Para algo nascer, tem coisas que precisam morrer
julho 31, 2012
As estações de cada dia
julho 31, 2012
Sabe quando, apesar do dia estar lindo, a sensação é de que está tudo nublado ?
Ou, ao receber um animado “bom dia” de alguém, você quase responde “só se for para você” ?
Tem vezes que dá vontade de deitar, dormir e só acordar quando tudo estiver bem.
São fases onde lembramos dos dias em que tudo se encaixava, levantar fazia sentido e os planos estavam a todo o vapor.
Assim como acontece na natureza, nossas vidas também passam por estações, e dias quentes precedem temporais, nuvens da manhã que começou nublada se dissipam, noites estreladas se transformam em dias longos, frios e úmidos.
O sol dá lugar a lua, o verão ao outono, estações que se sucedem e mudam completamente a perspectiva da mesma paisagem. Nosso caminho é assim, entre perspectivas que se alteram, mudanças, transformações, redirecionar de valores, reposicionamento de situações que pareciam fixas, lineares, inabaláveis, enraizadas na gente como se fossem extensão de nosso ser. E ai as coisas mudam, a estação termina e uma nova realidade desperta anunciando que somos seres em constante movimento, evolução que nasce como fruto da renovação da mente que não se conforma sob risco de deformar-se com o conforto permanente.
Para cada coisa um tempo e, em cada tempo, uma estação, que é passageira.
Todo tempo se altera, cada fase, cada história, cada ano, cada momento se renova carregando consigo a semente de um novo olhar, que desperta consciências e prepara sereszinhos assim como nós, viciados em nossa propria mediocridade, a crescerem, superarem, fortalecerem-se com a vivencia da constante – e muitas vezes dolorida- transformação.
É assim mesmo. Para o bem de quem caminha olhando para frente, consciênte de que, ainda que a tempestade pareça eterna e os raios ferozes nos visitem com estardalhaço, tudo passa, tudo acrescenta, tudo soma e contribui para que dias melhores cheguem com a brisa e o renovo de quem aprendeu a não se abalar, mas cresce perplexo com a maravilhosa e única experiência de estar vivo.
Caminhar na Terra é uma grande oportunidade para entendermos que bem e mal, frio e calor, chuva e sol, não importa, cada porção se completa e torna-se parte da mesma coisa que no fim das contas nos revela, expõe o que guardamos em nosso íntimo e nos dá a maravilhosa oportunidade de transcender-nos, ir adiante, ainda que seja um pequeno passo em cada período.
Não há escuridão, nem dor, nem desesperança que seja eterna. Um dia, quando você menos esperar, o sol reaparece, iluminando o que parecia em trevas e revelando com sua luz que agora seu rosto está mudado, mais grave, fortalecido com a experiência que só adquire quem aprendeu a viver com serenidade cada tempo, cada estação.
As novas segundas feiras
julho 30, 2012
Há algumas segundas feiras, por algumas razões que não cabe detalhar, a sensação era a mesma de estar atravessando uma longa tempestade, sem muito prazo para terminar. Especialmente entre o fim do ano passado e os primeiros mêses desse ano, ela me chateava com seus pingos renitentes, continuos e desgastantes. Ainda que o sol não tivesse deixado de aparecer – eu sabia que ele estava lá- as nuvens daqueles dias deixavam a manhã escura.
Certa manhã, daquelas que a chuva persiste atrapalhando planos, cancelando compromissos, me lembrei que o pior poder dessas tempestades é nos fazer acreditar que a luz do sol não voltará e as coisas são assim mesmo. Pior: Se não cuidarmos de nosso coração, nem perceberemos que os dias mais belos, as melhores sensações, o bem estar que a chuva esconde, tudo isso, só existe dentro de nós. Nesse dia saí na chuva e não tive medo de me molhar. Deixei que seus pingos me lavassem e, ao invés de me proteger debaixo de qualquer coisa, me expus aos trovões sem medo de que um raio me atingisse.
Caminhei confiante sob o aguaceiro sem expectativa alguma, apenas sabendo que é no caminho que a gente encontra sentido. O tempo que ela iria durar deixou de ser um problema a partir do momento que entendi que precisava dela.
Por isso nem notei direito quando o céu começou a aparecer. Logo, bem antes do que eu imaginava, as nuvens se dissiparam e quando dei por mim, estava em outra segunda feira.
A foto abaixo foi tirada em outra segunda feira. Não importa o dia da semana, nem mesmo se chove ou faz sol, no fim das contas, tudo sempre coopera para nosso bem, especialmente quando entendemos que o “lá fora” reflete o “aqui dentro”. É no meu coração onde estão as verdadeiras tempestades.
Quando a gente aprende que é assim, ainda que chova, estaremos no sol. Ainda que doa, não fará mal, ainda que fique escuro, nunca será suficiente para apagar a certeza de que nada é por acaso e que, em absolutamente tudo, há uma lição de amor.
Depois da tempestade, se você quiser, há sempre uma nova segunda feira.
Escolas e a criatividade
julho 28, 2012
Vejo as crianças como o maior exemplo do quanto podemos ver, sem travas, sem medo de errar.
Já faz algum tempo que venho insistido que, infelizmente, todo o sistema (educacional, economico, religioso, filosofico) atual é montado para nos roubar isso. A idéia é transformar pequenos seres criativos e naturalmente questionadores, em adultos programados para consumir, votar, aceitar sem questionar. Olhe para os lados, veja a si mesmo e constate que é assim. … Por isso compartilho aqui a palestra do educador Ken Robinson que, entre outras coisas, alerta que nossas escolas não estão prontas para lidar e desenvolver a criatividade humana. Pelo contrário, em geral são instrumentos de pasteurização mental, moldando nossa liberdade de criação em um padrão que atenda as necessidades de um mercado de trabalho cada vez mais fechado em si mesmo. Nele, o erro é inaceitavel.
“Eu acredito que nossa única esperança para o futuro é adotar uma nova concepção de “ecologia humana”, na qual comecemos a reconstituir nossa concepção das riquezas da capacidade humana”, diz Ken nessa palestra que anexo em seguida para você ver.
Pense, reflita e chegue as próprias conclusões
Morte e vida
julho 27, 2012
Como criar os filhos?
julho 27, 2012
Falando de Deus sem nexo: A única maneira
julho 26, 2012
Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?
julho 25, 2012
A psicopatia dos sistemas
julho 24, 2012
Entre o medo e a motivação
julho 24, 2012
Se pudessemos enxergar nossas dinâmicas interiores em uma tela de computador, veriamos que tudo o que está na superfície – e naturalmente visivel- é resultado de combinações daquilo que se esconde nas profundezas, no mais íntimo do ser.
É a soma de nossos medos que produz grande parte de nossas motivações.
O caminho entre esses dois pólos – medo e motivação- é pavimentado a partir do significado que damos a cada coisa.
É você quem decide o quanto vale cada passo, recuo, baque, conquista, tragédia, traição, perda, decepção, surpresa ou o que mais lhe acontecer na trajetória.
Muda a intensidade, variam os tons, mas ninguém vive até a maturidade sem experimentar cada uma dessas circunstâncias e, de alguma maneira, ver seu caminho influenciado por elas.
Mas, basta um pouco de atenção para que você perceba que acontecimentos iguais causam impactos completamente diferentes entre as pessoas.
E a razão disso é simples: Cabe a você dar significado ao que lhe acontece.
Para extrairmos o real valor de cada coisa é preciso que o percuso entre o medo e a motivação seja iluminado pela luz do auto conhecimento, e , no fim das contas, tudo serve para isso mesmo: para nos revelarmos, para nos conhecermos.
Se durante a caminhada você não estiver disposto a se reavaliar constantemente e se enxergar com honestidade, será obrigado a enfrentar cada uma das circunstâncias a partir da negação de que, se algo tem valor, é porque antes vale para você. Será como caminhar em uma estrada escura, esburacada, cheia de desvios, de olhos fechados.
Quem se enxerga sabe para onde vai. Se a vida é projeção do mundo que nos habita, melhor andar consciênte, de olhos abertos, procurando manter coerência entre o meu caminho e aquilo que sou.




