Céu em nós

Acabei de pousar em Floripa para o encontro de logo mais, o céu estava lindo, cumulus, stratus, cirrus lá em cima, o sol nascendo esplendorosamente enquanto subíamos de nível e furávamos as camadas.

Embaixo gente dormindo, vivendo suas vidinhas cabisbaixos, limitados a perspectiva imediata, aos problemas de logo mais.

Vim maravilhado com o mundo onde habitamos e nem vemos, o espetáculo silencioso e natural que se desenrola sobre nossas cabeças entulhadas, ocupadas, fixadas no chão.

Como seria bom se cada humano despertasse para a correspondência entre esse universo infinito, misterioso, maravilhoso e sua própria condição natural, universo ambulante, centelha de vida dotado de consciência, capaz de amar e transcender seus próprios limites.

Enquanto voava sobre as cidades, pensava em gente que dorme, que pensa que é apenas o que os outros reconhecem, entretidos, massificados, perdidos em seus sonos profundos, até que entendam, que se enxerguem, que reconheçam a beleza da vida, o universo que somos.

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Caminhos e acessos para o amor

Posso ser conhecedor de todos os mistérios quânticos e criar técnicas revolucionarias de catarses psicológicas, de curas físicas, de reprogramação mental, energética, holística, mas, me responda, do que adiantará se nada disso produzir amor?

Posso ser o melhor orador, debater com grandes mestres, ter profundo conhecimento intelectual, psicológico, histórico, físico, filosófico, mas, sinceramente,se nada disso me aprofundar na consciência do amor, serei apenas um soberbo cheio de ideias.

Se eu souber todos os mistérios da neolinguística, me tornar mestre em técnicas milenares, doutor em teologia, conhecedor de fórmulas, sistemas, rituais sem a percepção de que nenhuma ferramenta, por mais útil que seja, produzirá amor, serei um alegre com prazo de validade, sem paz, sem felicidade, caminhando para a frustração até que outra novidade apareça.

Tudo pode ser bom, se deixarmos, tudo é apontamento, caminho, mas nunca destino final, afinal, a consciência do amor se aprofunda em simplicidade, no cotidiano, nas experiências, no “não saber”, no vazio, em cada escolha, nas pequenas respostas à vida.

Cada um de nós faz sua própria viagem, cada uma reflete o momento em que está e, sim, pode ser uma seta, um estágio que ajude muito até que aprendamos a caminhar com as próprias pernas, seguros, gratos, suficientemente maduros para entender que não se vive em maquetes, mas na vida, nas ruas, nos relacionamentos, com gente diferente da gente, em ambientes hostis muitas vezes, contraditórios outras tantas, expostos a completa imprevisibilidade da vida, a não linearidade dos caminhos, das relações, das experiências que se conectam, se vinculam, se desdobram e se enraízam em quem se faz presente e não cobiça o controle.

Viva seus momentos, experimente, aprenda, cresça, há muitas coisas boas, há muita gente legal, sim, muitos grupos, muitos caminhos, muitas propostas, muitos fragmentos de verdade espalhados pela terra, uns tem nomes orientais, outros ocidentais, outros tantos nem nomes tem, são “pequenos” de mais para serem percebidos, há estradas e estradas em todos os cantos e, cada vez mais, códigos diferentes, discursos aparentemente opostos que apontam para o mesmo lugar, que se tocam no essencial e isso é maravilhoso!

Siga por onde seu coração mandar, conforme sua cultura, sua história, seu momento, sua consciência, mas, não esqueça: nenhum caminho pode produzir amor se não estiver conectado a prática da vida, as experiências diárias, as contradições de existir em verdade, em presença, em simplicidade, em amor. O que passar disso é só labirinto, um caminho com fim em si mesmo e nada mais.

Encontro em Floripa!

Amanhã cedo decolo em direção à Floripa para mais um encontro, o penúltimo de 2013. Aliás, encontros nunca são “mais um”, especialmente porque cada um tem sua energia própria, seus encaminhamentos naturais, suas questões específicas.

Será algo simples, para poucas pessoas, bastante pessoal para compartilharmos experiencias e falarmos sobre os benefícios do aquietar-se e as possibilidades de expandirmos nosso olhar.

Fico bastante feliz, sobretudo com os encontros humanos que acontecem, com a tal “desvirtualização” do meu trabalho que propus no meio do ano e, desde então tantas coisas boas aconteceram. Os Encontros são fruto disso. Portanto fica aqui minha gratidão por quem estará comigo amanhã e meu convite para quem quiser ir, já que ainda restam vagas e hoje é o último dia para inscrição. Se quiser, escreva para encontrospelobrasil@gmail.com que te detalho como fazer. Grande beijo, fique bem e até daqui a pouco.

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A dimensão do inesperado

Que as coisas deem certo e sejam como você espera, que seus planos se concretizem conforme tem se preparado, mas, preste atenção: mantenha em você uma dimensão aberta para o inesperado, para as surpresas boas da vida que chegam, nos abraçam, surpreendem e abrem perspectivas sem que tenhamos sequer cogitado.

No começo assustamos como quem vê seu infalível plano frustrado, parece que tudo deu errado, mas, se esperarmos mais um pouco, se evitarmos a reclamação, a raiva, o sentimento de perda, certamente concluiremos que de fato uma nova, maior, melhor porta se abriu.

A gente só percebe quando essas portas se abrem, enquanto não depositamos todas as fichas em nada. Não faça isso. Não jogue todas as fichas em uma única possibilidade, muito menos condicione sua felicidade a um desfecho específico, como se não houvesse outros caminhos, como se você realmente conhecesse todas as cartas, soubesse todos os passos, todas as possibilidades intrínsecas em cada cenário.

Talvez esse seja o momento de trabalhar para que certos processos se concluam, acho justo que se esforce para que seus planos se concretizem, isso é bom e necessário, mas me refiro ao perigo de apostar todas as fichas nisso sob o risco de perder a perspectiva mais ampla. Muitas vezes o que chamamos de “meta” é apenas um apontamento para chegarmos a determinado ponto do caminho e, nesse ponto, simplesmente percebermos que a meta deixou de ser meta e está na hora de mudar a rota. Acontece muitas vezes.

Como eu sempre digo, em nossa volta há bilhões de possibilidades, de desdobramentos que sequer enxergamos, afinal, só vemos uma ou duas perspectivas. Entende o que eu digo? Pode ser que seu plano atual de certo e será maravilhoso! Mas pode ser que não dê e, se não der, sei que há outras bilhões de possibilidades que você só enxergará quando descansar, certo de que não é esse ou aquele objetivo, mas é a vida, é o fluxo natural que lhe sustenta e movimenta as possibilidades.

Esteja atento e não perca a oportunidade de enxergar as grandes surpresas que a vida reserva, no entanto, só são percebidas por quem mantém em si mesmo, disponível, aberta, a dimensão do inesperado.

Aprendendo com a falta de esperança

Ás vezes perdemos a esperança. É como se não houvesse argumentos ou qualquer tipo de situação que se sobreponha a fatal constatação de que não há mais razão para esperar, o que eu pensei que fosse acontecer não aconteceu, aquilo que demandou investimento, suor, dedicação, fé, simplesmente foi diluído diante de uma realidade inexorável e, com ela, a des-esperança.

Nesse Insight, uma conversa aberta, franca e realista sobre nossa vida no mundo, as contradições que produzem desgaste, as dificuldades que muitas vezes dificultam a esperança em dias melhores e o quanto podemos aprender a esperar com a des-esperança. Independente dos cenários, que nossa conversa de hoje lhe aqueça o coração e, sobretudo, lhe ajude a acreditar que a vida pode ser melhor.