“Onda”? Que onda ?

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Quando vi o Lula, Sergio Cabral, Michel Temer, Marcelo Crivella e cia pulando na TV em comemoração a conquista das Olimpíadas no Rio em 2016, confesso que senti medo.

Se por um lado a cidade ganha uma enorme quantia em investimento, por outro me preocupa para onde essa grana irá. Não me refiro exclusivamente ao bolso dos políticos com seus superfaturamentos de sempre, mas específicamente  ao poder paralelo que hoje comanda a ex cidade maravilhosa.

Quando vejo a imprensa se referir ao último confronto onde um helicóptero foi abatido como “onda” de crime, sinto um frio na espinha.

“Onda” é algo que vai e vem,  é ciclico,  nem sempre aparece.

No Rio é diferente. Lá o crime virou parte da cidade, moldou habitos, redefiniu padrões, estabeleceu um novo olhar. Onda? Que onda?

De balas perdidas a blitz de bandidos, tudo pode acontecer.

Ainda que eventualmente a TV acompanhe invasões policiais em morros e anuncie a morte de um bandido aqui ou apreensão de armas alí, parece que nada é suficiente para deter esse poder que parece que deixou de ser paralelo e se tornou o principal.

Tenho enorme dificuldade em crer que toda essa força tenha se estabelecido sem conivencia, sem conchavos, sem acertos ou participação daqueles que deveriam coibi-lo.

Parece que existe um limite, uma espécie de fronteira que demarca até que ponto cada um pode ir.

Não há combate efetivo. Há balas, enfrentamentos, discursos, mas qual o resultado disso ? Numeros na boca de políticos dizendo que já foi pior e que nas Olimpiadas não acontecerá ? Como dizer com tanta certeza?

É nesse cenário que hoje se fala em repasse bilionário de investimento ao Rio.

Se a população sairá ganhando – eu torço-  não posso afirmar.

Sei que diante desse estado de sitio, onde o poder “paralelo” se confunde com o oficial em uma espécie de “acordo” do tipo que garante quando e onde as coisas podem acontecer, fica dificil olhar para essa conquista como algo unicamente promissor.

Nesse caso não há maniqueismo, somente a sensação de que, entre o bem e o mal, existem muito mais mistérios do que nossa vã filosofia pode supor.

Quem viver verá.

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Nós, o trânsito e a consciência.

A cada dia recebo mais e-mails de gente envolvida com trânsito.

Seja o motorista que depende do carro diariamente para se deslocar pela cidade, o profissional que de alguma maneira trabalha por um trânsito melhor, até estudantes e representantes de associações ligadas ao bem estar.

Claro que meu trabalho nas rádios Sul America e Transamérica como âncora ou reporter aéreo motivou esse monte de contatos. No entanto, a grande maioria chegou a partir do meu livro “Dez Histórias e Algo Mais” e das entrevistas que tenho dado a emissoras de TV.1573606140_bb9b3b968e

A maioria diz que me ouvindo teve o “start” para repensar a maneira que se relaciona com o trânsito e as pessoas.

Fico feliz com isso especialmente porque minha intenção não é me limitar a questões técnicas que , a meu ver, não são suficientes.

O trânsito faz parte do dia a dia de todos e a medida em que o tempo passa, tende a tomar cada vez mais tempo,energia, dinheiro e paciência das pessoas.

O que estou tentando fazer é estimular cada individuo a tratar essa questão , não só pelas vias comuns (deixar o carro em casa, utilização do transporte coletivo, carona solidária etc…)mas para dar o primeiro passo a partir da mudança do olhar, sabendo que uma simples mudança de percepção pode produzir consciência.

E não é isso que tem nos faltando ?

Mais do que simplesmente projetar toda iniciativa para as autoridades ( que devem ser cobradas sim!), devemos recorrer ao excercicio de auto percepção, onde cada um se enxerga e questiona até onde sou responsável por tudo isso.

Chegar nesse ponto melhora nossa educação no trânsito porque antes nos melhorou como gente. São os que sabem que qualquer mudança importante na vida, começa antes no coração.

Que assim seja no trânsito, nos relacionamentos e na vida em geral: um novo olhar tem mais efeito do que qualquer medida externa que possamos tomar. Sempre.

Pense nisso.

O Deus que “funciona”.

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Na noite em que fui entrevistado pelo Ronnie Von, enquanto aguardava na sala Vip, me chamou atenção um programa que passava na TV ligada na sala.

Não me recordo exatamente o nome, mas era algo ligado a motivação, como “Histórias de sucesso” ou algo parecido.

Uma apresentadora animada anuncia a palestra de fulano de tal, presidente de um jornal, falando sobre “segredos de sucesso”.

Achei estranho e comecei a desconfiar onde aquilo levaria.

Logo em seguida, a imagem é cortada para uma repórter que, de microfone em punho, entrevista um rapaz sentado ao volante de um carro importado.

Ele diz que tinha uma enorme dívida, que sua empresa estava afundando, mas depois que ouviu o “homem de deus” tudo mudou e hoje está cheio da grana.

Depois outra repórter entrevista um rapaz que testemunha o “beneficio” de estar na tal reunião todas as semanas já que depois disso conheceu um “deus” que “funciona”.

Deus que funciona ?

Sim. Porque em tempos de “eu posso” , “eu quero”, “eu faço”, nos tornamos senhores do mundo que se dobra a nossos comandos que fazem as coisas “funcionar”.

Nesse cenário, Deus passou a ser uma ferramenta que me dá, me leva, me põe, me levanta, me coloca no fluxo das coisas a partir das minhas vontades e caprichos.

Uma das coisas que mais me incomoda nisso tudo é que estão nos roubando todas as referências.

Em nome da “prosperidade” não existe escrúpulo algum.

Mede-se a espiritualidade a partir do carrão, e o “homem de deus” é o cara que , com suas garras, tira tudo o que puder.

Como um desses “pregadores” que dia desses disse na TV em rede nacional o seguinte: ” Deus me revelou que nesse tempo de crise prosperará seu povo. Para isso é necessário que cada um deposite 900 reais nessa conta.”

Enquanto ele falava, o dono do programa de tv, outro “pastor”, olhava com cara cinicamente compenetrada.

Caramba, será que só eu me incomodo com isso ?

No meio do programa um rapaz sentado ao meu lado começou a conversar.

Dizia que o mundo está cada vez mais sem referências e depois confidenciou: “Olha, eu não entendo essas coisas de Deus e acho até que um dia ele vai me castigar por isso, mas sinceramente queria pergunta-lo porque as coisas são como são.”

Eu respondi : ” Você só consegue enxergar que as coisas estão fora de lugar porque ainda ouve a voz de Dele aí. Se não fosse assim, nem questionaria mais. Então não tenha medo de questionar porque esse sentimento de que, se eu questionar serei punido, é incutido justamente por aqueles que querem que você aceite com adesão e seguindo o fluxo que lhes impõe.”

Se em algum momento não pararmos e olharmos no contra fluxo, seremos engolidos. Se caminharmos sem nenhum tipo de questionamento, é possivel que percebamos tarde demais que o caminho não era para ser assim.

Nessa hora talvez ouçamos a voz de Deus, que vive dentro de nós, e não se parece em nada com o que a maiorida das pessoas andam dizendo em seu nome.

Ele fala na consciência, e nos sinais aparentemente imperceptiveis.

Aquele que ouve vira “herege” porque passa a caminhar no contra fluxo de quase tudo, inclusive das religões. É inevitável: Deus vive no contra fluxo e não ao contrário.

É quando aprendemos que nem tudo que tem cara de mal é para o mal, e que as vezes o que nos parece o “bem” só nos destrói.

No fim, se mudarmos o olhar,perceberemos que todas as coisas podem nos acrescentar e trazer consciência. Consciência é a palavra ! Daquela que discerne e nos diz que esse “Deus que funciona” é o deus dos nossos tempos: cheio de ambição, vaidade e cegueira.

Pense nisso