Viver na “Matrix”

Sim, eu vivo na “Matrix”, ela está em todos os lugares,mas diariamente trabalho para que ela não viva em mim. Essa simples percepção é suficiente para que eu não seja sugado e, mesmo com a necessidade de eventuais concessões (para a manutenção de uma vida funcional) faça com equilíbrio, bom senso e pacificação.

De repente…

Às vezes nos desgastamos tanto por conta de alguma expectativa, por algo que desejamos que aconteça, sem parar para pensar que as maiores surpresas da vida podem acontecer, assim, sem aviso, sem estardalhaço, sem planejamento, sem anuncio de nenhuma natureza.

Um dia acordamos e fazemos tudo como sempre, sem imaginar que naquela esquina, naquela falta de luz, naquele acidente, naquele insight, do nada, inesperadamente, a resposta que só veio quando finalmente nos aquietamos. Que esse curtíssimo vídeo lhe faça bem e reposicione sua mente hoje!

Algumas perguntas desconfortáveis

Você que acorda cedo e sai para o trabalho. Se inquieta com seu salário e os rumos da economia ou das próximas eleições. Que paga seu plano de saúde, o seguro do carro e o de vida. Lê seus jornais pela manhã e, no fim do dia, assiste aos tele jornais antes de descansar. Você que está atento e informado sobre os rumos da tecnologia e não perde uma oportunidade de comprar a mais recente novidade.

Talvez você se considere um ser espiritual, evoluído ou simplesmente em dia com suas obrigações religiosas, afinal acredita em Deus e respeita o próximo. Está em dia com seus impostos, certo ? Não compra produtos piratas, não suja as ruas e segue todas as campanhas politicamente corretas.

Você que se diverte e investe em lazer, viaja sempre que dá, assiste aos seus programa de televisão e tem suas próprias opiniões em relação a política, futebol e o comportamento da sociedade.

Você que vive sua vidinha normal, sem excessos, seguindo o fluxo do que a média aceita, tolera e considera saudável.

E se você estiver preso em uma caverna sem saber ?

E se o que você estiver vendo são apenas reflexos ?

E se o caminho da média – estrada para a mediocridade – for o único caminho que você trilha ?

E se um dia você entender que sua vidinha é uma jaula de conforto e, de repente, se sentir a um passo da liberdade ?

Já pensou se – ainda que você não queira – uma curva inesperada em seu caminho colocar sua vida de pernas para o ar e, em questão de segundos, tudo o que parecia estável e encaixado perder completamente o sentido ?

E se não for mais possível fingir que não vê ? Que não sente ? Que não quer ?

Que tipo de sentimento terá quando, não mais o piso fechado, gelado, estável e seguro da jaula estiver diante dos seus pés, mas a grama, a terra e o sol ?

Ou será que você realmente acredita que esse teu comodismo existencial que lhe dá sensação de conformo e segurança justifica sua existência? Ou será que você realmente acredita que estará para sempre no controle e o que hoje lhe parece insondável, permanecerá escondido eternamente ?

Acredita mesmo que sua saúde, seu dinheiro, seus argumentos, sua aparência, sua articulação, sua influência, sua sanidade nunca terminarão?

Tem absoluta certeza de que aquilo que você tanto almeja e chama de poder, conquista, metas ou vitórias, lhe conduzirá para fora da jaula?

Como será o dia em que a jaula se abrir e você olhar para a luz do sol?

Quando perceberá que tudo o que precisamos é nos expor a sua luz e simplesmente despertarmos para um fluxo maior, para o que de fato da sentido a vida ?

Até que ponto lhe parece plausível que nada lá fora fará sentido, se não for iluminado pelo sol ? O sol que brilha do lado de dentro e reflete lá fora, que irradia em tudo a vida que somos, que fazemos, que alimentamos, que nos dedicamos, que cultivamos em nossa interioridade.

Permanecer na confortável jaula é mais fácil, pode durar muito tempo, mas um dia você terá de sair, confrontar-se, enxergar-se, reconhecer o que fez com sua vida. Até quando?

Menos complexidade, mais simplicidade

Se abríssemos mão das complexidades, do que parece inacessível, inalcançável, intocável.

Se parássemos de nos diferenciar, como se uns merecessem, outros não, uns valessem a pena, outros não, como se houvesse privilegiados pelo universo com livre acesso a mistérios que os “outros” jamais pudessem ver.

Se não nos impressionássemos com os “grandes”, os que que aparentam superioridade e nos concentrássemos no simples, no agora, atentos para os pequenos e abundantes sinais do dia a dia, entenderíamos. Saberíamos que a dor é desnecessária na maioria das vezes.

Teríamos mais clareza do nível de nossa autossabotagem, do quanto perdermos oportunidades, das vezes que nos imputamos sobrecargas sem a menor necessidade.

Se fosse assim, alimentaríamos menos ambições vazias, menos expostos a sequestros de mente, de alma, de energia, viveríamos uma vida com mais significado, valorizando quem e o que realmente importa.

Seriamos mais tolerantes, mais inclusivos, mais sensíveis às necessidades do próximo.

Se abríssemos mão da necessidade de provar que somos o que não somos, então, provaremos nossa própria porção, tudo será mais simples, labirintos desfeitos, problemas resolvidos, coragem para ser o que somos, para finalmente vivermos em paz, hoje, agora, sempre.

Juízo de contradições

As coisas são o que são, as pessoas convivem com suas escolhas e sofrem interferências de escolhas alheias, mas o grande erro reside em tentar anexar juízo quando tenta interpretar uma história, ou na tentativa de explicar determinada fatalidade, desconsiderar que você nunca entenderá a razão de possíveis contradições simplesmente porque elas não se aplicam a você.

Cada humano é um mundo e só ele poderá dar significado ao que lhe acontece, seja a criança que nasceu doente ou a sã.

Seja o pobre ou o rico.

Aquele que convive com ótimas oportunidades ou a pessoa que nunca entrou em uma escola. Olhar para eles e tentar interpretar cada contradição a partir de você é completamente diferente de saber que cada contradição só passa a fazer sentido a partir do olhar de seus protagonistas.

Esse, mesmo que não veja, está diante da contradição que carrega em si inúmeras possibilidades únicas e específicas. Livro O ÉDEN

Tudo o que precisamos

Tenho aprendido que tudo o que precisamos está a nosso alcance.

Na verdade nem sempre temos o que gostaríamos. Nem sempre o sonho casa com o real e, as vezes, os fatos contrariam os projetos. Mas é assim : Espantosamente tudo o que preciso me ronda, me cerca, me alcança, me invade.

Não tenho a menor ideia de quantas vezes fugi.

Já rejeitei remédios, joguei fora acontecimentos que, apesar da dor, só me fariam bem. Fugi da cura, viciado na dor, reincidente nos erros, nos tombos, nas culpas, para depois olhar dizer “a vida é injusta!”.

Corremos atrás do que nos parece perfeito, almejamos o ideal, nos focamos até que o tempo, felizmente, insista em mostrar que há outros caminhos, mais simples, mais verdadeiros, mais coerentes com o que estamos nos tornando de dentro para fora.

Provavelmente, se fossemos roteiristas dos nossos dias, escolhessemos cada cena, definíssemos cada papel, cada trama, cada desfecho, certamente teríamos pulado muitos capítulos, especialmente os que contribuíram para que fossemos mais experientes, maduros, pacificados.

Nos negaríamos a acrescentar momentos difíceis em nossas histórias sem pensar que eles nos trariam até o nível de consciência de quem entende que tudo o que preciso está aqui. Tudo.

As dores e alívios, sonhos e os pesadelos, o que chamo de bem e de mal, a química que me possibilidade crescer, me compõe e, no fim das contas, melhoro.

É isso que me constrói. Só preciso enxergar e entender os sinais.

Estão todos aí. Só precisamos ver.