Comercio de almas.

Confesso que a cada dia sinto mais dificuldades em assistir TV. Ainda existem alguns bons programas na TV a cabo, mas, na TV aberta, com raríssimas excessões, não dá.

Ainda me impressiono como as pessoas ficam completamente hipnotizadas diante de um aparelho ligado, ainda que estejam com a familia em um restaurante, por exemplo.

Outro dia fui com minha esposa em um restaurante aqui em Brasilia. Iluminação  e ambiente bastante agradáveis, fim de tarde, o lugar ainda estava vazio.

Escolhemos nossa mesa em uma espécie de varanda e, enquanto olhávamos o cardápio, o garçom resolveu ligar a enorme TV de plasma que estava perto da gente.  Estava no ar um tele jornal de uma grande emissora. “Morte”, “Atentado”, “Atropelamento”, “Corrupção”, “Estupro”, “Abandono”, eram os temas das noticias que , uma a uma, substituíam a boa energia do lugar por outra, pesada, nervosa, amedrontada.  Chamei o garçom e pedi por favor que desligasse a TV ou colocasse uma música. 

Dia desses, também em um restaurante, dessa vez no shopping, notei um casal a nossa frente que não se falava, não se olhava, tocava, nada. Os dois lá comendo com olhos e pensamentos cativos, fixos na TV sem som no fundo do estabelecimento.

Para mim está cada vez mais claro que  na relação mídia/espectadores/anunciantes, nós, o público,  somos um produto fabricado, moldado e  elaborado pela mídia que nos vende ao anunciante.

Funciona assim: Quando uma empresa investe dinheiro em uma mídia, está comprando um produto – as massas. Cabe ao produtor (as mídias) adequarem aquele produto, manipulando-os para se tornarem massa adequada ao consumo, seja de produtos, comportamentos ou ideias.

Quanto maior a massa, mais volume (audiência), valorizando o preço, aumentando seu poder de negociação. Mas o produto só vira massa se for homogêneo. Quanto mais vidrados, imbecilizados, medianos e amedrontados estiverem, mais dependentes ficarão do consumo, da religião e do Estado que são justamente os que mais se beneficiam dessa condição.

O medo não apenas vende, mas molda e cria dependência. Uns alegam “mas desgraças acontecem e precisamos estar informados”. Ora, mas só acontecem desgraças? Repare na próxima vez que assistir a seu telejornal preferido e conte quantas noticias estão relacionadas ao medo.

Claro que não é só o medo. Tem a criação de totens para que projetemos neles nossas ambições, os “ídolos” e padrões de comportamento , sempre na mesma direção, afunilando o rebanho, reprimindo os que contestam, manipulando as massas.

O problema não é a TV, mas o que estão fazendo com ela.

Como ontem, eu estava em uma fila em uma loja , atrás de umas adolescentes que falavam sobre a Lady Gaga. Uma delas comentou ” A Lady Gaga é uma pessoa super original, é como se fosse uma professora de filosofia”.

Esse é nosso padrão. São nossos ícones e filósofos atuais que nos moldam, manipulam e preparam para a venda. Enquanto você senta confortavelmente no sofá com olhos vidrados , hipnotizado pelo que vê em sua tevezona de plasma paga a prestação, tente lembrar que alí é a linha de produção. Tem gente negociando seu valor, manipulando sua mente, opiniões e percepção do mundo e de si mesmo. Exagero? Comece a olhar a sua volta e responda você mesmo.

Esse é o mundo da filosofia Lady Gaga onde, enquanto os lados, lugares e os valores são negociados a portas fechadas, bilhões ficam lá, entretidos, sentados, seduzidos, inertes, hipnotizados pela telinha luminosa, produtora e negociadora de almas.

Onde você está nesse processo?

Pense nisso.

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Vem aí um novo livro!

Faz quinze dias que comecei a escrever meu terceiro livro. O primeiro ” Dez Hstórias e Algo Mais” (ed BesouroBox) narra situações vividas quando eu era ancora da rádio Sul America Transito em SP. Apesar de se passar no rádio, não é um livro sobre rádio. Apenas uso as historias como pano de fundo para falar sobre o “Algo Mais”, contando o que podemos tirar de bom, mesmo das situações ruins.

O segundo livro ainda tem titulo provisório e conta a história de Ed, um aviador amargurado pela recente separação, prestes a perder o filho que sofreu em um acidente. Em determinado momento ele começa uma serie de questionamentos existenciais que viaja desde as razões para que coisas boas acontecem a pessoas ruins, a culpa, dor, vida, morte, solidão e nossa liberdade de escolha diante das infinitas situações que nos acometem no dia a dia. Tudo fica mais intenso quando as circunstâncias o levam até um lugar misterioso chamado “Eden” e a partir de lá encontra um personagem que se autodenomina anjo e se propõe, não só a responder suas questões, como acompanhá-lo em viagens no tempo até se encontrarem com Deus. Aposto demais nesse livro e atualmente estou conversando com três editoras sobre possibilidades de lançamento.

O terceiro livro é meu primeiro sobre rádio. Faz tempo que sou cobrado nesse sentido. Recebo dezenas de e-mails semanais , especialmente dos leitores de meus artigos no site tudoradio.com , cobrando que eu faça um livro sobre rádio. Comecei a pensar mais seriamente no assunto depois que visitei algumas livrarias buscando esse tipo de literatura. Quase não tem nada e os poucos que vi, são escritos em um tempo onde o rádio era completamente diferente do que temos hoje. A não ser o livro do Watson Zucco Weber, “Você Nunca ouviu nada igual” (vale a pena ler), não me recordo de nada escrito exclusivamente para o rádio nos últimos anos. Acho que chegou a hora de dar minha contribuição. Em quinze dias já escrevi mais de sessenta páginas. Nunca escrevi tão rápido !

A idéia é usar minha experiência de 20 anos nas principais emissoras de rádios de São Paulo, Porto Alegre e Brasilia em beneficio de quem começa, tem duvidas, ou quem ja trabalha faz tempo e também tem duvidas em relação aos novos caminhos, não só do rádio, quanto da comunicação de maneira geral.  Tem muita coisa mudando, muito assunto para debater. A idéia é falar sobre tudo que está acontecendo no rádio de maneira fácil, objetiva e agradável de ler. Estou incluindo alguns artigos do Tudo Radio, além de convidar profissionais conhecidos em diversos setores do rádio para escreverem, contando a partir de sua perspectiva, como enxergam esse momento tão importante em nosso veículo.

É uma obra unica, realmente diferente do que ja foi publicado até hoje.

Estou animado com o trabalho e nem me importo em arrumar tempo onde achei que nem tivesse para executar esse trabalho.

Se você é profissional de rádio e quer contribuir com sugestões de tema, a hora é essa.

Nos últimos dias tenho recebido muitos e-mails com sugestões valiosas. Tem algo em mente? Alguma duvida? Algo que seja relevante? Então não deixe de me escrever:

blogdoflaviosiqueira@yahoo.com.br

Não sei exatamente quando será lançado mas, pelo andar da carruagem, não demorará muito.

Ah, outra coisa: Como estou ocupado trabalhando nesse livro, adiei um pouco o Audio Book do Dez Historias e Algo Mais, mas esse também sairá.

Uma coisa de cada vez né…rs

Conto com sua força e torcida ! A medida em que novidades aparecerem, vou atualizando por aqui.

Nós, seres pequenos, frágeis, sem luz, crescemos quando entendemos que o mundo vive dentro de nós.  Quando a gente consegue olhar de fora, entende que geralmente nossas ambições são tão pequenininhas. Olhe para o que te preocupa hoje, de um zoom, afaste-se até entender que somos apenas lapsos de existência, poeiras do universo.