Em cada coisa

Em cada dia, cada partida, cada chegada, cada encontro, cada porta na cara, cada “não”, cada dor, cada curva, cada diagnóstico, cada dificuldade, cada trauma, choque, encurralamento, desilusão, separação. Cada adeus, cada olá, cada mudança de percurso repentina, sem aviso, sem espera, de surpresa, cada novo cenário que recomeça com o nascer do sol, e aqueles que desaparecem com a chegada da lua, em tudo, acredite; há uma outra chance entre tantas que você sequer vê porque reclama demais, sem perceber como tudo converge em uma única direção: te fazer se calar, se enxergar e se curar. A cura vive em você.

Ciclos

Cada vez que você é afetado pelos reflexos de um ato praticado por outro, seja no passado ou no presente, tem a chance dar uma resposta em amor.
Sempre que faz isso, melhora o outro em você. Como todos são conectados, suas respostas em amor dá ao outro uma chance que – da mesma maneira como aconteceu com você – volta para ele como outra via de possibilidades.
Se ele entende e também responde em amor, criará um ciclo de pacificação que vazará para mais gente.- livro O Éden

 

Sabedoria

“A verdadeira sabedoria é um processo interior, indiscernível e não mensurável. Muitas vezes a própria pessoa não tem consciência do que realmente sabe. É por isso que a caminhada na Terra deve ser um processo de entrega, simplicidade e percepção focada em tudo o que é simples e puro. Ninguém precisa ir além disso porque é na simplicidade que as maiores verdades se encontram. O que passar disso pode servir de divertimento intelectual, mas não será nada além. Felizes os que sabem expressar sua sabedoria com palavras, mas esse não é maior do que aquele que não sabe nem ler, mas expressa em sua simplicidade, na caminhada, no sorriso, no olhar, no jeito simples de ver a vida e servir ao próximo. Nada supera isso.” Trecho do livro O ÉDEN

Quem escolhe as tragédias?

Sua vida é reflexo de suas escolhas. Mesmo que eu perca duas pernas em um acidente? Mesmo que alguém muito próximo seja assassinado com requintes de crueldade? Mesmo que um filho tenha nascido doente e viva pouco tempo? Você tem mesmo coragem de dizer que fui eu que escolhi assim? É o tipo de questionamento que muitas vezes chega até mim, especialmente diante de minhas constantes afirmações de que “seu mundo reflete você.”

O que dizer? Recorrer ao “porque Deus quis” ou “é seu carma” ?

A experiência da vida é difícil, entre outros motivos, porque vivemos entre contradições, entre o agora e o ainda não, entre a finitude, o corpo que morre todos os dias, a mente que apaga, desgasta, desvanece, existindo no tempo enquanto se pode acessar dimensões atemporais na memoria, sem controle, expostos a choques de realidade que afunilam os caminhos até a perplexidade, daquele que, diante do muro, sem aparentes saídas, pergunta-se “E agora?”. Ninguém tem controle sobre as chamadas fatalidades e seria no mínimo desumano acusar quem quer que seja de “mas de um jeito ou outro foi você que escolheu”. Não! Nem sempre. Não posso acusar uma família passando férias na Indonésia de serem culpados pelo Tsunami, nem os passageiros de um avião que caiu de serem eles os responsáveis diretos pela tragédia. A vida é assim, o mundo está cheio de imprevistos e, saibamos, cada um de nós sempre estará expostos as dores, ao que alguns chamam de contingências e outros de aleatoriedade, mas, tanto um como o outro, nos pegam de surpresa e nos  esbofeteiam, desafiando que alguém se apresente para responder a escancarada pergunta: afinal, quem está no controle?

Sendo assim, definitivamente, nem tudo é reflexo de minhas escolhas e não posso ser acusado de responsável pela maioria das tragédias que me cercam, mas… Sim, há um “mas” nessa história: Mas sou eu que escolho o que vou fazer com isso e o que isso fará comigo.

Enquanto humanos, cada um de nós experimentará toda sorte de acontecimentos, seja os que definimos como bom, sejam aqueles que não se encontram nenhuma perspectiva para chamá-los de outra coisa a não ser maus, tragédias, dores. Todos teremos que lidar com esquinas, desvios, acidentes de percurso que exigirão mudança de caminho, alteração de planos, redefinição de escolhas e, aí é que está: mais do que a simples diversidade de experiências, é aquilo que escolho fazer com elas que definirá quem sou e o que estou me transformando.

Depois do luto, passada a perplexidade, superado o vazio, o que vou fazer com isso? Que nome darei a tragédia? O que farei com a perda?

De fato, na caminhada há muitas surpresas e tem dias que gostaríamos que nunca tivessem existido, mas é assim que crescemos  aprendendo a dar nome as coisas, chamando-as pelo que são e entendendo que posso superá-las, transformá-las e, apesar das dores, como as dores de um parto, renascer do luto, ultrapassar as perdas, enfrentar os medos e escolher ser alguém melhor.

É sobre isso que me refiro. Ninguém disse que seria fácil, ainda teremos que enfrentar leões e quem sabe o que virá? No entanto, passar por eles e seguir adiante, usar cada pedra para construir um pedaço da morada que cresce para dentro, superando, ultrapassando, transcendendo minha própria dor, projetando significados, enxergando espaços para crescer, por mais difícil que seja, por mais que eu queira sentar e chorar – e há tempo para isso- , por mais que eu ache que não dá. No outro dia, quando a noite for embora, levanto da cama e me surpreendo por conseguir andar, por ver o sol de novo, porque a noite passou e a manhã me trouxe até o dia da minha escolha, o dia chamado hoje, o dia daquele que entendeu que pode sim escolher o que vai ser na sua vida.

Não tenho controle sobre todos os acontecimentos, mas o que fazer com eles é unica e exclusivamente escolha minha.

Não posso evitar todas as tragédias, mas cabe a mim revivê-las sucessivamente todos os dias ou ultrapassá-las e sair mais experiente do outro lado.

Não gosto de tudo o que vejo e, se pudesse, pularia uma série de etapas, mas são elas que me tiram da zona de conforto e me dão chances para enxergar o que existia em mim, mas estava escondido.

Não sei lidar com uma série de imprevistos, mas aprendo se mantenho a serenidade de olhar, mesmo diante da momentânea perplexidade em lidar com aquilo que não quero.

Não quero experimentar tragédias e dores, prefiro o descanso e a paz, mas, ao enfrentá-los, desloco a experiência do descanso e da paz para dentro, não como fruto da necessidade de uma vida tranquila e estável, mas como reflexo de quem entendeu que é na interioridade onde vive a realidade.

Não concordo com tudo o que acontece, definitivamente mudaria muitas coisas na vida e assim, aprendo a esperar e ter calma antes de qualquer coisa, entendendo as dores produzem a paciência, a paciência experiência , a experiência, esperança e a esperança gratidão.

De dores em dores, de perplexidade às tragédias que não escolho, da luta e o do susto que não domino, sou eu quem escolho, afinal, o que vou fazer com isso?

Responder a essa pergunta é o que definirá quais serão todos os meus caminhos.