Tsunamis da alma

Se tivéssemos clareza das nossas construções interiores e víssemos as estradas, os castelos, templos, labirintos, cavernas e buracos que nos escondemos e construímos dentro da gente, espelhos que nos refletem sem que percebamos, e, tudo isso projetado no olhar, influenciando nossa leitura da vida, do outro e de nós mesmos, levaríamos um grande susto.

Provavelmente perceberíamos o quanto somos influenciados pela nossa história, cultura, geografia, pelo que nos entrete e cativa, pelo que nos abraça e motiva, e, então veríamos nossa nudez pela primeira vez, entendendo de fato a necessidade constante, presente, continua e permanente de desconstruções interiores, para que algo genuíno possa nascer em nós.

Somos expostos a dilaceramentos diários, desintoxicações do que impusemos como algema na mente, cegueira nos olhos e nos faz acreditar que o único mundo real é o presépio que, sem perceber, construímos.

Geralmente as desconstruções – por mais dolorosas que sejam- trazem incríveis oportunidades de renascimento, e, no fim das contas, nos mostra que antes de grandes edificações é preciso limpar o terreno e derrubar todas as velhas estacas que resistem permanecer em pé.

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Ainda que alguns dias sejam difíceis

A felicidade não é um estágio alienante, um comercial de margarina, uma caixa só de alegrias, bem estar e devaneios. Quem diria, mas, na felicidade há pontuações de tristezas também.

Chega determinado tempo onde aprendemos que felicidade e tristeza não são necessariamente opostos, óleo e água, mas muitas vezes complementares. Um caminho sem absolutamente nenhum tropeço, nenhuma dor, nenhuma relativização, nenhum interromper de planos, cauterizaria nossa sensibilidade de percepção, especialmente porque a esmagadora maioria de nós não vive consciente, mas reage mentalmente a estímulos e impulsos.

Achamos que bem é o que nos afaga e mal o que nos espreme, e quase nunca consideramos os processos inteiros, os salvamentos do ego, a sensibilização do olhar, o desintoxicar dos sentidos que, de outra maneira, continuariam entupidos por nossas “necessidades” de consumo, prazer, autoafirmação cheia de angústia.

Quer realmente ser feliz? Então, antes de tudo, é preciso aprender a caminhar na ambivalência, desconsiderando o conceito publicitário de felicidade, experimentando a vida como uma dádiva, feliz, grato, humilde, solidário, sabendo que tudo coopera para o crescimento, ainda que alguns dias sejam difíceis.-

Encontros Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Você vem?

Amigos de Belo Horizonte e do Rio de Janeiro, faltam poucos dias para que as inscrições para nosso encontro encerrem. Ainda há vagas! Gostaria muito que tivéssemos o privilégio de estarmos juntos, conversando, compartilhando, ajudando uns aos outros a expandir o olhar, aprofundar a consciência, conectarmos ao que realmente importa. Acredite, é uma grande oportunidade! Você que está no Rio ou BH. escreva para encontrospelobrasil@gmail.com Os espaços são limitados. Você vem?

foto flavio

Um dia você entenderá

Dentro do mundo, há um mundo, o único que de fato existe para mim, o meu mundo, eu.
Eu, que apesar de estar cercado de milagres, de cuidados, de bilhões de processos que se completam, se vinculam, se desdobram em outros e outros e outros que me mantém vivo, que fazem com que meu corpo funcione e eu nem perceba, que alimentam minha mente em sonhos, que enchem meus pulmões de ar, que me vela enquanto durmo e mantém meu coração funcionando, enquanto não vejo, enquanto não sei, que me livra da morte apesar de minha ignorância. Estou vivo, sou vida, mas….não vejo quase nada.

Aqui no tempo da relatividade, estou condicionado aos meus limites, as parcas percepções sensoriais entupidas de tantas impressões, intoxicado por tanto medo, pela cultura que me formata e me cega, que dificulta o que deveria ser mais simples, aquietar-me, pacificar-me, aprender a confiar no fluxo natural da existência que organiza o caos, que sustenta as estrelas, abriga o animal mais exótico no deserto mais distante, que alimenta o pássaro que não se preocupa com o amanhã, o bebê, inocente, limpo, aberto, que chegou faz pouco tempo sem nenhuma pergunta a fazer.

Por que tanta pre ocupação? Por que tanta resistência em simplesmente descansar. Deixar que o silêncio seja eloquente, ouvir o que o barulho esconde, perceber no simples, no agora, no cotidiano, na brisa, nos movimentos sutis da vida que projeta no caminho os grande sinais, as maiores lições as respostas que precisamos.

Talvez as coisas não sejam assim tão difíceis. É provável que nossa pressa, aquela angustia que nem sabemos o que é, projetada nos acontecimentos, nos outros, em situações que ganham densidade, peso, sem que precisasse ser assim…é provável que é essa carga pesada que disfarçadamente carregamos, que tantas vezes negamos e fingimos não ver. É provável, que o desgosto da vida, a dureza da realidade, a crueza de cada cada história, de repente, fique leve, alivie.

É provável que um dia percebamos, que enxerguemos de longe para finalmente entender que tudo estava conectado, que tudo é uma coisa só, que não há experiencias vãs e, no silencio, na quietude, na pacificação que começa dentro, é provável que um dia finalmente eu entenda que, noite e dia, luz e trevas, dor e alivio, tudo, existiu para me fazer aprender a amar, a finalidade de toda a experiência.

Isso passa

A dor faz parte do processo, o inconformismo, o cansaço, a sensação de remar contra a maré também. É normal, é natural, é sinal que você não se tornou um psicopata existencial, do tipo que vê mas não enxerga, que sabe, mas não sente, afinal, nem sempre o mundo é um lugar fácil para viver.

Não são apenas os “insights” que nos elevam, tampouco haverá plenitude enquanto convivermos com tanta dor. Portanto, se esse for seu processo hoje, receba aqui minha solidariedade, meu carinho e minha completa certeza de que isso passa. Sim, acredite, isso passa.

Apontamentos

Tudo pode ser bom se for apenas apontamento, se for por um tempo, se não criar dependência, nem sentimento de superioridade, nem ilusões sobre um possível confinamento da verdade. Nada tem esse poder. Nada detém a verdade toda. Nada nem ninguém é absoluto. Somos todos relativos e, consequentemente, relativas são nossas filosofias e produções.

Perceba…

Olhe…veja cada situação, as que chamou de boas ou ruins, todas conspiravam em favor da sua construção pessoal, para que crescesse em consciência. Pense bem.

O que parecia sem explicação, encaixou lá na frente, conectou-se com novos caminhos que você sequer cogitava, emendou-se em outras histórias com enorme potencial para agregar, e você nem percebeu.

Como um tapete, cheio de alinhavamentos e desvios na parte de baixo justifica o trabalho do outro lado, assim são suas histórias que se cruzam, atravessam, desconstroem para depois unirem-se como uma coisa só.