Vote em mim!

Se tem algo enrgraçado nas campanhas políticas municipais, são as campanhas para vereador.

Na TV, tentando fazer o eleitor entender sua mensagem em poucos segundos, apelam para, desde frases de efeitos a gritos de guerra ou fantasias de carnaval.

Tem também aqueles que, tentando atingir determinado público e, acreditando que esse determinado público é burro, se limitam a dizer : ” Gremista vota em gremista, José da Silva” ou ” irmão Isaías, sou evangélico”.

Mas, na minha opinião, o pior está nas campanhas de rua.

Como aqui em Porto Alegre não temos a lei cidade limpa, banners, outdoors, faixas, lambe lambe, poluem a cidade com a foto do pretendente e slogans absurdos como : “José da Silva, em favor da casa própria” ou “Mais saúde para sua família, José da Silva” ou então “Educação para todos, José da Silva vereador”. Como se um vereador pudesse prometer tais coisas.

E os carros de som ? Andam em velocidade baixa atrapalhando o trânsito e tocando horriveis marchinhas de político em altíssimo volume. Pelo menos nesse caso o político é mais claro: mostra ainda na campanha que não tá nem aí com ninguém.

Em Pelotas uma candidata a prefeitura usa o fato de ser negra para ,no jingle de campanha, dizer: “Nos Eua o Obama e aqui a fulana”. Aliás , por falar em Obama, o que tem se usado a palavra “mudança” (lá ele usa “change” ) nas campanhas é absurdo!

Tem Capitais onde nitidamente os lideres de campanha o são pelo simples fato de serem apoiados pelo presidente. “Fulana é amiga do Lula e ele vai dar mais dinheiro para nossa cidade”, pensam alguns. Simples assim.

De duas uma: ou o eleitor é muito ingênuo ou os candidatos não tem noção do que prometem. Ou serão as duas coisas?

Em um país onde o voto é obrigatório e as pessoas sequer lembram em quem votaram nas últimas eleições, vale qualquer coisa para chegar ao poder. Distribuição de benefícios, compra de voto, promessas falsas e muita, muita cara de pau.

São eleitos e re-eleitos sem cumprir o que prometem, ao mesmo tempo em que apontam números e estatísticas que sabem; ninguem entende e nem vai comprovar.

Elegem sem saber porque e, muitas vezes, por simpatia, para “não perder” e escolher quem está liderando as pesquisas ou em busca de benefício próprio como possibilidade de emprego, cesta básica ou dinheiro.

No fim das eleições veremos mais do mesmo. Gente comemorando, outros lamentando , discursos de posse e depois a realidade.

Sempre achei importante votar e, pela primeira vez, vou justificar o voto por estar fora de São Paulo. Confesso que estou achando bom.  

Acho cada vez mais difícil dar meu voto a alguém já que, mesmo os que podem ter algo a dizer, sabem que quem elege é o “povão” e, para atingi-los, pode tudo, menos tentar ser lúcido no discurso e comedido nas propóstas.

Tem que ter show, músicas, sorriso, emoção e promessas, muitas promessas e quem tentar ser sério, certamente não se elegerá.

Os que tem reais preocupações sociais sabem que para serem eleitos precisam, desde financiamento de empresários( o que já compromete seu mandadato com o pagamento de tais “favores”) até a imbecilização do discurso de tal maneira que, os mais críticos e honestos, abrem mão da política e tentam outros caminhos, deixando livre para os oportunistas as cadeiras no legislativo e executivo.

Em breve teremos gente nova ocupando os lugares dos mais velhos, discursos de renovação e, no fim das contas, mais do mesmo, tudo de novo.

Acho que merecemos.

Enquanto estivermos conformados com esse tipo de política e não cobrarmos dos eleitos mais, estaremos a merce desse tipo de gente com discursos vazios, sorrisos, beijos em crianças e pouquissima preocupação social.

Dizem que cada povo tem o governante que merece e, pelo que vejo nas ruas, infelizmente, acho que essa máxima faz sentido.

E que venham as eleições !

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Clic.

Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.

— Aloa.

— Quem fala?

— Com quem quer falar?

— O dono desse telefone.

— Ele não pode atender.

— Quer chamá-lo, por favor?

— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?

— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.

Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.

— Aloa.

— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.

— Ele já vai sair do banheiro.

— Você é a…

— Uma amiga.

— Como é seu nome?

— Quem quer saber?

O cidadão inventou um nome.

— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.

— Primo do Amleto?

Amleto. O safado já tinha um nome.

— É. De Quaraí.

— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.

— Pois é.

— Carol.

— Hein?

— Meu nome. É Carol.

— Ah. Vocês são…

— Não, não. Nos conhecemos há pouco.

— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.

— Eu também não sei o endereço dele.

— Mas vocês…

— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.

— Ah.

— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.

— Ele disse que comprou?

— Por que?

O cidadão não se conteve.

— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!

— Não acredito.

— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.

— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.

E Carol desligou de novo.

O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.

— Aloa.

— Carol, é o Tobias.

— Quem?

— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.

— Ele continua no banheiro.

— Em que motel vocês estão?

— Por que?

— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto…

— Recém nos conhecemos.

— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?

— Esta é a primeira vez.

— Vocês nunca tinham se visto antes?

— Já, já. Mas, assim, só conversa.

— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.

— Pensei que fosse goiano.

— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano…

— Não, não. Eu é que pensei.

— Carol, ele ainda está no banheiro?

— Está.

— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!

— Mas…

— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.

— Ele esta saindo do banheiro.

— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.

Clic.

Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.

— Aloa.

— Carol, onde você está?

— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.

— Carol, eu…

— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.

O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:

— Como ele vai devolver o telefone?

— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.

— Carol, não…

Mas Carol já tinha desligado.

O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.

—Aloa.

Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.

— Carol, é o Torquatro.

— Quem?

— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!

— Mas ele disse que vai devolver na…

— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.

— Então você também mentiu!

— Carol…

Clic.

Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um “Alô” de homem.

— Amleto?

— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.

— Olha aqui, seu…

— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?

— Só quero meu telefone.

— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?

— Quero meu celular de volta!

— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol…

— Ladrão

— Executivo

— Devolve meu…

Clic.

Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.

— Ahn?

— Quem fala?

— É o Trola.

— Como você conseguiu esse telefone?

— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.

— Onde você está?

— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.

— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.

— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo…

— Onde você está? Eu quero saber onde!

— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e…

Extraído do livro “As Mentiras que os Homens Contam” de Luis Fernando Verissimo, Editora Objetiva – Rio de Janeiro, 2000, pág. 41.

Do laranjal.

Esse fim de semana fui á Pelotas, Sul do Estado.

Gosto de andar pelo Laranjal, caminhar sobre a ponte dos pescadores, sentir o vento gelado e o barulinho das águas.

Enquanto andava, pensava o quanto minha vida mudou em pouco tempo.

Há um ano eu estava em uma correria louca, cinco horas no ar sem parar de falar, trânsito, caminhos alternativos, cheio de ideias e ideais.

É quando você sabe que é a oportunidade de plantar , mesmo sem saber quando vai colher.

No fim do ano passado eu vinha sentindo alguns desgastes no trabalho. Talvez meu ritmo e a intensidade em que eu colocava em tudo fez mal a algumas pessoas,criou insegurança em outros, e a coisa foi agravando até chegar ao ápice ,primeiro em fevereiro, depois em junho desse ano.

Quando saí de SP, vim em busca de algo que na minha terra dificilmente teria: A oportunidade de parar e cuidar de mim e dos meus.

Fui com o Flavinho e as conversas me fizeram muito bem ! Tiramos fotos, brincamos,o cheiro constante de churrasco, o ar gelado, os praticantes de wind surf, pássaros….

Claro que tenho sentido falta do ritmo, das rádios, do povo, mas não vim aqui atrás disso.

Estou escrevendo pra lembrar que as vezes é preciso ter coragem para abrir mão.

Nunca é fácil deixar coisas e pessoas que você gosta de lado mas, feliz aquele que sabe reconhecer quando é hora.

Já que a vida é uma só, é importante reiventar-se e criar outros contextos. Fugir dos mesmos padrões, ser diferente em você e aprender a se ver como nunca viu.

Porque as vezes, apesar das chances que nos aparecem pelo caminho, preferimos ignorar e reinventar os mesmos padrões?

São tantos ventos que as vezes nem percebemos se estamos levando ou sendo levados.

Tente, ao menos uma vez, tomar as redias da sua vida, se arriscar sem culpas ou medos e ver o que dá.

Além da coragem , tudo o que você precisa é do primeiro passo.

O clube Bilderberg

Há muito se fala sobre a possibilidade de um poder mundial único, onde finanças, educação, cultura, religião, viessem de um mesmo ponto de partida e convergissem para o mesmo lugar.

De crenças esotéricas a teorias da conspiração, muita coisa foi e continua sendo dita.

Entre tantas vozes, acredito que algumas mercem reflexão.

Por manter certa coerencia ou quantidade de fontes e indicios, o jornalista Daniel Estulin parece ser uma dessas vozes.

Aqui reproduzo uma entrevista onde ele fala mais sobre ” O clube Bilderberg”.

Se tiver tempo, leia

Seja crítico, retenha o que vale reflita:

Os superdonos do mundo
Por Denise Mota

         

Dos Beatles ao 11 de Setembro, tudo teria sido planejado pelo secreto Clube Bilderberg, diz o jornalista Daniel Estulin

Existiria um clube formado pelas maiores fortunas e as personalidades poderosas do planeta, cujas reuniões anuais, bem longe dos olhos da multidão, determinariam os grandes acontecimentos do planeta. Este clube teria promovido a ascensão dos Beatles, teria feito eclodir o caso Watergate e agido com firmeza para definir o resultado das últimas eleições norte-americanas.

Esta organização de “auto-eleitos”, criada há 52 anos, seria composta por todos os presidentes dos EUA vivos, os dirigentes da Coca-Cola, da Ford, do Banco Mundial, do FMI, da Otan, da OMC, da ONU, diversos primeiros-ministros, representantes de várias casas reais européias e dos mais influentes meios de comunicação, por Henry Kissinger, pelas famílias Rockefeller e Rotschild, entre outros. Seria uma sociedade secreta, aristocrática e global, que controlaria não só os governos mais poderosos do mundo, mas que também decidiria os rumos de todos os setores da vida sobre a Terra.

Parece ficção. Ou um filme de suspense de Hollywood. Ou um daqueles spams paranóicos que circulam na internet. Mas não é nada disso: trata-se do tema do livro “A Verdadeira História do Clube Bilderberg”, escrito pelo jornalista lituano Daniel Estulin, de 40 anos, suficientemente conhecido em seu métier para arriscar passar-se por tolo. Se tudo não passa de mais uma elaborada teoria da conspiração ou se o que Estulin apresenta são “fatos”, como ele define, cabe ao leitor decidir.

Estulin não se esquiva de dar a lista completa dos que freqüentam ou alguma vez estiveram nos encontros da dita organização. Os dados que coletou para compor o material que agora apresenta no livro -que foi lançado há pouco no Brasil pela Planeta (320 págs., R$ 39,90). O trabalho foi realizado parcialmente em equipe e com base em informes e reportagens de outros autores, igualmente indicados copiosamente em seu documento.

Devido ao livro, o jornalista conta que há muito tempo deixou de ter uma vida normal e vive “24 horas por dia sob proteção de diversas equipes formadas por ex-agentes especiais da KGB”. As investigações que leva adiante lhe causaram, ele diz, atentados dignos de James Bond: em um deles, uma mulher estonteante num vestido de seda vermelho teria tentado seduzi-lo, sem sucesso, num quarto de hotel. O objetivo era depois jogar-se pela janela e implicá-lo num caso de homicídio. Em outro, após se encontrar com um informante, o jornalista teria percebido a tempo que, do elevador em que estava prestes a entrar, havia sido retirado o piso.

A seguir, o autor detalha os temas em pauta na reunião dos “bilderbergers” neste ano -entre os quais esteve a política na América Latina- e os planos gerais do clube, que dominaria também todos os aparatos de segurança, defesa e inteligência de alcance internacional. Num novo livro sobre a organização, lançado recentemente na Europa, Estulin narraa como o clube teria sido criado pelo príncipe Bernard da Holanda e estaria envolvido no tráfico de drogas e na eclosão da cultura de massas.

*

Seu livro apresenta considerações graves, mas não ganhou muita repercussão na mídia internacional. O sr. acompanha a trajetória do seu livro nos diferentes países em que está sendo publicado?

Estulin: Se você se refere à mídia mainstream norte-americana, sim, você está certa, eles têm me ignorado bastante. No entanto, em termos mundiais, vendemos os direitos do livro para 34 países, em 21 idiomas, incluindo Japão, França e Alemanha. Também assinamos um contrato com um estúdio independente de Hollywood para fazer um longa-metragem baseado em “A Verdadeira História do Clube Bilderberg”. Sem dúvida, na Europa meu livro vem tendo enorme aceitação nos meios maciços. Somente na Espanha, na semana passada, com o lançamento de meu segundo livro sobre os bilderbergers, tivemos cerca de cem entrevistas em TV, rádio e jornais.

Sei que na Venezuela e na Colômbia, por exemplo, a primeira edição do livro se esgotou em menos de quatro horas. Que no México se tentou banir a publicação, mas que, devido ao apoio popular e à internet, finalmente cederam e agora o livro está vendendo extremamente bem. Não sei como está sendo no Brasil, visto que ele acabou de sair por aí.

Embora o sr. seja um profissional de comunicação conhecido, esperava que um grupo editorial grande, como o Planeta, publicaria seu livro, levando em consideração as informações que traz?

Daniel Estulin: O grupo Planeta é um caso único no mundo editorial. O princípio que os guia é a qualidade do trabalho, nunca considerações políticas. Naturalmente, tive mais de uma reunião com os advogados da Planeta para revisarmos o conteúdo. Chegaram a ter um pesquisador designado exclusivamente para averiguar a veracidade de minhas fontes. Quando todas as mais de 1.000 fontes que incluo no meu primeiro livro se mostraram corretas, a Planeta deu sinal verde para que a obra fosse publicada.

De acordo com suas investigações, o clube tenciona, em resumo, dominar o mundo e todos os seres humanos através da instalação de um único governo e um só exército, sistema jurídico, econômico e educacional, utilizando para isso os mais importantes meios de comunicação e sofisticados métodos psicológicos. A ONU seria uma fachada para todos esses procedimentos. O sr., além de jornalista e escritor, é também especialista em comunicação corporativa, tendo assessorado diversos altos executivos na apresentação de conferências de negócios. As pessoas estão preparadas para entender e acreditar no que está dizendo?

Estulin: Existem apenas duas maneiras de entender meu livro. Ou você o descarta logo de entrada, como um produto de puro nonsense, e continua a viver a sua vidinha feliz como sempre, ou você questiona o que eu digo e desenvolve o seu pensamento crítico.

As pessoas sempre souberam e suspeitaram que os governos não controlam totalmente seus próprios destinos. Que por trás de mortes “inexplicáveis”, assassinatos políticos e outros fatos estranhos se esconde algo muito maior e não tão fácil de ignorar. O que fiz em “A Verdadeira História do Clube Bilderberg” foi dar nomes e rostos a atos malignos. Além disso, ninguém até agora conseguiu refutar a veracidade e a precisão de minhas investigações, que incluem fotos e documentos.

O sr. diz que esse livro tem o objetivo de “desmascarar a Nova Ordem Mundial”. Mas, por vezes, o leitor tem a impressão de estar acompanhando uma história de James Bond. O sr. teve essa preocupação em mente, a de que as pessoas -devido ao fato de as informações serem tão fantásticas- acabariam mais interessadas no lado “aventureiro” de sua vida, e não propriamente no que está tentando mostrar?

Estulin: Claro, os bilderbergers atraem uma mescla muito estranha de teóricos da conspiração e loucos indiscutíveis. O fato de que um grupo de pessoas muito poderosas se reúna secretamente uma vez por ano, sob a proteção de uma multidão de membros da CIA, do Mossad, do MI6 e de empresas de segurança da mais alta estirpe, dá margem para as mais disparatadas hipóteses, como a que chama os bilderbergers de Illuminati ou a que postula que os antecessores dos bilderbergers foram os autores do Priorado de Sião. Ou ainda uma que conheci na conferência do clube neste ano, onde um manifestante me contou, em tom confidencial, que “o rei dos bilderbergers é o superior-geral da Companhia de Jesus”.

Tudo isso é puro nonsense e me mantenho o mais longe possível dessas pessoas. Como jornalista investigativo, não lido com teorias conspiratórias, lido com fatos conspiratórios. Tudo o que conto está baseado em evidências amplamente documentadas. O que é uma das razões pela qual os bilderbergers nunca tentaram contestar a veracidade de nada do que escrevo.

Quais teriam sido os principais temas e decisões da reunião do clube em junho deste ano, no Canadá?

Estulin: Energia, claro, foi o item principal na agenda deste ano. Como informei no meu relatório sobre o Bilderberg no ano passado, a sociedade secreta está extremamente preocupada com um fenômeno chamado “Peak Oil” (petróleo no limite ou pico petrolífero). Foi revelado por minhas fontes, membros “full time” da elite bilderberger, que em um dos fóruns de discussão liderados por Henry Kissinger, os bilderbergers estabeleceram um preço de US$ 150/barril dentro dos próximos dois anos. Isso foi em 2005, quando custava US$ 39. Dobrou desde o ano passado. Se dobrar novamente neste ano, teremos atingido a estimativa dos bilderbergers de US$ 150 o barril.

Eurásia foi outro item importante na lista de discussões. O resultado da reunião matutina do sábado, 10 de junho foi que os integrantes europeus do clube estão convencidos de que os EUA têm sido prejudicados por uma política externa combinada entre a China e a Rússia em sua agora óbvia estratégia de controlar a maioria das fontes de petróleo e energia do Golfo Pérsico e da bacia do Cáspio na Ásia Central. Um bilderberger francês chegou a classificar essa como a pior derrota diplomática dos EUA em meio século.

O Iraque também foi destaque na agenda, com Richard Perle (ex-presidente do conselho de política de defesa do Pentágono) no comando do fórum de debates intitulado “E Agora?”, em clara referência a um Iraque pós-Zarqawi. Perle falou da necessidade de encontrar uma nova estratégia para o Iraque, agora que Zarqawi (suposto representante da Al Qaeda no país) está morto.

Um representante francês disse então que os EUA não tinham uma nova estratégia para o Iraque e que vender idéias usadas e falidas como algo novo era uma farsa e um insulto. O que é mais significativo, no entanto, é que outro bilderberger, quando fez uso de sua vez para falar, disse que “é muito mais fácil começar guerras do que terminá-las” e que o fim dos conflitos no Iraque dependia da resistência, e não do governo norte-americano.

Além disso, o clube está preocupado se o presidente venezuelano Hugo Chávez, vai usar o petróleo como arma para bloquear a expansão do Nafta na América Latina. Um representante americano expressou a “necessidade de levar em conta uma possibilidade real de a Venezuela lançar mão da manipulação de estoques e preços de petróleo para formar uma união econômica que incluiria Brasil, Cuba e México”. Seria um acréscimo à lista de obstáculos dos bilderbergers na América Latina, especificamente a recusa em aderir ao Nafta, o que arruinaria o permanente objetivo dos bilderbergers de expandir o bloco no Ocidente para transformá-lo em uma “União Americana”, a exemplo da União Européia.

Também foram designadas estratégias específicas para lidar com os anúncios de Chávez de que estabeleceria novas taxas às companhias que extraem petróleo de seu país. A rainha Beatrix da Holanda e companhias como Exxon Mobil Corp., Chevron Corp, Conoco-Phillips, Total, BP PLC e Norway’s Statoil ASA formam parte do Clube Bilderberg. Outra questão de real preocupação é a atitude desafiadora de Chávez, ao oferecer petróleo a preços baixos para localidades empobrecidas nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. “Isso estabeleceria um precedente negativo”, disse um bilderberger americano.

O sr. fala russo, italiano, espanhol, inglês, tem amigos espiões e informantes de dentro do clube, segundo deixa entrever no livro. É neto de um oficial da KGB e seu pai foi um cientista submetido a torturas da polícia secreta soviética. Em “A Verdadeira História…”, o sr. comenta esses antecedentes e como eles podem estar na raiz de sua “obsessão” pelo Bilderberg. Como vive hoje, levando em conta que estaria desafiando há 13 anos o que seria a organização mais poderosa do mundo?

Estulin: Infelizmente, não tenho uma vida normal. Estou, 24 horas por dia, sob proteção de diversas equipes formadas por ex-agentes especiais da KGB. Como resultado das minhas investigações, perdi alguns amigos queridos, que decidiram ser mais prudentes e preferiram não ter nada a ver comigo do que arriscar serem mortos. Respeito suas atitudes, embora, como é compreensível, isso me entristeça enormemente. De modo geral, entretanto, a maioria das pessoas que amo e respeito mantém uma amizade muito estreita comigo, mesmo sob perspectivas tão assustadoras.

Meu avô foi coronel da KGB e acho que contraí o “vírus do espião” com ele. Sempre fui fascinado por mistérios e pela elucidação de crimes. Creio que o jornalismo investigativo da natureza que pratico seja uma combinação dos dois. A sensação de encontrar um tesouro escondido -seja literal ou metaforicamente- é algo que apenas aqueles que dedicam suas vidas a descobertas pode realmente entender.

Quando resolvo um mistério, seja o comércio de drogas internacional controlado pelo Bilderberg, que me levou quase uma década para desvendar, ou a história real por trás da crise Watergate, que retirou do poder um presidente eleito legitimamente, ou a verdade da tentativa de assassinato do papa João Paulo II, me sinto como imagino que Howard Carter deve ter se sentido em 1922, quando descobriu a tumba praticamente intacta do faraó egípcio Tutankamon. Isso ocasionou um renovado interesse público no Egito antigo. Com meu trabalho, espero conquistar a crença do público geral e ajudar a expor o mundo secreto conhecido como Clube Bilderberg.

Que precauções o sr. toma no dia-a-dia?

Estulin: Eu não trabalho sozinho. Nenhum mortal poderia ter acesso a tanta informação exclusiva sem a ajuda de forças extremamente poderosas, cuja identidade nunca poderei revelar. Sou simplesmente a face pública de uma organização secreta muito poderosa que trabalha contra os bilderbergers.

Tudo começou no início dos anos 90, quando os últimos vestígios do Império Soviético estavam desmoronando. Durante um jantar, um amigo, membro do aparelho de inteligência da KGB, me contou de uma organização secreta muito poderosa conhecida como “os Bilderbergers”. Por trás dessa sociedade está uma rede contemporânea de poderosos interesses comerciais e bancários no modelo oligárquico financeiro da Veneza medieval conhecido como “fondi”.

Companhias britânicas e holandesas, antecessoras do Clube dos 300 e dos bilderbergers, são exemplos desses bancos privados. O objetivo final é uma sociedade pós-industrial. Hoje, a real denominação a essas pessoas é “sinarquistas”. O “sinarquismo” é usado para definir um novo conceito de alianças políticas em uma irmandade internacional de financistas e industriais através da união de socialistas e anarquistas baseados em princípios fascistas.

De acordo com um informe altamente secreto de 18 páginas da inteligência militar francesa, datado de julho de 1941, um resumo de um dossiê de cem páginas sobre os grupos sinarquistas franceses, “o objetivo do movimento sinarquista é essencialmente derrotar todo país onde existam regimes parlamentares considerados insuficientemente dedicados aos interesses desses grupos e, portanto, difíceis demais de controlar devido ao número de pessoas requeridas para tal fim”.

Portanto, não é tão difícil entender que a intenção por trás de todo e qualquer encontro dos bilderbergers é criar uma “aristocracia de proposta” sinarquista entre a Europa e os EUA, e como chegar a um acordo em questões de política, economia e estratégia para, em conjunto, controlar o mundo. A Otan foi a base essencial de operações e subversão para eles porque habilitou-os a encenar seus planos de guerra perpétua ou, ao menos, sua política de chantagem nuclear.

O sr. trabalhou para grandes grupos como Walt Disney, General Electric, Bristol-Myers Squibb, Shell, Peugeot, Iberia e Telefonica. O fato de serem companhias com enorme poder econômico afetou o seu trabalho?

Estulin: Não exatamente. Há muitos anos atrás, antes de a loucura bilderberger me deixar financeiramente independente, auxiliei executivos de corporações internacionais a preparar apresentações de negócios e assessorei-os na arte de falar em público. Desnecessário dizer que esses dias acabaram.

O sr. também escreveu no livro que “a felicidade só é inteligível sob ameaças”. Essa foi a fórmula que lhe permitiu unir vida pessoal e seu principal propósito, que é destruir o Clube Bilderberg? Pode-se entender assim?

Estulin: Não estou tentando destruir nada. Os ideais dos bilderbergers podem ser facilmente detectados na história. Os romanos tentaram, em vão, criar sua própria versão de um governo mundial, o chamado Império Romano. Eles não tinham o conhecimento de hoje em como subjugar a população à sua vontade. O que os bilderbergers estão tentando fazer é criar uma Companhia Mundial em que todos, dos governos às pessoas, serão subservientes a eles.

É o que eles chamam de Governo do Mundo Único. Eu simplesmente não desejo viver sob essas condições opressivas, e meus livros lançaram a luz da verdade sobre os planos do Bilderberg. Mais do que qualquer coisa, entretanto, eu desejo que as pessoas adquiram pensamento crítico, algo que lamentavelmente está faltando nesta era de estupidificação da população.

O sr. lançou um segundo livro sobre atividades do Clube Bilderberg que estariam vinculadas a nomes máximos da indústria cultural -incluindo os Beatles, os Rolling Stones e a MTV- e ao tráfico de drogas. Os Beatles foram uma invenção dos bilderberger?

Estulin: Acho que seria mais preciso dizer que a idéia da música popular foi uma criação Bilderberg-Tavistock. Eles chamavam a isso “mudança de paradigma” da sociedade. Os Beatles, com seus rostos inocentes, inauguraram o rock moderno. No início dos anos 60, não eram mais do que uma banda de música.

O advento de uma rebelião juvenil espontânea contra o antigo sistema social, nos anos 60, assim como os Beatles, foi parte de uma enorme experiência de massas -engendrada governamentalmente e dirigida secretamente pela Divisão de Armas Psicológicas britânica)- sobre condicionamento cultural na sociedade contemporânea, que foi supervisionada pela CIA, pelo MI6 britânico e pelo Instituto Tavistock, utilizando drogas psicodélicas/psicotrópicas altamente poderosas para alteração da mente, bem como novas informações obtidas de estudos sobre comportamento humano, por meio do rádio e da televisão.

Em que o sr. está trabalhando agora?

Estulin: Em um livro sobre o Instituto Tavistock de Relações Humanas, o primeiro instituto de lavagem cerebral no mundo, responsável por modelar o declínio moral, espiritual, cultural, político e econômico do Ocidente. E também vou escrever um livro sobre a nobreza veneziana e o modo como controlaram a Inglaterra em 1588. A propósito, os novos venezianos são os atuais bilderbergers.

Publicado em 11/11/2006 .

Denise Mota
É jornalista. Vive em Montevidéu.

Assista o vídeo

http://www.ireport.com/docs/DOC-62656

Fé.

Outro dia coloquei a palavra “ateistmo” no Youtube.

Desde inflamados discursos religiosos em defesa do ateísmo, até gente mediocre tentando ser advogado de Deus.

Não consigo diferenciar os críticos dos defensores.

Com paixão e ódio defendem a fé na fé ou a fé na falta de fé mas, sempre com fé, religiosamente, se posicionam em defesa de um “ismo” sem saber que o defendem ou criticam está ligado a outro “ismo”: o fundamentalismo.

Ateus anulam a possibilidade da existência de Deus e como argumento criticam a religião ( como se Deus e religião fossem a mesma coisa) e ou religioso, da mesma maneira, defende a religião porque ela, a religião, é seu deus.

A fé e o ódio a uma instituição vem do mesmo lugar, onde a expectativa foi criada a favor ou contra algo, mas nasce sempre de um coração religioso: seja religioso na confissão de fé ou religioso na postura de negação.

Por isso não se suportam.

Com raiva defendem seu deus, seja ele chamado de deus, fé, ciência, ateismo, dinheiro, buda, igreja, pastor, dinheiro ou qualquer outro nome.

Onde estiver seu coração, ali estará seu tesouro.

Vivemos em dias de muitos deuses.

Cada um tem um nome e seus seguidores, sempre fervorosos, tentam se auto convencer de que estão certos.

Criam fórmulas, discursos, concentrações que só pioram as pessoas.

Você pode ser devoto até da falta de fé, mas se o fizer com ódio ou sensação de superioridade, estará sendo tão fundamentalista quanto o que critica.

Você pode ser devoto de qualquer religião ( mesmo que a chame de outra coisa), mas estará se contradizendo sempre que acreditar que é dono da verdade e sabedor da fórmula que te dará acesso a Deus.

Corações abertos, mentes pacificadas e espiritos livres são raros.

Gente que aceite viver sem barganhas é dificil encontrar.

Ter fé sem deixar que a domestiquem, poucos tem.

Se é tão difícil entender que é no caminho, no chão da vida e no palco da existência que eu posso ser e me relacionar com o outro e com Deus, sem mascarar minhas ambiguidades e fraquezas, prefiro ir por esse caminho.

Pelo menos nele as multidões não me sufocam e o julgamento dos piedosos não pesam.

Geralmente é distante da média que me encontro. Sem embates apaixonados ou defesas do indefensável.

Se o templo sou eu, prefiro não sacralizar o que é feito de tijolo e nem tentar aparentar o que não sou.

Enquanto brigam por minha alma, prefiro ficar quieto sabendo que é no silêncio que me encontro, sem técnicas que tentam me fazer sentir especial.

Ser humano é preciso e, já que é assim, que seja em paz, por graça e por fé.

Alma Pastosa.

Alma pastos

Tenho ouvido cada vez mais que o Brasil vive um momento mágico.

Números da economia revelam que as coisas vão bem e o aumento do consumo denuncia que as pessoas estão comprando cada vez mais.

Mas o aumento do consumo nem sempre é referência ideal a medida em que a dependência de financiamentos com juros astronômicos é o que mantém as pessoas primeiro consumindo, depois se endividando.

Lojas de varejo, roupas, supermercados, eletrodomésticos, móveis, viraram verdadeiros bancos com cartões próprios e incentivando as “parcelas”.

Geralmente embutem os juros no preço total de tal maneira que o consumidor não ve vantagens em comprar a vista.

O que tem acontecido no Brasil – e no mundo – é um grande estímulo ao consumo.

Aliás, é o consumo que move a economia do mundo.

Se os difíceis anos de inflação não permitiam a aquisição de bens com facilidade, hoje as “pequenas” parcelas estimulam e muito aqueles que não conseguiam comprar.

Enquanto somos bombardeados com informações do que é bom, bonito e virtuoso, tentamos seguir um padrão acreditando que é consumindo que chegaremos lá.

Já não me incomodo se existe corrupção, se tem gente sofrendo ou se a longo prazo todos sairemos perdendo, se hoje eu puder me beneficiar.

Beneficio é a palavra !

Nas mensagens religiosas, discursos politicos, campanhas publicitarias a idéia é fomentar no povo a sensação de que o beneficio é imediato, merecido e virá , desde que você consuma. E aí cada um oferece seu produto.

Assim, nos levam a alma.

Se a vida é tão difícil e todo mundo quer levar vantagem, eu só quero saber de me dar bem custe o que custar.- pensam.

Claro que nem todos são assim, mas se você parar para pensar, em maior ou menor grau todos temos um pouco disso.

Você cede a medida que lhe convém.

Conhecedores dessa condição, politicos, religiosos, empresários e “formadores de opinião” em geral fazem o jogo: nos dão a sensação de que eu posso , desde que…

Quando meus valores são baseados naquilo em que aparento ter ou ser, minha alma começa a virar pasta. Vai se moldando as circunstâncias, acomodando com as situações e perdendo a forma.

Mas para quem quer que eu consuma sempre mais, não é bom que eu seja eu. Melhor me convencer a tentar ser o Brad Pitt ou ela a Angelina Jolie.

Pensar, discernir os discursos, entender o que é bom, saber de que lado estou e como me posicionar não faz bem aos negócios.

Ter posição é difícil.

Tem vento soprando de todos os lados, mas todos levam para o mesmo lugar.

Nossas vidas não são geridas por ideais, mas por números e interesses que no fim das contas só servem para tapar vazios existenciais de gente que , por não ser, quer ter: Ter cada vez mais.

Eu estou sujeito a isso.

Por isso entendo que avaliar o que sou, re-checar minhas motivações, entender porque cheguei aqui e o que quero onde estou é fundamental, todos os dias.

Passar o scnanner na alma pode ser dificil mas diminui a chance que ela seja infectada pelo vírus da imbecilização.

Se você disser que contigo não é assim ou sentir que está livre desse ciclo, preocupe-se : provavelmente já está infectado.

Outro sintoma da infecção é quando deixo de me preocupar com o coletivo, acreditando que só vale o que acontece comigo.

Super aquecimento global vira papo de ecologista,  críticas ao capitalismo desenfreado vira conversa de comunista e preocupação com a alma das pessoas , história de religioso.

Quando esse sentimento é só meu, sou eu quem perde, mas quando ele se dissemina no inconsciente coletivo de um povo, todos perdem.

Estamos expostos a sutilezas diárias que procuram nos conquistar e como não se conquista sem expectativas, toda a sorte de possibilidades são lançadas.

Gostar de futebol, ir a igreja, comer churrasco com os amigos ou rir de tudo não é sinal de que estamos em paz.

Tenha coragem de se olhar no espelho e entender em que ponto você está nessa roda vida. Onde você quer chegar ? Quais suas reais motivações e porque ?

Faça isso.

Enquanto você aceitar ser o que os relatórios estatisticos dizem ou o que média espera, será tudo, menos você.

Coragem ! Por mais dificil que seja scannear a alma, saiba que do outro lado te espera alguém muito melhor.

Livre de esteriótipos e de dificil manipulação. De alma inteira e coração aberto, pacificado sabendo que os verdadeiros valores estão naquilo que sou.

Eu continuo nesse caminho e espero te encontrar nele.

Considerações sobre o Sono

Considerações sobre o sono

A pessoa que dorme está inteiramente só. Quando o homem dorme, o seu rosto se desmarca de todas as tramas e de todos os desgostos. Nada enternece mais uma mulher que o rosto do amante, dormindo. Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender. É quando a gente se parece menos com os mortos… é quando se está dormindo.  Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme.  No sono, a imobilidade das pessoas boas e confiantes é sempre desarrumada. Gente má dorme em posição de sentido. Cada travesseiro tem um lugar e uma importância definidos na vigência do sono. Não há nenhum abandono casual, nas pernas, nos braços ou na cabeça de quem dorme, porque o corpo realiza, desde que haja espaço, sua única posição realmente confortável. Experimente descobrir na mulher que dorme a seu lado, um ser infinitamente decente, muito além de sua capacidade de fazer-lhe uma razoável justiça. Quanta luz nos corpos despidos das mulheres claras! Seria uma demasia de requinte ou de louvação, fazê-las dormir sobre lençóis negros?  A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa (contente-se em enternecer-se, sem tocá-la). Se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais. Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela! Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança. A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens. Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança. Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.

Rio, 17/1/1956


Texto extraído do livro
O Jornal de Antônio Maria“, Editora Saga – Rio de Janeiro, 1968, pág. 42.