Orgulhos silenciosos

Sinceramente, você está entre aqueles que se sentem virtuosos e humanos porque cumprimentam a faxineira e apertam a mão do porteiro? Porque não joga lixo na rua? Porque não ficou com o troco errado? Nossos valores não são confessados em palavras, mas especialmente naquilo que nos orgulha ou envergonha silenciosamente no cotidiano. Cada um enxergue a si mesmo.

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A cultura do politicamente correto

A cultura do politicamente correto contribui para a construção de uma alma sem opinião, sem fibra, sem clareza no que quer, dependente da aprovação da média (e da mídia) para, então, se posicionar. Uma sociedade assim torna-se fraca e facilmente manipulável. Contra isso, o bom senso e o equilibro, fundamentado na própria consciência.

Apenas o começo

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Houve um tempo em que as pessoas eram acordadas pelo galo.

Outras pelo sol.

Naquele tempo, o por do sol era convite para o sono, e os barulhos do dia tinham a ver com vento, vozes e bichos.

As distâncias eram maiores e o mundo enorme.

Computador, internet, televisão…não. Não tinha nada disso.

Em pouco tempo tudo mudou.

Ganhamos muito, mas pagamos bem caro.

Hoje somos despertados por barulhos agudos, encontrados por celulares, conectados pela grande rede que trouxe o mundo inteiro aqui para essa tela.

Somos bichos expostos pela nossa própria criação, e nos alimentamos de tudo o que nos invade:  sons, luzes, cheiros quase nos hipnotizam, e despertam impulsos na alma.

Somatizamos nossas produções até que elas saiam como síndromes, doenças, medos, angústias.

Isso porque tudo o que entra pelos sentidos, passeia no inconsciente e depois se manifesta de alguma forma.  O efeito coletivo disso é a produção da cultura que, como um ente, permanece acessível ao inconsciente coletivo em um processo de retroalimentação onde eu contribuo e ao mesmo tempo sou influenciado.

Por isso a necessidade de reconhecermos que tipo de energias tem nos invadido.

Que fantasmas povoam sua mente e o que invade seus sentidos ?

Para cuidar do que sai, antes pense no que tem entrado em seu coração.

Leve a sério seus pensamentos, sonhos, sentidos, insights, intuições.

Muito mais do que nossos antepassados, somos expostos por estímulos o tempo todo e isso cria uma alma nervosa, sem reflexão, pura reação.

Pacificar o coração tem a ver com se preocupar com o que coloca nele.

Ande com consciência, pois cada vez mais é preciso entender o tempo em que vivemos.

Somos invadidos o tempo todo, e precisamos saber o que tem nos habitado.

Parece bobagem, mas isso é apenas o começo.

Pragmatismo X Consciência – INSIGHT

Nesse Insight, minha critica não foca o pragmatismo como filosofia prática (objetividade, descrença no fatalismo), mas na sua atual desconexão com um olhar mais abrangente, desprovido de reflexão, de percepção do humano como um todo. Esse é o pragmatismo que temos vivido e promovido. Daí o título “Pragmatismo X Consciência”. Quando incluo os sistemas (politico/educacional/trabalho) faço questão de não generalizar, mas sim de refletir sobre um fenômeno que tem se instalado em nossas instituições e, sobretudo, em nosso olhar.

Mundo da mente

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‎”Você pode morar na mesma rua por muitos anos, fazer todos os dias o mesmo caminho e nunca reparar em determinada árvore plantada ali. Você passa por ela todos os dias, mas não vê porque sua mente está sempre ocupada, cegando seus olhos e desviando sua percepção do caminho. Ela está lá, mas se alguém lhe perguntar sobre ela, você simplesmente dirá que nunca a viu. O único mundo verdadeiro para você é o que existe em sua mente. Você pode estar rodeado de possibilidades, movimentos, acontecimentos para todos os lados, gente aqui e ali, mundos a tua volta, mas só conseguirá ver aquilo que encontra correspondência em seu interior.” Trecho do livro O Éden

Sobre a tragédia em Santa Maria

Quando a tragédia chega, traz com ela a perplexidade.

Olhamos para a dor e nos indignamos, pensamos nos familiares, nos jovens presos em um caldeirão de chamas, portas trancadas, sonhos brutalmente interrompidos, gente que ontem a tarde via o mesmo dia que nós, fazia planos, programava-se para a balada de sábado à noite sem a menor noção de que não haveria a manhã seguinte. Como disse Saramago, cada dia é o primeiro para uns, último para outros e mais um para a maioria. Para esses tantos jovens da tragédia em Santa Maria, a madrugada de sábado para domingo, dia 27/01/2013 foi à última.

É difícil escrever alguma coisa nessa hora, o país inteiro sofre, os familiares e amigos nem se fala. Não há palavras que confortem o suficiente, nem analgésicos que diminuam o sufocamento de almas que ainda não acreditam no que aconteceu com seus filhos, amigos, irmãos, colegas, primos, namorados que não existem mais. Pelo menos não mais a presença histórica, nem os corpos, só a lembrança e a saudade.

Tragédias nos chocam porque nos despertam para a brevidade da vida, a vulnerabilidade a que estamos expostos apesar da tecnologia, do conhecimento e dos avanços científicos. Nos confronta com o choque de que ninguém tem controle sobre nada, que a vida é breve pois hoje estamos, amanhã não mais. Piora quando o luto poderia ser evitado, especialmente nesse caso onde tudo indica que houve negligência da boate, despreparo dos seguranças, descumprimento de regras básicas que poderiam ter evitado tantas mortes.

Essa não é hora de gritarias, mas de silêncio e de choro. De reflexões e saudades, de questionamentos que invariavelmente suscitam sobre a lógica das coisas diante da perplexidade da dor.

Hoje é dia de trevas na alma de muita gente, mas um dia as trevas dissipam. Por mais ilógico que pareça, o sol sempre volta e com ele a tragédia produz perseverança, a perseverança, experiência e a experiência esperança. Esperança de que o fim dos ciclos não encerram nada, não são fechamentos definitivos, mas aberturas. Aberturas para novas perspectivas, novo olhar, nova mente que aprende a transformar dor em paradigma de mudança de mente e, por mais paradoxal que possa parecer, de renascimento, de mudanças de valores, de repriorizar escolhas, de reconhecimento de onde devo colocar meu coração, do que vale a pena minha paixão, do que merece meu amor, minha dedicação, minha energia, minha vida.

Um dia a dor será substituída pela saudade serena, pela lembrança das coisas boas que ficaram, pela pacificação se o coração permitir que a tragédia lhe ensine, deixando então de ser apenas tragédia e virando marco de experiência e de vida, ainda que por uma via tão dolorosa.

Os que morreram, estão bem. Todos eles. Acredito que foi como se acordassem de um sonho e, plenos e felizes, festejam a vida que de maneira alguma termina.

Resta aos que ficam, depois do choro, dos questionamentos, do luto que dura o tempo de cada um, a possibilidade de amanhã dar um significado pessoal a tudo isso e transformar essa aparente infindável dor, em esperança que da outro significado a vida, que aproxima mais as pessoas e nos chama de volta a nós mesmos.

Assim, honraremos, não a morte, mas a vida de todos esses que se foram e agora, no colo do Pai, voltaram para a casa.