Carta direto da infância
agosto 3, 2012
Como são as coisas quando a gente chega aí na frente ?
Eu e meus amigos imaginamos que deve ser muito bom poder fazer tudo o que der na telha, comer o que quiser, dormir quando bem entender, ir e vir sem que ninguém diga o que se deve fazer.
Mas mesmo pensando nisso, ás vezes bate um certo medo.
Você sabe guardar segredo? Então não conta pra ninguém, mas, lá no fundo, sinto que, chegando aí a gente perde mais do que ganha. Vou tentar explicar.
É como se trocássemos nossa sabedoria, livre, simples, nosso olhar descomplicado, o poder de esquecer a dor, perdoar rapidamente, demosntrar amor sem interesses, falar a verdade, aparentar o que sente… É como se trocássemos tudo isso pelo que chamam de maturidade. Ai a gente para de falar sobre sonhos ou o que seremos quando crescer e começamos a falar sobre uma tal “realidade”, e então o coração vai murchando, murchando, murchando…
Posso até estar enganado, mas não vejo entre vocês o sorriso do Gabriel, a alegria do Pedro, a coragem do André. Vocês fingem ser fortes, mas parece que sempre estão com medo.
É por medo que abandonam seus ideais e viram realistas, que desistem de tudo o que falavam tanto quando estavam aqui na infância, em troca do que chamam de segurança. É uma segurança estranha porque não deixa ninguém mais calmo, seguro, pacificado, pelo contrário, vocês ficam paranóicos e dependentes.
Eu sei que um dia estarei aí, mas , por favor, me diga antes qual a razão de, chegando onde estão, vocês ficam tão bobões ?
Talvez assim eu me prepare e reforce a dose da bagunça, tome pílulas da imaginação e beba mais copos de alegria. Ás vezes meus pais ficam bravos e se esquecem que já foram como eu. Mas mesmo assim acho que entenderão que é por um bom motivo. Quero ser bem mais feliz do que eles são. Tratar minha mulher bem melhor do que meu pai trata minha mãe, cuidar dos meus filhos com mais atenção do que eles dedicam a mim. Não estou criticando, mas sinceramente gostaria de entender onde é que as coisas mudam e por que a gente fica assim.
Se não tenho como evitar que o tempo passe, que eu não me perca de mim, cresca onde é saudável crescer, mas nunca esqueça o que hoje tenho de melhor, o que acende meu coração e faz meus olhos brilharem.
Com amor,
Direto da infância.


agosto 3, 2012 at 10:09 am
E tão bom acordar pela manha e ler um texto desse que me faz mais leve e pensativa.Enquanto lia fiquei imaginando como oferecer uma infancia para meu filho tranquila sem cobranças e sem medo e uma vida adulta de segurança e sem sufocamento.
outubro 12, 2012 at 12:05 pm
É, difícil viu, fiquei recordando de como não tinha paciencia com minhas filhas quando criança, elas me olhavam surpresas, quando eu tentava trazê-las a “realidade”, que dó!