Entre a vida e a morte

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Quem controla sua vida?

Quem controla sua vida ?

Você tem supremacia na condução de seus pensamentos ?

Então me responda: Por que suas atitudes, roupas, pensamentos, opiniões, gostos, caminhos, dúvidas, repulsas, respostas, preferências, medos, metas, sonhos e projeções se parecem tanto com os da maioria das pessoas?

Cego é quem não enxerga que somos moldados pelo nosso meio e o quanto os ambientes nos afetam.

Você muda até de acordo com o que veste, ou vai negar que a bermuda lhe dá um estado de espírito diferente do terno ? Ou que a meia luz não sucita sensações que a claridade afasta ? Que na multidão você não se parece com o que é na solitude?

Viramos produto de nossa geração movida pelo consumo e, tristemente, relutamos em perceber que não correspondemos a imagem que tentamos aparentar.

Andamos apressadamente pela estrada com maior fluxo, como a manada que segue sem nenhum discernimento em relação ao próprio caminho.

Mas quem sabe um dia você acorda e começa a questionar em que tem depositado suas melhores energias?

Onde tem colocado seus sonhos, tempo, relacionamentos; o que tem alimentado suas esperanças?

São poucas coisas no mundo que de fato fazem a diferença e, portanto, valem a pena.

Repare na combinação de intermináveis conexões de interesses, que no fim das contas tangenciam nossos caminhos e mascara quem somos, nos empurrando para a terra das fantasias, cegos, entretidos, cauterizados, semi acordados como zumbis que somente respondem a ordens de comando e legitimam o poder de quem pensa que manda.

Se há algo bom na vida, que isso ocupe seu coração. Se há virtude e bom senso, que alimente sua mente, trazendo-o para o mundo da consciência, onde, mais do que imagens projetadas, vale o que de fato somos.

Almeje enxergar-se !

Porém chegar nesse tempo requer, antes de tudo, o reconhecimento de quem somos e de onde estamos inseridos.

Consciência é a palavra.

É andar sem medo, sabendo que existe vida fora da caverna.

Nem sempre o preço é barato, mas, no fim das contas, estamos aqui para copiarmos uns aos outros, nos projetando na coletividade ou para encontrarmos nossos próprios caminhos ? É você quem da significado para sua vida.

Ainda que nele encontremos pedras e desvios, nada supera a certeza de que estamos no nosso caminho e no lugar que deveriamos estar e isso depende exclusivamente de você.

Pense nisso.

Quando chega o dia mau.

Repare nos outdoors. Gente feliz, sorrindo com olhares convidativos e mensagens cativantes.

Cativantes como os títulos de best sellers que prometem ensinar “não sei quantos passos” para a felicidade, o reconhecimento, a vida “plena”.

Alias, plenitude é a propósta : dos programas de TV, pregadores religiosos, políticos e anuncios publicitários.

Você já parou para pensar na quantidade de mensagens – ostensivas e subliminares- que somos expostos desde a hora que acordamos até o momento de dormir e como isso fica repercutindo em nosso inconsciente ?

De um jeito ou de outro gostamos disso e, ainda que seja sem perceber, construimos nossos castelos sobre tais promessas.

Aí chega o dia mau. Quando o imponderado surpreende, nos abala e força os questionamentos.

Por que o avião caiu ? Por que o mundo está sendo destruido ? Por que crianças são abandonadas ? Por que aconteceu comigo ?

Diante das contínuas mensagens de ‘você pode”, “você merece”, “o mundo é seu”, o choque da catástrofe parece nos puxar o pé, dizendo que no mínimo há algo contraditório em nossa percepção de vida.

O problema é que gostamos de ver as coisas sob as lentes do que julgamos merecer. Nosso senso de merecimento está conectado as mensagens estampadas, difundidas, anunciadas, propagadas, disseminadas em todos os lugares, ensinando que a felicidade que todos merecem é aquela do comercial da margarina, sem contrastes, sem dores, sem raizes. Diariamente tomamos pílulas de positivismo para que junto venha o compre, faça, vote, doe, venha.

É uma permuta:

De um lado você cumpre as regras, comprando, consumindo, frequentando, aparentando ser o que dizem para ser. De outro lado eu faço você acreditar que assim será feliz. Até que a nova ordem de comando se renove.

Só que a vida não é assim e quando chega a estação das dores nos sentimos lesados como consumidores e muitas vezes recorremos ao Procon existencial sob forma de estupefamento ou crises de depressão, no mínimo.

Nem tudo o que lhe parece bom é para o bem, assim como nem tudo o que tem cara de mal, faz mau. Nossa visão é parcial, não temos a perspectiva do todo de nossas vidas, não conhecemos nossos próprios caminhos, sequer vemos cada curva, cada esquina, cada ponta que se conectará lá na frente, dando sentido a história. Vemos só o hoje, ou melhor, nem o hoje somos capazes de ver.

Acontecimentos são apenas mídias. Talvez um dia você entenda que a morte é apenas o fim de um ciclo sob a perspectiva do tempo/espaço, que a doença só tem poder sobre o corpo perecível e muitas vezes reflete mágoas, medos, culpas, que a vida não é estática e um dia as coisas simplesmente renovam, transformam se expandem.

Quem dá significado aos acontecimentos é você, isso conforme o que lhe habita o coração.

A vida é assim.

Por isso aquele que constrói seu castelo sobre  propostas de felicidade a qualquer custo, viverá em eterno conflito entre o que gostaria que fosse e o que de fato é. Esse não enxergará as milhares de oportunidades para entender-se, não verá a “caravana passar”, nunca irá se expor a cada oportunidade de crescimento que, inclusive a dor traz. Perderá a oportunidade de enxergar-se simplesmente pela fixação por apenas um lado da história, uma única possibilidade, um condicionamento que se recusa a abandonar por medo.

Esses vivem sentindo-se injustiçados.

A vida não premia ou castiga. A vida não dá o que queremos, mas o que precisamos. A vida ensina e a lição é absolutamente individual.

Procure compreender. Mais do que isso: transcenda-se.

Renove sua mente e dilate seu olhar.

Existe um universo de possibilidades dentro de você, mas você nunca enxergará até que queira.

 

Enxergar a Deus

“Só quem enxerga a si mesmo pode vê-lo. Reconhecê-lo em sua própria humanidade abre a percepção. Evolução nunca é uma questão de Deus mais perto, mas de eu mais esperto, com olhos abertos, percebendo seus movimentos na história e seus passos, sutis, em tudo, em mim. Quando você entende que Ele está em tudo e tudo existe nele, algo acontece aí dentro: Seus olhos começam a se abrir, você o percebe e entende que Ele sempre esteve aqui.” Livro O ÉDEN editora ciadoslivros.com.br