No ar! Pod Cast

O número de pessoas que acessa meu podcast é cada vez maior.

Lá você ouve, entre outras coisas, áudios de alguns textos postados aqui no blog, além da atualização semanal do Bem Brasil.

Para quem ainda não sabe, trata-se de um  programa apresentado por mim para a rádio Sines, em Portugal.

O programa dessa semana já está no ar, e você pode ouvi-lo, ou fazer download gratuitamente em meu podcast:

http://www.flaviosiqueira.podomatic.com

Musica nacional de todos os estilos e tempos, além de interpretação de textos, conversas e muito mais.

Acesse. Você vai gostar.

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Mentes invadidas.

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Houve um tempo em que as pessoas eram acordadas pelo galo.

Outras pelo sol.

Naquele tempo, o por do sol era convite para o sono, e os barulhos do dia tinham a ver com vento, vozes e bichos.

As distâncias eram maiores e o mundo enorme.

Computador, internet, televisão…não. Não tinha nada disso.

Em pouco tempo tudo mudou.

Ganhamos muito, mas pagamos bem caro.

Hoje somos despertados por barulhos agudos, encontrados por celulares, conectados pela grande rede que trouxe o mundo inteiro aqui para essa tela.

Somos bichos expostos pela nossa própria criação, e nos alimentamos de tudo o que nos invade:  sons, luzes, cheiros quase nos hipnotizam, e depertam impulsos na alma.

Somatizamos nossas produções até que elas saiam como síndromes, doenças, medos, angústias.

Isso porque tudo o que entra pelos sentidos, passeia no inconsciente e depois se manifesta de alguma forma.  O efeito coletivo disso é a produção da cultura que, como um ente, permanece acessivel ao inconciente coletivo em um processo de retroalimentação onde eu contribuo e ao mesmo tempo sou influenciado.

Por isso a necessidade de reconheçermos que tipo de energias tem nos invadido.

Que fantasmas povoam sua mente e o que invade seus sentidos ?

Para cuidar do que sai, antes pense no que tem entrado em seu coração.

Leve a sério seus pensamentos, sonhos, sentidos.

Muito mais do que nossos antepassados, somos expostos por estímulos o tempo todo e isso cria uma alma nervosa.

Pacificar o coração tem a ver com se preocupar com o que coloca nele.

Ande com consciencia, pois cada vez mais é preciso entender o tempo em que vivemos.

Somos invadidos o tempo todo, e precisamos saber o que tem nos habitado.

Parece bobagem, mas você não imagina o quanto isso é sério.

Carta direto da infância

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Como são as coisas quando a gente chega aí na frente ?

Meus amigos dizem que deve ser legal poder fazer tudo o que der na telha, comer o que quiser, dormir quando bem entender.

Sei lá, as vezes fico com medo.

Não conta pra ninguém, mas, lá no fundo, sinto que, chegando aí, a gente perde mais do que ganha.

É como se trocássemos nossa sabedoria pelo que chamam de maturidade, nossos sonhos por “realidade” e o coração vai murchando, murchando, murchando…

Posso até estar enganado, mas não vejo entre vocês o sorriso do Lucas, a alegria do Beto, a coragem do Matheus. Vocês fingem ser mais espertos, mas parece que sempre agem movidos pelo medo.

É por medo que abandonam seus ideais e viram realistas, que desistem de tudo o que falavam tanto quando estavam aqui em troca do que chamam de segurança.

Eu sei que um dia estarei aí, mas , por favor, me diga antes porque, chegando onde estão, vocês ficam tão bobões ?

Talvez assim eu me prepare e reforce a dose da bagunça, tome pílulas da imaginação e beba mais copos de alegria.  As vezes meus pais ficam bravos, mas acho que entenderão que é por um bom motivo.

Se não tenho como evitar que o tempo passe, que eu não me perca de mim e, como sou hoje,cresca sem medos e esquisitices.

Como sempre…

Para que o Estado sobreviva, é preciso que haja contribuintes.

Através dos impostos, cidadãos de um país, estado ou município, “rateiam” os custos de uma infra estrutura que inclui saúde, educação, forças armadas, saneamento básico, estradas e assim por diante.

Se ninguém pagasse impostos, tudo seria inviável, portanto, basta o mínimo de inteligência para entender que a sonegação faz mal para todos.

Mas tem o outro lado.

Aproveitando-se do direito que lhes garante a cobrança de impostos, governantes não medem esforços para enfiar goela abaixo dos cidadãos taxas para tudo.  20050713-daslu2

Veja o carro. Além do seguro origatório, tem IPVA, licenciamento, multas, isso para não falar do imposto embutido no preço da venda, combustíveis ( um dos mais caros do mundo) e cada peça desde o pneu até o voltante.

Quem paga por isso ?

Além do imposto sobre a renda (você leva mêses para pagar o governo), tem imposto sobre alimentos, lazer, roupas, tudo.

Sem os impostos o Brasil para, dizem em Brasília.

Ora, foi o mesmo que disseram quando se defendia a legitimidade da CPMF. No fim das contas, ela caiu. O que houve com aquele discurso de que seria o fim do país?

Desde ontem a imprensa repercute a prisão da dona da Daslu, condenada a 94 anos de prisão.

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Não a conheço e entendo que,se cometeu crime, deve ser punida. No entanto, diante dos escândalos de Brasilia, as mansões de políticos, os intermináveis diretores do senado, os “caixa dois” perfeitamente aceitos, os toma lá da cá confessos, o enriquecimento ilicito e visivel da maioria, o luxo, os abusos, os carrões, os grandes salários,todos com o nosso dinheiro. Como ficam ?

Um crime não justifica o outro, é possivel que alguém argumente, mas a questão não é essa.

Me refiro a desproporção da balança, onde, se de um lado tudo é possível, do outro o “Bicho pega”.

Punir crimes fiscais e de colarinho branco é preciso, tanto quanto é necessário que olhemos para o que tem sido feito com o dinheiro daqueles que vivem em um dos países que mais cobra impostos.

Se contratamos escolas para ensinar nossos filhos, seguranças para nos proteger, seguros de saúde, vida e automóveis, o mínimo que podemos fazer e perguntar onde está o dinheiro pelo qual pagamos para que o Estado nos desse tudo isso ?

Acontece que o povo não vê.

Não importa que o dinheiro seja desviado, se de alguma maneira eu me beneficiar, pensam.

Se o governo dá algum beneficio a minha categoria, ou me concede uma vantagem, está perdoado.

Todos roubam, pelo menos esse me ajuda, é o que dizem.

E com esse espírito, aceitam governantes corruptos, religiosos ladrões e ficam quietos.

E uma das maneiras para acalmá-los, é jogar um boi para as piranhas.

Elas se saciam, mordem, bradam, destróem e se contentam com as dores do boi, enquanto o rebanho sai de fininho, satisfeitos por escaparem.

E o mais triste é que será sempre assim.

Milhões pagam pelo luxo de poucos.

Todos nós, reféns, de uma estrutura que não demonstra o menor sinal de mudança. Como sempre na história desse país…

O show de cada dia.

Ja escrevi aqui sobre a quantidade de pedintes pelas ruas de Porto Alegre. Mais do que São Paulo, basta parar em algum farol que ele vem, sorridentes e, na grande maioria, cheios de histórias comoventes.

No entanto, dia desses algo me chamou atenção. Enquanto esperava o sinal verde, observava um homem, de no máximo 25 anos, nariz de palhaço e cones na mão.  3246723275_e9c3cb6e04

Debaixo de um calor beirando os trinta graus, ele fazia malabarismos e atraia a atenção dos motoristas que, no final da “apresentação”, separaram suas modinhas.

Claro que malabares em farol não é algo recente, mas chamava a atenção o empenho daquele rapaz em transformar aquilo em um pequeno show.

O farol abriu e saí pensando sobre o fato de que chegamos em um tempo onde, até para pedir dinheiro em farol, é preciso dar show.

Me lembrei de tanta gente que sai para o trabalho reclamando, achando que é merecedor de um bom salário só porque está lá.

Cada vez menos será assim.

Se você quiser se destacar em algo, seja o que for, permita-se inovar. Faça com prazer e que sua dedicação seja o diferencial.

Mais do que nunca, para dar certo, é preciso muito mais do que belos argumentos e uma carinha comovente.

Cada vez mais, é preciso dar show.

O bem e o mal que vive em nós.

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Cada um de nós, carrega dentro de si a capacidade de transformar acontecimentos amorais em bem ou mal.

Isso porque somos nós quem definimos o significado das coisas a partir do olhar.

Em determinado momento, decidimos ser portadores do conhecimento do bem e do mal e foi aí que esse conhecimento se instalou como possibilidades.

Só os humanos podem interferir no que vêem, e suas produções se estabelecem como mídia que acaba influênciando a cada individuo, tal como a coletividade.

Sim, porque tudo o que fazemos, pensamos, sonhamos e queremos, sai de nossos corações e se estratifica como energia que paira sobre a Terra.

Por estarmos bem mais conectados -uns com os outros e com a natureza- do que imaginamos, acabamos sofrendo interferência em um processo  que se retroalimenta em forma de cultura.

É por isso que textos bíblicos se referem a “principados” e “potestades” que dominam determinados reinos e  se alimentam de nossas produções.

Olhe para o mundo, veja os problemas combinados com as caracteristicas de cada região, e verá que é assim.

Só uma mente livre e um coração que abriu mão de conter o conhecimento do bem e o mal,  liberta nossos olhos do juízo que, no fim das contas, é o que determina como as coisas serão para nós.

E, sabia, assim como as coisas serão para nós, de fato serão.

Afinal de contas, antes de tudo, o bem e o mal que existe como possibilidade não está no que podemos tocar ou cheirar, mas dentro de cada um de nós.

Você consegue perceber ?

Contrato assinado.

Eu nunca tinha pensado em escrever um livro.

Apesar de gostar de ler e me interessar por todas as formas de comunicação, achava ousadia demais parar para escrever, não sei quantas páginas,seja sobre o que for.

Quem trabalha com publicidade ou mídia eletrônica, está acostumado com textos curtos, onde é necessário vender uma idéia em quinze, trinta segundos, no máximo um minuto.  Somos “programados” para condensar as informações, de modo que para nós parece um grande desafio esmiuçar uma idéia até que ela vire um livro.

No entanto, a medida em que comecei a escrever, senti que poderia tentar, e o resultado me surpreendeu.

Escrevi sobre muitas histórias vividas no rádio, especialmente as ligadas as situações de interação com os motoristas, e as relacionei com as experiencias que vivemos no dia a dia. Aqui um trecho do livro:

“Dentro de cada carro, um mundo particular com seu próprio cheiro, temperatura, som ambiente e vidros escurecidos, colaborando para que, ao invés de interagir, olhemos para a paisagem como uma projeção da tela do vídeo game onde o objetivo é vencer.

Cenários como esses, fazem parte da vida de milhões de pessoas nas grandes cidades, que são obrigados a conviver em contextos, onde, muitas vezes, tem que encarar situações extremas.

Mas o trânsito é só uma metáfora de nossas próprias vidas.

Lidando com ele sob a perspectiva dos motoristas necessitados por alternativas, tive que exercitar habilidades de intermediação, com ouvidos pacientes e coração cheio de disponibilidade.”

Quando terminei de escrever e percebi que tinha um ótimo material em mãos, comecei a pensar em qual seria a melhor maneira de publicá-lo.

Foi nesse processo que descobri o povo da editora Besouro Box e, desde o começo, veio a sensação de que seria lá.

Hoje assinamos o contrato para editar meu primeiro livro, e a intenção é disponibilizá-lo para as principais livrarias do país entre fim de maio, começo de junho.

Tudo aconteceu tão rápido que, como disse, me animei a começar a escrever o segundo. Agora estou no meio da construção de um romance que, se der certo, será lançado esse ano também.

Aqui no blog atualizarei as informações sobre lançamento e os caminhos que tomaremos.

Se você gosta do meu trabalho, agora poderá ter o livro.

Será muito bom se você ler.