A outra segunda feira.

Há algumas segundas feiras atrás, por algumas razões que não cabe detalhar, a sensação era a mesma de estar atravessando uma longa tempestade, sem muito prazo para terminar. Especialmente entre o fim do ano passado e os primeiros mêses desse ano, ela me chateava com seus pingos renitentes, continuos e desgastantes. Ainda que o sol não tivesse deixado de aparecer – eu sabia que ele estava lá- as nuvens daqueles dias deixam a manhã escura.

Certa manhã, daquelas que a chuva persiste atrapalhando planos, cancelando compromissos, me lembrei que o pior poder dessas tempestades é nos fazer acreditar que a luz do sol não voltará e as coisas são assim mesmo. Pior: Se não cuidarmos de nosso coração, nem perceberemos que os dias mais belos, as melhores sensações, o bem estar que a chuva esconde, tudo isso, só existe dentro de nós. Nesse dia saí na chuva e não tive medo de me molhar. Deixei que seus pingos me lavassem e, ao invés de me proteger debaixo de qualquer coisa, me expus aos trovões sem medo de que um raio me atingisse.

Caminhei confiante sob o aguaceiro sem expectativa alguma, apenas sabendo que é no caminho que a gente encontra sentido. O tempo que ela iria durar deixou de ser um problema a partir do momento que eu entendi que precisava dela.

Por isso nem notei direito quando o céu começou a aparecer. Logo, bem antes do que eu imaginava, as nuvens se dissiparam e quando dei por mim, estava em outra segunda feira.

A foto abaixo foi tirada em outra segunda feira. Foi na segunda passada, olhando para as águas do litoral Sul do Rio Grande do Norte, que ficou claro que, não importa o dia da semana, nem mesmo se chove ou faz sol, no fim das contas, tudo sempre coopera para nosso bem, especialmente quando entendemos que o “la fora” reflete o “aqui dentro”. É no meu coração onde estão as verdadeiras tempestades.

Quando a gente aprende que é assim, ainda que chova, estaremos no sol. Ainda que doa, não fará mal, ainda que fique escuro nunca será suficiente para apagar a certeza de que nada é por acaso e que, em tudo, há sempre uma lição de amor.

Depois de tudo, se você quiser, há sempre uma nova segunda feira.

Minha fé

Frequentemente recebo e-mails de leitores do blog. Entre eles muitos perguntando minha religião, outros querendo saber se faço parte dessa ou daquela fé e uma quantidade enorme daqueles que dizem ” o que você diz tem tudo a ver com a filosofia tal, da corrente ypslon, do pensamento xis”

“Compactuo com seus pensamentos”, outros falam, acrescendando que “muitas vezes leio aqui algo que eu já sentia, mas não sabia verbalizar”. Outros perguntam se virei evangélico ou escrevi um livro espirita. Dias desses, tomando um café com um amigo, ele disse ” você tem ido cada vez mais para esse lado de religião né?”

Existe em cada um de nós, todos, inclusive você, alguns elementos em comum. Ainda que nossa natureza seja ambigua e com forte tendência a auto sabotagem, compartilhamos da necessidade de amar e sermos amados. Nem todos levam isso a sério. Alguns parecem tão distantes dessa realidade que ser tornam monstrificados, cauterizados, frios, distantes ao extremo de tudo o que faz bem. Mas ainda assim, apesar dos pesares, esse software roda nelas também.

Culturalmente costumamos dar nomes a isso, sendo que as religiões foram as que mais se apossaram dessa condição presunsoça que tenta definir o amor. Nesse caso, todos os que não se adequam aos padrões, dogmas, definições estéticas ou morais, logo se afasta , acreditando que só existem dois caminhos: ou se afasta para o polo oposto, aquele da negação e auto sabtoagem, ou adere com pulsões nervosas e culposas, tentando redimir-se da propria e natural ambiguidade.

Comecei esse texto falando sobre as perguntas e comparações que recebo, simplesmente para dizer que, no meu caso, tudo o que faço é tentar enxergar. Meu templo é o mundo e minha religião o outro. Para mim, Deus de fato é amor e todo aquele que ama de forma abrangente, natural e humilde, esse o conhece. Isso é tudo o que de fato sei sobre Deus e sobre o amor e para mim essa definição é mais do que suficiente.

É por isso que as pessoas me escrevem perguntando se pertenço a essa ou aquela religião. Talvez porque leem aqui algo que existe dentro deles mesmos e infelizmente só conseguem identificar pelas vias dos símbolos e dogmas religiosos.

Não. Não sou de nenhuma religião, não sigo um líder, não acho que essa ou aquela agremiação seja melhor do que a outra.  Não tento convercer ninguem de nada e muito menos insinuar que sei mais do que você. Não tenho a menor intenção de usar o discurso manjado e marqueteiro que muitas religiões hoje usam, dizendo que não são religião. Tudo o que quero é enxergar e , apesar de todas as minhas ambiguidades, compartilhar com gente como eu, que tenta, aprende, erra, cresce e vê. No fim de tudo, isso é o que importa: Nossa capacidade de enxergarmos o amor e nos incluirmos nele, sabendo que o pouco que somos, só fará sentido se for em direção á consciência que naturalmente nos conduz ao amor.

Essa é minha fé. De á ela o nome que quiser.

Enquanto tudo muda.

Somos seres em permanente movimento. Entre alterações fisicas, cronológicas e mentais, convivemos em um mundo que, a nossa semelhança, não para de se alterar. Até o que nos parece mais imutável, muda.  Mudam os humores, as relações, ambições, sonhos e metas. Hoje acordamos determinados, amanhã ? Bom, amanhã pode não ser bem assim.

Nosso corpo não para de mudar e, ainda que alguns gastem fortunas para evitar o inevitável, o máximo que conseguirão é ficar com aparência de vedetes ou “velhos meninões”.

Os filhos mudam. Ontem o Flavinho andava de fraldas e dormia no berço a tarde inteira, agora ele fala em “gatinhas” e  hoje de manhã veio com uma história de que quer um cartão de crédito, pode?

Com os anos, deixamos de gostar das mesmas músicas, das mesmas roupas, comidas, cheiros. Veja meu caso por exemplo que há alguns anos odiava cheiro de incenso e hoje adoro. Aliás, já que me tomo de exemplo, basta uma rápida olhada para trás e percebo o quanto tantas coisas mudaram em minha familia, trabalho, importâncias, em mim.

E aí a gente aprende que as mudanças são boas. Que no mundo que não para, mover-se é essencial, especialmente quando descobrimos que nosso destino mora dentro da jornada.

Isso quer dizer que tudo pode se alterar a sua volta, os cenários podem – e certamente vão – mudar, as importâncias se tornarão desimportantes e as prioridades se desvanecerão sem que você perceba. É assim que as coisas são, portanto, seja assim no teu olhar.

Aquele que anda sabendo que tudo muda, aprende a valorizar a jornada, pois sabe que a melhor versão de você mesmo é aquela do dia chamado hoje, que se renova, se altera, muitas vezes destruindo-se para em seguida ser reconstruida com mais força, mais clareza, mais sabedoria.

Portanto, não tenha medo de renovar sua mente. Perca os escrúpulos em questionar-se e, se for o caso, mude de opinião quantas vezes for necessário.

Chega a hora em que deixamos de correr atrás das metas e dedicamos nossa energia ao caminho. Ele se forma enquanto ando e se transforma sempre que o percebo.

Não importa onde estamos hoje, amanhã, tudo pode ser diferente e o que vai determinar se é para ou bem o para o mal é o teu olhar.

Aprenda a viver cada etapa da vida, valorize cada fase da jornada e entenda que hoje, enquanto lê esse texto, você está em pleno processo de transformação, inclusive espero que termine a leitura com algo a mais, que justamente lhe diferenciará de quando começou.

De estações em estações, temos todos os dias a chance de nos construirmos e nos transformarmos em alguem melhor.

No fim das contas isso é tudo o que importa.

Um convite para o começo de uma viagem

O começo de um livro é como o início de uma viagem onde o destino não está muito claro. Você prepara a mala tendo em mente apenas uma idéia de onde quer ir, mas sai de casa consciente de que é bem provável que, ao longo do caminho, muitas coisas acontecerão: surpresas, imprevistos, necessidades não planejadas a serem supridas que aos poucos vão mudando a rota até que, no fim, você chegue onde nem imaginava.

Aí, já no quarto de hotel no destino, você toma um banho, bebe alguma coisa e pega o mapa para olhar por onde passou. É quando se surpreende com as curvas, desvios, voltas até que chegasse onde está.

Hoje terminei a releitura do meu livro, O Éden. Me lembrei da primeira fase em Porto Alegre, onde acordava as 4h30 da manhã para escrever. Depois, a segunda fase, já em Brasilia, onde escrevia sempre que um tempinho sobrava, depois as revisões, as reconstruções de frase, de idéias, o planejamento de capa, de lançamento, ajustes com a editora, depois de muito tempo, tive a chance de ler como um leitor. De apreciar a linda capa do Rafael Arinelli, um excelente trabalho, de folhear as 282 páginas, de viajar com Ed, de ser surpreendido pelas respostas do Anjo, de me surpreender e emocionar com a profunda viagem emocional, física e espiritual dos personagens.

Visitei Paris em 1931 em plena Tour de La France, acompanhei o primeiro contato dos pais de Ed em um hospital na década de setenta, a angustia de um pai com o filho na UTI, reencontros, reconciliação, recomeço, o verdadeiríssimo encontro com Deus.

Ao terminar de ler meu livro, agora como leitor, fica claro que a viagem foi além do que eu imaginava, que fui muito mais longe, passei por muito mais lugares e cheguei onde sequer tinha pensado. Me senti recompensado por ter escrito algo (posso colocar a modéstia de lado?) tão legal e com tanta riqueza de ensinamentos para quem lê ( a começar pelo autor). Duvido que , quem ler, terminará o livro como começou.

Enquanto escrevo agora, me recordo de alguém que comentou sobre um video/trailler do livro que está no youtube e aqui no blog também. Era algo como ” Mais um querendo page views usando o nome de Deus”.  Me incomodei, mas depois me toquei que daqui pra frente será cada vez mais assim. A consciência de que assim será me deixa a vontade para lhe indicar a leitura, sabendo que tem gente que me achará apenas um autor tentando convencer pessoas a comprar o livro recém lançado.

Mas não é isso não.  Minha idéia é convidar você a fazer parte dessa viagem que comecei há algum tempo e me levou para lugares sensacionais.

Hoje falo como leitor , com o coração grato pela possibilidade de compartilhar com tanta gente o privilégio de estar comigo nessa viagem pelo Éden que, no livro, teve inicio em mim, mas agora se espalha e espalha e espalha, contaminando outros tanto que a partir daquelas 282 páginas, farão sua própria viagem, talvez sem ter certeza onde dará, mas com a consciência de que , no caminho, há muito mais lições que podemos imaginar.

Obrigado pela chance de poder compartilhar esse caminho !

Tudo isso é só o começo.

O ÉDEN: http://www.ciadoslivros.com.br/eden-o-2011-edicao-1-p398175/

Minha saida da Mix. Hora de novos voos.

O tempo na Mix foi muito bom.

Aprendi, cresci e cheguei ao fim de mais um ciclo. Agora sou reporter da VVTV,além do Encontros, apresentarei programas semanais em SP (mas continuarei morando em Brasilia e outros pelo país, além de alguns documentários no exterior.

Tb cuidarei de um novo e estimulante projeto de webradio conectada a VVTV. Tudo calhou como uma luva exatamente no momento que decidi que estava na hora de alinhar minha comunicação com minha necessidade de conectar profissão com vocação, colocando sentido no que faço.

O mundo ai fora ta muito louco pra gente se limitar a dizer nome de musica e slogan de rádios. Cada vez mais meu caminho tem sido encontrar ferramentas para fazer minha parte e deixar um mundo, um olhar, uma cabeça melhor pro Flavinho, pra mim e pra você tb. É o que tenho buscado e assim tem sido em cada passo que dou. Feliz por tudo! Pelo livro, pelas mudanças e por tudo o que isso tem construido dentro de mim.

Obrigado aos que torcem sempre ! De verdade.