Arquivo para ‘Comunicação’

novembro 19, 2008

Ta explicado!

Lendo o livro do João Lara Mesquita sobre a rádio Edlorado de São Paulo – Eldorado a rádio cidadã – me deparei com uma informação que, em parte, explica a grande desvalorização do rádio como mídia nos últimos anos:

40% das rádios são de políticos

25% de igrejas evangélicas

20% de igrejas católicas

15% de empresários de comunicação.

Alguma dúvida?

novembro 5, 2008

Holograma na CNN.

Da CNN.

A rede de notícias CNN inovou na cobertura da apuração desta eleição. Seus repórteres espalhados pelos Estados Unidos “aparecem” como holograma no estúdio para conversar com o âncora Wolf Blitzer.

Segundo a CNN, 35 câmeras de alta definição são usadas para trazer esse holograma para a TV. O resultado é realista, mas nem tanto. É possível ver um recorte grosseiro no corpo da repórter e a imagem fica bem artificial.

Mesmo assim, para um primeiro teste dessa tecnologia, o resultado é positivo.

Assista ao vídeo abaixo:

outubro 23, 2008

Mentes como mídias.

Tenho acompanhado e desfrutado com muita empolgação os novos rumos da comunicação.

 

Ao contrário do que muitos colegas de mídias tradicionais pensam, vejo no advento da internet uma grande possibilidade na democratização da informação.

 

No entanto, ainda é muito cedo para tentarmos qualquer tipo de previsão em relação ao que será daqui alguns anos.

 

A maioria dos comentários que ouço, ou são óbvios demais e falam somente sobre o próximo passo ou me parecem tentativas de determinadas classes ou grupos de preservarem seu status desqualificando o que veio para ficar.

 

Quando me refiro a comentários “óbvios demais”,falo daqueles que insistem que em breve todos terão acesso a web e isso irá revolucionar, não só as mídias, como os conteúdos.

 

É claro que vai e já está acontecendo.

 

O fato é que a velocidade em que as coisas estão acontecendo, sugerem que mesmo a internet como conhecemos ficará para trás.

 

Quer um exemplo ? A seguir um trecho do lívro “ A Nova Mídia”(pgs 21 e 22) do professor Wilson Dizard Jr: “ …pesquisadores vêm buscado caminhos para ampliar o processo de expansão de informação humana através da implantação de microchips no cérebro. Itiel Dror, professor-titular do Laboratório de Neurociência Cognitiva da Universidade Miami de Ohio, assinala: O cérebro é um instrumento de processar informação. Pode ser expandido para aumentar a capacidade de processamento ou memória exatamente como você pode acrescentar RAM ou atualizar seu CPU em um computador pessoal. O cérebro também produz uma saída que é transmitida via comando motor. Portanto, não há problemas-teoricamente- em conectar máqunas diretamente ao cérebro de modo que comandos de saída se dirijam diretamente para o computador….”

 

Se hoje nos impressionamos com blogs e sites, espere para ver como será daqui a alguns anos.

 

A medida em que a internet democratizar por completo a informação e relativizar o poder das grandes redes, acontecerão movimentos no sentido de recuperar terreno.

 

Passado o primeio baque e os inevitáveis prejuizos, a tentativa será novamente a de monopolizar a informação, mas dessa vez, com a ajuda da alta tecnologia, em um ambiente muito mais secreto e perigoso do que o atual.

 

Nossas mentes serão as mídias e isso terá implicações com a maneira que consumimos , nos relacionamos com as instituições financeiras e as informações.

 

Como vai ser exatamente eu não sei. No entanto o que sei é que tem muito dinheiro e interesses em jogo para simplesmente deixar que tudo acabe e pronto.

 

Em nome da segurança e da comodidade, “privacidade” será palavra do passado e, conhecendo seus gostos, preferências e segredos, terão acesso a você de uma maneira quase arrebatadora.

 

Portanto, quanto mais falarem sobre “medos” e necessidade de proteger-nos, lembre-se disso.

 

No começo do texto eu demonstrava minha empolgação com as mudanças atuais,  mas isso não me impede de olhar lá na frente e perceber que será inevitável.

 

O estudo do professor Itiel Dror é embrionário se compararmos com teorias já avançadas em relação as possibilidades de acesso as mentes, afinal de contas, a palavra-pensamento tem origem onde ninguém acessa, no íntimo do ser, no entanto, chega ao sistema neurológico do pensar e, a partir daí, feito o som que corresponde ao signficado imaginado.

 

São impulsos elétricos que, como uma onde de rádio por exemplo,podem ser interpretados. O que virá depois dessa constatação é imprevisivel.

 

Quem viver verá.

 

Ás vezes as coisas mudam rápido demais.

 

 

Leia: http://flaviosiqueira.wordpress.com/2008/10/09/a-pior-prisaovisoes-sobre-o-futuro/

outubro 22, 2008

Mais sobre a imprensa no sequestro de Santo André.

Confesso que não queria mais tocar no assunto. Mas parece que o caso do sequestro em Santo André está rendendo assunto, inclusive quando se trata do comportamento da imprensa.

Agora foi a vez do ex comandante do Bope ( Batalhão de Operações Policiais Especiais), o sociólogo Rodrigo Pimentel criticar a postura de algumas emissoras e apresentadores, entre eles Sonia Abrão, Record e Rede TV!.

A declaração foi feita para o site “Terra Magazine” :

“Foi irresponsável, infantil e criminoso o que a Sonia Abrão fez. Eu lamento não ter falado isso na frente dela. Eu gostaria de ter falado isso para ela e para os telespectadores da Record e da RedeTV!. O que ela fez foi sem a menor avaliação. Tanto que, num primeiro momento, ele (o repórter Luiz Guerra) tentou enganar o Lindemberg, dizendo-se amigo da família. E depois ele tentou ser negociador, convencer ele a se entregar sem conhecer os argumentos técnicos usados para isso. O que o capitão Giovaninni (negociador da Polícia Militar) falava para o Lindemberg a todo momento é que, até aquele momento, o crime que ele havia praticado era muito pequeno. Esse é o argumento técnico, funciona quase sempre. ‘Olha meu amigo, até agora você não matou ninguém, até agora só colocou essas pessoas sob constrangimento, sua pena vai ser muito pequena…’. Isso funciona mesmo. E a Sonia Abrão não tem esse argumento, a Record também não.”

Mais sobre o assunto: http://flaviosiqueira.wordpress.com/2008/10/18/sequestro-em-santo-andre-espetaculo-do-horror/

outubro 21, 2008

Por outros jardins.

Minha última coluna no tudoradio.com

Faz tempo que tenho comentado aqui sobre novas possibilidades de mídia.
Quem acompanha minhas colunas, sabe que, quase sempre, insisto na necessidade de reciclagem profissional, em repensarmos o jeito que fazemos comunicação e a obrigatoriedade em nos adaptarmos ao tempo onde cada um pode ter seu próprio jornal, rádio, tv…só que na web.
Desde meus primeiros textos, primeiro no Planeta e, depois no Tudo Rádio, insisto que não é questão de tendência: Se as plataformas estão mudando, inevitavelmente mudará o conteúdo.
Puxo a orelha de gente que pensa que isso é bobagem, respondo e-mails de profissionais e apaixonados pelo rádio e outros veículos sobre o assunto, quando sou convidado a palestras ou bate papo em universidades vou,e as conversas sempre caem no mesmo ponto: o rádio como conhecemos hoje vai acabar ?
Diante disso e, antes de entrar propriamente no assunto, é importante que você sabia que, a não ser em pequenas doses, nunca tinha tido a oportunidade de sair de casa. Andar por outros jardins, ver as paisagens a partir de outros ângulos, repensar minhas escolhas a partir de outras referências, era algo que eu só conhecia por livros, estudo e muita observação, da janela, em direção ao movimento do outro lado.
Posto isso, há quatro meses, ainda que sem a intenção, saí de casa e atravessei o portão.
Inicialmente eu só iria regar umas plantinhas lá no jardim, mas enquanto regava pensei: porque não plantar umas sementes também?
Plantei e rapidamente começaram a crescer.
O crescimento inesperado, demandou de mim atenção, energia, cuidado e, quando me dei conta, já via as coisas do outro lado do portão.
Há quatro meses inaugurei um blog para dar satisfação a tantos ouvintes que me escreveram quando saí da Band. A idéia era contar que eu estava me mudando para Porto Alegre e, eventualmente, postar as novidades em terras gaúchas.
Acontece que rapidamente o tráfego aumentou. Com o aumento, eu escrevia mais e, escrevendo mais, comecei a notar na prática que agora eu tinha um canal próprio de comunicação.
Um blog é um canal de comunicação ? O que isso tem a ver com o rádio ?
É comunicação sim e, não só com o rádio, mas para todos que se comunicam por vocação é importante perceber o quanto um blog, site, radio web, um video no youtube…podem ser importantes ferramentas de comunicação, além de importantes canais agregadores de conteúdo para a própria mídia convencional.
Com o blog no ar vi que poderia, não só colocar textos mas, vídeos. Já que dá pra colocar vídeos, virei uma espécie de “Juruna” moderno aqui de Porto Alegre a medida que só saio de casa com minha câmera e, sempre que vejo ou penso em algo legal, gravo, edito e ponho no blog.
Aí, com liberdade, fui me obrigando a romper com fronteiras internas que no dia a dia somos levados a criar e comecei a falar sobre tudo, só que a partir de outra perspectiva: vendo as coisas de outro jeito.
De repente já tenho milhares de pessoas lendo os textos, vendo os vídeos e, sem perceber, ainda que segmentado,um canal próprio de comunicação.
Continuo no rádio e, em poucos dias, novidades aqui pelo Tudo Rádio, mas hoje queria que você pensasse nessa minha experiência.
Talvez, olhando pela janela, você até perceba o movimento da rua, mas, ponha o pé no jardim.
Se perceber que dá pra ir adiante, atravesse a rua, molhe as plantas, de repente plante uma semente, observe o jardim dos outros, veja a vida a partir de outra perspectiva e acrescente ao que já conhece, tudo o que irá aprender.
Cada vez menos seremos profissionais do rádio ou da tv, do jornal, do que quer que seja. Sobreviveremos como profissionais de comunicação que sabem o que dizem e, independente da mídia, entendem que, mais do que a forma, comunicar tem a ver com o conteúdo.
Antigamente o principal conselho para um radialista iniciante era: ouça muito rádio. Hoje acho que o conselho deve ser: Ouça muito rádio e busque conhecimento em tudo o que comunica.
Ou você acha que é só coincidência que profissionais de outros veículos tem ganhado tanto espaço no rádio ?
Quer ser relevante ? Não quer perder o “bonde” e ficar obsoleto ?
Mais do que nunca as ferramentas estão nas suas mãos. Veja quais são as suas e siga adiante.
A partir de agora, mais do que um profissional de rádio, considere-se um profissional da comunicação.
Acredito que você ainda tem muito a dizer.
Vá em frente !

outubro 18, 2008

Sequestro em Santo André: espetáculo do horror.

Após cem horas, a polícia entrou no apartamento onde o ajudante de produção Lindemberg Fernandes Alves, 22, mantinha a ex-namorada e a amiga dela, ambas de 15 anos, reféns, e o saldo foi trágico: as duas reféns baleadas e uma delas com poucas chances de sobreviver.

O caso, recheado de peculiaridades como a entrega de uma ex refém de volta ao cativeiro feita pela própria polícia, a dificuldade em acertar uma linha de negociação,informações desencontradas e, mais uma vez, parte da imprensa espetacularizando as tragédias.

Pouco se falou nisso, mas em uma das inumeras entrevistas que deu, o sequestrador disse estar se sentindo como uma “vedete”. Ele se comparava as celebridades que alcançam fama imediata.

Se todos buscam seus minutos de fama, o rapaz parece ter percebido que, enquanto mantivesse aquele circo, permaneceria diante das cameras e dentro dos lares dos brasileiros.

Esse caso me lembrou alguns filmes como “O quarto poder” com John Travolta e Dustin Hoffman e “Um dia de cão” com Al Pacino. Nos dois casos, levados por inusitados motivos, cidadãos desesperados sequestram e, diante da exposição, se empolgam com seus atos.

Alguém se lembra do caso Isabella Nardoni que, por incontáveis dias monotematizou jornais, movimentou reporteres, agregou gente fantasiada e sorridente com cartazes em frente as delegacias ou casas de acusados diante de reporteres e vendedores de pipoca, um verdadeiro espetáculo do horror ? Que fim levou?

Essa exposição é capaz de mexer com nossas fantasias e alimentar uma de nossas caracteristicas mais perigosas: a vaidade.

Lindemberg, que era considerado pacato pelos amigos e ciumento pelas amigas da namorada,poderia perfeitamente se assemelhar a muitos jovens que cruzamos, tanto na periferia, quanto nos bairros de classe média.

Trabalhava, tinha amigos, jogava futebol e, de repente, surtou.

Como agir ? A resposta não é simples mas o fato é que , disputar entrevistas, fazer histórico da vida, colocar parentes e amigos no ar, alugar apartamentos na redondeza para posicionar cameras, não ajuda em nada a não ser em satisfazer nossa mórbida curiosidade o que, por sua vez, rende audiência e dinheiro para as TVS.

Parece que o argumento de que o circo é armado em nome da “informação”, justifica a espetacularização da tragédia.

O país acompanhava esse caso, não porque fosse único ou pior do que tantas outras tragédias que estão acontecendo nesse momento, mas como forma de, em mais um “reality show”, aguardar pelo desfecho na expectativa de saber se no fim a mocinha morre.

A preocupação é tanta, que dois ou três dias depois ninguém mais lembra de nada e seguimos em direção a próxima novela da vida real, assim como foi no caso Isabella.

Criam comoção, reforçam o tom da tragédia, carregam as narrativas, hipnotizam o público que, sedento por uma pseudo justiça, grudam em frente a televisão enquanto esperam pelo próximo capítulo.

Gostamos disso, alimentamos essa industria que transforma um sequestrador em celebridade.

Compramos o que nos vendem e acreditamos no que nos dizem, entre outras coisas, que vale qualquer coisa pelos minutos de fama.

Se a tragédia não virasse show, situações como a dessa semana ainda aconteceriam, mas, talvez em muitos casos o resultado seria diferente, afinal de contas, quando a luz vermelha das cameras acendem, ninguém preve como será a reação de quem aparece, além da pressão adicional em quem está responsável pelas negociações.

 O fato é que, com raríssimas e honradas excessões, jornalismo virou show e, se no fim das contas o que vale é o dinheiro, que venham as tragédias.

Somos todos cúmplices.

Nos preocupamos com a vida da menina da mesma maneira que torcemos para a mocinha da novela.

Para nós, real é o que aparece na tv e só enquanto está na tela. Depois do tiroteio, tragédia e morte entram os comerciais.

Hora de prestar atenção, afinal de contas, vem aí as ofertas do supermercado e rações para cachorro.

E não perca ! Depois das imagens do sequestro em ângulos exclusivos, mais uma edição de sua novela preferida.

Até a próxima tragédia show.

outubro 17, 2008

Comunicação em transformação.

Vivemos em tempo de profundas transformações.

Da política, economia, espiritualidade a nossa concepção de bom e mau, certo e errado.

Parte dessas mudanças, são potencializadas por uma grande alteração : a maneira como nos comunicamos.

Talvez não esteja claro para a maioria , mas essa é uma fase de profundas alterações a começar pelas mídias.

“Mídias” são nada mais do que “meios” para que determinado conteúdo seja acessivel.

Você está lendo esse texto (conteúdo) através da mídia (internet/blog), mas a internet não é o conteúdo.

Ele poderia estar em uma folha de papel, em um áudio em mídia eletronica ou simplesmente sendo dito a você através de um bate papo.

Antes ouviamos músicas em LP e hoje em MP3. Nesse meio tempo as cassetes, cds, mds…muitos já quase não existem, mas o conteúdo – música- ainda está firme e forte apesar da quebradeira de gravadoras, lojas de cds e rádios.

O fato de, por muitas décadas, dependermos de determinados meios para termos acesso ao conteúdo fez com que virassemos reféns dos veículos quando buscávamos informação ou entretenimento,por exemplo.

Isso dava – e ainda dá- muito poder a pouca gente.

Hoje tudo está mudando rápido demais.

Profissionais de comunicação mais anteados, sabem que o fim do rádio ou da TV ,do jeito que hoje conhecemos, é irreversivel.

Não que o conteúdo produzido por essas mídias terminará, mas, cada vez mais, as pessoas terão acesso ao seu próprio conteúdo, sem a necessidade de que ele seja fornecido conforme os padrões, horários e formatos das mídias convencionais.

É só questão de -pouco- tempo.

Em breve, todos terão acesso a tudo, de forma que a segmentação é inevitável.

Esse tipo de transformação, mexe com o jeito que olhamos a vida.

Se nossas referências são formuladas a partir das nossas informações, o acesso a informação do meu jeito, no meu tempo e com muito mais conteúdo disponível, tende a acentuar alguns tipos de observadores : Os críticos a medida em que julgam baseados em muita informação. Os céticos : que , de tão expostos, deixam de acreditar e os conformados : esses mantém o padrão hoje imposto , principalmente pela TV, onde recebo, aceito e não questiono.

Tudo está acontecendo rápido demais e em breve veremos o quanto essas mudanças impactarão nos meios de comunicação, na economia, política e, sobretudo, nas pessoas.

Por enquanto, cabe ao público discernir entre tantas coisas o tipo de conteúdo que mais lhe agrada e aos comunicadores- incluo os tradicionais e os novos como blogueiros por ex- a consciência de, mais do que nunca, é preciso conhecimento e talento para se destacar em meio a tantas opções.

E, saiba, o que temos visto é só a ponta do iceberg.

Que venham as mudanças !

outubro 13, 2008

Exposição a mídia: pensar não é pecado.

Nunca estivemos tão expostos a informação.

Sejam notícias nacionais, internacionais, esportivas ao conteúdo segmentado em profissões, preferencias, estilos de vida. Se você pesquisar, encontrará na web gente abrindo fóruns para discutir se o azul é mais bonito que o verde, se a barbie é lésbica ou se o homer simpson é fiel.

Na mídia eletrônica, especialmente na TV, a preocupação com a “divisão do bolo” na comunicação é grande.

Pesquisas indicam que, em poucos anos, o horário nobre mudará para a hora do almoço a medida em que grande parte das pessoas acessarão o conteúdo da TV, via celular ou aparelhos portáteis, tornando os receptores objetos de museu. Com essa mudança de plataforma, mudará o conteúdo, necessariamente mais objetivos e segmentados.

A busca pela atenção em meio a tantas informações, faz com que, não só a razão, mas a emoção seja a porta de entrada para aqueles que querem conquistar espectadores,ouvintes,leitores,eleitores…

Nada errado. Já escrevi aqui que, se existem milhares de maneiras para dizer as mesmas coisas, porque não escolhemos as melhores ?

Fugir das meras estatisticas, do didatismo e seguir em direção ao coração, através da emoção, pode fazer bem.

As mensagens cantadas, tendem a criar mais impactos social dos que as faladas, por exemplo, porque mexem com áreas do nosso cerébro que o tom de voz professoral e uníssono geralmente não chega.

Acontece que “emoção” não está só ligada a sensibilidade mas também ao medo, a dependência e a incapacidade de relfexão.

Não preciso lembrar dos comunicadores que ficam horas mostrando tragédias entre ” Não aguentamos mais isso” , “o povo precisa ser ouvido”, “estou aqui para proteger os humildes” e assim por diante.

O que nem todos sabem, é que, quando as cameras desligam, os “defensores do povo” saem do seu estúdio em seus caríssimos importados, pensando no contraro, audiência (medida minuto a minuto),e repercussão da imagem, enquanto o povão desliga a tv com mais medo do que antes.

Não que a realidade seja muito diferente ou que devemos fechar os olhos para o que acontece mas, se a contestação não vier acompanhada de propóstas, vira só xingamento.

É pela emoção que líderes religiosos arrendam canais de tv ou emissoras de rádio por quantias astronomicas em nome da divulgação de uma fé que, na essência, é revolucionaria a medida em que inverte a ordem das coisas e coloca o que eles mais prezam (imagem, dinheiro,poder) fora da lista das coisas boas e necessárias. 

Estão no ar, divulgando endereços de templos, fazendo chantagem emocional e usando tecnicas de hipnotismo enquanto, movidos pela emoção e esperança de uma vida melhor, o povo os segue e ajuda a sustentar a pesada máquina.

Nos noticiários o que vemos é uma divisão entre interesses admitidos ou impublicáveis, através de matérias questionáveis e visivelmente tendenciosas.

Se é a era da imagem, o povo compra como verdade simplesmente porque “eu vi na tv”.

Muito mais do que você imagina, fabricam verdades, mudam contextos, criam padrões, invetam tendencias em nome da vaidade e do apego pelo poder.

Criam necessidades, despertam os desejos e apresentam suas soluções, enquanto nós,gratos, estamos lá, assistindo, nos distraindo e comprando.

Compramos para nos esquecermos do medo, buscamos poder para sermos imortais, corremos atrás do vento porque no fundo, o medo da morte mos move.

Estamos expostos a informação.

Seja na tv, rádio, jornais, internet…vozes, das mais agressivas as mais sutis, dizem o que você deve temer, ser, almejar, conquistar e, com medo de pensar, simplesmente aceitamos porque a maioria aceita: ” Se todo mundo aceita é porque deve estar certo”, pensam, e assim alimentamos uma máquina que,por sua vez, se alimenta de sonhos e do medo.

Preste atenção.

Procure ler, ver, ouvir de outro jeito. Sem paranóias, tente identificar o que existe de interesse escondido naquela informação e aprenda a discernir os espirito das coisas.*

Nesse caminho não tem volta e a cada dia estaremos mais expostos.

Se é assim lhe restam duas escolhas : ou você se posiciona e aprende a questionar ou simplesmente segue a maioria.

Questionar não é crime e pensar não é pecado.

Por onde você prefere andar ?

 

*Leia aqui no blog link relacionado ao assunto : http://flaviosiqueira.wordpress.com/2008/09/05/o-espirito-das-coisas/

outubro 6, 2008

A comunicação do bem.

Na última sexta feira me encontrei aqui em Porto Alegre com o Irineu Toledo.

Para quem não sabe, Irineu é o apresentador do Transnotícias, pela rede Transamérica e estava passando por aqui para mais uma de suas palestras Brasil a fora.

Foi bom compartilhar histórias no rádio onde só mudam os personagens e ambientes, afinal de contas, depois de um tempo “no ar”,inevitavelmente você se deparará com situações onde o ego estará presente.

Mas esse não foi o eixo do nosso papo.

O Irineu é um comunicador que entendeu que “comunicar”, implica em entregar a quem ouve ( vê ou lê) o que você tem de melhor.

Se é possível verbalizar sabedoria e encontrar palavras (ou imagens) para descrever o que faz bem, então, que todos sejamos verdadeiros comunicadores.

Não importa se é trazendo notícias, musica, entrevista, entretenimento, trânsito…em tudo existe um “gancho” para se aproximar do ouvinte ( espectador) e nisso estabelecer vinculos.

Com a internet, todos podem ter suas próprias mídias de modo que, ser formador de opinião, depende agora mais do que você, de fato, tem a dizer.

Seja no rádio, tv, jornal, internet, elevador, padaria ou em qualquer outro lugar, se vai abrir a boca, que seja para edificar e não destruir.

Assim como você, nem sempre sou “edificante” mas, se podemos tentar, porque não ?

O Irineu comentava comigo sobre uma ONG americana que promove, entre jornalistas e comunicadores, a oportunidade de ser do bem em suas funções.

Talvez alguns encarem isso como oportunidades de mercado, outros como possibilidade de valorizar determinado produto; não importa. É questão de bom senso entender que se é para falar, que seja pro bem.

Saí do nosso café no Sheraton feliz por saber que tem mais gente na comunicação preocupada com isso.

Que, entre milhares, movidos a vaidade, dinheiro,comodismo, medo de perder o emprego, insegurança, paixão ou por não saberem fazer outra coisa, tem gente que entendeu, como ele disse: “sem medo de ser piegas”,que a temida exposição negativa é pensar que, quem está do outro lado é burro, sem perceber que, pelo contrário,as pessoas sabem muito bem diferenciar o que é bom, alimenta a alma e faz bem.

O blog tem mostrado isso.

outubro 2, 2008

Novos tempos, novas mídias.

Ontem acompanhei pela net a um debate sobre blogs.

Por um lado, acadêmicos vendo com desconfiança e muita crítica, enquanto blogueiros assustados e na defensiva tentavam provar que fazem parte de uma tendência irreversivel.

Se cada um tinha um pouco de razão, é inegável que o fenômeno internet muda o jeito de se comunicar no mundo.

Eu, que sempre fiz parte da mídia “tradicional”, no caso o rádio, tenho experimentado aqui um mundo até então pouco explorado por mim e tem sido maravilhoso.

Mais do que em qualquer outra mídia, aqui posso dizer o que realmente acho relevante e trabalhar pelo que acredito ser bom.

Continuo apaixonado pelo rádio, tanto é que estou voltando para ele, mas acredito que as possibilidades de interatividade que a web dá são infinitamente maiores.

Dia desses me toquei que quase não ligo mais minha TV. Quando tenho um tempinho, entro no youtube e assisto o que eu quiser (inclusive a palestra). Rádio só ouço no carro ou quando não tenho como ligar o computador porque aqui, através dos podcasts, ouço o que quero.

Claro que tem muito lixo na internet. Mas será que nas mídias tradicionais também não tem ? Pelo menos aqui tenho mais escolhas.

Acredito que em breve não usaremos mais termos como “online” ou “offline” e todos poderão ser donos de sua própria mídia.

Ganha quem tem mais conteúdo ou sabe se comunicar melhor com o público que quer atingir.

Esse blog tem sido uma experiência muito gratificante para mim e, cada dia que passa, busco mais ferramentas para melhorá-lo, dando motivos para que você volte e divulgue.

O que virá disso, o tempo dirá.

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