Entrevista para o Tudo Radio.com

Entrevista que dei no começo do mês para o Daniel Stark do portal Tudo Rádio.com. Para quem não leu, segue na integra.

Flávio, como definir essa sua passagem pela SulAmérica Trânsito? O que você considera de mais importante nessa trajetória pelos 92.1 FM?

Desde o primeiro dia trabalhar na primeira rádio exclusivamente voltada para o transito em FM foi um baita desafio.Naquele momento tinha gente receosa em relação a viabilidade de uma rádio monotemática.Mas quem vive em SP sabe muito bem que transito é mais do que um “tema”, mas envolve o tempo,saúde, segurança, dinheiro, trabalho, relacionamentos. Ficar parado no carro sem saber quando vai andar, representa muito na vida dos paulistanos. O desafio era: como transformar essa necessidade em um produto e , que esse produto, se tornasse atraente para quem ouve.Diante desse desafio é que trabalhei para dar minha contribuição a equipe e trazer para o “news” a “comunicação”, o cuidado com a plástica, o conceito da prestação de serviço imediata. Deu certo. Cada dia trazia o grande desafio de satisfazer a necessidade do ouvinte sem deixar a rádio chata. Diante disso, fica dificil eleger um ponto mais importante nessa trajetória, no entanto, acredito que situações onde ouvintes realmente com problemas no transito relativo alivio e demonstravam gratidão, traduziam toda importância e ineditismo do trabalho.

Muitos acreditam que a SulAmérica foi uma espécie de revolução do FM,demonstrando a força da segmentação do rádio paulistano.. Você concorda com essa idéia ou acredita que a rádio estaria em outro patamar?

Acho que foi e ainda é uma revolução para todos que precisam dela e, com sensação de abandono em relação ao poder público, encontram na prestação desserviço do rádio, a possibilidade de se manifestarem e receberem ajuda. Já vivi momentos como o de poder salvar a vida de um ouvinte que , ao vivo comigo, pedia ajuda pra chegar ao hospital. Mobilizei a produção , os ouvintes se engajaram,e lhe acompanhei , ora falando com ele no ar, ora ligando pra ele, praticamente até chegar ao hospital.Tudo ao vivo. Hoje esse ouvinte é amigo e está bem, felizmente. Já recebi na Band uma família grata pois ficaram na última enchente da cidade presos no carro com seus filhos pequenos sem poderem sair. Foi na rádio que encontraram ajuda. Nessa noite da enchente, por conta própria, só saí do ar quando a água abaixou – por volta das 3 da manhã- e isso nunca foi um problema lá dentro. A direção sempre me deu liberdade para tomar no ar atitudes que julgava conveniente, como nessa vez em que estiquei a programação até o meio da madrugada.Situações como essas eram quase diárias e , a grande recompensa, era a chance de me colocar como respaldo pra quem sintonizava a rádio.Vejo aí um grande exemplo de até onde o rádio pode ir. Do quanto as pessoas ainda buscam apoio no veículo e do quanto, de maneira geral, estamos o usando mal.

Você acredita que esse tipo de programação executada pela SulAmérica tem um bom espaço em São Paulo? Dá para obter retorno com uma rádio nesse formato?

Acredito. Estamos vivendo uma fase importantíssima na comunicação. Rapidamente as mídias estão mudando. Tem muita gente que já deixou o rádio de lado para buscar outro tipo de conteúdo na internet. Pela web tenho acesso a música e conteúdo direcionado as minhas preferências que o rádio não tem. No entanto o que barra essa migração de mídia – do rádio para net- é o fato de que nem todos tem acesso. No entanto, as estatísticas apontam que esse numero está mudando, até porque a tecnologia ajudará para que, em poucos anos, todos possam , por exemplo, acessar uma rádio web de dentro do seu carro, do celular ou de qualquer lugar. Quando isso acontecer, o leque de opções aumentará absurdamente e só com a segmentação será possível sobreviver.. Note que não me refiro ao “fim do rádio”, até porque o conteúdo característico do rádio sempre será aceito, mas o que estamos vivendo é uma mudança gradual de mídia e, com isso, convivendo com os reflexos que essa mudança invariavelmente traz no produto final. As rádios já perceberam essa tendência e,sabendo que a musica deixou de ser o único diferencial buscam conteúdo. Aí esbarramos em outro problema que é o medo de arriscar, a falta de recursos ou de gente especializada nisso e a falta de grana.Cria-se um dilema que é : sei que preciso disponibilizar conteúdo na minha rádio , mas por outro lado não sei que tipo de conteúdo e não tenho dinheiro para investir.Diante desse dilema, muitas vezes os diretores apelam para conteúdos tradicionais, como boletins informativos, curiosidade sobre bandas, games ou qualquer outro tipo de ferramenta muitas vezes sem levar em consideração que as pessoas já tem acesso a esse tipo de conteúdo, em outras fontes como a internet por exemplo. Vira uma competição desnecessária. Por isso eu acredito que, mais do que nunca, no fim das contas o grande diferencial de cada rádio está nas pessoas que trabalham lá.O que elas são e como conseguem transmitir isso no ar com espontaneidade e criatividade. Só acredito em fórmulas que incluam entre os ingredientes gente. Que não imbecilize o ouvinte e não acredite em dogmas. Quando você consegue sintetizar isso em uma marca, cria um conceito e aí as pessoas passam a se identificar e gostar de você.Voltando pra sua pergunta, acredito que, levando esses princípios em consideração, qualquer tipo de programação pode dar certo em qualquer lugar.

Deve ser complicado segurar uma faixa de horário inteira mantendo no ar o mesmo assunto, acionando repórteres, ouvintes… qual foi a maior dificuldade enfrentada por você na SulAmérica?

Quando você fica cinco horas falando sem parar, sem tocar musicas e basicamente improvisando é que se dá conta do tamanho do desafio.Não dava pra tomar água, ir ao banheiro, atender telefone ou qualquer coisa que levasse mais de 1 minuto. ( tempo dos breaks da rádio)Se, por um lado, isso gera efeitos colaterais como sonhar com transito todas as noites, perder a voz, e cansaço, por outro lhe dá a grande oportunidade de exercitar itens fundamentais para o radialista como improviso e a capacidade de comunicar sem ser cansativo.O segredo era me obrigar a manter a concentração e cobrar os coordenadores de estúdio a se envolverem ao máximo me dando respaldo.Foi um grande desafio mas que valeu muito a pena!

Sabemos que a profissão de radialista é puxada e existem muitas dificuldades em qualquer rádio em relação ao tempo ou volume de trabalho. Na SulAmérica é mais complicado? Existe alguma grande diferença nesse aspecto entre uma “all news” e uma FM musical?

Talvez o maior desafio na Sul America seja pelo fato de você estar no ar durante muitas horas prestando serviço sem parar. Eu falava com centenas de ouvintes diariamente no ar, sem nenhum tipo de roteiro ou direcionamento em relação ao rumo do papo.Alem do mais, falar sobre o transito da cidade, linkando informações da CET, repórteres e ouvintes e sabendo que em poucos minutos tudo já estava diferente era desafiador.Você tinha que estar pronto pra responder perguntas que não sabia como caminhos de ruas que desconheço, ou situações absurdas como ouvintes reclamando que viu a repórter entrar na rua sem dar seta.Isso requer um nível de concentração e preparo que uma rádio musical não te exige.

Existe espaços para outras “SulAméricas” no Brasil ou só São Paulo pode absorver uma rádio com esse formato?

Acho que existe sim. Talvez em outros lugares o ritmo seria diferente, talvez fosse necessário agregar outros recursos, mas acho plenamente viável já que na Sul America ficou provado – e eu insistia muito nisso desde o começo- que quando você agrega humanidade ao produto, seja ele qual for, as pessoas se interessam e querem ouvir.

Você não faz mais parte da equipe da SulAmérica Trânsito e o Tudo Rádio.com soube que está de malas prontas para Porto Alegre. Qual o motivo dessa mudança de cidade?

Não faço parte da equipe Sul America transito desde o começo de junho. Trabalhar lá foi maravilhoso. Conheci muita gente do bem e aprendi demais ! Tive grande reconhecimento por parte dos ouvinte e do mercado que sinceramente eu não esperava. Colegas de rádios concorrentes viraram fonte de informações de transito mandando torpedos no meu celular e depois ligavam agradecendo a prestação de serviço. Ouvintes iam na rádio levar presentes e, emocionados, organizavam festas e encontros. Foi uma experiência fantástica e sou grato pelo tempo que fiquei lá. Só que , como em toda a relação, chega uma hora em que é necessário cada um seguir seu caminho e, no caso da rádio,também foi assim. Eu precisava de novos ares, de outros desafios e aí que entra Porto Alegre. Gosto muito de lá e, desde 2004 tenho pensado em me mudar. Em 2007 quase fui e, deixei de lado a idéia para fazer parte da equipe da Sul America. Agora que saí, vejo um bom momento para ir.Adoro o rádio de SP, trabalhei em várias e tenho muitos amigos, mas acho que preciso de outros desafios.Vou aliar o prazer de estar em uma cidade que me faz bem com o desafio de praticamente recomeçar no rádio ja que estou indo pra lá sem ter fechado com ninguém.

Quais são seus projetos futuros? É verdade que houve interesse de uma grande emissora de SP para ter você na equipe? Porque a recusa?

 Fui honrado com o convite e cheguei a aceitar. Mas fiquei inquieto por não ser o que eu queria no momento. Ser locutor de rádio em SP já fui em todas as emissoras que quis.Entendo que, como em qualquer profissão, chega uma hora em que você deve caminhar, arriscar, abrir mão de algumas coisas em busca de outras possibilidades. Sair da Band e ir para outra rádio era mais fácil,mas preciso de desafios.Depois de participar da elaboração de uma rádio revolucionária como a transito, eu tinha que continuar caminhando e hoje vejo mais desafios indo pro Sul do que ficando em SP.Lá vou inaugurar, no segundo semestre desse ano,uma escola de rádio em Porto Alegre. Quero compartilhar com eles o que vivi ao longo de dezessete anos entre as principais emissoras nacionais e sei que o povo de lá gosta muito de rádio. Também estou investindo em uma produtora de idéias. Não só pra gravar vinhetas,spots e programas (também, claro!) mas ajudar as rádios e clientes (empresas, agencias) com ares novos dando conteúdo diferenciado, que valorize as pessoas, que tenha um toque de humanidade.Que saia daquela de somente informações sobre política e policia, mas produza material do bem, pro bem de quem ouve e veicula. Estou conversando com psicólogos, sociólogos, cientistas políticos, jornalistas, atores, radialistas, professores universitários e gente que entende que os ouvintes estão cansados do mesmo e querem conteúdo que alimente a mente também.Como estou usando a net como ferramenta, posso estar em qualquer lugar do Brasil ou do mundo.Como meio de deixar o povo informado e pra mantermos contato inaugurei um blog: <https://flaviosiqueira.wordpress.com/. Lá pretendo escrever sobre pensamentos, rádio, política, filosofia e , sobretudo, interagir com quem gosta de mim. Tem muita gente entrando no blog e as coisas por lá tem tomado um rumo maravilhoso.

Existe a possibilidade de acompanharmos novamente o Flávio Siqueira no rádio, mas agora em Porto Alegre?

Ainda não fechei com nenhuma rádio no Sul. Devo chegar em Porto Alegre nos próximos dias e, então,vou conversar com o povo.

Como foi e quanto tempo durou seus trabalhos pela rede popular do Grupo Bandeirantes, a Band FM?

Quando aceitei o convite do Biasi e do Betinho para trabalhar na Band fiquei muito feliz.Eu ja tinha feito muitos estilos de rádio, mas faltava o popular. A Band FM é uma grande rádio, cheia de grandes profissionais e vi a oportunidade de aprender.Foi o que aconteceu. Gente como Amorim Filho, Marcelo Siqueira e tantos outros me ensinaram demais e lá aprendi a falar com gente que eu não tive acesso nas outras rádios. Meu último trabalho na Band FM foi o Love Songs, o que particularmente representou um sonho, ja que , quando adolescente, eu ouvia o Love na rádio Cidade. Fiquei por lá um ano e meio e saí pra me dedicar a Sul América Transito. No entanto, pouco depois da saída, fui surpreendido pelo convite do Carboni para trabalhar na rádio Bandeirantes AM.Lá eu fazia as folgas dos jornais Primeira hora, Três tempos e jornal da hora. Foi uma experiência sensacional ! Trabalhar ao lado de gente como Zé Paulo de Andrade, Salomão Esper, Zé Nello, Zaidam, Dede Gomes, Carboni e tantos outros é mais do que eu imaginei. Saí da Bandeirantes AM junto com a Sul América honrado por ter estado com profissionais como esses. Aprendi muito la!Depois, já com meu amigo Gustavo Oliveira, tive a chance de voltar pra Band FM, mas como estava em outras duas rádios do grupo, infelizmente não deu. Mas na Band FM só tenho amigos e torço muito pelo trabalho deles!

Agora uma pergunta complicada, creio eu… Transamérica, Jovem Pan 2… são muitas rádios na sua vida. Qual dessas fases você lembra com mais carinho e porque? E qual foi a fase mais complicada e os motivos que levaram você a achar isso?

Lembro de todas com muito carinho ! Em todas vivi momentos especialíssimos e , no caso das duas que você citou, trabalhei mais de uma vez. Além da Transamérica e Jovem Pan, na Imprensa, 89, Musical, Metropolitana, 97, Clip, Nova Brasil, Band FM, Bandeirantes AM, Sul America…em cada uma várias lições. Tenho amigos em praticamente todas as rádios do dial de SP e , se em algum momento aconteceram situações difíceis, foram superadas pelas boas.Mas pra não ficar em cima do muro, acho que a fase mais difícil é sempre o inicio. Quando ninguém te conhece e você tem poucas oportunidades. Nessa fase a grana é curta e dormir na rádio não é raro.

Voltará algum dia para São Paulo?

Não to indo pra Porto Alegre pensando em voltar.  É claro que vou em busca de outros desafios e, se não der certo, não terei problemas em ligar pra algum amigo e voltar pra alguma rádio até porque, felizmente, as portas estão abertas na maioria. Mas pra quem é de São Paulo e gosta de mim não ficar triste, estou negociando com algumas rádios um programa gravado em Porto Alegre e veiculado em São Paulo. Vamos ver se vira. Também tem a possibilidade de um programa de TV em emissora nacional. É uma oportunidade que tinha pintando antes da Sul America Transito, não deu certo e coincidentemente,no dia da minha saída da rádio, pintou de novo. Estamos conversando, mas é possível que eu esteja nas telinhas também. Agora minha maior preocupação é como preparar o chimarrão e gostaria que os gaúchos que estão lendo essa entrevista me dessem dicas…rs

Falando em voltar, parece que os leitores do Tudo Rádio.com terão novidades. Você pretende reforçar a equipe do portal. O que os “radionautas” podem esperar de seu retorno como colunista do Tudo Rádio?

Escrever no Tudo Radio sempre foi muito gratificante. É impressionante a penetração que o site tem entre os profissionais de todo o país, através das colunas que eu escrevia aqui, conheci radialistas e ouvintes do mundo inteiro.Por questões éticas, enquanto estive na Band preferi me distanciar do portal como colunista. Deixo claro que a Band nunca me impediu de nada, mas era uma questão pessoal. Agora não vejo impedimentos.A idéia é voltar com as reflexões sobre o meio e entrevistas com gente que pode agregar, alem de manter aqui uma grande possibilidade de interação com quem lê o site e depois me manda e-mails. Acho que nosso meio precisa de gente que gosta de pensar, de discutir novos caminhos, de debater sobre o rádio, seus acertos e erros.

Flávio, para encerrarmos a entrevista, mande um recado geral para quem está acompanhando o Tudo Radio, ou seja, considerações finais sobre seu trabalho, possíveis lembretes e mais uma pitada de projetos futuros. Fique a vontade que o espaço é seu.

Quero lembrar aos profissionais que estamos vivendo momento de definições. Nós somos o rádio e o rádio será no futuro, aquilo que nós pretendemos ser. Se o tempo é implacável, temos que entende-lo e nos adaptarmos as mudanças que ele impõe.Naquilo que falamos, no conceito de rádio que visualizamos, na maneira em que nos inserimos nessa nova realidade.Como em toda profissão, na nossa, o risco é necessário.Sair da zona de conforto, abrir mão de velhos conceitos, aprender com o passado tendo coragem de mudar; tudo isso é fundamental.São os ouvintes quem fazem a seleção e o mercado quem, no fim das contas, regulará quem serve e quem não serve.Tem espaço pra todo mundo, porém os melhores espaços,estão reservados para os que se preocupam com os detalhes, e se colocam na condição de seu próprio chefe por cobrar sempre mais de si mesmo. Procure ler, se informar,valorize a sabedoria, aprenda a ouvir e decodifique informação em tudo; nas pessoas na rua, nos amigos, natureza..em tudo! Mas saiba que,quanto mais você aprende, mais desconforto sentirá na medida em que for obrigado a lidar com gente conformada ou que se apequena diante dos desafios sem aceitar mudanças. Quando for assim, saiba que você terá duas opções : ou se adequai, ou vá embora e se arrisque.No rádio ou em qualquer lugar, sempre tem espaço para quem sabe que as diferenças estão nos detalhes e na incapacidade em ser mais um.Aprenda a lidar com gente e consigo mesmo, não se isole e nunca se sinta injustiçado. Mude o que não te contenta e saiba perceber quando é hora de ir embora.Aproveite as oportunidades que virão e seja grato.Quando é assim, a vida se preenche de sentido e, mesmo as dificuldades,contribuirão pra que você seja uma pessoa e,conseqüentemente, um profissional melhor.

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O tempo…

O assunto “tempo” me fascina desde que me entendo por gente.

Se vivemos com a nítida sensação de passado, presente e futuro, em 1905 Eistein relativizava esse conceito com a teoria da relatividade e dez anos depois com a publicação da relatividade geral.

Publicações cientificas, textos místicos, divagações filosóficas, cada uma sob seu ponto de vista costumam tratar do assunto.

Nessa semana eu li um texto de um professor de física falando sobre a direção do tempo.

Ele dizia que nas leis fundamentais da física, não há distinção entre passado e futuro portanto cria-se um paradoxo: Se nas leis da fisica essa distinção não existe, como entender o fato de sermos capazes de lembrar do passado sem o mesmo acesso epistemológico do futuro?

Tem gente que capta esses sinais como uma antena de rádio retransmite a programação e faz “previsões” sobre o futuro, mas isso não passa de um fenômeno físico afinal o tempo pode ser considerado uma dimensão adicional as três que já estamos habituados. Segundo a teoria da relatividade podemos olhar para as leis da física como uma geometria quadrimensional.

Mas normalmente não temos acesso ao futuro.

Como devemos pensar sobre nossas ações no presente que afetam o futuro sem que o mesmo aconteça com o passado ? ( olhando para o tempo sem distinção entre passado e futuro.)

O fato de termos acessos diferentes ao passado e futuro e o modo como afetamos cada um deles é fundamental para a maneira como olhamos o presente.

Em ultima análise, se tudo está interligado torna-se uma coisa só. A única coisa que muda é a maneira como enxergamos, ou seja;  é o olhar individual, particularizado por cada experiência que faz a diferença.

Diante disso posso considerar que HOJE é o único dia real.

É nele que projeto minha consciência sabendo que o tempo é criação humana necessária para contar os dias, balizar a história e servir de mídia que organiza as experiências, mas a concepção clássica que criamos sobre ele é imprecisa.

Se é assim só me resta mais um dia: aquele que chamamos HOJE.

Vivendo no hoje lidaremos melhor, inclusive com o arraigado medo do fim, contraste entre nossa intima sensação de eternidade e diária constatação de que um dia vamos embora.  A ideia de fim só cabe no conceito de tempo (presente , passado e futuro) por isso quem vive no hoje não teme o amanhã.

Nosso olhar pode emprestar ao tempo uma áurea de possibilidades, negando-se a tratá-lo como um implacável carrasco.

É assim. Complicadamente simples.

Pense nisso.

Mundo dos Nets ?

Um dos motivos pelo qual nunca fiz um blog, era temer não conseguir atualizar com periodicidade razoável.

Teimosamente insisti, mas sem contar com um contratempo: a Net.

Quando me mudei de SP pedi a transferência da minha assinatura para Porto Alegre e hoje, quase 20 dias depois não tenho sequer uma posição clara por parte deles.

Primeiro a informação é que no meu atual endereço ja havia uma conexão, depois que minha assinatura tinha sido cancelada, depois que tiveram um problema no sistema e agora que a transferencia ainda não tinha sido pedida.

Mal atendimento, operadores desinformados, falta de informação e longas esperas telefonicas fazem parte da estratégia daqueles que, depois de vender um serviço, não se preocupam em manter a qualidade.

Sem conexão fico dependendo de lan houses ( inclusive pra postar aqui)e por isso a ausência.

Na última conversa que tive com a Net me pediram um prazo até a semana que vem.

Se dessa vez cumprirem, espero voltar a postar aqui com mais frequência contando as novas do Sul.

Enquanto isso, espero contar com você, sabendo que minha ausencia não é opção, mas causada por uma tipica empresa que sabe muito bem vender o serviço mas, na hora de entrega-lo, só ão relativiza a conta.

Se realmente o mundo é dos nets – como dizem na campanha – estamos perdidos !

Desculpa o desbafo, mas blogs servem pra isso também né ?

Até breve !

Sem eles….

Como em todos os lugares aqui em Porto Alegre também tem gente estressada no trânsito.

Há quem reclame,  bufe, xingue…..

Os que buzinam assim que o farol abre antes que o motorista da frente consiga engatar a primeira, não dão passagem de jeito nenhum e acham que a rua é propriedade particular.

Aqui, como em todos os lugares, tem gente de tudo o que é jeito.

Os que acham que a vida conspira contra e os que, de propósito, conspiram contra todos.

No carro muitos se revelam.

É nos trânsito que fobias aparecem, gente calma perde a cabeça e “patetas” viram seres incontroláveis.

Só que sou de São Paulo e, quando entro no meu carro, por aqui saio em paz porque, diante de gente nem sempre calma, eu me ajeito no banco e quase comemoro pensando: Onde estão os motoboys ?

Que diferença ! Sem buzininhas intermináveis, ameaças de quebrar o espelho ou vultos passando entre nós.

Dá pra ficar bravo?

PS: Obrigado a todos que postam nos fóruns ! Nao tenho respondido individualmente porque ainda estou sem conexão e dependendo de lan. Mas to de olho aqui,viu. Brigadão !

Daqui do Sul

Já falo do Sul.

Engraçado prestar atenção no jeito das pessoas aqui em Porto Alegre.

Além do sotaque, os costumes, o jeito de ver a vida, de se comunicar….é diferente de uma megalópole como São Paulo onde cultura do mundo todo se mistura e vira uma coisa só : o jeito de SP.

 Aqui as pessoas são mais tradicionais, regionalistas mesmo. Adoram onde estão e o que são, e falam do seu povo com muito orgulho.

 Como toda Capital, Porto Alegre também tem correria, violência, pobreza ( os farois aqui sao povoados por pedintes), flanelinhas, etc…Mas tudo em menor escala.

 O clima é outro, as pessoas são diferentes e as distâncias menores.

 Pra eles, congestionamento é ficar mais de 5 minutos pra andar 100 metros. – melhor não comentar como está SP.rs –

Estou feliz por poder olhar a vida com outro ritmo, sob outra perspectiva, dar um tempo na Redenção e ver o povo tomando chimarrão.

Estava precisando disso.

As vezes a gente precisa sair do nosso mundo e reconstruir outro.

As vezes nos enxergamos dentro de uma estrtura que não mais satisfaz, e é necessário coragem pra quebrar tudo e construir uma nova.

 Aqui to fazendo isso.

Aqui estou aprendendo e, como sempre, em cada lição, mais força e um novo jeito de olhar as coisas.

Eterno enquanto dura.

A história das coisas

Hoje eu assiti ao documentário ” The story of stuff ” ( a historia das coisas).

O filme mostra que tipo de reflexos o consumo desenfreado produz no mundo e nas pessoas.

Esse assunto me chama a atenção, já que é cada vez mais claro o modo como as pessoas buscam no consumo respostas as suas necessidades mais básicas.

Compre para ser, é a mensagem da publicidade o tempo inteiro.

Deus quer que você tenha, é a mensagem em muitas religiões.

Vivemos em um mundo regido sob as leis do consumo e da irresponsabilidade, sem ao menos pararmos para pensar para onde estamos indo.

Aqui embaixo o povo luta, trabalha em dois ou tres empregos, deve pro banco, excede limite do cartão, cheque especial, para acreditar que é especial porque tem aquele carrão ou ser aceito por usar determinada grife.

Pagamos o preço pelo nosso estilo de vida com cidades congestionadissimas e violentas, com o planeta chegando no limite, com gente deprimida e dependende de remédios.

Ninguém para pra pensar porque, mesmo sabendo que participamos dessa roda vida, não mudamos as coisas.

Se aqui embaixo é assim, lá em cima, onde poucos mandam, o mundo e as pessoas são vistas como números, ferramentas para manter a roda ativa pois, enquanto consomem, não pensam.

As grandes empresas, governos, religiões e os grandes poderes financeiros ( incluindo o narcotráfico) trabalham de mãos dadas para nos levar ao mesmo lugar.

Barre o senso critico na mesma medida em que aumente a volupia pelo consumo, e terá gente facilmente manipulada.

Você será guiado pela frágil aparência e escravo de uma roda inssaciável.

Até porque basta o mínimo de inteligência para saber que a maneira mais eficaz para dominar, não está na imposição, mas nas sutilezas.

Trabalhe para fazer com que as pessoas acreditem que precisam do que você tem, crie regularmente ambientes de insegurança e se apresente como salvador, sutilmente relacione felicidade com bens de consumo, faça com que trabalhem mais, com que se cansem e se distanciem dos outros, incentive a formação de grupos fechados e distantes uns dos outros e faça com que todos adotem como referencia padrões de comportamentos que lhe sejam conveniente, estimulados em filmes, propagandas, novelas… e terá um povo seu.

Contribua para que a pobreza aumente e, quando estiverem miseráveis, de um bolsa familia qualquer e terá grandes indices de aprovação.  Não invista em eduação porque isso não gera voto.

Traga muitos fiéis a sua igreja com promessas de prosperidade e terá templos cheios.

Faça o mundo acreditar que precisa de você, e dominará.

No fim, são retratos do mesmo quadro onde todos nós estamos e só com a consciência de sabermos o que vale de verdade cada coisa é que , talvez, possamos sair dessa.

Se você conseguir mudar seu mundo, já será um grande passo.

Para quem quiser ver o video que comentei acima, entre no: http://www.atitudeverde.com.br/ , desca a tela até ” a história das coisas”. Vale a pena.