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fevereiro 28, 2012

O bem do amor – Trecho do livro O ÉDEN

“Na verdade são vocês que estão criando seus próprios caminhos a partir das conexões que estabelecem ao longo da vida e de como lidam com elas. Vocês são todos e tudo ao mesmo tempo.

No seu interior vive um pedaço de cada ser que respira. Há um mundo inteiro em sua mente e a humanidade vive em sua alma.

Foi assim desde o início para que pudessem experimentar na plenitude o bem do amor que só é real quando compartilhado.”

Trecho do livro O ÉDEN. Mais sobre meus livros, clique aqui: http://flaviosiqueira.com/dez-historias-e-algo-mais/

fevereiro 23, 2012

O povo nas mãos

Quem souber trabalhar silenciosamente, por um lado alimentando nas pessoas a sensação de que são livres e tem pleno direito de escolha, por outro lado mantendo-as alegremente entretidas, comodamente amedrontadas, criando monstros, plantando ameaças, arquitetando labirintos para depois salvá-las, aprisionando-as até que a prisão seja chamada de um agradável estilo de vida que no fim fortalece e realimenta todo o processo em um círculo vicioso, quem faz assim, tem o povo nas mãos. – Trecho no meu próximo livro, ainda sem título, em andamento.

fevereiro 21, 2012

O carnaval e o espirito de manada.

Olhando de longe é mais fácil compreender. Uma múltidão sem rosto, sem traços, movimentando-se em blocos entre pulos, danças e músicas pontuadas por refrões repetitivos. Se não chegarmos perto, as explicações tornam-se mais palatáveis e provavelmente acreditaremos que aquela massa informe e festiva é o retrato de um povo feliz, que apesar dos pesares, tem lá suas razões para comemorar.

Afinal, que mal há em um evento capaz de reunir milhões de pessoas, independente de classe social, idade ou raça, expondo-se em um frenesi de alegria, permitindo-se – ainda que seja uma vez por ano – entregar-se a uma explosão de felicidade ?

Mas não é preciso chegar tão perto para enxergar que a realidade não é exatamente tão bela assim. Se nos aproximarmos só um pouco, será suficiente para perceber o quanto somos regidos por nosso insitinto de manada.

Ao ver a foto exposta nessa texto ou as milhares de imagens que nessa epoca do ano tomam conta dos sites de noticias, jornais e programas de TV, confesso que tento enxerga-la a partir da perspectiva de quem está longe, mas a dificuldade em ver gente ao invés de massa torna a tarefa mais dificil.

Vejo uma multidão anônima tentando expurgar as dores e desmandos de viver no país da corrupção, onde a cada recorde anual de arrecadação de impostos mais gente morre nos hospitais, na falta de estrutura viaria, onde o ensino parece cada vez pior e não há sinais de melhora. Mas e daí ? Somos o país do Carnaval não somos?

Com enorme facilidade nos entregamos aos comandos em forma de convites de que “agora é hora de ser feliz”, afinal é carnaval, da mesma forma que seguimos o fluxo da tristeza de finados, dos presentes de Natal, do arrependimento na “quarta feira de cinzas”, consumindo, comprando, comportando-nos conforme os anúncios publicitários nos orientam a fazer. Somos serezinhos que se recusam a enxergar a volta e olhar o proprio umbigo, respondendo a vida conforme as demandas reais, indignando-nos com o que seja indigno, confraternizando-nos com o que de fato faça bem. Não conhecemos a felicidade como estado de espirito – que sabe conviver inclusive com a tristeza – e precisamos comprar a alegria falsa de corpos nus que disputam espaços na TV, abadás caríssimos que dão direito a pular perto de um Trio elétrico barulhento, povoado por pseudo celebridades, brigando, bebebdo, disperdiçando, maltratando, morrendo em nome da “alegria”.

Nossa visão é tão turva e dependente desse espírito coletivo que mesmo movimentos que teoricamente deveriam gerar contra ponto de reflexão banalizam a consciência criando discutiveis alternativas em forma de “carnavais religiosos”. Completamente patético ! Marchas para Jesus, Carnaval da fé, “Venha pular com Jesus” são apelos que exemplificam o quanto nos validamos a partir do comportamento da massa, seja em um polo ou em outro, mas o fluxo acaba sendo sempre o mesmo.

Sei que muitos me verão como ranziza, contra festas ou comemorações populares, mas prefiro correr o risco até porque sei que outros poucos entenderão. Extistem movimentos de catarses populares naturais e genuinos e não vejo mal neles, mas aqui me refiro ao espirito coletivo que toma conta de nossas mentes e corpos mais do que nunca nessa epoca do ano e que não passam de desinibidores que destampam alminhas angustiadas.

O que me incomoda é nossa incapacidade de nos enxergarmos, de olharmos para as questões que geram – e roubam – vida com a mesma intensidade que nos entregamos ao fluxo e seguimos as ordens sutis, sedutoras e intensas à manada.

Sair desse fluxo requer a capacidade de interpretar a vida com espírito critico, distanciar-se , mudar a perspectiva. Encontrar-se com a própria essência pode não ser tarefa fácil e o caminho de um certamente não será exatamente o caminho do outro, mas em todos os casos a necessidade do constante verificar suas reais motivações e as razões de suas escolhas. Esse é um trabalho necessário para todo o que resolve conhecer-se.

Caso contrário continuaremos engordando no pasto, comendo capim e seguindo a manada até chegar o dia do abate onde assustados olharemos a volta sentindo pela primeira vez que talvez seja tarde demais.

Enquanto isso a gente pula e se entrega a todas as pulsões na expectativa de que uma quarta feira de cinzas nos expurgará e renovará todas as coisas, até o ano que vem.

fevereiro 18, 2012

Os sons do silêncio

A razão pela qual a maioria de nós não suporta o silêncio é que nele há sons que o barulho esconde.

fevereiro 17, 2012

A remuneração do autor.

Nada vale mais para um autor do que ler um e-mail como o que o leitor Osmi Vieira me encaminhou hoje. Escrevo para oferecer uma experiência à quem lê, e sempre que constato que deu certo, sinto que recebi a maior remuneração que um autor pode receber: O depoimento de alguém que leu e que a leitura fez diferença.

Decidi compartilhar o e-mail dele com você:

Oi, Flávio.

Recentemente li o seu livro “O Éden” e fiquei surpreso com a qualidade de sua obra.
Não encontrei o livro aqui em Brasília, mas não desisti e consegui comprar em São Paulo, e esta pequena dificuldade apenas acendeu a minha vontade, pois havia lido uns pequenos trechos e pensei: ”rapaz, que livro difícil de encontrar, deve ser mesmo muito bom!”
Resultado: li em dois dias, enquanto não terminei, não sosseguei e imediatamente presenteei uma das pessoas mais queridas que conheço, minha melhor amiga.
É claro que seu livro contém referências sutis a um sem número de outras obras de contéudos filosóficos, científicos, etc.
e poderia citar Carl Sagan, Herman Hesse, Khalil Gibran (autores que aprecio tanto), entre outros e ideias de conexão com a natureza que estão presente desde sempre em muitas culturas orientais. Tudo feito com muito cuidado e de certa forma renovando estes conceitos com uma trama cativante e uma linguagem simples e bonita, parabéns!
Sem dúvida é uma obra que está além das diferenças das crenças e é impossível alguém ficar indiferente com o que é proposto ali. Veio em momento muito importante de minha vida e tudo o queria dizer é muito obrigado!
 
Já algum tempo, criei coragem para publicar alguns textos de minha autoria num blog.
Se tiver um tempinho, gostaria que lesse um em especial que fala mais ou menos sobre o que é exposto no seu livro, é claro que de uma forma totalmente diferente, mas é sobre esta coisa das pessoas se afastarem de si mesmas. Usei uma linguagem mais hermética e se parece mais com uma parábola, do que um conto.
 
Segue o link do referido texto.
 
Grande Abraço,
 
fevereiro 15, 2012

A semente da ganância

A semente do amor ao dinheiro é contraditóriamente um dos maiores fatores de empobrecimento em todos os níveis. Ela é plantada e regada pelos que lucram em manter as pessoas cegas em eterna busca entre labirintos e prisões.

fevereiro 14, 2012

Pensamentos cativos a essência.

Pensamentos não definem a essência de ninguém. São como nuvens que, mesmo encobrindo o céu, estão de passagem e logo vão embora. Acima das nuvens há o céu em sua profundidade e misterios insondáveis. Submeto meus pensamentos a minha essência. Essa é a ordem certa para subjulgar as coisas e não o contrário.

fevereiro 14, 2012

O que muda é o olhar- Trecho do livro O Éden

“Somos fruto de um caminho, reflexo de um infindável ajuntamento de momentos que, um a um, nos faz como somos e constroem aquilo que chamamos de vida. A nossa vida. Reconhecemos onde estamos, sabemos quem somos, mas isso até que o inesperado nos alcance e mude a perspectiva das coisas. Ele não muda as coisas, mas muda o jeito que olhamos para elas, dando novos contornos, carregando em tons que antes desconhecíamos. No fim das contas, o que realmente muda é o olhar. Isso pode alterar profundamente nossa relação com a vida.” Trecho do livro O Éden: http://flaviosiqueira.com/dez-historias-e-algo-mais/

fevereiro 13, 2012

Podemos vencer e venceremos.

Dr Fernando Siqueira- 1940

Não sei o que houve naquele dezesseis de julho de 1940. Talvez algum contratempo entre os jovens que ainda faziam planos. Um problema de trabalho, de saúde ou somente uma mensagem encorajadora para os dias que viriam. Não sei a razão que motivou o futuro medico escrever atrás de uma pequena foto do seu rosto    “Podemos vencer e venceremos“.

Por razões que também desconheço a mensagem viajou no tempo e, além do casal, serviu de motivação para o primogênito deles, meu pai, que agora em uma mesa de restaurante, emocionado, me oferecia o presente.

Era um bilhetinho escrito a mão, atrás de uma foto amarelada, uma frase simples, nenhuma grande construção, mas com enorme significado.

Ao invés de aceitá-la, propus que ele ficasse com a foto mas me permitisse scanea-la. É estranho o poder que ela tem de nos lembrar que a possibilidade da “vitória” é sempre uma realidade. Nós ganhamos ou perdemos quando projetamos na vida o estado de espírito que vive dentro de nós.  Começa em nossa disposição em dar significado ao que fazemos, entendendo que a grande vitória não tem a ver com o que posso comprar, mas com aquilo que sou.

Mas não quero ir além da mensagem da foto. Ela é simples e verdadeira.

Naquele Julho de 1940 meu avô não cogitava que estava falando com mais gente além de sua Débora. Ele não sabia que, mesmo amarelado e envelhecido, aquele papel viajaria no tempo e, mais de setenta anos depois, estaria aqui para dizer para mim e você que, independente de qualquer coisa, Podemos vencer e venceremos.

Simples assim.

fevereiro 11, 2012

A perplexidade da existência.

A consciência da nossa insignificância histórico/existencial deveria ser suficiente para nos incluirmos humildemente em um estágio de permanente perplexidade diante do simples fato de existirmos.

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