Muito obrigado à você !

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Faz alguns anos que, todos os dias, em cada experiência, tenho aprendido que os acontecimentos mais significativos de nossas vidas costumam vir sem aviso, sem planejamento, surpreendendo quem pensava ter tudo traçado. A gente aprende a importância de caminhar atento, sensível, sabendo que, de repente, uma curva, uma esquina, uma surpresa que conectará acontecimentos aparentemente sem vínculos e fomentará um novo olhar.

Meu 2013 foi muito especial. Foi um ano onde tive que fazer escolhas, reposicionar-me, arcar com o custo de uma decisão irrevogável: alinhar meu caminho de fora com o caminho de dentro, repriorizar importâncias e deixar que a vida fora seja reflexo inconteste da vida interior. Isso alterou muita coisa no meu dia a dia, da vida profissional ao andamento da vida pessoal, passando pela financeira e tudo o que disso deriva.

No fim do ano o saldo: valeu a pena! Tenho tido o privilégio de poder compartilhar com tanta gente o que tenho aprendido, ver que outros tantos, gente que por alguma razão se aproximou e resolveu caminhar comigo, tem crescido em percepções, em gratidão, em entendimento de como as dinâmicas da vida acontecem, tem sido mais sábios, experientes, pacificados a partir de uma semente que despretensiosamente deixo que a terra absorva e faça o que deve ser feito. É uma alegria quando vejo gente que descobre que não está sozinho, que outros sentem as mesmas inquietudes, que somos essencialmente tão parecidos.

Sinto-me recompensado pelos Encontros, pelos vínculos, pelas trocas, por tudo de bom que inesperadamente aconteceu. É extremamente recompensador quando percebo que, entre tantos, alguns tem entendido, tem perdido o medo, tem se aquietado.

Quero expressar aqui minha mais sincera gratidão. Que você saiba a importância dessas trocas, desse constante crescimento, o quanto isso tem feito bem a mim e me motivado a, em 2014, seguir na mesma trilha, acrescentando novas ferramentas, mais canais de aproximação.

Não sei como tudo ocorrerá, tampouco se tudo o que planejo será com penso, mas, e daí? Importa que estejamos abertos para a vida, conectados uns com os outros, ajudando-nos, pacificando-nos, gratos diante dessa incrível experiência que é viver na Terra conscientes de que somos um, estamos intimamente ligados e, juntos, compartilhamos o privilégio de construir uma única história de amor.

Grande beijo, um 2014 cheio de significados para você.

Obrigado por tudo, obrigado por estar.

Flavio.

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Relacionando-se

Para você se relacionar consigo mesmo é preciso aprender a relacionar-se com o outro, mesmo que “o outro” não seja aquilo que gostaria que fosse. Quanto menos interesses mais abrangente o olhar, menos focado em possíveis “benefícios”, cresce a intenção genuína de ser solidário, presente quando necessário, aquele que responde as demandas da vida em amor.

Poder escondido

Há em cada um de nós um grau de poder, de força, de regeneração – seja em que nível for – muito maior do que os laboratórios farmacêuticos e os planos de saúde gostariam que soubéssemos.

O ser humano pode criar além da poesia, da música ou tecnologia, afinal, tudo o que criamos é apenas um pálido reflexo de nosso intrínseco poder de criação de mundos, de realidades, de potencialidades que sequer cogitamos, de curar, de alívio, de possibilidades infinitas.

Um olhar desintoxicado, imparcial, carregado da energia do amor pode bem mais do que imaginamos, alias, ninguém sabe de fato até onde nossas potencialidades vão. Nossas escolhas e prioridades nos transformaram em um mínimo fragmento do que poderíamos ser, do que realmente somos em algum lugar dentro de nós. 

A Terra e o mundo

Você já teve a sensação de que não pertence a esse mundo ?
É quando a gente olha para o que a maioria acha bom e não consegue enxergar a razão. Sabe quando é difícil achar graça do que faz a multidão gargalhar, bonito o que quase todos se impressionam e importante o que a maioria valoriza ?

Você vê as pessoas hipnotizadas diante da TV, desesperadas atrás de dinheiro, trombando umas nas outras, em atrito, desgaste, stress, e nem sabem a razão.

Pais tratam filhos como fardos, filhos olham para os pais como empecilhos, políticos olham pessoas como lixo que vota, pessoas olham políticos como salvadores da humanidade, religiosos veem seus fiéis como massa de manobra, fiéis veem religiosos como representantes de Deus na Terra, enquanto a mensagem que ecoa de todos os lados é : “Tenha” ,”Aparente”,”Compre, compre , compre”.

Veja os livros mais vendidos. São sempre os “não sei quantos passos para não sei o que lá”. “As não sei quantas receitas para ser feliz”, “Você pode ser “o cara” se fizer isso ou aquilo” . E assim, perdidas, ávidos leitores compram e compram e compram.

No meio disso tudo, gente sensível que não perdeu o olhar e, diante dessa loucura, sente como se não pertencesse a esse mundo.
Pois é. A verdade é que não pertence mesmo.

Existe uma diferença entre Terra e Mundo. A Terra é onde vivemos. O planeta azul que gira em torno do Sol. O Mundo é o que criamos a partir do nosso olhar.

Seu mundo só existe em você e se projeta em tudo o que vê. Só é possível discernir o mundo a partir de você mesmo, por isso, cada leitura da vida é uma confissão. Não há outro jeito.

E o que isso quer dizer?

Se você se sente fora de casa, se esse mundo não se parece em nada com aquilo que existe aí dentro e a sensação é de constante desconforto, saiba:
Ainda que não possamos eliminar esse sentimento por completo, temos uma escolha. Essa escolha permite que, ainda que as coisas sejam como são, você as interprete a partir de um novo olhar. Isso muda absolutamente tudo!

Esse olhar sabe como o mundo é, mas reconhece a necessidade de temperá-lo com o que você faz de melhor. Seja uma palavra, uma ajuda, um sorriso, o primeiro passo para uma reconciliação, um pequeno movimento que ajude as pessoas a despertarem.

Você muda todo mundo quando seu mundo, que é você, muda.

É aí que as coisas acontecem de verdade. Ainda que tudo lá fora seja uma loucura, ainda que cobradores apareçam em sua porta no domingo de manhã e tudo pareça uma completa insanidade, entenda, é o bom olhar que projeta no caos o equilíbrio e permite que nós, os “forasteiros”, façamos alguma diferença aqui.

O desafio é o equilíbrio entre o sentimento de não pertencer a esse mundo com a necessidade de conviver com ele, suas contradições e necessidades.
Até chegar o dia em que você definitivamente entenda que, aquilo que somos por dentro irradia a nossa volta e reproduz na existência o que nos habita. Seja para o “bem” ou para o “mal”, os acontecimentos vem e vão na medida que preciso enxergar, entender e amadurecer. Brigar com eles só me distanciará dessa condição.

Uma história de fim de ano

Estamos passando as festas de fim de ano na casa da minha sogra em Pelotas/RS. Viemos eu, a Lu e o Flavinho, além dos outros filhos, genro e nora. A casa é grande, tem muito espaço para todos, o pomar, a piscina, os balanços construídos para a única criança da família, meu filho, que já está quase deixando de ser criança.

Todos felizes, todos juntos a não ser por um detalhe: desde o dia 24 que a água sumiu, com exceção de duas torneiras independentes no fundo da casa, o que significa banhos de canequinhas, descargas via balde d´água, dificuldades que nós, habitantes de grandes cidades, consumidores de água encanada, estranhamos bastante. Para ajudar, o calor por aqui tem sido na faixa dos 35/40 graus, com sensação térmica ainda maior diante do clima úmido da região e, como se não bastasse, constantes e prolongadas quedas de energia, inviabilizando o uso de ar condicionado ou ventiladores.

Hoje, ao acordar, encontrei meu cunhado e sua esposa na sala, todos emburrados, suados, lamentando a dificuldade para um simples banho. Sentei com eles e comentei sobre algo curioso, se pensarmos na grande parte dos que viveram na Terra, incluindo reis, príncipes e gente muito rica, a maioria viveu de maneira parecida com a que estamos vivendo aqui. Não havia água encanada, não havia luz, nem internet, nem celular. Observei como é interessante notar o nível de nossa dependência, quanto a falta do conforto nos afeta, nos diminui, nos fecha para todas as outras coisas boas que permanecem exatamente no mesmo lugar.

Não estou dizendo que tudo isso é bobeira, que não faz falta, faz sim ! Mas quem sabe poderíamos aproveitar para, ao invés de reclamar, refletir, valorizar o que temos em nossas casas em Porto Alegre, o conforto que faz parte do dia a dia e sequer percebemos. Como é bom poder ter banho, luz, água encanada, descarga! Podemos viver sem o luxo, mas passamos a vida inteira atrás do supérfluo até perdermos a noção do essencial.

Propus que desfrutássemos o fato de estarmos juntos, que a dificuldade em encher baldes e esquentar canecas de água no fogão valorize o banho, que seja feito em gratidão, com alegria, com significado.
Aproveitei para refletir sobre o fato de nunca sabermos quando estaremos juntos de novo, se é a última vez, meu sogro, por exemplo, apesar de forte e saudável, já está com 83 anos, enfim, tudo pode acontecer.

Minha cunhada sorriu, meu cunhado mudou a expressão, ficaram felizes, parece que perceberam que não se trata apenas da falta d´água, mas de uma oportunidade !

No fim da manhã minha sogra apareceu com uma bomba d´água que resolverá o problema em parte. Pelo menos alguns banheiros voltarão a ser abastecidos pela caixa d´água, de qualquer forma, já aproveitei um dos banheiros, enchi o balde, esquentei a água e estou novinho em folha e aproveitando para compartilhar contigo essa experiência, do quanto nos tornamos reféns, em como nosso sentimento de bem estar é algo tão frágil, tão dependente de confortos externos, do quanto estamos dispostos a, em situações como essa, superarmos o desconforto e enxergarmos o que realmente faz diferença.

Ter conforto é bom, seria maravilhoso se a maioria da população tivesse acesso ao mínimo, se todos pudessem contar com o essencial. Não proponho que ninguém se acomode e viva sem estrutura, não é isso, mas, sinceramente, essa, que parece ser uma das minhas últimas lições do ano, me lembrou o que realmente importa, as relações, as pessoas, a oportunidade de, juntos, superarmos dificuldades e sairmos delas melhores, mais experientes, mais sábios. Estamos tentando conquistar o mundo sem lembrar que ,muitas vezes, uma simples canequinha é tudo o que realmente precisamos.