Lições na noite do Leopardo.

Relembrando um post de 2008 

Hoje, depois de assistir a uma apresentação do Flavinho na escola, já no carro, percebemos que eu tinha perdido a camera digital.

Retornei não apenas pelo valor material, mas principalmente porque lá estava o registro de um fim de tarde muito especial onde meu filho era o “Leopardo”.

A última vez que eu tinha visto a camera foi no banheiro infantil onde, depois do evento, fui ajudá-lo a tirar a fantasia e se trocar.

Foi pra lá que segui.

Encontrei uma senhora limpando o corredor. Simpática, negra, gordinha, aproximadamente sessenta anos, percebeu que eu procurava algo e perguntou : – Algum problema meu filho ?

– Agora a pouco me dei conta que perdi minha camera e acho que a deixei por aqui. A senhora viu alguma coisa ? – Perguntei.

– Não vi não, mas tente olhar de novo. Limpei parte do banheiro a pouco e, pra ser sincera, não reparei.

Olhei, vi atrás do balcão, na pia e nada. Agradeci e saí pra ver se tinha deixado cair no estacionamento. Ela veio atrás:

– Quem sabe você não sobe até a secretaria ? Quando encontram algo é pra lá que levam. Venha ! Eu vou com você.

Subimos e nada. Agradeci novamente a boa vontade e voltei pensando em remexer no carro, olhar no chão, refazer meus caminhos…Confesso que as vezes sou distraído e não seria nenhuma surpresa que a camera estivesse em algum lugar que eu já tivesse olhado. A senhora desceu comigo e demonstrava preocupação:

– Poxa, meu filho. Vamos perguntar para os seguranças !

– Já perguntei- respondi resignado- e eles não viram nada.

– Ai meu Deus…que triste isso, e se você ver de novo no carro, porta mala…sei lá, olha seus bolsos…- ela demonstrava mais preocupação do que eu.

– Já vi no carro, bolsos…mas me lembro que foi no banheiro que vi a camera pela última vez, a senhora se incomoda de abrir de novo pra eu ver ? – perguntei sabendo que naquela hora os banheiros estavam trancados.

Não sei se ela estava com medo de virar suspeita já que, depois que saí do banheiro foi ela quem entrou, sei que tem gente que gosta de acusar, colocar a culpa em quem está disponível :

– Talvez eu tenha me confundido. Posso ter deixado cair em algum lugar, de repente alguém achou e guardou, uma hora aparece. – Era mais uma tentativa de tranquilizá-la do que necessariamente uma esperança. Quando estávamos para entrar no banheiro a Lu chegou e começou a ajudar a procurar. Olhamos, olhamos e, quando estávamos indo ela diz :

– Olha a camera pendurada na torneira ! Quando fui trocar o Flavinho deixei a camera lá e, (não disse que sou distraido?)tinha passado sem ver.

– Louvado seja Deus !- exclamou a senhora visivelmente emocionada. Abraçou a Lu com felicidade contagiante,depois, sem graça, veio até mim e me abraçou também :

– Ganhei o dia ! – ela dizia- Fiquei faceira agora ,que bom, que alegria, bom fim de semana pra vocês !

Saí feliz por ter encontrado a camera, mas sobretudo grato por perceber como ainda tem gente do bem. Não era medo de ser acusada ou qualquer tipo de bajulação. Era alegria genuina de uma senhora sexagenaria que, na noite de sexta, enquanto limpava banheiros, parou tudo o que fazia para ajudar um cara esquecido a procurar sua camera digital.

Naquela hora meu problema virou dela e minha alegria explodiu triplicada nela que estava visivelmente emocionada. Saí com a camera e uma lição: Palavras, filosofia, demonstrações de fé ou sabedoria, cara de santo e voz mansa ficam minúsculos diante de pequenas atitudes de amor ao próximo que, através de uma preocupação, pode fazer toda a diferença.

Dentro do meu carro eu pensava naquela senhora que provavelmente pegaria seu ônibus e chegaria em casa feliz sem saber direito por que.

Se bem que o mais importante certamente ela sabe: a felicidade está nas pequenas coisas. Ela está mais perto de ser feliz.

Crianças “Bruxas” da Nigéria

Enquanto comemoramos as festas de fim de ano, uma triste realidade faz com que crianças sejam abandonadas por quem deveria cuidá-las, nos lembrando que o mundo não para quando desejamos assim. Assista e compartilhe esse bate papo e saiba como você pode fazer alguma coisa. Acredite: Isso tem muito mais a ver contigo do que parece conveniente assumir.

A janela da alma

Cada monstro, ameaça, medo, tristeza, tal como cada traço de esperança, alegria e sensação de bem estar: tudo o que lhe afeta – seja para o bem ou para o mal- no mundo, só lhe afeta porque encontrou correspondência em seu coração. Os olhos são a janela da alma e refletem lá fora, para sua percepção e dos outros, tudo o que está acontecendo aí dentro onde ninguém pode enxergar

A fonte do bem e do mal

Não há carga moral em nada do que acontece ao meu redor. Os acontecimentos são apenas mídias para que eu me revele a partir do significado que empresto a cada coisa.

Para os “impuros”, impureza em tudo. Para os “limpos” de alma, pureza na vida. É no coração que nascem todos os juízos e é nele que o “bem” e o “mal” guerreiam até que nos pacifiquemos e nos curemos.

Afinal, quando os olhos são bons, todo o resto será. Se forem trevas quão grande trevas serão.

Não somos juízes.

Cuidado: ao revelar seus ódios e antipatias gratuitas, você revela ao mundo a ambivalencia de uma pulsão que, do lado de dentro, é exatamente a antítese daquilo que você nega com tanta veemencia do lado de fora. Quem vive permanentemente em guerra com a consciência, soca na própria alma tudo o que um dia explodirá. Não somos aptos para sermos juízes de nada e ninguém, afinal, olhar para dentro já requer trabalho suficiente.