Ano novo de novo.

É sempre assim. A chegada de um novo ano tras velhas metas: “No ano novo vou emagrecer” ” Parar de fumar!” “Casar” ” Aquele emprego” E assim, de promessas em promessas, nos vestimos de branco a espera do reset do cronômetro. Ano novo, vida nova.

Precisamos desses marcos que nos dão a sensação de que o relógio zera e a vida recomeça. São as novas possibilidades e as chances que se renovam, permitindo que os erros sejam desfeitos e novos passos galgados em direção a dias melhores.

Provavelmente você tambem tem suas metas. Sejam elas quais forem, grandiosas ou modestas, pé no chão ou utópicas, é assim; a gente começa o ano sonhando com mudanças.

Mas não esqueça de uma coisa: Independente de qual seja seu sonho, as mudanças verdadeiras sempre acontecem de dentro pra fora.

É um novo olhar, uma nova mente, uma consciência maturada e arejada que lhe abre as reais perspectivas para que o velho se desfaça e o novo, se for bom, surja naturalmente.

Nossas metas tendem a ser alimentadas pelos comerciais da TV, pelo compre, pelo tenha, aparente ! A gente nem percebe, mas está sempre sendo levado pelo fluxo que nos molda, sugerindo que renovação é comprar novo, aparentar diferente.

Nesse ano novo, faça de outro jeito. Não importa quais suas metas, priorize o dentro, reveja suas prioridades, se equilibre, reorganize seu dia.

De mais tempo a você e permita que a vida lhe ensine. Em 2011 aprenda a enxergar; veja.

Antes de querer tudo novo, aprenda que tem muita coisa a sua volta que você ainda não viu, tantas mensagens no dia a dia que sequer prestou atenção.

Saia do fluxo dos dias de hoje e seja você , se posicionando, se assumindo como ser-humano.

É assim, cuidando da mente que um novo olhar surge e com eles, seja o tempo que for, um horizonte de possibilidades nasce diante de você.

Queria escrever mais, mas por enquanto fico por aqui.

Esse é meu desejo. Um ano novo com nova mente, uma nova mente com novo olhar, um novo olhar com outros mundos que começam dentro, onde ninguem vê e ninguem pode roubar.

Que seja assim comigo e contigo também.

Decolagem autorizada !

 

 

 

 

Ainda sobre o tema criatividade* , quero que você veja esse video.

Ele foi feito no lançamento do Flight Simulator X, software da Microsoft que simula condições de vôo e permite que , do conforto do lar, qualquer um se aventure pelos céus do mundo em tempo e condições de vôo e meteorologia real.

Olha só que legal como eles captaram o espirito da coisa:

* Sobre criatividade, ler : https://flaviosiqueira.com/2010/09/23/como-ser-criativo/

 

 

 

 

O tempo

O assunto “tempo” me fascina.

Se vivemos com a nítida sensação de passado, presente e futuro, em 1905 Eistein falava sobre o conceito da teoria da relatividade e, dez anos depois, com a publicação da relatividade geral.

Publicações cientificas, textos místicos, divagações filosóficas, cada uma sob seu ponto de vista, costuma tratar desse assunto.

Nessa semana eu li um texto de um professor de física falando sobre a direção do tempo.

Ele dizia que nas leis fundamentais da física, não há distinção entre passado e futuro. Cria-se um paradoxo: Se nas leis da fisica essa distinção não existe, como entender o fato de sermos capazes de lembrar do passado sem o mesmo acesso epistemológico com o futuro?

Tem gente que capta esses “sinais” e faz “previsões” sobre o futuro, mas isso não passa de um fenômeno físico ja que o tempo pode ser considerado uma dimensão adicional as três que já estamos habituados. Aí, segundo a teoria da relatividade, podemos olhar para as leis da física como uma geometria quadrimensional.

Mas normalmente não temos acesso ao futuro.

Como devemos pensar sobre nossas ações no presente afetam o futuro sem que faça o mesmo com o passado ? – olhando para o tempo sem distinção entre passado e futuro.

O fato de termos acessos diferentes ao passado e futuro e o modo como afetamos cada um deles, é fundamental para a maneira como olhamos o presente.

Tudo está interligado e, no fim, é uma coisa só. O que muda é a maneira que olhamos para as coisas.

Diante disso posso considerar que só existe um dia. O dia chamado HOJE.

É nele que projeto minha consciência sabendo que o tempo é só uma mídia pela qual conto os dias e balizo minha história mas, de fato, ele – assim como o conhecemos- não existe.

Se é assim, só existo no hoje. É absolutamente tudo o que tenho.

O jeito que hoje olhamos para as coisas, mexe radicalmente com o ontem e o amanhã.

A dificuldade em conceituar o infinito contrasta com nossa íntima sensação de eternidade e é isso que gera o medo da morte.

Mas se o tempo não existe, a morte perde a conotação de fim. Isso muda quase todos os nossos valores.

Se é assim, o tempo se resume em uma palavra: possibilidades.

Se, segundo a fisica, o tempo é uma coisa só, o que falta para você, no dia chamado hoje, começar a ser quem gostaria de ser ?

É hoje, pois não há nada além.

Pense nisso.

 

Sem legendas

Na mesma proporção em que tudo o que tem criatividade me cativa, confesso que a falta de boas ideias me incomoda bastante.

Na minha area, comunicação,  onde ser criativo deveria ser condição básica, abundam os cliches e os lugares comuns.

Seja um texto de rádio, uma propaganda de TV, um livro, enfim…tudo fica mais bonito quando a sensibilidade se associa a criatividade.

É quando a campanha encontra o caminho do coração, a linguagem universal onde os textos e as longas explicações são desnecessárias.

Veja essa campanha japonesa. Precisa legenda ?

A consciência e a lei.

Uma das coisas que mais me irritava como âncora da rádio trânsito em SP é quando um ouvinte ligava de dentro do carro, geralmente parado em algum mega congestionamento, para defender a ampliação dos dias do rodizio municipal de veiculos.

O que me deixava chateado não era o que ele defendia, mas o que lhe motivava:

– Porque você não deixou seu carro em casa hoje ?  eu perguntava

– Ah, porque tenho que trabalhar né. – respondia o ouvinte.

Então o rodízio não era para o bem da cidade. Era só um meio para retirar da sua frente os outros carros e deixar a rua livre para nosso amigo.

Ja percebeu que quanto menos consciência uma pessoa demonstra ter, mais legalista será? A proporção de um para outro é simetricamente proporcional.

O excesso de leis demanda tutelamento, obrigações, imposições necessárias onde só se obedece se houver punição.

Não faço o bem simplesmente porque é bom. Faço o bem para que o mal (punição) não me cobre.

Outro dia uma pessoa me dizia que o conceito de punição e medo que em geral as igrejas imputam sobre Deus é necessário a medida em que, sem freio, o “povão” perde a estribeira.

Será mesmo?  Por mais difícil e demorado que seja, prefiro caminhar pela via da conscientização; aquela que transforma o bem em bom.

Bem por culpa ou medo não é bom, é só mal com aparência de virtude.

Interiormente provoca o efeito contrário apesar de por fora confundir-se com justiça, altruismo, boa vonade ou preocupação com o próximo.

É por isso que em ambientes “santos” existe tanta gente doente e ambientes “sérios” tantos corruptos.

Se minha opção é andar pela lei -e não pela consciência- faço porque devo, sem pensar, questionar ou saber a razão: Respeito  porque sou obrigado e meu “pagamento” é não ser punido.

O problema é que nossa alma não aceita isso.

Interiormente, de um jeito ou de outro, sempre buscamos um sentido para as coisas que nunca é encontrado pela via da imposição.

Ambientes legalistas são fábricas de gente adoecida.

Exigir o aumento do rodízo (rigorosidade da lei) enquanto eu não deixo meu carro em casa (falta de consciência) é só um pequeno exemplo do quanto o legalismo faz mal.

Descansar na lei pode ser mais fácil a medida em que te acomoda, mas será que vale a pena?

Até que ponto você depende dela?

Saber o real valor das coisas, repensar suas prioridades, re-checar constantemente as motivações, entender porque faz ou deixa de fazer questionando se o teu caminho hoje é fruto de bom entendimento, isso é consciência.

Mentes consciêntes são pacificadas. Esses sabem que o bem basta em si.  O que vier além disso,tende a nos tornar dependentes de um sistema que até pode nos tornar respeitáveis e admirados, mas será só do lado de fora.

No entanto, no raio X da alma aparecerá o quanto ela envelheceu e se desgastou.

Pense nisso.