Sinais

agosto 1, 2012

Faça uma viagem comigo e considere que a vida fala, que em tudo há sinais que quase nunca são percebidos por conta de nosso crônico entupimento.

Pense nos fenômenos da natureza, fascinios da biologia, descobertas da física, mistérios da mente, beleza das crianças, capacidade de amar, perdoar, aprender, sonhar, querer, arrepender, consolar, acreditar, avançar, entender, revisar, reposicionar, sorrir, sentir saudade…se tudo fosse uma espécie de vestígio de que somos mais do que vemos; de que o sagrado habita em nós.

Se pudessemos ouvir o som que sai das pessoas e reparássemos que aquilo que são tem o poder de compor melodias, teriamos outro conceito de música. Sai música de você.

Se olhássemos com olhos de ver, perceberiamos que o belo e virtuoso, o verdadeiro, simples e  puro, saem do coração e refletem lá fora; nunca o contrário. É de dentro de nós que procede o bem e o mal.

Talvez entendessemos que, paradoxalmente, nossa força está na fraqueza, principalmente quando ela nos coloca contra o espelho e reflete nossa humanidade.

Esqueceriamos as devoções a templos, estruturas e instituições, porque saberiamos que nós somos o templo.

Não mais nos frustariamos com o futuro, pois viveriamos a cada dia sua porção. E isso nos bastaria.

De nossas bocas seria o sim e o não, e dos nossos corações brotariam todas as nossas impressões.

Se soubessemos que em tudo na vida habitam sinais, andariamos mais atentos e prestariamos atenção em sutilezas do dia a dia.

Procurariamos ser mais sensiveis com o que nos cerca e valorizariamos nossos sonhos.

Talvez acreditássemos mais em nós mesmos e olhariamos para nossas intuições como pistas do caminho a seguir.

Não haveria devoção a homens, teriamos menos líderes, opressores e procurariamos nos preencher do que faz bem, sabendo que as respostas, todas elas, habitam em nosso interior. Com isso, dificilmente nos decepcionariamos com nada nem ninguém.

Valorizariamos o silêncio e apreciariamos a presença de quem amamos como verdadeiros presentes.

Se soubessemos que em tudo na vida habitam sinais, seriamos gratos.

Deixariamos de esperar as tormentas e dilúvios para entendermos o que diz a brisa e o rio.

Trocariamos as gritarias e as demonstrações performáticas de fé e bondade, por paz e justiça.

Procurariamos ler a vida e, atentos, identificariamos sinais que, não através de luzes, explosões ou grandes espetáculos, mas na simplicidade do que é, no caminho, no que nos cerca, mesmo quando parece ser o mais insignificante retrato do cotidiano.

Ontem você conseguiu perceber por quantos sinais passou ?

Nas últimas horas tudo pareceu normal ? Escute, pare um segundo, perceba…

Pense no dia desde que acordou, nos movimentos, comentários, pensamentos, pense… consegue identificar a sutileza das mensagens ?

Pense.

Refaça os caminhos, reposicione as referências, reveja os marcos.

Ainda hoje outros virão. Aliás, agora mesmo. Percebe ?

Esteja atento. Desentupa-se. Desitoxique seu olhar viciado, condicionado pela media, mediocre, cega. Diante de você, de onde menos imagina, respostas para suas perguntas. Sempre.

Pare de olhar para o mesmo lado. É aí dentro, bem mais perto do que tem procurado, que estão as chaves que tanto tem buscado.

Em tudo na vida existem sinais.

Agora.

Consegue perceber ?

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