As estações de cada dia

Sabe quando, apesar do dia estar lindo, a sensação é de que está tudo nublado ?

Ou, ao receber um animado “bom dia” de alguém, você quase responde “só se for para você” ?

Tem vezes que dá vontade de deitar, dormir e só acordar quando tudo estiver bem.

São fases onde lembramos dos dias em que tudo se encaixava, levantar fazia sentido e os planos estavam a todo o vapor.

Assim como acontece na natureza, nossas vidas também passam por estações, e dias quentes precedem temporais, nuvens da manhã que começou nublada se dissipam, noites estreladas se transformam em dias longos, frios e úmidos.

O sol dá lugar a lua, o verão ao outono, estações que se sucedem e mudam completamente a perspectiva da mesma paisagem. Nosso caminho é assim, entre perspectivas que se alteram, mudanças, transformações, redirecionar de valores, reposicionamento de situações que pareciam fixas, lineares, inabaláveis, enraizadas na gente como se fossem extensão de nosso ser. E ai as coisas mudam, a estação termina e uma nova realidade desperta anunciando que somos seres em constante movimento, evolução que nasce como fruto da renovação da mente que não se conforma sob risco de deformar-se com o conforto permanente.

Para cada coisa um tempo e, em cada tempo, uma estação, que é passageira.

Todo tempo se altera, cada fase, cada história, cada ano, cada momento se renova carregando consigo a semente de um novo olhar, que desperta consciências e prepara sereszinhos assim como nós, viciados em nossa propria mediocridade, a crescerem, superarem, fortalecerem-se com a vivencia da constante – e muitas vezes dolorida- transformação.

É assim mesmo. Para o bem de quem caminha olhando para frente, consciênte de que, ainda que a tempestade pareça eterna e os raios ferozes nos visitem com estardalhaço, tudo passa, tudo acrescenta, tudo soma e contribui para que dias melhores cheguem com a brisa e o renovo de quem aprendeu a não se abalar, mas cresce perplexo com a maravilhosa e única experiência de estar vivo.

Caminhar na Terra é uma grande oportunidade para entendermos que bem e mal, frio e calor, chuva e sol, não importa, cada porção se completa e torna-se parte da mesma coisa que no fim das contas nos revela, expõe o que guardamos em nosso íntimo e nos dá a maravilhosa oportunidade de transcender-nos, ir adiante, ainda que seja um pequeno passo em cada período.

Não há escuridão, nem dor, nem desesperança que seja eterna. Um dia, quando você menos esperar, o sol reaparece, iluminando o que parecia em trevas e revelando com sua luz que agora seu rosto está mudado, mais grave, fortalecido com a experiência que só adquire quem aprendeu a viver com serenidade cada tempo, cada estação.

As novas segundas feiras

Há algumas segundas feiras, por algumas razões que não cabe detalhar, a sensação era a mesma de estar atravessando uma longa tempestade, sem muito prazo para terminar. Especialmente entre o fim do ano passado e os primeiros mêses desse ano, ela me chateava com seus pingos renitentes, continuos e desgastantes. Ainda que o sol não tivesse deixado de aparecer – eu sabia que ele estava lá- as nuvens daqueles dias deixavam a manhã escura.

Certa manhã, daquelas que a chuva persiste atrapalhando planos, cancelando compromissos, me lembrei que o pior poder dessas tempestades é nos fazer acreditar que a luz do sol não voltará e as coisas são assim mesmo. Pior: Se não cuidarmos de nosso coração, nem perceberemos que os dias mais belos, as melhores sensações, o bem estar que a chuva esconde, tudo isso, só existe dentro de nós. Nesse dia saí na chuva e não tive medo de me molhar. Deixei que seus pingos me lavassem e, ao invés de me proteger debaixo de qualquer coisa, me expus aos trovões sem medo de que um raio me atingisse.

Caminhei confiante sob o aguaceiro sem expectativa alguma, apenas sabendo que é no caminho que a gente encontra sentido. O tempo que ela iria durar deixou de ser um problema a partir do momento que entendi que precisava dela.

Por isso nem notei direito quando o céu começou a aparecer. Logo, bem antes do que eu imaginava, as nuvens se dissiparam e quando dei por mim, estava em outra segunda feira.

A foto abaixo foi tirada em outra segunda feira. Não importa o dia da semana, nem mesmo se chove ou faz sol, no fim das contas, tudo sempre coopera para nosso bem, especialmente quando entendemos que o “lá fora” reflete o “aqui dentro”. É no meu coração onde estão as verdadeiras tempestades.

Quando a gente aprende que é assim, ainda que chova, estaremos no sol. Ainda que doa, não fará mal, ainda que fique escuro, nunca será suficiente para apagar a certeza de que nada é por acaso e que, em absolutamente tudo, há uma lição de amor.

Depois da tempestade, se você quiser, há sempre uma nova segunda feira.

Escolas e a criatividade

Acredito que toda criatividade está ligada a nossa capacidade de enxergar, ver nos detalhes do dia a dia elementos que inspirem e deem asas a imaginação.
Vejo as crianças como o maior exemplo do quanto podemos ver, sem travas, sem medo de errar.
Já faz algum tempo que venho insistido que, infelizmente, todo o sistema (educacional, economico, religioso, filosofico) atual é montado para nos roubar isso. A idéia é transformar pequenos seres criativos e naturalmente questionadores, em adultos programados para consumir, votar, aceitar sem questionar. Olhe para os lados, veja a si mesmo e constate que é assim. … Por isso compartilho aqui a palestra do educador Ken Robinson que, entre outras coisas, alerta que nossas escolas não estão prontas para lidar e desenvolver a criatividade humana. Pelo contrário, em geral são instrumentos de pasteurização mental, moldando nossa liberdade de criação em um padrão que atenda as necessidades de um mercado de trabalho cada vez mais fechado em si mesmo. Nele, o erro é inaceitavel.
“Eu acredito que nossa única esperança para o futuro é adotar uma nova concepção de “ecologia humana”, na qual comecemos a reconstituir nossa concepção das riquezas da capacidade humana”, diz Ken nessa palestra que anexo em seguida para você ver.
Pense, reflita e chegue as próprias conclusões
Parte 2

Morte e vida

Chega o dia em que a criança morre para que o adolescente seja mentalmente saudável e depois morra em troca da maturidade da vida adulta que lá na frente deixará de ser, pelo menos na avidez e intensidades, em detrimento da sabedoria e pacificação de quem viveu e morreu todas as fases até chegar na velhice.
Morte e vida não são conceitos antagônicos, mas realidades intrínsecas, presentes em todas as dinâmicas naturais da existência.
Começa no feto que morre e renasce bebê e permanece para sempre, permanentemente nos lembrando que para algo nascer, provavelmente outra coisa terá de morrer