maior força está no reconhecimento da minha propria fraqueza. É essa consciência que me faz resistir. Os sistemas não mudam, pelo contrário: se entranham, envolvem e desenvolvem, sendo que seu maior mal é instalar-se na mente e no coração das pessoas, de modo que o problema não é viver no sistema, mas deixar que ele viva em nós, tornando-nos parte dele, confundindo-o com nossa própria natureza ambigua e facilmente seduzivel. A expectativa de que um dia as coisas mudem, sem considerar de que a mudança real só é possível em mim – apesar dos “ismos” – só cria frustração. Toda mudança acontece quando quem muda sou eu e o “ideal” para a sociedade passa a ser praticado como ideal individual, no chão do meu caminho, no meu horizonte, entre aqueles que encontro no dia a dia e me experimentam, dando a mim a oportunidade de SER amor, SER inclusivo, SER justo, SER pacificador, SER honesto, SER paz, SER misericordioso, SER grato, SER do bem. Não são os sistemas que SERÃO, sou EU. Minha tarefa é sobretudo enxergar e praticar o que nunca verei implementado de fato em sistema algum, mas será a única verdade do mundo que sou, se antes de querer mudar o mundo de fora, eu mude o mundo de dentro a partir do meu olhar e por consequência das minhas atitudes. Injustiças sempre existirão, dores, inconformismo, corrupção, mentira, aproveitadores…faz parte de nossa realidade imperfeita, mas felizes os que entendem que a única chance de melhorarmos um pouquinho tudo isso, salgando a vida tão sem sabor, é melhorando-nos e, apesar dos pesares, criando o melhor dos mundos em nossos corações que vazará e se multiplicará à todos os que nos rodeiam, mudando os mundinhos, brilhando onde tudo parece escuro. Essa é a verdadeira revolução e ela só é real se começar em mim. Abração pra vc !! Flavio.




